Tag Archives for " estava "

Jul 01

33 anos. Emblemático.

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

                De uma coisa tenho certeza: há 20 anos atrás, eu não tinha a mínima ideia de como estaria aos 33 anos. Há 20 anos atrás, minha maior meta nesta mesma época do ano era conquistar a gatinha da quinta série com a qual estava namorando sem que ela soubesse.

                Um bocadinho de vida depois, cá estou, profissionalmente satisfeito, bem casado, desenvolvendo novos e estimulantes projetos, planejando o primeiro filho.

                Muito trabalho, muita leitura, muito aprendizado. Se olhar para trás, comparado à média das pessoas que conheço, pouco descanso. Mas não me arrependo nem um pouco. Creio que, para mim, reduzir o ritmo da vida e fazer “menos coisas” como certa vez me pediram seria mais ou menos como ser criogenado para uma pessoa menos ativa.

                Este ano decidi não fazer nenhuma festa, nenhuma janta – simples ou especial – nem com amigos, nem com família, nem com esposa. Estou em um momento reflexivo (tem sido vários ultimamente [sinto falta do circunflexo em “tem”]) e do fundo deste poço que reflete minha própria imagem recebi uma proposta que decidi acatar.

                Ao pensar sobre o que já tenho – pelo qual sou muito grato à minha família, amigos, colegas de profissão, pacientes e, é claro, ao meu próprio esforço – e pensar sobre o que falta às pessoas ao meu redor, a partir deste ano decidi que, no dia do meu aniversário, quero abrir mão dos presentes materiais. Vou pedir aos amigos, daqui por diante, que se quiserem me presentear que façam uma coisa por mim:

– Pratique um ato de generosidade com alguém que não conhecem. Alguém fora do círculo de amigos, familiar ou profissional. Nos próximos dias, ou na primeira oportunidade que tiver, não perca a chance de ser generoso, da forma que melhor lhe aprouver e de forma que seja útil a quem se esteja sendo gentil.

               Como eu disse, é emblemático. Conseguimos fazer tantas coisas boas àqueles com os quais nos relacionamos mas, a maior parte de nós, não temos a mesma capacidade com outras pessoas, desconhecidas. Na segunda-feira, fui devolver dois DVDs na locadora e na saída, quando estava entrando no carro, um senhor me pediu dinheiro. Não tenho o hábito de dar dinheiro a quem pede pois não sei qual uso dele vão fazer e lhe respondi que não. Em seguida, o moço me pediu alguma coisa para comer, pois estava com muita fome e estava longe de casa, ao que também respondi que não, pedi licença e fui embora. Quase sincronicamente,  enquanto estava jantando, comecei a ler a revista Vida Simples de julho de 2009 (esta edição está particularmente ótima) e em um artigo sobre generosidade fui alertado de algo muito simples mas que muitas vezes nos passa desapercebido: “se o mendigo na rua fosse alguém que amamos, recusaríamos a ajuda que ele pede?”.

               Qual a origem deste tratamento díspar? O que promove esta individualidade do eu, do meu, do apego? Confesso que já estudo e tento me aperfeiçoar há tempos, mas exemplos como o desta segunda-feira mostram que ainda estou longe daquilo que admiro e suporto como ideal de vida em comunidade.

               Então, meu amigo, se quiser me dar um presente no dia de hoje, faça isso: pratique, com desapego, sem interesse por receber nada em troca, um ato de generosidade com alguém que você não conhece. Se calhar, permaneça com o espírito aberto, para repetir esta proeza quando for possível. Se conseguir, estará me dando um presente mais valioso do que qualquer um que já ganhei.

Jun 11

Leticia Wierzchowski e o processo contra Milton Ribeiro:ou a batalha entre o alazão negro e o alazão

By Rafael Reinehr | Blogosfera

Em função de uma viagem, não consegui me posicionar anteriormente em relação ao processo judicial iniciado por Leticia Wiezchowski, autora, entre outros, do livro A Casa das Sete Mulheres, e o blogueiro Milton Ribeiro. Entretanto, preciso somar minha voz a de tantos outros que o fizeram.

Não tenho nenhum tipo de relacionamento com Leticia Wierzchowski e, por outro lado, considero-me amigo de Milton Ribeiro, o que poderia interferir em meu julgamento. Entretanto, as considerações a seguir serão tecidas da forma mais isenta possível levando em conta meu contato com os envolvidos. Para ilustrar melhor o que penso, vou contar uma historinha, com dois personagens chamados Miltona e Leticio (sem acento).

Miltona é uma escritora gaúcha de razoável sucesso regional que teve uma de suas obras escolhidas por uma rede de televisão para ser vertida em uma minissérie transmitida nacionalmente. A minissérie obteve boa visibilidade e aumentou temporariamente o número de pessoas cientes da existência da escritora, que vendeu milhares de seu livro na ocasião.

Miltona, entretanto, não conseguiu manter sua sorte seu desempenho nas obras a seguir e, depois de tentar sua sorte no mundo da arquitetura, da moda e da construção civil, resolveu dedicar-se ao direito, quando decidiu processar um de seus leitores, Leticio Ribeirinho.

Leticio Ribeirinho, um sofrido leitor da obra de Miltona, havia escrito uma resenha tentando abrandar uma critica severa que sua autora preferida havia recebido alguns anos antes por um renomado ensaísta, crítico e escritor gaúcho. Entretanto, ao tentar abrandar a crítica à sua amada escritora, o tiro acabou saindo pela culatra pois, ao imaginar que Leticio estava lhe insultando, a atrapalhada* Miltona decidiu que estava na hora de conseguir uma graninha enquanto não arranjasse uma nova ocupação, talvez como atendente no Wally-Smart.**

Mas agora, por gentileza, deixem-me concluir abruptamente este texto por dois motivos: meus pés estão ficando gelados e estão cortando seringueiras centenárias na beira do rio porque “estão impondo risco ao moradores vizinhos”. Isso parece uma inversão da lógica: primeiro eu me mudo para o lado do depósito de lixo e depois peço à prefeitura para que mude o lixão de lugar… É como escrever um livro cheio de erros e esperar que não se façam críticas a ele. É dormir com a amante na própria cama com a esposa preparando o jantar na cozinha e depois reclamar se for pego no flagra.

E não deixem de ler todos os links indicados acima e abaixo. Esta é uma história que merece ser apreendida e acompanhada. 

 

* Alguns estudos sugerem que o analfabetismo funcional no Brasil chegue a níveis superiores a 70% da população.

** A descrição da referida profissão não tem nenhum caráter desmeritório > este disclaimer está sendo publicado a partir da observação de que algumas pessoas com visão enviesada podem crer que algumas profissões possuem importância inerente maior do que outras

*** Não deixe de olhar a página da Leticia Wierzchowski na Wikipedia.

 

Para entender o post acima, leia os seguintes links:

Leticia Wierzchowski processa este blog (I)

Leticia Wierzchowski processa este blog (II) – O conteúdo da inicial escrita pelo advogado de Roberto Carlos e da RBS

Leticia Wierzchowski processa este blog (III) – Algumas opiniões equilibradas

 

Continue lendo

Sport Club Internacional Campeão Invicto do Gauchão 2009
Abr 19

Internacional Campeão Gaúcho Invicto de 2009

By Rafael Reinehr | Futebol

Sport Club Internacional Campeão Invicto do Gauchão 2009 

Mais uma vez, não teve pra ninguém: o glorioso Sport Club Internacional de Porto Alegre sagrou-se bicampeão gaúcho neste dia 19 de abril de 2009, vencendo por históricos 8 a 1 o esforçado time do Caxias do Sul.

Depois de já ter conquistado a Taça Fernando Carvalho sem nenhuma derrota, que corresponde ao primeiro turno do Gauchão, o time do Beira Rio venceu também invicto a Taça Fábio Koff, sagrando-se, com 18 vitórias e três empates – um desempenho arrasador, que contou inclusive vitória sobre o arqui-rival Grêmio durante o torneio – Campeão Gaúcho Invicto de 2009.

Parabéns Colorado de ases celeiro!

A propósito, eu não estava no estádio, mas meu amigo Eduardo Sabbi estava. Quer ver ele? Então acha ele aqui: Gigafoto do Internacional (imperdível!!!)

Abr 03

Nonsense, Deus e o vendedor de suco e a Futura Utopia

By Rafael Reinehr | Nonsense

Hoje o dia amanheceu estranho (isso não significa necessariamente ruim!). Liguei o computador, uma mensagem esquisita em linguagem indecifrável dizendo que alguma coisa estava errada. Fui clicando nos botões e ele ligou. Está agora com a data de primeiro de janeiro de 2002. Amigos esotéricos e místicos, isso pode significar alguma coisa?

Enquanto estava tomando meu leitinho – hoje é feriado do aniversário de Araranguá (e, quem me acompanha sabe que me dei férias às sextas-feiras há pouco mais de um mês) – deu vontade de fazer caquinha (ei, o que está olhando? Você não faz?) e, para aproveitar o tempo, resolvi levar uns papéis de tempos imemoriais que encontrei no meio da arrumação das bagunças.

Este ao qual vou me referir abaixo, trata-se de alguns apontamentos que datam de 2004, pelo que pude arqueologicamente datar com ajuda do Carbono 14.

Naquela época, editava semanalmente o Simplicíssimo, que, como hoje, já apresentava textos geniais. Foi naquela época também que surgiram os personagens que dariam origem à série (inacabada) Diálogos com Deus, personagens como Deus, Maria, Jesus, o vendedor de suco, o Dr. Baratta…

E é sobre o Doutor Baratta que quero hoje falar. Dr. Baratta possuía uma clínica, em uma cidade chamada Futura Utopia (perdão pelo pleonasmo) que era rodeada então pelas cidades de Springfield – maior reserva natural de búfalos do mundo – , por Patópolis, Gotham City e Metrópolis (estava bem servida de heróis) e à pouca distância também existiam as cidades de Timbuctú e Cudumundópolis.

Na Clínica do D. Baratta, em Futura Utopia, clinicavam os seguintes médicos:

Dr. Zinho – Clínico geral

Dr. Neira – Neurologista

Dr. Tanakara – Cirurgião Plástico

Dr. Desilhas – Cirurgião geral

Dr. Niquete – Cirurgião vascular

Dr. Nozelo – Traumatologista

Dr. Cicolo – Cirurgião de cabeça e pescoço

Dr. Menta – Otorrinolaringologista

Dr. Tademusse – Gastroenterologista

Dr. Tuoso – Cardiologista e Cirurgião Cardíaco

Dra. Méba – Infectologista

Dra. Triz – Pediatra

Dra. Mante – Gineco e Obstetra

Dra. Tônita – Psiquiatra e sua irmã gêmea…

Dra. Tômica – Endocrinologista

Dra. Liche – Pneumologista e sua irmã

Dra. Tum – Nefrologista e finalmente,

Dr. Tanavista – Oftalmologista.

Outras prioridades fizeram com que nunca seguisse adiante com as histórias que poderiam sair nesta simpática clínica médica mas a lembrança que agora me vem a mente já foi suficiente para me fazer sorrir e ter um ótimo fim-de-semana.

E quem sabe algum dia estes personagens não tomam vida na forma de um conto longo? Quem sabe…

 

Continue lendo

Fev 01

As barreiras sociais para o vegetariano iniciante

By Rafael Reinehr | Veganos & Vegetarianos

Hoje Carol e eu tivemos nossa primeira prova de fogo para testar nosso vegetarianismo. Fomos convidados para o aniversário de um grande amigo que foi realizado na praia do Arroio do Silva, aqui perto. O prato principal: churrasco. Como entrada, salsichão e picanha na chapa.

Resistir à carne não foi problema. Depois de quase três semanas sem ela, quase já não sinto falta. O acompanhamento do churrasco todo mundo sabe qual é: arroz, maionese, uma salada, então já estava preparado para o que viria. O que eu realmente não esperava era que TODA A SALADA FOI PREVIAMENTE TEMPERADA COM VINAGRE! E, bem, eu detesto vinagre.

(continue lendo…)

Continue lendo

Jan 14

A Reforma Ortográfica e a Jiboia Voadora

By Rafael Reinehr | Herzlichkeit

E porque não brindar a genialidade de meus amigos? Se tem algo que quero manter sempre perto de mim são pessoas criativas, originais, inventivas e singulares.

Nada mais natural do que criar, aqui no Escrever Por Escrever, um espaço exclusivo para estes amigos e seus textos geniais.

Para estrear a coluna, trago o amigo Rodrigo Dall’Alba e sua genial paródia didática sobre a novíssima Reforma Ortográfica em seu conto "A Reforma Ortográfica e a Jiboia Voadora". Leitura obrigatória:

Continue lendo

Sedex Ulisses
Out 14

As balas de goma do Ulisses Adirt

By Rafael Reinehr | Novos Amigos

Costumo receber aquelas caixas amarelas do SEDEX com alguma freqüência (com trema, pois a reforma ortográfica ainda não "pegou"). Ontem recebi uma caixinha pequena com material de divulgação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia sobre obesidade. Hoje recebi outra, e desta vez não estava esperando. Não tinha feito nenhuma compra (na verdade tinha, mas não havia tempo hábil para meus DVD-R chegarem, já que a confirmação do depósito só foi feita nesta manhã).

Fui olhar o remetente:

Sedex Ulisses

Hummm… Ulisses Adirt? O que será que o dono de um dos melhores blogs da rede do OPS! quer comigo? Será que estaria ele a me encaminhar um de seus livros para apreciação? É claro que abri de pronto. Para minha surpresa, o que encontrei lá dentro foram…

Um pacote de gomas
…dois pacotes de balas de goma!

Não pude resistir! Caí na gargalhada! Que bela surpresa! Dia desses comentei com o Ulisses que adorava balas de goma e que aqui na região vendem sempre as mesmas balas de goma, da Dori, e que já estava enjoado. Agora, poderei me deliciar com gomas de outros sabores! Viva!

Por sinal, aquele pacote lá de cima já está aberto e pela metade, viu Ulisses? Tive que dar uma disfarçada para ficar bem na foto, hehehe!

E assim, as amizades vão frutificando. Conhecemos pessoas especiais que conseguem deixar noso dia mais leve e feliz com simples atos de desprendimento.

E você, para quem vai enviar um pacote de balas de goma?
 

Set 24

Nada existe

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Yamaoka Tesshu, quando um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:
"A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!"
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.
"Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"