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Endocrinologista e Nutriendocrinologista. Entenda a diferença.
mar 10

É Assim Que Se Aprende Endocrinologia! Nutriendocrinologia, Cursos Caça-Níqueis e Outros Desvios Éticos Aos Quais Você Precisa Ficar Atento

By rafaelreinehr | Medicina e Saúde

Como se forma um endocrinologista?

Quando você vai ao Endocrinologista, e ele solicita alguns exames, estabelece um diagnóstico e lhe sugere um tratamento, por trás dele existem 10 anos de estudo e aperfeiçoamento (6 anos na Faculdade de Medicina, 2 anos na residência de Medicina Interna e 2 anos na residência de Endocrinologia e Metabologia). Somente os estágios de residência (4 anos), exigem cerca de 11.500 horas de dedicação entre atendimentos ambulatoriais, pacientes internados, realização de procedimentos, rounds de discussão de pacientes e casos clínicos, estudos e plantões, muitos plantões!

Além disso, é importante lembrar que  para fazer Medicina, é necessário um concurso público. Para fazer Medicina Interna, mais um concurso público, com funil bem mais apertado. E para fazer Endocrinologia ainda mais um concurso público, com pouquíssimas vagas, onde somente os melhores entram.

Somente quem realiza residência médica em Endocrinologia e Metabologia ou é aprovado em uma prova anual de proficiência em Endocrinologia que tem direito ao RQE – Registro de Especialista, um número que deve estar presente em toda e qualquer publicidade e carimbo do médico. Fique atento(a)!

E um “nutriendocrinologista”?

Enquanto isso, vemos proliferar pelo Brasil uma onda de “cursos de formação” de “nutriendocrinologistas”, especialistas em “modulação hormonal”, criadores de síndromes inexistentes como “fadiga adrenal” e “hipotireoidismo com hormônios normais”, que são claramente atraídos pela existência de um público que está sempre em busca de algo novo e que não tem, necessariamente, a criatividade suficiente para se defender de pessoas cuja maior preocupação é não a saúde das pessoas mas aquela do seu próprio bolso.

Estes cursos de formação, alguns deles “aprovados pelo MEC” (pois tem o número suficiente de doutores que o MEC exige, entre outros parâmetros), são criados para beneficiar em primeiro lugar aqueles que os ministram (já que são cobrados altos valores para garantir a participação) e muitas vezes são realizados à distância, com um encontro presencial mensal. Para entrar? Basta pagar. Nenhuma seleção pública.

No outro dia, vi uma postagem de uma profissional da saúde se vangloriando de ter concluído um destes cursos, realizado por um “proeminente” médico, conhecido por sua visão polêmica em assuntos como “óleo de côco”, colesterol, dieta do hCG, no qual ela havia realizado 360 horas e havia sido certificada como “nutriendocrinologista”, palavra que em verdade não significa NADA, pois não é área de atuação reconhecida nem pelo MEC, nem pelo CFM, nem pela SBEM nem por nenhuma entidade internacional médica ou de saúde.

Como ocorrem os desvios éticos?

O que acontece a seguir? O próximo passo é começar a alimentar seu blog e Instagram com conteúdos relacionados à Nutrição e Endocrinologia, exaltando a sua “pós-graduação realizada em tal instituto ou com Dr. X”. O leitor incauto não consegue facilmente discernir entre alguém que realmente conhece a fundo todos os meandros e implicações endocrinológicas e metodológicas (o Médico Endocrinologista) daquele formado em cursos de final de semana (o “nutriendocrinologista”). Como nos lembra o doutor em Psicologia Moral Jonathan Haidt, nosso cérebro tende a se afixar primariamente às aparências e depois busca justificativas racionais para aceitá-las, ao invés de primariamente buscar discernir com cuidado sobre aquilo que se apresenta perante aos nossos olhos.

Assim, fica um alerta: se você realmente se preocupa com a sua saúde, busque ir além da superficialidade da internet. Descubra se o médico com o qual você está se consultando realmente dedicou – e continua dedicando – boa parte da vida para bem cuidar de você.

Descubra se o médico é um especialista de verdade

Entre na página do Conselho de Medicina do seu Estado, coloque o nome do médico que você quer saber mais (ou o CRM dele) e descubra se ele tem registro de especialista – ou se ele está enganando você com falsas promessas.

Por exemplo, as páginas dos Conselhos Regionais de Medicina do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são as seguintes:

RS: Médicos Ativos no RS

SC: Busca Médicos em SC

Na figura abaixo:

“Isso é com que se parece aprender Endocrinologia”

“Assim a 17-alfa-hidroxilase age na progesterona que se torna 17-alfa-hidroxi-progesterona que pode ou receber a 21-hidroxilase para se tornar 11-desoxicortisol ou receber 17,20-liase para se tornar a androstenediona”

“Eu estou confuso”

“Oh, desculpe! É um pouco complicado no começo. Mas eu trouxe comigo este diagrama que vai ajudar!”

Uma excelente jornada em busca do seu médico de confiança!

Glossário:

RQE: O RQE nada mais é que o Registro de Qualificação de Especialista. Trata-se de uma certificação, criada pelo Conselho Federal de Medicina, que tem a função de deixar claro quando um profissional da saúde é especialista em alguma área. Após a criação do RQE, tornou-se vedado aos médicos a auto divulgação como especialista, ainda que tenham sido aprovados no Exame de Título de Especialista. O RQE é emitido pelo Conselho Regional de Medicina de cada Estado. Para os médicos, o RQE é essencial para transmitir aos pacientes mais segurança e credibilidade, pois através dele fica comprovada a sua capacidade de especialização em sua área, reconhecida pelo CRM. Para os pacientes: antes de se consultar com qualquer profissional de medicina que se denomine especialista, cheque se o mesmo possui RQE. Trata-se de uma maneira simples e eficaz de evitar fraudes e profissionais despreparados.

hCG: Gonadotrofina Coriônica Humana, utilizada sem embasamento científico adequado como auxiliar no processo de emagrecimento. Existem estudos demonstrando que seu uso pode ser deletério à saúde. Vide http://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/posicionamento_oficial_hcg_sbem_e_abeso.pdf

CFM: Conselho Federal de Medicina – Regulamenta o Exercício da Medicina no Brasil – http://portal.cfm.org.br

CRM: Conselho Regional de Medicina – todo Estado tem o seu, monitora e regulamenta a atividade dos médicos em nível estadual

MEC: Ministério da Educação e Cultura

SBEM: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (http://endocrino.org.br) – Entidade Associativa que reúne médicos endocrinologistas de todo país, organiza eventos científicos e promove o esclarecimento da população quanto a assuntos relacionados à Endocrinologia e Metabologia e suas sub-especialidades.

abr 05

O Anarquismo e suas Aspirações – parte V

By Rafael Reinehr | Apontamentos Anarquistas

O Conteúdo Ético

Vamos apreciar a seguir os parâmetros, em breves pinceladas, desta ética anarquista comunal. Isso não significa mostrar a pintura completa, já que uma ética da liberdade deve ser construída e expandir com o tempo. Mas podemos tocar em algumas das aspirações mais proeminentes que unem os anarquistas.

Liberação e Liberdade

O Anarquismo promove uma noção dual de liberdade. Ele afirma a ideia de liberação, ou o que pode ser chamado de liberdade negativa: “estar livre de”. Mas está igualmente preocupado com o que pode ser chamado de liberdade positiva: “liberdade para”. Não é suficiente para as pessoas serem livres, por exemplo, do estado dizer a elas o que podem fazer com o seu corpo – como se elas podem fazer aborto ou não. Elas também precisam ser livres para fazerem coisas com o seu corpo – expressar várias sexualidades e gêneros, o que vai bastante além do que qualquer estado pode garantir ou tirar.

Se entendermos este senso de liberdade negativa e positiva, o que parece uma instância contraditória dentro do anarquismo passa a fazer perfeito sentido. Um anarquista pode firmemente acreditar que o povo Palestino merece ser liberado da ocupação, mesmo que isso signifique que eles criem seu próprio estado. O mesmo anarquista poderá firmemente acreditar que um estado Palestino, assim como todos estados, deve sofrer oposição em favor de instituições não estatistas. Um senso completo de liberdade sempre incluirá tanto os sensos negativos e positivos – neste caso a liberação da ocupação e simultaneamente a liberdade para se autodeterminar. De outro modo, como tanto os regimes Comunistas e liberais tem demonstrado, “estar livre de” tão somente apenas servirá para escravizar a potencialidade humana e, nos casos mais extremos, os próprios humanos; auto-governo é negado em favor de alguns governando outros. E “liberdade para” sozinha, como o capitalismo tem mostrado, servirá apenas para promover um individualismo egoísta e colocar cada um contra o outro; a autodeterminação atropela as noções de bem coletivo.

Constantemente trabalhar para trazer tanto a liberação quanto a liberdade à mesa,  nos momentos de resistência e reconstrução, faz parte do mesmo ato de aproximar  um mundo crescentemente diferenciado mas ainda harmonioso.

A Igualdade dos Desiguais

As pessoas não são iguais, e isso é algo bom. Comunidades, geografica e socialmente, também são diferentes umas das outras. Eis porque os humanos precisam ser livres para descobrir o que faz mais sentido para cada pessoa em cada situação. O Anarquismo acredita na habilidade de cada um em tomar parte do processo de pensar e agir sobre, de formas compassionadas, o mundo em que habitamos.  Ele mantém que todos merecem dar forma e compartilhar a sociedade – um princípio subjacente a toda ordem não-hierárquica. Mas não significa que todas as pessoas tem necessidades e desejos iguais, tampouco que estes sejam estáveis. As pessoas querem coisas diferentes através de suas vidas, bem como as comunidades tem demandas diferentes ao longo do tempo.

A ética anarquista da igualdade dos desiguais esmaga a noção desumanizante do capitalismo que todas as coisas, incluindo cada pessoa, é substituível – igual a uma coisa, e assim sem valor inerente – substituindo-a com o conceito rehumanizante do valor de cada indivíduo. Ela dá sentido qualitativo à justiça. Nas democracias representativas, a justiça é cega à singularidade de cada pessoa e à especificidade de cada circunstância. As particularidades dificilmente são medidas, e a “justiça”  é medida de formas largamente injustas. No anarquismo, ser justo significa estar atento às diferenças entre as pessoas e suas situações, o que por sua vez torna ao menos possível negociar relações pessoais e sociais, incluindo conflitos, de formas que são substantivamente justas. Todos e todas coisas tem valor igual e devem igualmente ser dadas condições de forma a se desenvolver completamente. Quais são estas condições, entretanto, pode diferir em quantidade e qualidade, baseado nas diferenças nas necessidades e desejos. Por exemplo: um cuidado de saúde ético não será uma lista básica de serviços, como se os corpos das pessoas fossem todos iguais. Nem será distribuído em porções exatamente iguais. Ela será, pelo contrário, ajustada de acordo com as necessidades de bem-estar individuais como um bem social sempre disponível, de forma tão abundante quanto possível.

A Cada, de Cada

Além da crença fundamental no valor de cada pessoa, uma ética igualitária anarquista também segue a noção comunista de “de cada um de acordo com suas habilidades, a cada um de acordo com suas necessidades”. Mas o Anarquismo lhe dá um ajuste crucial: “de cada um de acordo com suas habilidades e paixões, a cada um de acordo com seus desejos e necessidades”. Com esta visão, as pessoas contribuem de várias formas entre se e para suas comunidades e não simplesmente de uma forma econômica. Essa ética ajuda a colocar “a economia” dentro da totalidade da vida, e não o contrário, como vemos hoje. Nunca mais as contribuições serão desigualmente recompensadas por salários ou status, ou tornadas invisíveis quando elas não se encaixam na matriz econômica. A pletora das contribuições humanas será baseada no que as pessoas são boas em fazer, o que elas gostam e também o que elas coletivamente determinarem como desejável bem como necessário. As necessidades de uma pessoa (luvas de lã, maçãs ou livros) podem ser o desejo de outra pessoa. Em uma boa sociedade, as pessoas poderão satisfazer tanto quanto possível de ambos.

Todas as contribuições tem valor social, desde construir casas a cuidar de bebês a atuar em uma peça de teatro. Cada um deveria ser apto a focar nas coisas que querem fazer. Mesmo que algumas pessoas não possam trabalhar em diferentes pontos da vida – por exemplo, como uma criança muito jovem ou quando doentes – todos ainda receberiam o que necessitam e desejam. O trabalho em si mesmo teria um significado totalmente diferente, talvez até mesmo outro nome. A produção e a distribuição não iriam envolver compulsão ou adição, nem se tornar distintas de “tempo livre”. Elas seriam partes íntimas do que traz prazer substância à vida humana. As contribuições sociais assim, passar a ir além da noção limitada acerca daquilo que cada um é pago para fazer. Em seu lugar, a sensibilidade do “de cada, para cada” entende que cada um contribui para a sociedade mesmo que não esteja produzindo bens ou ofertando serviços. Ela garante que cada um é merecedor das bases materiais e não materiais para se desenvolver completamente.

Sem coerção ou escassez deliberadamente construída e mantida, as pessoas iriam fazer praticamente tudo que as comunidades precisassem ou quisessem, e as pessoas iriam escolher livremente aquilo que mais lhes dá prazer e gostam de fazer, como cultivar a terra, preparar comidas, escrever, pintar, apagar incêndios e desenvolver softwares… Aquilo que ninguém quiser fazer, como por exemplo, limpar um sistema de esgoto, seria dividido entre todos, ao menos entre todos aptos a fazê-lo. Assim, mesmo um médico poderia, uma vez ao ano, por exemplo, ficar responsável por este trabalho, para garantir o harmônico funcionamento da sociedade.

Essa ética também sustenta a ideia de que todos devem ser providos e cuidados, ou então, que as pessoas irão prover e cuidar umas das outras. Ela afirma que as comunidades humanas devem garantir que todos tenham o suficiente para se sustentar, como cuidados de saúde, e se enriquecer, como acesso a artes. Em caso de um acidente natural como um terremoto, por exemplo, as pessoas irão fazer seu máximo para distribuir os recursos limitados de forma a tomar cuidado de todos.

Uma biblioteca é um exemplo atual de como isso funcionaria: as pessoas veem as bibliotecas como algo necessário, útil e justo, todos podem usar a biblioteca, mais ou menos, conforme sua necessidade, e não sentem o senso de escassez. Tudo está gratuitamente disponível para todos. Elas podem usar a biblioteca gratuitamente ou, se desejarem, podem retribuir na forma de doações de tempo, serviços, livros ou dinheiro. Agora, imaginemos que tudo, desde energia até a educação funcionasse com esta ética do “de cada, para cada”. Muitos dos melhores experimentos anarquistas da atualidade estão tentando colocar esta noção em prática, desde cooperativas de alimentos e bicicletas, a comaprtilhamento de habilidades e clínicas grátis.

Apoio Mútuo

Baseado na premissa de que os humanos e o mundo não-humano parecem evoluir melhor quando existe cooperação, mesmo reconhecendo a competição como parte inerente da vida, é quando os humanos trabalham juntos que eles realmente florescem!

O apoio mútuo necessita relações complexas e intricadas bem como uma diferenciação harmoniosa para que hajam trocas recíprocas verdadeiras. Quando as pessoas cooperam, são aptas a produzir mais, materialmente e de outras formas. Mesmo quando não produzem mais, o senso de benefício individual e grupal é amplificado. A competição simplifica. Quando humanos competem, apenas alguns ganham. Isso faz sentido quando falamos de jogos; no contexto da sociedade, onde todos deveriam “ganhar” um mundo melhor, a competição é amplamente deletéria. Isso é particularmente verdadeiro quando se torna naturalizado como o valor chave da economia, jogando todos contra todos. Os anarquistas praticam há muito tempo formas de mutualismo como a base de uma economia não capitalista, onde a cooperação liga todos com todos.

O apoio mútuo é uma das éticas anarquistas mais belas. Implica em um senso de generosidade sem amarras, no qual as pessoas suportam umas às outras bem como os projetos uns dos outros. Ele expressa um espírito de mão aberta, de abundância, no qual a gentileza nunca está em falta. Ele aponta para novas relações de compartilhamento e ajuda, orientação e retribuição, como a verdadeira base da organização social. O apoio mútuo torna a compaixão comunal, traduzindo-se em mais “segurança social” para todos, sem a necessidade de instituições top-down. É a solidariedade em ação, escrita em letras grandes, quer seja ao nível local ou global.

Quando sentida e vivida fora da sensibilidade diária, em combinação com outras éticas anarquistas, a cooperação cria relações sociais diferentes, que oferecem à humanidade as melhores chances de transformar os valores da sociedade hierárquica. Em uma sociedade hierárquica, a caridade é uma forma de “dar” que não importa quão benevolente seja, acaba forjando relações paternalistas. Quem doa está em posição de autoridade; quem recebe sempre à sua mercê.

O apoio mútuo sugere relações recíprocas, independente de se o que é trocado é igual em tipo, forma ou quantidade. Humanos retribuem de várias formas – a desigualdade dos iguais. Indivíduos e sociedades florescem porque as diferentes contribuições  não tem o mesmo valor mas combinam-se para criar um todo maior.

 

(continua…)

Outras Partes:

Parte 1 – O Anarquismo e suas Aspirações

Parte 2 – Looking Backward

Parte 3 – Adiante! e Filosofia da Liberdade

Parte 4 – A Vida como um Todo

Parte 5 – O Conteúdo Ético

Parte 6 – Orientação Ecológica

Parte 7 – Acenando em direção à Utopia

Parte 8 – A Promessa Anarquista para uma Resistência Anticapitalista

Parte 9 Democracia é DIreta (em 12/10)

Parte 10 – Retomada das Cidades: do Protesto ao Poder Popular (em 19/10)

dez 11

O Sentido da Vida não precisa ser procurado fora dela mesma

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

A idéia de que a moralidade necessariamente foi “colocada” em nós me é totalmente estranha. Da religião cristã, retiro toda a teologia e cosmogonia e fico apenas com seus preceitos éticos. Não há que existir Deus, ou louvar a um Deus para ser generoso, justo e bom. A moralidade é uma característica que pode ser cultivada em ateus e que pode grosseiramente estar faltando naqueles que crêem em Deus.

Os seres humanos são fracos. Temos fraqueza de querer. Nós nem sempre fazemos aquilo que sabemos muito bem que deveríamos fazer. E isso, em muitas pessoas, produz o fenômeno da culpa, do remorso. A culpa é uma força negativa poderosa na cabeça das pessoas. As pessoas não gostam de sentir culpa, é um mau sentimento. Assim, a idéia de Deus, mais forte do que a simples ideia de uma moralidade, acaba por dar um motivo mais forte às pessoas para fazer o certo de forma regular. Assim, a existência de Deus pode ser uma necessidade para algumas pessoas. Se a força que possuem não lhes permite ser moralmente corretos somente pelo fato de que esta seria a escolha certa a ser feita, então há que se ter um Deus para regular e “fiscalizar” os atos dos homens.

É muito melhor fazer as coisas certas porque são boas e SOMENTE porque são boas do que fazer porque algum Deus está nos olhando e irá nos recompensar!

Um dos principais argumentos para não acreditar em Deus diz respeito ao fato de que, se ele é todo-poderoso, onisciente e todo-generoso, como pode haver tanto sofrimento na terra? Tantas catástrofes naturais, tanta maldade, doenças genéticas que trazem sofrimento às famílias e aos portadores das enfermidades? Se existe um Deus todo-poderoso que poderia evitar isso e ele não o faz, não é o Deus ao qual quero me reportar ou com o qual quero me relacionar. Se um ser humano resolve fazer experiências colocando dificuldades e sofrimento na vida das pessoas, como Joseph Menguele por exemplo, você acharia isso correto? Imputar sofrimento às pessoas somente para ver “como elas enfrentarão as dificuldades”, dando-lhes o livre arbítrio?

out 31

Charles Darwin, e a ética para com os animais

By Rafael Reinehr | Entre Aspas

É justo fazer um animal sofrer? É aceitável, moralmente aceitável que os humanos se utilizem dos animais da forma que fazem hoje, sem o devido respeito?

Darwin disse:

“Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.”

É possível utilizar os animais para nosso sustento sem ferir um direito fundamental que parece existir à vida de quem nos cerca? Refletindo sobre a questão…