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Por que gosto de chuva

Por que gosto de chuva


Posted By on dez 11, 2009

chuva

Hoje passei o dia meio cansado, desanimado, desmotivado.

Na verdade, não faltam propósitos ou motivos para me mexer, buscar melhorar, ser feliz, nada disso. Foi apenas uma sensação que durou parte do dia. Carol e eu até brincamos que é “excesso de empatia”, já que ela também está em fase de recuperação de um pequeno procedimento cirúrgico…

O fato é que o dia estava abafado e, além de cuidar dela, não tinha vontade de fazer mais nada – coisa praticamente impossível de imaginar em se tratando de mim.

Foi quando vi algumas nuvens se formando e um vento diferente se aproximando das árvores ali fora. Senti que a chuva poderia estar chegando. E desejei que chegasse. Nesse momento, já a escuto ao longe, e sei que vai chegar a qualquer instante.

Não sei em que exato momento da vida passei a ter esta fascinação por chuva, este gosto, prazer de ouvir, sentir, olhar para a chuva. Minha memória mais remota me leva para os domingos em minha cidade Natal, em Agudo, em uma época em que meu avô materno, seu Waldemar, ainda era vivo. naqueles domingos, tínhamos um almoço “diferente”, em família, e também haviam as corridas de fórmula 1. Mas do que lembro mais nitidamente eram destes mesmos domingos chuvosos, em que a chuva batia na janela envidraçada, sem venezianas, que temos na sala de estar de nossa casa. A chuva, para mim, remete à simplicidade e felicidade daqueles dias, e sempre que ela se aproxima, vem junto uma boa sensação, um bem estar.

O fato é que muitas coisas podem ter ajudado a causar a sensação de mal estar de hoje mais cedo: o fato de eu ter caído e voltado a comer carne – hoje me considero um “vegetariano fraco”, porque o desejo ainda está presente, mas a vontade fraquejou. Não estou comendo carne como antes, apenas uma vez por semana, mas mesmo assim me sinto um pouco derrotado.

Além disso, tem a Coolmeia, e a vontade de fazer acontecer logo este “mundo melhor”, este “despertar na consciência” que reduza a ganância das grandes corporações, que ajude as pessoas a viverem melhor consigo mesmas e com aqueles que os cercam.

Estou lendo um livro bastante gostoso, chamado A Arte da Felicidade – Um Manual para a Vida, de Howard Cutler. O autor é um psiquiatra americano, que passou boa parte do tempo acompanhando o Dalai Lama, líder espiritual e político tibetano em algumas palestras nos EUA e também em sua casa em Dharamsala, seu local de exílio na Índia. No livro, Cutler tenta traduzir o pensamento budista para que o leitor ocidental possa melhor entender sua mensagem. Acho que seria interessante plotar algumas das mensagens que estou recebendo e revisando.

Sempre defendo a leitura dos originais, tanto quanto possível, mas também não sou mais supercrítico quanto a releituras como esta de Howard Cutler. Acredito que cheguei em um ponto da vida no qual já aprendi a separar o joio do trigo na maior parte das vezes e, de um livro assim, consigo separar o que é bom e pode ser aproveitado, daquilo que deve ser descartado.

E por falar em livro, vou seguir minha leitura. Com sua licença…

Foto: Ben
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É tão bom escrever em uma tela de 21 polegadas,

sentado em uma cadeira confortável, em uma sala climatizada, com boas perspectivas para o futuro e com atucanações que, em geral, são resolvidas a contento…

Apesar da grande carga de trabalho, tenho conseguido ler bastante. Tenho aproveitado horários de almoço, intervalos de consulta, momentos de viagens, idas ao banheiro… Uma das minhas leituras mais recentes, Deep Economy – The Wealth of Communities and The Durable Future, de Bill McKibben, aprofundou meus próprios insights sobre o mundo, o consumo e a sustentabilidade de nossas maneiras e de nossa Natureza.  É um livro que fornece exemplos suficientes sobre o que é, e sobre como deveria e poderia ser o mundo se fizessemos escolhas diferentes (melhores) do que as atuais.

Apesar de certamente não me encaixar entre as pessoas mais consumistas da face da terra, tenho sim um desejo de conforto e de extrair prazer dos frutos do trabalho (dinheiro) que, de sol a sol (ou no caso, de fluorescente compacta a fluorescente compacta) tenho colhido.

A noção de pegada ecológica já me é familiar há um bom tempo, e creio que seja extremamente válida para avaliar nossa relação com o mundo. Saber se tiramos mais ou se repomos mais (é raríssimo encontrar um ocidental que repõe mais do que tira da Natureza). É importante saber o impacto que temos e também é importante saber se somos ou não afetados moralmente pelo impacto que causamos. Posso dizer, sem medo, que gosto mais das pessoas que se importam. Pessoas que, com humildade, reconhecem que poderiam estar fazendo melhor. Tento me afastar das que não reconhecem o fato de que estamos todos conectados e que hábitos somente “extrativistas” (tirar do meio sem se preocupar em repor) tendem a extinguir o que conhecemos como natural e, em muitos casos, levam à extinsão de possibilidades, biodisponibilidades e biodiversidades.

Mas o papo é longo. Vim aqui só pra dizer que voltei, em meio a um delicioso Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes em Fortaleza e à confecção de meu livro sobre Qualidade de Vida, Bem-Estar e Felicidade, por aqui darei as caras de quando em vez. Semanalmente pelo menos, assim espero.

E estou com saudades dos amigos leitores e blogueiros.

Não pensem que este que vos fala não se lembra de cada um que comentou aqui recentemente ou mesmo em tempos idos. Estão todos guardados no meu coração e na minha memória.

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“Importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor, é o único contributo imediato para a sua felicidade e para o seu bem-estar”

Arthur Schopenhauer

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