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Artigos científicos com Acosse Livre!
jun 22

Artigos científicos serão totalmente liberados na União Européia até 2020

By rafaelreinehr | Saúde da Sociedade , Sociedade

Em busca do conhecimento livre:

No último dia 27 o Conselho de Competitividade da União Européia determinou que todos os artigos acadêmicos produzidos por instituições públicas ou privadas do bloco econômico deverão ser disponibilizados em caráter de Acesso Aberto até o ano de 2020.paywall

Fonte: http://meiobit.com/345185/uniao-europeia-determina-que-todos-artigos-cientificos-produzidos-no-continente-sejam-disponibilizados-em-acesso-aberto-ate-2020-elsevier-e-nature-sao-contra-a-resolucao/

Enquanto isso, vamos de Sci-Hub!

1. https://en.wikipedia.org/wiki/Sci-Hub

2. http://www.sci-hub.io/ (frequentemente fora do ar ultimamente, em função de brigas judiciais)

Comida Livre - mapeamento colaborativo.
fev 03

Comida Livre – Mapa dos Alimentos Livres do Mundo

By Rafael Reinehr | Agir localmente , Coolmeia , Ecologia , Efervescências , Ideias , Novidades! , Saúde da Sociedade , Sociedade , Sustentabilidade e Resiliência

A ideia do Comida Livre nunca foi muito humilde não: tínhamos, Arthur e eu, pensando em criar um mapa que pudesse mapear desde novas mudas de árvores plantadas em ambientes urbanos (ou, porque não, rurais), mas também e principalmente, mapear hortas coletivas, hortas comunitárias, hortos medicinais, PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), locais em que fossem jogadas bombas de sementes e pontos de descarte de alimentos não comercializados.

Captura de Tela 2016-02-03 às 00.14.31

Esse portal seria tão mais importante quanto fosse se tornando mais difícil o acesso ao alimento.

Hoje, apesar de todas as críticas que temos à sociedade industrial, ainda se consegue comida de forma suficiente em um país como o nosso, Brasil. Com a escassez do petróleo, o aumento dos custos de produção e distribuição dos alimentos que se seguirá nas próximas décadas, o acesso a alimentos de qualidade irá se tornar mais e mais difícil.

Mapear a Comida Livre, em primeiro lugar por uma questão de locavorismo e de soberania alimentar, mas também para defender a permanência e a existência de árvores e espaços que produzem os alimentos localmente em nossas cidades vai se tornar uma questão de “advocacia”, quando os mecanismos repressivos neofascistas começarem a ampliar seu controle para cima desse tipo de alimento que, inevitavelmente, tentará ser proibido nos anos que virão. Na Espanha, ao invés de incentivar a  produção de energia a partir do Sol, as pessoas são taxadas e desincentivadas a fazê-lo, em alguns estados dos EUA, é proibido coletar água da chuva, na Nova Zelândia, é proibido cultivar verduras e legumes em seu próprio jardim… E é só o começo.

Então, fique atentx! E aceite meu convite: visite o Comida Livre e mapeie tudo que for alimentício perto de onde você mora, estuda, trabalha. E monitore a continuidade desse alimento livre na sua cidade, além de incentivar o surgimento de mais hortos medicinais e hortas coletivas, bem como pequenas sacadas e até vasos ou latas comestíveis!

E Compartilhe essa ideia!

Energia limpa e sustentável
mar 17

Inversor de 12 volts para 220 volts

By Rafael Reinehr | Sustentabilidade e Resiliência

Hoje realizamos a primeira reunião de uma força-tarefa idealizada para ajudar no processo de transição para uma sociedade mais livre e limpa energeticamente. Em uma reunião na UFSC – Araranguá, estivemos Werther Serralheiro, Eduardo Tocchetto, Gabriel Lobato, a equipe da Empresa Jr. da Engenharia de Energia da UFSC (Jamil Bacha, Hanna Itamaro, Leticia Dalpaz, Caroline Farias, Rodolfo Souza, Raffaela Zandomenego, Ronaldo Torres da Silveira) e eu, Rafael Reinehr, reunidos para dar o primeiro passo em um projeto que deverá, entre outras coisas:

– pesquisar a matriz de ventos de Araranguá

– criar um projeto de fácil reprodutibilidade, open source, de geração energética eólica

– possibilitar o espalhamento da tecnologia para residências e áreas rurais, a baixo custo, com materiais majoritariamente locais ou nacionais

Conversou-se também sobre a necessidade de pensar no desenvolvimento de um inversor de 12 volts para 220 volts, enquanto o mercado não está pronto para produzir equipamentos de 12V de corrente contínua, como os produzidos pelo gerador eólico.

Definimos que iremos tentar conseguir algum apoio financeiro inicial via crowdfunding, talvez através do Catarse.me. O resultado do projeto será disponibilizado de forma livre, com tutoriais e documentação completa para poder ser reproduzido por indivíduos e instituições que desejarem possuir independência energética a partir da força dos ventos, onde isso for possível e desejável.

Observação: O título deste post é Inversor de 12 volts para 220 volts para demonstrar ao Gabriel como podemos colocar algumas palavras-chave entre os 10 melhores resultados do Google em poucos dias usando algumas ferramentas de SEO. Espero que funcione.

Caminhar e conversar
nov 15

Um passeio socrático, de Frei Betto

By Rafael Reinehr | Quase-Idéias

Hoje recebi da Suzana Priz, pela lista de e-mails da Coolmeia, um texto em que, ao bater com o título, me inspirou uma ideia: e se, ao invés de nos reunirmos sempre do mesmo jeito, em salas fechadas, sentados em cadeiras ou poltronas, ou mesmo ao ar livre, mas sempre sentados, passemos a realizar alguns encontros em movimento, conversando enquanto caminhamos?

Pois acho que vou propor este tipo de atividade para os membros da Coolmeia e também aqui na minha cidade, para o coletivo APonte! e outros grupos. Quem sabe dialogando enquanto oxigenamos melhor nossos cérebros, caminhando, encontramos uma maneira de realizar melhores pactos, melhores acordos, tomamos melhores decisões pensando coletivamente?

Segue abaixo o texto enviado pela Susana mais cedo. Vale muito a leitura, uma reflexão cara que todos nós precisamos fazer.

Um passeio socrático

Frei Betto

Ao  viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São  Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares,  preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já  haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um  outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois  modelo produz felicidade?’

Encontrei  Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foi à  aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de  manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’. ‘Que tanta coisa?’, perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de  meditação!’

Estamos construindo  super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do  interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não  tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em  relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como  estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como  fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a  palavra é virtualidade. Tudo é virtual.. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga  íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de  prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais….

A  palavra hoje é ‘entretenimento’. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a  publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é  o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’ O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que  acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a  neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades,  auto-estima, ausência de estresse.

Há uma  lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média,  as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil,  constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há  mendigos, crianças de rua, sujeira pelas  calçadas…

Entra-se naqueles claustros  ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.  Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos  de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na  eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald…

Costumo  advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro  comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!”