Encontrando pessoas genuínas e singulares… Criando um Agora melhor para todos…

Bem, quem me conhece sabe do meu idealismo… Um pouco dele pode ser visto aqui, no meu convite aberto escrito em 01/01/2012 no texto Eu tive um sonho.

Mas construir uma realidade melhor para nossa espécie e para os demais seres vivos que harmonizam conosco nesse planeta não é tarefa para uma pessoa só. Mas como já dizia a Margaret Mead: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos conscientes possa mudar o mundo. Afinal, foi isso o que sempre aconteceu“.

E cá estamos nós, buscando reunir pessoas que pensem e atuem “fora da caixa”, ou seja, que não se sujeitam a repetir os mesmos e velhos processos mastigados e desgastados de outrora, mas que buscaram por si e que galgaram através da experiência, do conhecimento e da observação atenta um caminho novo, singular e harmônico para si e para as pessoas ao redor. Quer seja em pequenos ou grande atos, estamos unidos por uma teia invisível que nos leva ao Bem Comum.Se você está lendo este texto é porquê, provavelmente, está atendendo ao meu convite feito na Rede Dots. Relembrando o que escrevi lá:

 

“Queridx dot, cheguei há algum tempo e depois de observar, resolvi tomar coragem e me apresentar.

Sou o Rafael, médico endocrinologista, fundador da Coolmeia Ideias em Cooperação e do Medictando & ZenNature, iniciativas voltadas à promoção do Bem Comum, à educação em Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade e à distribuição de produtos para o Bem viver, respectivamente.

Passo aqui para solicitar seu auxílio em algo que pode trazer um bem danado para o nosso mundão. Como médico “um pouco diferente” que sou, estou sempre à procura de profissionais das áreas de saúde, bem-estar, qualidade de vida e felicidade “fora da caixa”, fora desse sistema industrial insano no qual vivemos e, se não tomarmos atitude, morreremos.

O que quero de vocês é simples: quero indicações de médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, dentistas, bioconstrutores, arquitetos, designers sociais, economistas, cientistas políticos, antropólogos, cicloativistas, ativistas socioambientais, defensores de energias limpas e renováveis, recicladores, terapeutas e curadores de todos os tipos e todo tipo de pessoa preocupada com o bem-estar geral da humanidade e do planeta que, entretanto, mantenham um olhar crítico sobre a própria prática, sem torná-la hermeticamente fechada.

Quero fazer a estas pessoas o convite de tornarem-se colunistas do Medictando e ampliarem o bem que produzimos, para que possamos chegar a cada vez mais pessoas.

Posso contar com você para isso? Se este convite ressoar e fizer sentido para você, marque as pessoas que julgar que possam se interessar ou envie um e-mail para info@medictando.com

Vais me deixar muito feliz e ajudar muito ma minha jornada para deixar este mundo melhor para nossos filhos.

Namastê.”

Bem, se você já está decidida(o) a participar do Medictando, aqui vai o link para o Formulário no qual você pode fazer sua inscrição para a criação de sua coluna: Vou Ser Colunista do Medictando.

Se você, por outro lado, quer saber mais antes do começar, siga lendo!

Antes de mais nada, saiba que eu ADORARIA (de verdade! mesmo!) poder falar individualmente com cada uma das pessoas que levantou o dedo ou que foi indicada a partir daquela postagem no grupo Dots, mas a resposta foi tão mais maravilhosa do que eu podia esperar e, mesmo extasiado e imensamente feliz, sei que não poderei fazer isso em um curto período de tempo, e como não queria deixar ninguém esperando, a solução que tive foi esta: a de criar uma postagem que comunicasse de forma coletiva A que viemos, quem somos e, a partir dela, iniciar um fluxo de conversações mais lento e orgânico, como deve ser. Sem pressa, cultivando horizontes e resgatando potências poéticas da vida no caminho.

A riqueza das respostas ainda está me energizando mesmo depois de vários dias, e sou imensamente grato ao Universo e à Natureza por estar tendo esta chance de apresentar meu trabalho a você, agora.

O Medictando é um portal de Educação em Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade. Ele surgiu a partir de uma inquietação e de uma busca. De uma incompletude. A história é mais ou menos assim:

Em uma das múltiplas derivações possíveis deste sonho, surgiu o Medictando, um espaço de aprendizagem sobre Saúde, Bem-estar, Qualidade de Vida e Felicidade. Uma plataforma na qual pudéssemos colecionar e remixar conhecimentos ancestrais e de vanguarda, científicos e intuitivos, oriundos da experiência dos laboratórios, dos consultórios, das conversas de vizinha e dos pés de mangueira. Um ambiente no qual pudéssemos meditar sobre a prática do medicar.

Uma percepção mais detalhada para saber a que viemos, pode ser lida no Nossa Visão. Mas não é só isso. Siga lendo!

O Medictando é um portal cuja missão é produzir 80 a 90% de seu conteúdo e distribui-lo de forma gratuita, para que o maior número de pessoas possíveis possam se beneficiar. Para garantir a sustentabilidade da nossa iniciativa, escolhemos dois caminhos:

  1. Criar uma série de cursos, oficinas, livros, materiais de apoio (CDs, DVDs), palestras que eventualmente podem ter um custo e, desta forma trazer justo e verdadeiro benefício também para o criador desta dádiva que é o conteúdo gratuito.
  2. Criar um “braço econômico”, através de um marketplace, uma vitrine de produtos orgânicos, saudáveis e sustentáveis, oriundos do comércio justo, que não maltratem os animais e respeitem a harmonia do humano e da Natureza. Essa vitrine chama-se ZenNature (natureza zen) e está neste momento convidando produtores parceiros para exporem e distribuirem seus produtos através da nossa plataforma.

Hoje, o investimento mensal para manutenção do Medictando (jornalista, designer gráfico, social media, anúncios, servidor e demais custos) é custeado por mim. No futuro, o próprio site e seus mecanismos de sustentabilidade econômica deverão se tornar, também, autossustentáveis. Acreditamos no propósito e no caminho, e com trabalho, apoio mútuo e dedicação, os frutos sobrevirão, no justo e adequado tempo.

No momento, toda colaboração é muito bem-vinda (tanto na forma de produção de conteúdo (artigos, podcasts, vídeos, cursos online (temos estrutura para disponibilizar estes cursos para os produtores de conteúdo) quanto na forma de auxílio em todas as instâncias da plataforma – gestão, revisão, deliberação criativa, tradução, arte, design, produção audiovisual…).

Conheça o site visitando http://medictando.com

Nossa página no face está em https://facebook.com/medictando

Também estamos no twitter, no Youtube, no Instagram e mui timidamente no Periscope.

Sem muito alarde, mas com foco, amor e perseverança, temos o pequeno sonho de nos tornarmos um dos melhores produtores de conteúdo sobre Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade do Brasil até 2020 e, quem sabe, um dos mais significativos do planeta até 2031 (já estamos caminhando, com tempo te conto todas as iniciativas já em andamento!)

Tão logo os recursos disponíveis passem a se tornar excedentes, passaremos a remunerar toda e qualquer função dentro do Medictando. Mas fica um alerta!!! Já participei de vários projetos online desde 2002 e isso (a perspectiva de remuneração) não pode ser fator determinante para que você decida participar deste projeto! O fator determinante sempre deverá ser o de buscar produzir o máximo de Bem Comum a partir da sua ação intencional neste planeta.

Se você está de acordo com isto, não perca tempo e preencha o formulário abaixo, falando mais sobre Você e sobre sua Coluna:

Formulário de Participação no Medictando

Se você gostaria de participar do Medictando de outra maneira que não através de uma coluna, por favor envie um e-mail (info@medictando.com) e explique como você se vê colaborando! Estou muito atento!

A partir destas respostas, e se houver interesse verdadeiro em participar, estarei entrando em contato individualmente para conversar sobre os detalhes particulares de cada um!

Espero que esta mensagem te traga o bem,

Namastê.

Rafael Reinehr
Segunda-feira, 24 de outubro de 2016.

 

Saúde Parte VI – de VIII

pegadas

Se quiseres planejar para um ano, plante cereais. Se quiseres planejar para trinta anos, plante árvores. Se quiseres planejar para 100 anos, eduque o povo.” – Provérbio chinês

Saúde sem educação é a maior utopia possível. Uma pessoa que não foi educada para saber diferenciar entre o certo e o errado, o que nutre e o que envenena o corpo, conta tão somente com a sorte para sobreviver a toda sorte de ofertas de alimentos com embalagens coloridas, que ficam prontos em 2 minutos no microondas, frutas vistosas (repletas de agrotóxicos e fertilizantes químicos) e mesmo terapeutas charlatães que vendem tratamentos milagrosos para perda de peso, benefícios estéticos ou mesmo curas milagrosas para as mais variadas afecções.

Um ser humano que aprender a se defender das desinformações que o mundo moderno, tal qual George Orwell previa em 1984, nos fornece, tem mais condições de viver uma vida saudável e longeva. Eis a importância, como citei há algumas edições atrás, da criação não somente de Postos e Unidades de Atenção à Saúde (que em sua grande maioria são Unidades de Atenção à Doença), mas de Centros (Populares) de Educação em Saúde e de uma verdadeira e efetiva Rede Integrada de Educação em Saúde, capaz de transmitir o conhecimento que fica encastelado e centralizado na figura dos profissionais de saúde, tanto clínicos gerais quanto especialistas das diversas áreas de atenção aos pacientes e distribuir este conhecimento, tornando não só o acesso à saúde mas o conhecimento acerca do que é bom e preferível e o que deve ser evitado mais democrático e distribuído.

Quando pensamos que nosso ecossistema como um todo é responsável pela nossa saúde, desde o ar que respiramos, a água que ingerimos, a violência de nossa urbe, etc., nos damos conta de quão importantes são os exemplos que nossas escolhas e nossos atos proporcionam para quem está á nossa volta e para as gerações vindouras. Como dizia B. K. Jagdish:

“Nossos pés deixam pegadas na areia do tempo. Se estivermos no caminho errado, muitos nos seguirão, desviando-se do que é correto. Quando pensamos que uma ação é só por aquele momento e esquecemos que ela deixa um rastro atrás de si, não estamos sendo responsáveis. Todas as nossas ações afetam os seres humanos, dando-lhes alívio ou tristeza. Podemos fortalecê-los ou não. Podemos causar ferimentos ou curas. Podemos gerar conflitos ou resolvê-los. Podemos criar cataclismas ou algo nobre para a sociedade.”

Existe ainda uma outra lição bem interessante e inteligente, que nos liga à frugalidade, discutida anteriormente, e também à preocupação com a questão sistêmica do planeta e, de forma interdependente, às nossas relações com os outros humanos, que é a de manter uma atitude “verde” para com o mundo. Sobre isso, diziam Penny Kemp e Derek Wall, ecologistas britânicos:

“Como ser verde? Muitas pessoas nos perguntam esta importante questão. É realmente muito simples e não requer nenhum conhecimento especializado ou habilidades complexas. Aqui está a resposta. Consuma menos. Compartilhe mais. Aproveite a vida.”

Mas, muitas vezes, quando tudo o mais parece não resolver, o melhor que temos à fazer para manter ou para recuperar a saúde é fugir. Mas não a fuga do depressivo ou a fuga do amedrontado: uma fuga consciente, como estratégia para equilibrar a loucura e a serenidade presentes em cada um de nós. A fuga para encontrar a justa medida. O (quase) perfeito equilíbrio. Henry Laborit nos dizia:

“Em tempos como este, a fuga é o único meio para manter-se vivo e continuar a sonhar.”

E Hakim Bey nos ensina, em TAZ – A Zona Autônoma Temporária, Anarquia Ontológica e Terrorismo Poético, como usar a tática ninja do desaparecimento para realizar nossa essência longe dos olhos de quem nos controla, quer seja o Estado, a Igreja, a Escola ou mesmo a Família, sempre que precisamos exercer nosso direito à liberdade e à integritude. Quando, finalmente, nem a fuga dá certo, nos resta mais uma opção para invocar um surto instantâneo de saúde em nossas artérias e espírito: Rir! Esse sim, é o melhor remédio!

Como dizia Mort Walker, “Abençoados os que sabem rir de si mesmos, porque nunca deixarão de divertir-se”.

E não é verdade? Já existem até estudos científicos comprovando os efeitos benéficos de sorrir e gargalhar sobre a saúde humana!

Nao próximo texto, o sétimo e penúltimo da saga “Saúde”, veremos como Ralar o joelho, Revoltar-se, Desobedecer, Diversidade e Respeito se relacionam com o conceito de saúde. Até lá!

Promoção de Lançamento do Intentio – Serviço de Orientação em Medicina e Saúde

intentio-promocao

Olha só a promoção superbacana que eu, juntamente com meus companheiros do Medictando e do Intentio estamos lançando:

Quer Ter uma Vida Saudável Mas Não Sabe Por Onde Começar?

O Intentio – Serviço de Orientação em Medicina e Saúde oferecido pelo Medictando está lhe dando a chance de:

GANHAR 30 dias de Orientações em Saúde Grátis e ainda um Kit de Alimentos Saudáveis entregues na sua casa!

SAIBA COMO acessando a página da promoção em: https://www.sorteiefb.com.br/tab/promocao/534906

Aproveita vivente! O Sorteio é em 31 de março de 2016.

Procura-se e Precisa-se de Tradutores e Tradutoras em Várias Línguas: Inglês, Espanhol, Italiano, Francês, Alemão, Russo e Chinês

tradutores

Estaremos contratando tradutores para os projetos da The Brains Cooperation, dentre eles o Medictando e a Coolmeia. Alguns precisaremos de disponibilidade em tempo integral e outros para trabalhos eventuais, mas com alguma regularidade.

Se você tiver disponibilidade de tempo e capacidade de tradução irrepreensível na língua ou línguas que dominas, entre em contato pelo formulário abaixo:

Saúde – parte III (de VIII)

impermanencia
Ser sustentável é manter-se através das gerações, de forma a manter um estado de equilíbrio que possa ser aproveitado por tempo indeterminado. Manter completamente a integridade física é algo, até agora, inimaginável. Sabemos que o corpo sofre degenerescência, envelhece. Ser sustentável, entretanto, refere-se também a fazer escolhas saudáveis, como alimentar-se com produtos orgânicos que, além de nutrirem mais e melhor, vem sem os terríveis agrotóxicos, indutores de cânceres e uma leva de doenças de todos os tipos, não só a partir do que comemos mas também da contaminação das águas que ingerimos e até do ar que respiramos ou entra em contato com nossa pele. Refere-se a usar menos o automóvel e usar mais a bicicleta ou transportes coletivos, ajudando a poluir menos e melhorar o ar que respiramos e, no caso da bicicleta, nossa aptidão cardiovascular. É fazer escolhas que nos levem além de um pensamento imediatista focado no lucro, até um outro focado na regeneração dos recursos naturais e humanos.
 
Resiliência é uma palavra muito interessante. Ela é utilizada na física, na psicologia, na engenharia e também pode ser usada no campo da saúde, quando nos referimos à manutenção ou retorno a um estado de homeostase, de equilíbrio. Sem resiliência, adoecemos. Falta de resiliência é sinônimo de incapacidade de se adaptar a mudanças no ambiente externo ou em nosso próprio corpo. Entender o conceito de resiliência pode nos ajudar a compreender porque algumas pessoas entregam-se mais facilmente quando algo lhes tira do equilíbrio e outras conseguem retornar ao estado de saúde mais prontamente.
 
Felicidade é, para muitos, sinônimo de saúde. Ser feliz é não querer nada mais do que se tem. Apesar de ser um sentimento individual, pode ser irradiado e contaminar outras pessoas. Em linhas gerais, a felicidade é realmente contagiosa e pode ajudar a melhorar não só a saúde de uma pessoa mas também de uma comunidade, de uma população.
 
Associamos felicidade com conquistas, mas a felicidade está no fato de que, naquele momento, paramos de buscar. Felicidade tem a ver com o Fim da Busca. Aquele que não busca já alcançou. Nada o tira do equilíbrio. 
 
Um conceito muito curioso que está atrelado a um estado de espírito saudável é o de impermanência. Pessoas que compreendem que as coisas vem e vão, inexoravelmente, conseguem minimizar o sofrimento quando ocorrem perdas de qualquer tipo, desde a perda de um familiar até a perda de um dente. 
 
Uma pitoresca parábola budista conta que em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
Passa-se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
– Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos…
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
 
Essa história, e o conceito de impermanência, nos lembram de viver o presente, sem deixar para amanhã e, mais importante, sem viver com o pensamento fincado no passado ou somente focando no futuro.. Conseguir isso também garante nossa saúde por mais tempo.
 
No próximo artigo buscaremos entender expressões como Mudança, Ir com o Fluxo, Alteridade, Olhar sob diversas perspectivas, Descolonização do Imaginário e Desapego significam saúde, sob vários aspectos..

Viktor Frankl e O Sentido da Vida

Não é verdade que o homem, propriamente
e originalmente, aspira a ser feliz? Não foi o
próprio Kant quem reconheceu tal fato, apenas
acrescentando que o homem deve desejar ser
digno da felicidade? Diria eu que o homem
realmente quer, em derradeira instância, não
é a felicidade em si mesma, mas, antes, um
motivo para ser feliz

(Viktor Frankl)

sentido-da-vida
Viktor Frankl foi um psiquiatra austríaco que, durante a Segunda Guerra Mundial, passou por quatro campos de concentração, inclusive Auschwitz, sobreviveu e compartilhou suas experiências conosco, em um fabuloso livro chamado Man’s Search for Meaning (Em Busca de Sentido, no Brasil).

Neste livro Frankl afirma que  é uma orientação em direção ao futuro – em direção a uma tarefa, uma tarefa pessoal, que esteja nos aguardando para ser realizada no futuro; ou alguma outra pessoa que estejamos amando, a ser encontrada novamente, a se reunir conosco novamente no futuro – isto foi o que decisivamente manteve as pessoas vivas na experiência do campo.  A questão não foi apenas de sobrevivência, mas tinha que haver uma razão para a sobrevivência. A questão era sobreviver para quê; a não ser que houvesse alguma coisa ou alguém, uma causa pessoal pela qual viver, a sobrevivência era altamente improvável.

Aplicando este conceito para nossa vida rotineira, Frankl lembra que nossa sociedade de “bem-estar social” se propõe a satisfazer e gratificar cada uma das necessidades humanas, exceto uma delas – talvez a mais fundamental que exista no ser humano: a necessidade de um significado. As sociedades de consumo, estão até mesmo criando necessidades, mas a necessidade de significado – ou, como ele costuma dizer – o desejo de encontrar um significado – permanece inatingido.

E não é isso mesmo que percebemos ao nosso redor? Pessoas cada vez mais ansiosas, cada vez mais deprimidas, cada vez mais apressadas e, ao mesmo tempo, desprovidas de um norte essencial, ou, como diz Humberto Maturana, de um “sul” fundamental. Falta um sentido para organizar todas estas atividades. Ao final do dia, cansados, muitas vezes silenciamos as perguntas que nos martelam mesmo sem sentir: “Para quê”? “Para quem”?

Se conseguimos encontrar um sentido, um algo a ser realizado para si ou para alguém e se estamos cientes disso, então ficamos fortes e aptos a sofrer, a trabalhar, a nos sacrificar e prontos a enfrentar o estresse, a tensão e as dificuldades cotidianas, sem que, fazendo isso, estejamos pondo em risco nossa saúde. Por outro lado, se não conseguirmos perceber um significado para nossos esforços, todo e qualquer dispêndio de energia pode representar um peso insuportável, gerando infelicidade e, até, enfermidades.

Em uma entrevista, Frankl relembra: “Hans Selye, o homem que criou o conceito de stress, recentemente publicou um estudo em que ele diz que o stress é o sal da vida, que o homem necessita de tensões – eu diria de forma mais cautelosa que o que ele necessita é de uma quantidade saudável de tensão. Não tensões muito grandes, nem tensões muito pequenas, mas uma dose, uma dose saudável de tensão, tal como a tensão que se estabelece em um campo polar em que um pólo é representado por um homem e o outro pólo por um significado único e específico que esteja aguardando por ele para ser realizado, e exclusivamente por ele.”

Não é possível discutir Qualidade de Vida sem antes nos aventurarmos pela investigação do Sentido da Vida. Com a queda dos valores tradicionais e universais que nos diziam o que fazer – a Igreja passa a exercer um constrangimento cada vez menor, por exemplo – muitos deixaram de saber o que tem que ser feito ou o que deveria ser feito e, algumas vezes, até o que desejariam fazer. Como consequência,  acaba-se por fazer o que outras pessoas estão fazendo (conformismo) ou então fazendo apenas aquilo que outras pessoas querem que se faça (totalitarismo). É preciso identificar, em nós mesmos e em nossos pacientes, se nos encaixamos nesta ou naquela vertente e, mais importante, precisamos “sulear”, encontrar um sentido para nossa existência.

A partir daí, todos nossos diálogos, com o outro, com a sociedade e com a Natureza, deixam de ser vazios e repetitivos e passam a ser cheios de significado, significado esse produzido pela nossa singularidade, resultado do exercício genuíno da nossa característica mais valiosa: nossa humanidade.

um-dia-de-medico

Revista DOC e Editora DOC

um-dia-de-medicoComo os meus seis leitores já sabem, há algum tempo venho mantendo uma coluna na versão impressa da Revista DOC, empreendimento editorial da Editora DOC. A coluna, chamada Medic(t)ando, tenta fazer um contraponto ao dia-a-dia da vida médica, esta profissão tão nobre e cada vez menos valorizada e compreendida, tanto por médicos quanto pelos pacientes.

Vivemos um período de transição na Medicina, que já dura mais de uma década. Nesse exato momento, temos pacientes e médicos insatisfeitos. De um lado, os pacientes queixam-se da demora para conseguir consultar com um especialista, dizem que consultas muito rápidas, o atendimento de pouca qualidade, muito reclamam que o médico foi ríspido e, quando precisam usar o sistema único de saúde não tem acesso a exames e procedimentos mais complexos que, muitas vezes são urgentes. Do lado médico, as queixas não são menores: baixa remuneração pelo SUS e pelos planos de saúde, glosas, carga horária excessiva (múltiplos empregos), pacientes que marcam consulta e faltam sem comunicar, outros que não aderem aos tratamentos, etc.

Em minha coluna, tento abordar um outro lado da história: aquele que o médico geralmente esquece, que é justamente sair do automático e do que “se espera” para um profissional e invadindo a área do “o que eu espero para mim e para meus pacientes”? É um espaço para reflexão, para revisão dos caminhos escolhidos. É um espaço no qual existem mais perguntas do que respostas. Estarei republicando os textos publicados na DOC por aqui nas próximas sextas-feiras, para quem quiser entender melhor do que estou falando.

Mas esta postagem também é para agradecer o presente do Renato Gregório e do Bruno Aires que me encaminharam, mui gentilmente, os 4 livros recentemente lançados pela Editora DOC, quais sejam,  Plástica do Impalpável, de Guilherme Sargentelli, Um Dia de Médico, de Bruno Aires e O Dossiê Paciente e Marketing Médico: Criando valor para o paciente, de Renato Gregório.

É impressionante como uma Editora tão jovem conseguiu, com tanta competência, enveredar nesta área tão difícil comercialmente que é a da Medicina e do marketing médico. Acompanho nos bastidores o trabalho e vejo que, realmente, a equipe tem feito um esforço considerável para manter a revista com o alto padrão que lhe caracteriza. Não poderia deixar de dar os parabéns a toda equipe da DOC e agradecer pela honra de figurar entre seus colunistas.

Eis as capas dos demais livros acima citados:

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Plástica do Impalpável – Guilherme Sargentelli

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O Dossiê Paciente – Renato Gregório

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Marketing Médico: criando valor para o paciente – Renato Gregório