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Set 12

Carta do Chefe Seattle (Cacique Seathl)

By Rafael Reinehr | Saúde da Sociedade

O texto a seguir pode ser considerado como um dos primeiros registros ecológicos sobre os quais se tem referência. Na carta, estão explícitas as noções de interdependência entre o Homem e a Natureza, ou melhor ainda, a percepção de que não somos algo distinto desta. Uma lição eterna, que não pode jamais ser esquecida.

Perceba a grande diferença na tradução entre o trecho inicial (retirado do curso Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável da FGV online) da versão completa, retirada de um arquivo do meu computador, cuja fonte não recordo:

“O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e de sua benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos pensar em sua oferta. Se não pensarmos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe em Washington pode acreditar no que chefe Seatlle diz, com a mesma certeza com que os nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem. Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como podes então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre coisas de nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença de meu povo. Sabemos que homem branco não compreende nosso modo de viver. Para ele, um pedaço de terra é igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, é sua inimiga, e depois de a esgotar, ele vai embora. Deixa para trás a cova de seu pai, sem remorsos. Rouba a terra dos seus filhos. Nada respeita. Esquece o cemitério dos antepassados e o direito dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás só desertos. Tuas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho. Talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende. Se eu decidir a aceitar, imporei uma condição. O homem branco deve tratar os animais como se fossem irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós, os índios, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais desaparecessem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra.”


Texto completo da carta que o índio Seattle, cacique da tribo Duwamish, escreveu em 1855 para o então Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce:

“O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas – elas nuca empalidecem. Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia – são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos das campinas, o calor que emana do corpo de um mustang, o homem – todos pertencem à mesma família. Portanto quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, não. Porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendemos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar da água é a voz do pai de meu pai. Os rios são irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas cargas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mão – a terra, e seu irmão – o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante.

Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto: Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. O barulho parece insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo o pinheiro. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum – os animais, as árvores, o homem. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe seu último suspiro. E se te vendermos a nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado coma fragrância das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: O homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que nós, os índios, matamos apenas para o sustento de nossa vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si. Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de teus pés são as cinzas de nossos antepassados. Para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios. De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama de vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Mas nós vamos considerar a vossa oferta e ir para a reserva que destinais ao meu povo. Viveremos à parte e em paz. Que nos importa o lugar onde passarem os o resto dos nossos dias? Já não serão muitos. Ainda algumas horas, alguns invernos e não restará qualquer dos filhos das grandes tribos que viveram outrora nestas terras, ou que vagueiam ainda nas florestas. Nenhum estará cá para chorar as sepulturas de um povo tão poderoso e tão cheio de esperança como o vosso. Mas porque chorar o fim do meu povo? As tribos são constituídas por homens e nada mais. E os homens vão e vêm como as vagas do mar.

Nem o próprio homem branco pode escapar ao destino comum. Apesar de tudo talvez sejamos irmãos, veremos. Mas, nós sabemos uma coisa, que o homem branco talvez venha a descobrir um dia, o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus dos homens e a Sua misericórdia é a mesma para o homem de pele vermelha e para o homem branco. A terra é preciosa aos olhos de Deus e quem ofende a terra cobre o seu criador de desprezo. O homem branco perecerá também e, quem sabe, antes de outras tribos. Continuem a macular o vosso leito e irão sufocar nos vossos desperdícios.

Mas na vossa perdição brilhareis em chamas ofuscantes acendidas pelo poder de Deus que vos conduziu e que, por desígnios só por Ele conhecidos, vos deu poder sobre estas terras e sobre o homem de pele vermelha. Este destino é para nós um mistério. Não o compreendemos quando os búfalos são massacrados, os cavalos selvagens subjugados, os recantos secretos das florestas ficam impregnados do odor de muitos homens e as colinas desfiguradas pelos fios falantes. Onde está a floresta virgem? Desapareceu. Onde está a águia? Morreu. Qual o significado de abandonar os pôneis e a caça? É parar de viver e começar a vegetar.

É nestas condições que vamos considerar a oferta da compra das nossas terras. E se aceitarmos será apenas para ficarmos seguros de recebermos a reserva que nos prometeram. Talvez aí possamos acabar os nossos dias e quando o último homem de pele vermelha tiver desaparecido desta terra, e a sua recordação não for mais do que a sombra de uma núvem deslizando na pradaria, estes lugares e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Assim se vendermos as nossas terras amai-as como as temos amado e cuidai delas como nós cuidámos. E com toda a vossa força e o vosso poder conservem-na para os teus filhos e amem-na como Deus nos ama a todos.

Sabemos uma coisa: o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra. O próprio homem branco não pode fugir ao mesmo destino. Talvez sejamos irmãos, veremos.”

Cradle to Cradle Berço à Berço
Abr 09

Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things

By Rafael Reinehr | Sustentabilidade e Resiliência

“A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Cradle to Cradle Berço à Berço

Recebi há alguns dias o livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things (Berço à Berço – Refazendo a Forma que Fazemos as Coisas), de William McDonough & Michael Braungart. Nele, o arquiteto Bill e o químico Michael apresentam uma renovada visão acerca do manejo industrial, reutilização de “lixo” e a implicação de um novo “design” de produtos no futuro de nosso planeta e modo de viver.

O livro começa com uma bela dedicatória: “A nossas famílias e a todas as crianças de todas as espécies em todos os tempos”, demonstrando de cada a que veio e qual sua sustentação: um respeito a todos os seres vivos de nosso mundo.
Feito em um novo material chamado Durabook, o livro é a prova de água, altamente durável, não é feito de árvores e reciclável. A primeira impressão que tive é: “Bem, então deve ser feito de algum derivado tóxico do petróleo”. A leitura do livro sugere que não.

Dê uma espiadela no Sol.
Olhe a Lua e as estrelas.
Vislumbre a beleza dos verdes da Terra.
Agora, pense.
Hildegard von Bingen

William, ainda estudante de arquitetura, acompanhou um professor ao Vale do Rio Jordão, e presenciou a engenhosidade das tendas feitas pelos beduínos a partir do pêlo de dromedários. Tais tendas eram capazes de fornecer sombra ao mesmo tempo que puxavam o ar quente para cima e para fora, proporcionando frescor ao seu habitante. Quando chovia, suas fibras se encharcavam e ficavam tensas como couro, protegendo da chuva. Eram fáceis de carregar e fáceis de reparar, sendo que o substrato para seu conserto andava juntamente com o bando nômade: os próprios dromedários. Um exemplo perfeito de design localmente relevante, culturalmente rico em contraste flagrante com os utilizados ao nosso redor, geralmente plenos de produtos tóxicos, ou que degradam a natureza ou que demandam altos gastos de energia.
Um dia, cansou-se de produzir prédios e produtos trabalhando pesado para “causar menos males”. Decidiu que era hora de utilizar seu conhecimento para desenhar produtos completamente “positivos”.

Michael, por sua vez, foi diretor do capítulo de química do Greenpeace e posteriormente fundou a EPEA (Agência de Encorajamento à Proteção Ambiental). Apesar de saber tudo sobre os componentes e potenciais efeitos danosos dos plastificadores, PVC, metais pesados e outros produtos utilizados na indústria – como o próprio Cromo utilizado na pigmentação do couro – sua visão analítica (e não sintética) lhe impedia de ter uma visão de abundância, criatividade, prosperidade e mudança do mundo.

Foi a partir do encontro de ambos em 1991 que a efervescência das ideias tomou seu lugar e iniciaram a desenhar em conjunto um mundo em que, ao invés do couro dos sapatos – imerso em crômio não passível de reaproveitamento – se desenvolvesse um produto confortável capaz de ser 100% reaproveitado; em um sistema em que produtos e embalagens possam ser queimados de forma segura sem a necessidade de fornos especiais que certamente liberam resíduos no ar; um mundo em que os carros fossem silenciosos, não gerassem nem poluição ambiental tampouco sonora, e assim por diante.

Este livro é o resultado de mais de uma década de descobertas e criações que agora são utilizadas por várias empresas ao redor do mundo. Uma série de exemplos que mostram do que o gênio humano é capaz quando o esforço é despreendido na direção correta.
Ao final do primeiro capítulo, os autores trazem uma comparação interessante, que traduzo aqui:

“Todas as formigas do planeta, tomadas juntas, tem uma biomassa maior que a dos humanos. Formigas tem sido incrivelmente industriais por milhões de anos. Ainda assim, sua produtividade alimenta plantas, animais e o solo. A indústria humana está em plena agitação há pouco mais de um século e mesmo assim já trouxe o declínio de praticamente todo ecossistema do planeta. A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Leitura recomendadíssima. Five stars out of five.

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Earthlings - Terráqueos
Abr 08

Círculo do DVD – Earthlings (Terráqueos)

By Rafael Reinehr | Ideias

               Recebi, na semana que passou, os 3 DVDs do filme Earthlings (Terráqueos), que havia encomendado. Ei, espera lá: 3 DVDs? Explico: acredito que o assunto do filme – a exploração dos animais para uso como mascotes, alimentação, pesquisa médica e cosmética, vestuário e entretenimento precisa ser compreendida pelo maior número de pessoas possíveis. Com certeza, não será distribuindo 3 DVDs que conseguirei fazer isso, mas é um começo.

 

Earthlings - Terráqueos

 

Não espero, com esta atitude, fazer com que as pessoas parem de ter seus animais de estimação – apenas observem a origem dos mesmos e percebam se o mesmo está vindo de um sistema que explora a natureza ou desrespeita a vida animal. Da mesma forma, não consigo (ainda) visualizar um mundo completamente vegano, mas consigo tentar perceber um mundo mais solidário com a vida de outros terráqueos, outros animais, em que o caminho que a carne leva para chegar ao consumidor é levado em conta.

A brutalidade – melhor seria dizer crueza – das cenas apresentadas deixa claro para qualquer pessoa que assisti-lo do que nós, humanos, somos capazes. A percepção de que o que fazemos com os animais se reproduz em nossas vidas nos outros campos – familiar, social, profissional – dá relevância ainda maior ao filme-documentário narrado por Joaquin Phoenix.

Câmeras escondidas mostram em detalhes o que acontece “nos fundos” de pet stores, criadouros de animais, comércio de peles e couro, indústrias do esporte e entretenimento, fazendas pecuaristas e abatedouros. Todas as práticas que acontecem diariamente nestes estabelecimentos são esmiuçadas e mostradas à luz do sol para quem se interessa em entender a relação entre o Homem, a Natureza, os Animais e os interesses econômicos.

Dos 3 filmes, dois deles estarão circulando entre pessoas que tem interesse em assisti-lo e divulgá-lo em sua localidade. Se você faz parte e quer receber o filme em sua casa, gratuitamente, comunique acerca do seu desejo na Comunidade da Coolmeia no Ning, informando e-mail para contato. Estarei pegando então seus dados de endereço para envio do DVD. Sua única responsabilidade será não deixar a corrente terminar e encaminhar, às suas custas, o DVD para uma outra pessoa após assisti-lo.

Se você tem um blog ou é jornalista, divulgue esta iniciativa.

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Into the Wild Na Natureza Selvagem
Fev 14

Na Natureza Selvagem – Into the Wild (2007)

By Rafael Reinehr | Ando Vendo

Into the Wild Na Natureza SelvagemAssisti agora há pouco Na Natureza Selvagem, um filme inspirado no livro homônimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que aos 22 anos largou sua estável vida de bom aluno e classe média-alta em busca de liberdade e aventura.

Rebatizando-se Alexander Supertramp (superandarilho), rumou com destino ao longínquo e pouco habitado Alasca, para se embrenhar na mais inóspita Natureza. No caminho, cruzou com as vidas de muitas pessoas que lhe davam carona, casa ou um emprego temporário.

Uma bela fotografia, interessante trilha sonora composta por Eddie Vedder (ele mesmo, do Pearl Jam) e, principalmente, uma facada no coração deste mundo inóspito em que, na verdade, nós vivemos. Um mundo em que muitos vivem se relacionando cada vez mais com coisas e menos com pessoas e com a própria Natureza.

Uma grande mensagem do filme é a que transcrevo abaixo, e deve nos fazer refletir sobre seus vários significados:

"A felicidade só é real se compartilhada."

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Ecofit Agir Localmente
Jan 17

Ecofit – uma coisa leva a outra

By Rafael Reinehr | Agir localmente

Ultimamente – e cada vez mais – muitas pessoas percebem que é importante mudar sua relação com a Natureza, com as pessoas e com tudo o que nos cerca, incluindo-se aí as relações com o mundo do trabalho e do consumo.

Hoje durante o banho, depois de uma deliciosa partida de tênis que abriu todos meus poros com o amigo e colega Ricardo Aliano, tive uma idéia que pretendo por em prática já. Chamei-a de “Atitude Ecofit“.

Ecofit Agir Localmente

Como há cerca de um ano tenho jogado o campeonato estadual de tênis amador, com freqüência preciso comprar calções e camisetas para participar destes jogos e para treinar. É usual comprarmos roupas de marcas consagradas como Nike, Reebok, Adidas, Head e outras, pois são aquelas que vestem melhor e encontram-se disponíveis nas lojas de produtos esportivos da cidade.

Pois saí do banho decidido a mudar isso. Quase nem me sequei direito para vir ao computador e bolar um nome e um logo para dar corpo à idéia, que vos apresento a seguir:

Quanto ganha um funcionário da Nike na Indonésia por camiseta manufaturada? Nove centavos de dólar? Algo equivalente a 25 centavos de real? Pois bem. E o impacto ambiental proporcionado pelo transporte desta camiseta até o Brasil, certamente não é desprezível. Avião, navio, caminhão…

E se, ao invés disso, eu procurasse uma costureira local (ou facção local) mostrasse a ela(es) o modelo da camiseta e do calção que mais me agrada e pedisse para ela confeccionar três ou quatro calções e camisetas de acordo com minhas especificações, bordando o logotipo aí em cima apresentado?

E se eu não parasse por aí, mas em uma próxima janta da turma do tênis divulgasse a iniciativa e tentasse trazer alguns dos colegas para que também tomassem atitude similar?

Cada vez mais, o estímulo à produção e consumo local de bens e serviços se torna uma franca necessidade. Desta forma, além de estarmos reduzindo o impacto ambiental do nosso consumo, estaremos humanizando nossas relações com o que consumimos, favorecendo diretamente uma pessoa da qual estamos encomendando um bem ou serviço e ainda por cima reproduzindo um conceito mais próximo de um mundo sustentável e justo, tirando o poder da máquina capitalista e devolvendo-o ao humano.

Prometo publicar aqui uma foto dos primeiros calções e camisetas da “Atitude Ecofit“. “Eco” porque é uma atitude preocupada com o meio-ambiente. “Fit” porque cai bem, veste bem, adequa-se, encaixa-se, é apropriada, está de acordo e é conveniente para servir a um bem maior, o da manutenção da Natureza e da vida em sociedade.

 

Jan 12

Ecofonte

By Rafael Reinehr | Ideias

A Coolméia está dando seus primeiros passos. Enquanto ainda planejamos seu nascimento (eita pré-natal longo esse!), decidimos ativar nossa Wiki.

O artigo de estréia que escrevi para a Wiki foi sobre a Ecofont, uma fonte "ecológica", capaz de reduzir em até 20% a utilização de tinta em impressos, aconomizando assim substrato da natureza e bons trocados para as empresas.

Dê uma olhada no artigo aí acima lá na Wiki e veja como ela foi feita e como baixá-la gratuitamente.

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Dez 26

Mark Twain, em Reflexões sobre a Religião

By Rafael Reinehr | Entre Aspas

Na viagem entre Araranguá e Agudo, consegui ler dois livros de bolso, o primeiro deles "Reflexões sobre a Religião", de Mark Twain, expressa nas suas 85 páginas grande parte daquilo que também sinto em relação à religião, a um suposto Deus e à Natureza.

Selecionei dois trechos, um do próprio Twain e outro, fenomenal, do Marquês de Sade (este sim, exprime EXATAMENTE o que penso acerca da Vida, do Universo e tudo mais).

Deve a religião cristã durar? Que idéia! Ela sucedeu a milhares de outras religiões, hoje todas mortas e enterradas. Milhões de deuses precederam a invenção do nosso. Multidões deles morreram e foram esquecidos desde há muito. Nosso Deus é, contra toda expectativa, o pior que a engenhosidade do homem engendrou em sua imaginação enferma; e seria preciso que com todo o Seu cristianismo, Ele permanecesse imortal, contradizendo as lições que podemos extrair da história teológica? Não, é claro. O cristianismo e seu Deus devem submeter-se à regra comum. Eles, por sua vez, apagar-se-ão e darão lugar a um outro Deus e uma religião ainda mais estúpida do que a nossa.

Mark Twain

O trecho abaixo também foi retirado do livro de Twain, e é um excerto de "Diálogo entre um padre e um moribundo", no Marquês de Sade:

A razão, meu amigo, sim, só a razão nos deve advertir de que prejudicar nossos semelhantes nunca nos pode tornar felizes, e nosso coração nos deve dizer que contrinuir para sua felicidade é o maior bem que a natureza nos concedeu sobre a terra; toda a moral humana está contida nessa única frase: tornar os outros tão felizes quanto desejamos sê-lo nós mesmos e nunca lhes fazer mais mal do que gostaríamos de receber.

Eis, meu amigo, os únicos princípios que deveríamos seguir, e não há necessidade nem de religião, nem de deus para experimentar e admitir isso; é preciso tão somente um bom coração.

Marquês de Sade

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Nov 07

Chegando no Rio de Janeiro pela primeira vez

By Rafael Reinehr | Brasil

A chegada no Rio foi tranqüila. Depois de um vôo calmo entre Criciúma e Florianópolis e outro mais calmo ainda entre Floripa e o Rio, fomos, meu colega Manoel Fernandes e eu, levados até nosso hotel, o Windsor Barra, na Barra da Tijuca.

Logo após sairmos do Galeão, duas coisas chamaram minha atenção: os bolsões de pobreza que se destacavam em meio às belezas naturais como a floresta da Tijuca ao fundo e o calibre das armas dos policiais espalhados pelos bifurcamentos do caminho. Suas metralhadoras (ou submetralhadoras, perguntem aos especialistas) em punho levam ao incauto visitante oriundo de pacatas cidades do interior imaginar um clima de guerra constante.

A Natureza na tarde de hoje está meio tímida, já que nuvens e finos pingos de chuva insistem em esconder o sol e o azul do céu, guardando em aura de mistério o Rio de Janeiro que cantam os poetas.

Após desfazer as malas no esplendoroso hotel, fomos à beira do mar comer alguns camarões ao alho e óleo acompanhado de uma cervejinha enquanto as marolas logo ali embalavam quatro atletas concentrados em seu vôlei de praia. Um bom bate-papo, a falta de compromissos e de relógio completaram o clima de leveza desta tarde de sexta-feira. Vejamos o que nos espera a primeira noite.

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Set 07

Agir conforme a própria natureza

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Dois monges estavam lavando suas tigelas no rio quando perceberam um escorpião que estava se afogando. Um dos monges imediatamente pegou-o e o colocou na margem. No processo ele foi picado. Ele voltou para terminar de lavar sua tigela e novamente o escorpião caiu no rio. O monge salvou o escorpião e novamente foi picado. O outro monge então perguntou:

“Amigo, por que você continua a salvar o escorpião quando você sabe que sua natureza é agir com agressividade, picando-o?”

“Porque,” replicou o monge, “agir com compaixão é a minha natureza.”

(conto retirado do blog Espiritualistas)

Aprender a perceber esta grande verdade, a de que seres humanos distintos possuem diferentes naturezas, personalidades e ímpetos, pode nos preparar melhor para a vida neste mundo. Com a percepção plena da lição acima, passamos a compreender o outro usando sua própria lente , e não somente a nossa. Uma grande lição, sem dúvida.