Armadilha de Lagostas Facebook

Desfazendo a armadilha para lagostas, ou: enfrentando o Facebook e suas mazelas

    Redes sociais como Orkut e Facebook servem para uma coisa: encontrar pessoas. Sinceramente, acredito que devam ser utilizadas somente para isso.
    Apesar de oferecerem uma série de ferramentas de produção de conteúdo, comunicação privada e muito mais, não devemos esquecer que eles não deixam de ser um CMS (Content Management System) proprietário, de direito privado. Ou seja: são propriedade de alguém, assim como todo conteúdo que por lá é publicado. Você leu os Termos de Uso?
    Este alerta deve ser feito porque é interessante notar que muitas pessoas estão jogando sua produção em espaços sobre os quais tem pouco ou nenhum controle. O Facebook, por exemplo, impossibilita toda tipo de exportação de dados para outro sistema manejado por você.

Armadilha de Lagostas Facebook

    Michael Gilbert, em artigo publicado no Nonprofit Online News, nos dá algumas dicas de como tirar o máximo do Facebook sem ser pego na armadilha para lagostas que são as redes sociais proprietárias:

  1. Nunca solicite a ninguém usar o Facebook para interagir com você de uma forma particular ou exclusiva. Por exemplo: sempre deixe o mesmo conteúdo disponível de uma forma aberta em outro local
  2. Nunca solicite a ninguém usar o Facebook para interagir com seus pares de um modo particular. Isso quer dizer: não faça do Facebook um clube exclusivo.
  3. Sempre procure por formas de tirar as pessoas da armadilha para lagostas e colocá-las em redes de conexão amplas e públicas. Use o Facebook como um ponto de entrada para uma outra mídia, mais amplamente conectável, nunca no outro sentido
  4. Nunca desenvolva conteúdo somente para o Facebook. Essa é o corolário número 1, mas necessita de ênfase
  5. Sempre trabalhe para tornar os mapas sociais de sua rede mais visíveis. Em outras palavras, uma das características mais fortes do Facebook é a capacidade de encontrar amigos de amigos. No caso de suas redes, não deixe o Facebook ser o único local em que elas acontecem
  6. Nunca confunda o Facebook com as redes sociais as quais ele alimenta. Por exemplo, não nomeie seus projetos de redes sociais vinculados ao Facebook ou a outras mídias. Nomeie-os de acordo com os grupos de stakeholders que você está tentando empoderar
  7. Sempre seja especialmente disciplinado em seu pensamento onde pressão sobre os pares está acontecendo. Tenha em mente como você está influenciando as pessoas em virtude das conexões que você está estimulando.

    Resumo da ópera: compartilhe, mas abra o olho. Veja se não está pondo seus ovos na cesta da raposa. No mais, relaxe e goze em gotinhas.
    A capacidade de espalhar socialmente nossas atitudes, ou “social lifestreaming” será a ação que finalmente mostrará aos indivíduos o poder do “opensource”, uma ação sobre a qual cada um terá controle, e cada terminal se tornará uma plataforma de publicação representativa de seu proprietário ou autor. Atitudes voltadas para esta direção estão aparecendo em vários pontos da web, e irei abordá-las em um novo artigo.

rede

Blogs, Redes Sociais e para onde vai o rio?

Ontem estive navegando por um blog que gosto muito e, depois de ler todos os artigos que estavam na página principal do blogueiro (que também é doutor e professor de Astronomia) percebi que, de fato, existem blogs que vieram para ficar, independente desta onda de “meiomarasmo” que anda rondando a Blogosfera.

redeOs blogs que menos estão sofrendo com a “crise” são justamente aqueles que sempre estiveram fora do mainstream do Blogverso, aqueles que blogavam menos para o leitor, para um pretenso público, e mais por razões pessoais, íntimas.

Quando a visibilidade ou o gás fornecido pela Bolívia pelos leitores começou a rarear, alguns blogueiros tradicionais, seguindo o discurso que vem de fora passaram a perceber o blog como uma ferramenta obsoleta, ou que possivelmente estivesse sendo gradualmente substituída pelas redes sociais.

Um amigo meu já disse, taxativamente, no Twitter: “Gosto de blogar, mas cansa. Mas twittar tem sido anos-luz mais gratificante. Por que será?!”

É inegável que algumas redes sociais, principalmente algumas nas quais geramos comunidades ou grupos dos quais somos protagonistas, nos trazem benefícios facilmente mesuráveis. As pessoas que por lá estão parecem mais focadas em um dado assunto ou tema, como em um Clube de Leituras, onde o assunto são livros ou, ainda mais especificamente, um livro em especial. As discussões podem ser mais apaixonadas e trazer uma gratificação maior para quem participa.

Não sou um bom crítico deste boom das redes sociais, mas sou um bom observador e leio com frequência o que alguns analistas dizem sobre o fenômeno. Minha humilde conclusão me leva a crer que os próximos anos revelarão uma intensificação ainda maior de redes em que o conteúdo seja feito de muitos para muitos (em detrimento dos blogs, em que o conteúdo é feito de um (ou de poucos) para muitos. Os blogs não vão, de jeito nenhum, acabar. Como minha amiga Elenara, que usa o “blog como 1 meio de guardar coisas que acha interessantes”, muitas pessoas encontrarão utilidade para este espaço em que a expressão da liberdade encontra sua vez.

PS: enquanto blogueiros como o Francis estiverem postando imagens como essa, é bom nem pensar em desaparecimento da Blogosfera!

Deixando de utilizar o e-mail (ou livrando-se das correntes, parte I)

Comecei hoje um processo de redução gradual do uso do e-mail, que deverá culminar, em algumas semanas, com a cessação quase completa da utilização dessa ferramenta ora revolucionária e agora arcaica de comunicação entre indivíduos.

Em cada e-mail que hoje utilizo, uma auto-resposta irá instruir meu amigo, conhecido ou pessoa interessada em me alcançar como fazê-lo. Não terei mais preocupações com spams e outras questões relacionadas à rigidez desta ferramenta antiquada.

Como vou fazer isso? Basicamente criando uma rede que propicie um ambiente transparente em que eu possa me comunicar, de forma não hermética (como no e-mail) com as pessoas que me interessam e que se interessam pelo que tenho a dizer.

Enquanto organizo este sistema, vou publicando aqui o andamento deste projeto. Neste ínterim, veja o que Luiz Suarez, da IBM, nos ensina sobre viver sem e-mails em sua palestra “Thinking Outside the Inbox“, no vídeo abaixo.

Desafio por um Mundo mais Verde e Solidário

A Coolmeia lançou hoje um desafio que gostaríamos muito que você, caro leitor, abraçasse.

ATENÇÃO: ESTA É UMA EXPERIÊNCIA DE INTEGRAÇÃO REAL, E NÃO VIRTUAL.

Boca a BocaA Coolmeia, Ideias em Cooperação é uma iniciativa de base social e ecológica que visa produzir o maior número de benefícios ao maior número de pessoas possível, sem esquecer a sustentabilidade. Como benefícios, entendemos saúde, acesso à água potável, moradia confortável, trabalho e remuneração dignas, consumo consciente de bens e serviços, uso de tecnologias verdes, inclusão social e digital, educação de qualidade, microcréditos, desenvolvimento local, enfim, condições que levem os indivíduos a uma vida plena em harmonia com o ambiente físico e social que os cerca.

Partindo deste pressuposto, precisamos comunicar nossas intenções e trazer para abraçar nossa causa – que certamente é a de muitos – o maior número de pessoas possível. Para tanto, escolhemos (nem tão arbitrariamente assim) o número de 180 mil pessoas como um número de pessoas suficientes para iniciar uma massa crítica, uma rede de indivíduos genuinamente preocupados em melhorar a vida do local onde moram, das condições de trabalho que exercem ou daqueles à sua volta e assim por diante.

O desafio é o seguinte: nas próximas 6 semanas, vamos trazer para a comunidade da Coolmeia 182 mil pessoas (cerca de 0,1% da população do Brasil), dentre nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, de Igreja, da academia, de nossa vivência enfim. Um detalhe: NÃO VALE CONVIDAR PELA INTERNET! (com exceção deste texto de apresentação do Desafio)

Eis o Desafio:

Passo 1: Cada pessoa que aceitar o desafio se cadastra na Coolmeia (http://coolmeia.ning.com) e se compromete consigo mesmo a trazer para a Comunidade 3 pessoas do seu círculo de relacionamento. É interessante que esta pessoa seja alguém que já trabalhe com alguma causa social, ecológica ou de cidadania ou que, pelo menos, tenha interesse no assunto. Detalhe: você deve se comprometer a fazer isso em 1 semana a contar de quando você ler este texto.

Passo 2: Ao convidar esta pessoa, você também deve colher dela o compromisso de que ela deve trazer consigo mais 3 pessoas do círculo de relacionamento dela, com as mesmas características acima, ou seja, uma pessoa altruísta, com coração generoso e preocupada com a sociedade ou o ambiente. Detalhe: ela deve se comprometer a trazer 3 pessoas através de contatos reais (pessoas do trabalho, da escola, da Igreja, da Associação de Bairro, da ONG, da família) em uma semana, através de um convite AO VIVO, não por e-mail!

Desta forma, teremos a seguinte evolução (prevista) no número de membros:

Hoje: 250 (09/07/2009 – 13horas e 10minutos)
Fim da Semana 1: 750 (16/07/2009)
Fim da Semana 2: 2250 (23/07/2009)
Fim da Semana 3: 6750 (30/07/2009)
Fim da Semana 4: 20.250 (06/08/2009)
Fim da Semana 5: 60.750 (13/08/2009)
Fim da Semana 6: 182.250 (20/08/2009)

E então? Será que vamos atingir nossa meta em 6 semanas? Vamos testar nossa capacidade de fazer o bem com este desafio simples, o de convidar 3 pessoas a tomarem conhecimento e se cadastrarem na Coolmeia?

Ah! Não precisam ser só 3 pessoas não! Se você quiser convidar 4, 5 ou mais pessoas, fique à vontade! Sua ajuda será ainda maior! Então vamos lá. Vamos transformar 250 em 182.250 pessoas comprometidas até 20 de agosto de 2009 e mostrar que tem muita gente insatisfeita com a política de nosso país, com a exploração de trabalho infantil, com a má-qualidade da educação, da alimentação, com as relações de trabalho, com a desvalorização das minorias. As causas são muitas e estão espalhadas, “cada qual no seu quadrado”. Vamos começar a mudar isso neste círculo de amizade, aprendizado e integração que é a Coolmeia.

Depois de ter convidado e se certificado que pelo menos 3 pessoas convidadas por você aderiram à Coolmeia, aí sim você pode divulgar a rede em seu blog, comunidade do Orkut, lista de e-mails ou através da ferramenta de Convite do Ning . Antes, só no boca-a-boca.

Desafio lançado, agora é contigo! Mão na massa! Ou melhor, boca no ouvido do amigo!

Desafio aos Holísticos: Vamos Pensar em Política? – por David Pacine

Recebi ontem uma carta do amigo Davi Pacine, contando-me sobre um evento ao qual eu gostaria de ter comparecido em Palmas – TO. Ao que tudo parece, pelo relato do amigo, foi muito bla-bla-blá e poucas propostas efetivas de ação para mudança social. Vejam o que ele me escreveu e abaixo o belíssimo artigo por ele escrito. Leitura recomendadíssima, pela profundidade e relevância da reflexão.

Prezado Rafael,

Recentemente estive participando do Seminário Internacional “Crise Civilizacional”, o qual tive uma pequena decepção. Bem só consegui me livrar dela com um desabafo. O desabafo vai logo abaixo. Se entender que há proveito no contexto do seu espaço virtual, no todo ou em parte, fique a vontade…

Abs

Pacine

Crise Civilizacional

 

Tive a honra de participar do Seminário Internacional “Crise Civilizacional: Distintos Olhares” ocorrido em Palmas-TO, em junho/09. O evento contou com as presenças de pensadores ilustres como o filósofo Edgar Morin, o palenteólogo Michel Brunet, os Senadores Cristóvam Buarque e Marina Silva e muitos outros, brindando o Brasil e o mundo com um consistente diagnóstico da crise sócio-ambiental que acomete o planeta.

 

O diagnóstico, praticamente unânime, já é bem conhecido de todos. Diante da maciça carga de informações científicas já existentes, não há duvida de que nós estamos trilhando o caminho errado. Numa síntese realista, o Senador Cristóvam Buarque disse que “estamos indo para o abismo” e, pior, não há sinal algum de uma mudança efetiva de comportamento, pois, para ele, “essa mudança só se faz possível mediante a educação, principalmente dos jovens”.

 

No entanto, apesar da concórdia dos especialistas em relação ao “cataclismo” que se aproxima, o seminário foi marcado por uma forte mensagem de esperança. Morin metaforizou dizendo que estamos navegando a bordo de um imenso “Titanic”, mas acredita que a humanidade será capaz de se salvar passando por um processo de “grande metamorfose”, como “o verme que se enclausura e se desintegra para então mudar seus processos e se transformar em borboleta”. Nesse sentido, o filósofo acha que a sociedade deverá se autodestruir e se recriar, encontrando novos caminhos para o futuro.

 

 

A Dúvida Angustiante

 

Lugar comum a parte, sob os distintos olhares do seminário internacional, um dos painéis de estudo tratou da possibilidade de uma “governabilidade mundial”, o que, entrando na seara da política, algo angustiante me desassossega no bojo do movimento holístico pela construção de uma nova consciência civilizacional. Assim, na oportunidade dos debates, após as brilhantes apresentações, dei vazão às minhas inquietudes e lancei um articulado questionamento. Sem me surpreender – porque já é de costume –, recebi, dos eminentes teóricos, singelas evasivas à guisa de respostas.

 

O que foi que perguntei? Ora, já que a patologia global é reconhecidamente profunda e sistêmica, sua “cura” não pode se restringir às dimensões “econômica” e “ambiental”, que são meramente sintomáticas. A verdadeira cura deve ir além e atuar nas profundas causas social, ética, política, existencial. Então, se este é o sentido da “profunda metamorfose” – questionei – onde está no multidimensional movimento teórico, científico e fático pela salvação do planeta, que se converge para o “projeto de uma nova civilização”, as bases teóricas e a mobilização real para a necessária reconstituição política da sociedade?

 

 

As Evasivas

 

As evasivas, como eu já disse, foram três. Primeiramente eu fui lembrado de que o processo de transformação política só pode ser operado pela via da educação. O segundo palestrante disse que uma grande mudança já está sendo operada “nos bastidores da consciência humana”. O último, por fim, me recordou da bandeira do “cidadão planetário”, para o qual seria ela a grande contribuição do movimento holístico para a formação de uma nova sociedade política.

 

 

Uma Matriz Política Doentia

 

Antes de comentar essas respostas, cumpre destacar alguns rudimentos relativos ao nosso modelo político ocidental. Sinteticamente, não é demais lembrar que a arquitetura iluminista do “estado constitucional moderno” já possui mais de três séculos. Três séculos! Nesse período passamos por drásticas mudanças como as propiciadas pelas revoluções científica, industriais, dos transportes, das comunicações, socialista, quântica, da informação, etc. O mundo mudou tanto que se tornou uma aldeia globalizada e começamos até a acordar, forçosamente, para as questões ambientais. Mas o nosso sistema político continua se arrastando com a mesma caricatura contratualista, que segrega a sociedade das instancias de poder.

 

Obviamente, o problema não reside simplesmente no fato do modelo ser senil ou anacrônico. Na verdade ele é e sempre foi totalmente doentio. Por qual razão? Justamente porque suas bases teóricas são fundamentadas em uma concepção da “natureza humana” terrivelmente amesquinhada e grosseira. As conseqüências desse engodo, nem precisa dizer, são brutalmente devastadoras.

 

 

Qual é a Natureza Humana?

 

Como é a natureza humana? Seria o homem originalmente mau e egoísta, ou ele é bom de fábrica e o “sistema” é quem o corrompe? Essa é uma pergunta filosófica que vem cruzando os milênios sem uma resposta definitiva. Portanto, fundamentar o aparelhamento de instituições públicas baseado em uma opinião reducionista faz-se extremamente perigoso. Exemplo disso? Para o capitalismo o homem é naturalmente egoísta e competitivo, e mais, o consumo é sinônimo de felicidade. Qual a conseqüência? O sistema “produz” pessoas egoístas, competitivas e consumistas que estão devastando o planeta.

 

 

Profecia Autorrealizável

 

Nesse sentido, estudos matemáticos, como a “teoria dos jogos”, tentam decifrar o comportamento humano em ambientes condicionados por múltiplas regras e atores. Uma noção interessante desses estudos é a de que, por exemplo, num ambiente onde reina a desconfiança, a tendência dos indivíduos é de serem egoístas. Outro fenômeno parecido é chamada “profecia autorrealizável” em que a própria “crença” de que algo venha a se realizar é suficientemente capaz de concretizá-lo. Exemplo? O mercado de ações. Quanto mais pessoas acreditarem que os preços irão desabar, maior será a “corrida” dos investidores, acarretando a queda real dos valores dos títulos.

 

Notadamente, não é difícil concluir que não temos uma natureza pronta. Em grande medida, somos produtos culturais do sistema que nós mesmos criamos. Em parte, somos reféns das nossas próprias idéias, a partir das quais criamos instituições, sistemas e superestruturas de poder. Em outras palavras, primeiramente são os homens moldam os “sistemas”, mas logo em seguida, são os sistemas que moldam os homens.

 

Com esse breve preâmbulo, agora podemos examinar o nosso “sistema contratualista” que se constitui como idéia fundante dos ditos “estados constitucionais modernos”. Em seus sutis pressupostos, ele afirma que a sociedade teria, pela via do pacto, reconhecido a sua incapacidade de se auto-organizar. Assim sendo, a sociedade se faz ontologicamente, e por isso perenemente, carecedora de um poder soberano que a pacifique e a conduza. Aceita essa teoria, passamos então a criar instituições detentoras de poderes cada vez mais especializados, que nos controlam e dirigem. Simples assim!

 

 

Um Paradoxo Extraterrestre

 

Todavia, é preciso dizer que o raciocínio contratualista é portador de um paradoxo mortal. Ora, se a sociedade é ontologicamente incapaz de se autogovernar, então quem estaria apto a governar esta sociedade, um extraterrestre? “Não!” – diriam os mais persistentes –, “a sociedade e o próprio estado devem ser dirigidos pela lei e pelas instituições impessoais”. Mas mesmo nesse caso a pergunta continua válida. Quem elaboraria as leis, quem as interpretaria, quem as aplicaria? Os ETs?

 

Talvez seja por isso que Pool Válery disse com tanta propriedade que “a política é a arte de impedir as pessoas de participar dos assuntos que, propriamente, lhes dizem respeito”. Pois bem, se essa frase é portadora de alguma verdade, pergunto aos ambientalistas, como poderemos ser holísticos se os nossos maiores interesses coletivos encontram-se monopolizados nas mãos de pequenos grupos de tecnocratas dirigentes?

 

 

A Construção do Engodo

 

Sem embargo, a doutrina do “estado constitucional moderno” é complementada com mais dois ingredientes importantes. A idéia da “democracia representativa”, a qual nos diz que o exercício do poder soberano é legítimo quando alcançado pela via da eleição. E a idéia da tripartição do poder que, funcionando como um sistema de freios e contrapesos, evita (ou evitaria) a tirania e os abusos de poder.

 

A democracia representativa pode ser um grande refresco para a consciência dos indolentes, já que supostamente transfere a responsabilidade (e também a culpa) de todas as atribuições públicas para pessoas que “em seus nomes” foram autorizadas a exercê-las, porém, na prática, os extraterrestres eleitos orbitam em esferas tão longínquas que nem se lembram dos interesses dos comuns. Aí o alívio se transforma em suplício.

 

Nesse jogo de empurra-empurra, uma questão está sempre em evidência. Por que será que os políticos não exercem o poder em benefício do povo? Seria por mera falta de ética dos ETs patifes? Sinceramente, generalizar é tolice, pois alguns até são muito bem intencionados. O problema não está na falta de ética dos ETs, mas na “ética do sistema” que, volto a dizer, é segregadora e alienante.

 

 

Visão em Paralaxe

 

Se em grande parte somos “produtos do meio”, e esse “meio” é repartido em dois, então temos, inevitavelmente, uma dupla personalidade ou “programação”. Por isso, quem sai da sociedade e ingressa na máquina pública acaba “obrigado” a mudar o seu discurso. A isso o filósofo Slavoj Zizek denomina de “visão em paralaxe”. Ou seja, esse molde civilizatório cindido em “estado” versus “sociedade” é o motor da dicotomia perene governados x governantes, ou simplesmente nós x eles. Desnecessário dizer, mais uma dose de profecia autorrealizável.

 

Nós insistimos em não enxergar o óbvio, teimamos com a velha comodidade, mas a verdade cristalina é que não se faz possível o atendimento dos interesses coletivos pela via da alienação. Por incrível que pareça, é praticamente impossível, mesmo ao melhor dos gestores, exercer o poder em benefício do povo, porque a “máquina do poder” tem sua própria vida, sua própria lógica, seus próprios interesses. Ela vive prioritariamente para atender aos seus próprios fins, deixando em segundo ou terceiro plano as demandas sociais.

 

 

De Volta à Marx?

 

Nessa altura, talvez alguém já esteja pensando que estamos defendendo a bandeira marxista. Ledo engano. A teoria de Marx também é reducionista-economicista, na medida em que se atém muito mais à propriedade dos meios de produção que, para ele, uma vez que esta passasse para as mãos do proletariado, poria fim na dicotomia capital x trabalho. No entanto, a alienação de que falamos não se refere somente da produção laboral, mas ao distanciamento das artes políticas.

 

 

Manobra Invertida

 

Conforme demonstrado, o sofisma da tese contratualista é auto-evidente. Por via de conseqüência, a teoria da democracia representativa, que apenas pretende “legitimar o contrato”, também o é. Mas se isolarmos a sua própria finalidade, a da “legitimação”, nela também nos depararemos com uma ardilosa farsa. Ocorre que, numa manobra invertida, o estado, usando de seu poder de império, se serve da sociedade para se autojustificar.

 

Uma escolha legítima só pode se originar de uma convicção íntima, da manifestação livre da vontade dirigida para a obtenção de um fim desejado. Porém, o nosso mecanismo eleitoreiro consiste apenas numa pequena “janela” – extrínseca – que a lei “concede” ao cidadão, e somente de quatro em quatro anos, para que ele escolha candidatos que raramente conhece e, pior, para fazer, “em seu nome”, aquilo que, de fato, ele não determinou. Nessa sistemática dissimulada, as desagradáveis surpresas são tanto inevitáveis quanto intermináveis.

 

 

Fracionamento e Hiper-especialização

 

No tocante à teoria da “tripartição do poder” – que de fato se excedeu e instalou um multifracionamento do poder – é até desnecessário fazer uma longa exposição de argumentos aos defensores do pensamento sistêmico, basta dizer que nessa empreitada o estado e a sociedade perderam totalmente o sentido da unidade. Voltando à profecia autorrealizável, a concepção dos “freios e contrapesos” produziu o conhecido “campo de batalha”, um inferno plurissubjetivo onde cada fração, na ótica da sua caixinha hermética de hiper-especialização, “puxa” para um lado. Por causa disso, o sistema se tornou complexo, oneroso, burocrático e ineficiente.

 

 

A Fórmula da Alienação

 

Assim, se os cientistas versados em teoria dos jogos pudessem prescrever a fórmula para a “alienação política”, creio que seria suficiente que receitassem a fusão de três ingredientes. Primeiro, separe o estado da sociedade. Para isso, convença e dogmatize as pessoas de que o interesse público deve estar sob o domínio de um poder centralizado. Segundo, invente um arremedo de democracia para que tudo pareça racional e legítimo. E, por fim, fracione e refracione o poder tornando-o hiper-especializado, para que tudo pareça complexo demais para qualquer um administrar. Pronto, eis o molde para a eterna dominação.

 

 

Política é a Arte da Convivência

 

Nesse mesmo raciocínio, cabe dizer que política nada mais é que a arte de viver em sociedade ou simplesmente de se relacionar, de se “integrar socialmente”. Portanto se existe uma fórmula para produzir alienação política, essa fórmula é a mesma que produz o “individualismo”, ou a desintegração social.

 

Indubitavelmente, ser cidadão de verdade é participar da vida da cidade, de seus projetos, de sua concretização e de seu futuro. O exercício da arte política requer cidadãos ativos e não meros expectadores passivos. O individualismo, portanto, não é uma característica inerente à natureza humana, mas resulta do esvaziamento da cidadania pelo atual projeto contratualista de civilização.

 

Esse malsinado sistema político, sustentado por ardilosas mentiras, é uma gigantesca e poderosíssima máquina de entorpecimento humano, que promove o encadeamento de vícios interdependentes numa marcha de infindáveis sequelas. Da alienação surge a apatia; da apatia, a manipulação; da manipulação, o descaso; do descaso, a corrupção; da corrupção, o clientelismo; do clientelismo, a exclusão; da exclusão, a violência…

 

 

Quem Somos Nós?

 

Desse modo, em face do iminente colapso planetário, urge sim a elaboração de um projeto de recriação da civilização, mas que não repita os mesmos erros do modelo atual. Portanto, que não despreze a força da “semente ontológica” com a qual se reconhece a dimensão do ser humano. Se partirmos novamente de uma base filosófica que reduza o homem a uma criatura domesticável, já sabemos qual será o futuro da civilização. Mas se o considerarmos como um ser perfectível, detentor do potencial necessário para atingir a plenitude intelectual e moral… abriremos uma possibilidade real para que a lagarta se transforme em borboleta.

 

Nessa perspectiva, em que somos profetas de nós mesmos, devemos responder uma pergunta básica. Que “tipo” de humanidade queremos ser? E nessa reflexão, se formos suficientemente capazes de ser ousados, nossa resposta poderá nos levar, na dicção de Morim, a “um novo caminho”, a desencadear os mais insondáveis recursos e descobrir as mais impensáveis soluções. Já começamos a antever o drama que nos espera, mas uma simples resposta poderá guinar o nosso porvir. Só não podemos permanecer na inconsciência, como uma massa tola arrastada para o abismo.

 

 

De Volta às Evasivas

 

Bem, agora já posso cuidar das respostas “evasivas” que recebi, nos termos declarados no início desse ensaio. Para relembrarmos, vou sintetizar a pergunta que fiz aos palestrantes do seminário enquanto teóricos do novo projeto civilizacional: “onde está a base teórica e a mobilização fática para a necessária recriação política da sociedade?”.

 

 

Educação Robotizante

 

Primeira evasiva: “o processo de transformação política só pode ser operado pela via da educação”. Comentário: é uma posição cômoda, todos concordam com isso. No entanto, importa clarificar que tipo de educação pode nos conduzir à profunda transformação que carecemos. Logicamente, nosso modelo de “educação” não passa de um sistema de “formação condicionante” que só piora as coisas. Esse modelo está a serviço do capitalismo e não da construção da cidadania. Uma educação verdadeira precisa se ocupar com as múltiplas dimensões humanas, intelectual, emocional, moral, social, espiritual, etc. Tem que ir além dessa matriz tecnicista-conteudista acrítica, alienante, desprovida de reflexão e de ampla e imprescindível interpretação de mundo.

 

 

Consciência Engaiolada

 

Segunda evasiva: “uma grande mudança já está sendo operada nos bastidores da consciência humana”. Comentário: outra platitude. Certamente a consciência humana está evoluindo, porém, um pássaro não aprende a voar enquanto não se livra da gaiola. Se realmente já começamos a enxergar as grades dogmáticas que nos aprisionam, por que não temos coragem de serrá-las? Não basta ter consciência, precisamos converter o nosso domínio conceitual em atitude.

 

Apesar da pretensa consciência, meu questionamento é pela ausência – ainda de uma mobilização global que, além do comunismo demonizado, nos torne capazes de, uníssonos, “recusar” a nossa sina de rebanho-indo-para-o-matadouro. Carecemos de um foco de convergência que nos habilite a enfrentar a ditadura do “pensamento único” (o capitalismo global e o estado burguês), pois, se realmente acreditamos que um outro mundo é possível, ressinto que este mundo não será possível através do laissez-faire, laissez-passer”, mas de um intenso movimento unitivo maior que o Save Our SelvesSOS (salvemos a nós mesmos).

 

 

Cidadania se Inicia no Quarteirão

 

Terceira evasiva: a bandeira holística do “cidadão planetário”. Comentário: essa bandeira é tão bela e profunda quanto inócua. Por que inócua? Simplesmente porque a gigantesca matriz cultural de dominação que “forma” o pensamento humano, principalmente o ocidental, é completamente individualista. Claro, é muito mais fácil manipular o indivíduo, ou seja, uma “massa de indivíduos”, que uma coletividade unificada por interesses comuns. E o que subtrai os nossos interesses comuns, já disse, é o contratualismo. E se não temos consciência de coletividade (cidadania) nem em nosso quarteirão, como a teremos em nível global?

 

 

Provocação

 

Com o desabafo dessas modestas linhas, pretendo apenas produzir uma provocação: a provocação em mim mesmo pela imensa vontade de sair do mero discurso e da letargia. Mas ainda que eu queira “agir”, me pergunto, onde está a tábua de salvação? A quem devo me juntar? Ou devo fazer apenas a “minha parte” dentro do meu mundinho particular ou da minha pequena organização? Não sei. Meu sonho é que todos os movimentos, ONGs e Instituições interessados em um novo “projeto civilizacional” se desfragmentassem, e se juntassem, um a um, numa consciência maior, holístico-planetária, sinalizando uma real possibilidade de recomeço para nossa humanidade.

 

 

A “Cola” da Sociedade

 

Por fim, se me perdoam a pretensão, acho que a única “cola” com a qual poderemos construir a união de todos, por mais incrível que pareça, é a POLÍTICA. Por que a política? Porque por mais que as baleias, os ursos polares e a floresta amazônica sejam importantíssimos, a política está na nossa porta. A política, por si só, é holística. Ela trata de educação, saúde, segurança, meio ambiente, habitação, tudo. Então, se ela voltar para as nossas mãos, ela nos unirá em tudo. Como isso seria possível? Talvez pela via de uma nova organização societária “em rede”, como defende Augusto de Franco, ou de uma sociedade autopoiética, como diria Maturana. Não sei. Mas acho que já é tempo de nos arrojarmos nesse novo caminho, iniciando pela ampliação da concepção do ser humano, da felicidade e da vida.

 

“O progresso não é senão a realização de utopias.” Oscar Wilde.

 

David Gomes Pacine

estadoemrede@gmail.com

33 anos. Emblemático.

                De uma coisa tenho certeza: há 20 anos atrás, eu não tinha a mínima ideia de como estaria aos 33 anos. Há 20 anos atrás, minha maior meta nesta mesma época do ano era conquistar a gatinha da quinta série com a qual estava namorando sem que ela soubesse.

                Um bocadinho de vida depois, cá estou, profissionalmente satisfeito, bem casado, desenvolvendo novos e estimulantes projetos, planejando o primeiro filho.

                Muito trabalho, muita leitura, muito aprendizado. Se olhar para trás, comparado à média das pessoas que conheço, pouco descanso. Mas não me arrependo nem um pouco. Creio que, para mim, reduzir o ritmo da vida e fazer “menos coisas” como certa vez me pediram seria mais ou menos como ser criogenado para uma pessoa menos ativa.

                Este ano decidi não fazer nenhuma festa, nenhuma janta – simples ou especial – nem com amigos, nem com família, nem com esposa. Estou em um momento reflexivo (tem sido vários ultimamente [sinto falta do circunflexo em “tem”]) e do fundo deste poço que reflete minha própria imagem recebi uma proposta que decidi acatar.

                Ao pensar sobre o que já tenho – pelo qual sou muito grato à minha família, amigos, colegas de profissão, pacientes e, é claro, ao meu próprio esforço – e pensar sobre o que falta às pessoas ao meu redor, a partir deste ano decidi que, no dia do meu aniversário, quero abrir mão dos presentes materiais. Vou pedir aos amigos, daqui por diante, que se quiserem me presentear que façam uma coisa por mim:

– Pratique um ato de generosidade com alguém que não conhecem. Alguém fora do círculo de amigos, familiar ou profissional. Nos próximos dias, ou na primeira oportunidade que tiver, não perca a chance de ser generoso, da forma que melhor lhe aprouver e de forma que seja útil a quem se esteja sendo gentil.

               Como eu disse, é emblemático. Conseguimos fazer tantas coisas boas àqueles com os quais nos relacionamos mas, a maior parte de nós, não temos a mesma capacidade com outras pessoas, desconhecidas. Na segunda-feira, fui devolver dois DVDs na locadora e na saída, quando estava entrando no carro, um senhor me pediu dinheiro. Não tenho o hábito de dar dinheiro a quem pede pois não sei qual uso dele vão fazer e lhe respondi que não. Em seguida, o moço me pediu alguma coisa para comer, pois estava com muita fome e estava longe de casa, ao que também respondi que não, pedi licença e fui embora. Quase sincronicamente,  enquanto estava jantando, comecei a ler a revista Vida Simples de julho de 2009 (esta edição está particularmente ótima) e em um artigo sobre generosidade fui alertado de algo muito simples mas que muitas vezes nos passa desapercebido: “se o mendigo na rua fosse alguém que amamos, recusaríamos a ajuda que ele pede?”.

               Qual a origem deste tratamento díspar? O que promove esta individualidade do eu, do meu, do apego? Confesso que já estudo e tento me aperfeiçoar há tempos, mas exemplos como o desta segunda-feira mostram que ainda estou longe daquilo que admiro e suporto como ideal de vida em comunidade.

               Então, meu amigo, se quiser me dar um presente no dia de hoje, faça isso: pratique, com desapego, sem interesse por receber nada em troca, um ato de generosidade com alguém que você não conhece. Se calhar, permaneça com o espírito aberto, para repetir esta proeza quando for possível. Se conseguir, estará me dando um presente mais valioso do que qualquer um que já ganhei.

Leticia Wierzchowski e o processo contra Milton Ribeiro:ou a batalha entre o alazão negro e o alazão

Em função de uma viagem, não consegui me posicionar anteriormente em relação ao processo judicial iniciado por Leticia Wiezchowski, autora, entre outros, do livro A Casa das Sete Mulheres, e o blogueiro Milton Ribeiro. Entretanto, preciso somar minha voz a de tantos outros que o fizeram.

Não tenho nenhum tipo de relacionamento com Leticia Wierzchowski e, por outro lado, considero-me amigo de Milton Ribeiro, o que poderia interferir em meu julgamento. Entretanto, as considerações a seguir serão tecidas da forma mais isenta possível levando em conta meu contato com os envolvidos. Para ilustrar melhor o que penso, vou contar uma historinha, com dois personagens chamados Miltona e Leticio (sem acento).

Miltona é uma escritora gaúcha de razoável sucesso regional que teve uma de suas obras escolhidas por uma rede de televisão para ser vertida em uma minissérie transmitida nacionalmente. A minissérie obteve boa visibilidade e aumentou temporariamente o número de pessoas cientes da existência da escritora, que vendeu milhares de seu livro na ocasião.

Miltona, entretanto, não conseguiu manter sua sorte seu desempenho nas obras a seguir e, depois de tentar sua sorte no mundo da arquitetura, da moda e da construção civil, resolveu dedicar-se ao direito, quando decidiu processar um de seus leitores, Leticio Ribeirinho.

Leticio Ribeirinho, um sofrido leitor da obra de Miltona, havia escrito uma resenha tentando abrandar uma critica severa que sua autora preferida havia recebido alguns anos antes por um renomado ensaísta, crítico e escritor gaúcho. Entretanto, ao tentar abrandar a crítica à sua amada escritora, o tiro acabou saindo pela culatra pois, ao imaginar que Leticio estava lhe insultando, a atrapalhada* Miltona decidiu que estava na hora de conseguir uma graninha enquanto não arranjasse uma nova ocupação, talvez como atendente no Wally-Smart.**

Mas agora, por gentileza, deixem-me concluir abruptamente este texto por dois motivos: meus pés estão ficando gelados e estão cortando seringueiras centenárias na beira do rio porque “estão impondo risco ao moradores vizinhos”. Isso parece uma inversão da lógica: primeiro eu me mudo para o lado do depósito de lixo e depois peço à prefeitura para que mude o lixão de lugar… É como escrever um livro cheio de erros e esperar que não se façam críticas a ele. É dormir com a amante na própria cama com a esposa preparando o jantar na cozinha e depois reclamar se for pego no flagra.

E não deixem de ler todos os links indicados acima e abaixo. Esta é uma história que merece ser apreendida e acompanhada. 

 

* Alguns estudos sugerem que o analfabetismo funcional no Brasil chegue a níveis superiores a 70% da população.

** A descrição da referida profissão não tem nenhum caráter desmeritório > este disclaimer está sendo publicado a partir da observação de que algumas pessoas com visão enviesada podem crer que algumas profissões possuem importância inerente maior do que outras

*** Não deixe de olhar a página da Leticia Wierzchowski na Wikipedia.

 

Para entender o post acima, leia os seguintes links:

Leticia Wierzchowski processa este blog (I)

Leticia Wierzchowski processa este blog (II) – O conteúdo da inicial escrita pelo advogado de Roberto Carlos e da RBS

Leticia Wierzchowski processa este blog (III) – Algumas opiniões equilibradas

 

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Reflorestamento

Gente Legal Conectada com Gente Legal

Há muito tempo atrás eu me questionava: porque afinal de contas, com tanta informação à nossa disposição, ainda assim cometíamos erros banais e insistíamos nos mesmos erros de sempre?
 
A resposta a essa pergunta não é simples e não é uma só.
 
Um dos motivos pelos quais isso acontece é justamente pela SOBRECARGA DE INFORMAÇÃO. Somos atacados de todos os lados por milhares de fontes de dados buscando cada uma sua sobrevivência em nossa consciência. Aparentemente, temos condições limitadas de lidar com este influxo de dados e pouco do que recebemos realmente é internalizado e assimilado pelos seres humanos em suas vidas práticas.
 
Muitos sabemos o quanto um animal sofre durante sua criação e abate para nos alimentar, mas poucos adaptam suas vidas para interromper este ciclo. Muitos conseguem perceber a amplitude das escolhas energéticas que fazem, mas poucos de fato abrem mão do ar condicionado no carro ou no local de trabalho, ou pelo menos falham em reduzir sua utilização.
 
Bem, isto posto: temos um primeiro problema, a sobrecarga de informação, que nos leva a um segundo motivo pelo qual seguimos insistindo nos mesmos erros: um sistema perceptivo avariado.
 
Vivemos em uma época em que não nos é dado tempo para aprender tampouco para explicar. A velocidade assustadora de todas as coisas imprime em cada um de nós – como regra geral – uma mensagem de que precisamos “ler” tudo superficialmente para que possamos assimilar mais, e mais, e mais, e mais coisas…
 
Na verdade, estamos assimilando cada vez menos, e menos, e menos, e menos… Como exemplo, publiquei há alguns dias em meu blog a oferta de enviar gratuitamente alguns DVDs que adquiri do filme Earthlings (Terráqueos) e expliquei no texto que, para receber os DVDs, bastava acessar um link e informar o e-mail. Entretanto, um leitor do blog deixou um comentário dizendo:
 
Gostaria de receber os tres DVDs, qual seria o procedimento?
 
Ou seja, a leitura foi feita com tanta desatenção que acabou por prejudicar o leitor, que não chegou onde queria e, de certa forma, também me prejudicou, pois tive que utilizar do meu tempo para lhe explicar, novamente, sobre como proceder.
 
É importante perceber que me refiro aqui não somente em relação a “leituras” que fazemos de textos escritos, mas de conversas com amigos, professores, programas de tevê e até de anúncios publicitários.
 
O que urge, é uma espécie de Reforma da Percepção, que leve a uma Reforma do Pensamento e, finalmente, à Reforma das Atitudes de que tanto precisamos.
 
E o caminho que sugerimos? Aprendizado e aperfeiçoamento constantes, compartilhamento do que aprendemos com as pessoas que estão à nossa volta, quer seja ativamente ou através do exemplo e prática diária das mudanças que vamos assimilando, aos poucos, uma a uma.
 
Como disse o Denis Russo Burgieman em seu artigo da Vida Simples deste mês, “Não espere que a solução para os problemas do mundo venha dos governos ou das grandes empresas. Ela virá de gente legal conectada com mais gente legal conectada com mais gente legal.”
 
É isso aí Denis. A conclusão a que você chegou ao citar o Re:Vision (um projeto que visa construir coletivamente um quarteirão sustentável em Dallas, no Texas) aplica-se perfeitamente à Coolmeia. Foi assim que ela foi idealizada: como um quanta no espaço e no tempo, uma miríade de TAZes, de Zonas Autônomas Temporárias em que pessoas legais, conectadas com outras pessoas legais conectadas com mais pessoas legais conseguissem, juntas, encontrar as soluções e praticar as ações que de fato mudassem desde já o mundo em que vivemos.
 
Você sente que é por aí também? Então junte-se a nós! Temos muito trabalho a fazer!

Reflorestamento

Coolmeia e o Dia 22 de Abril: Dia Mundial da Terra

Coolmeia - Ideias em CooperaçãoEstamos há apenas seis dias do lançamento oficial da Coolmeia e as coisas estão esquentando: a comunidade no Ning está ficando afinadinha – ainda sem atividades intensas em função dos preparos iniciais como a criação de Tutoriais para facilitar a vida de quem chega, bem como recomendações de boas práticas e convívio, para manter uma organização adequada.

Se em uma casa em que mora uma família que se conhece há anos já é fácil encontrar bagunça, imagine em uma em que novas pessoas chegam todos os dias?

Quem me acha perfeccionista, realmente não me conhece. Confesso que já fui, mas hoje apenas me preocupo em estabelecer um padrão mínimo de organização que possibilite uma comunicação adequada entre os membros e que também lhes permita encontrar as ferramentas que estarão em breve dispobíveis por lá, não somente nos próximos meses como daqui a anos a fio. Então, esta fase de preparação não é nada mais nada menos do que uma etapa necessária a ser cumprida. E já dura mais de 9 meses. E vai nascer! Dia 22 de abril está aí!

E o que estamos preparando para o dia 22 de Abril? Bem, não haverá festa, nem coquetel de lançamento, muito menos fogos de artifício. Será mais ao "nosso estilo", digamos assim. No próximo dia 22 de Abril, no mesmo dia em que a iniciativa Coolmeia – Ideias em Cooperação será lançada, comemora-se desde 1970 o Dia Mundial da Terra. É um momento de reflexão, uma oportunidade para olhar para o mundo ao nosso redor e repensar nossas escolhas e atitudes para com os outros e com nosso planeta.

Já defini duas atitudes simples a serem realizadas no dia 22: tratarei de ir de bicicleta ao trabalho e também plantarei uma ou duas árvores, com o compromisso de seguir cuidando delas depois. E você, o que poderá fazer neste Dia Mundial da Terra?

Sempre lembro, quando me vem à cabeça atitudes positivas, quer sejam elas simples ou mais dispendiosas, uma citação de B. K. Jagdish:

"Nossos pés deixam pegadas na areia do tempo. Se estivermos no caminho errado, muitos nos seguirão, desviando-se do que é correto. Quando pensamos que uma ação é só por aquele momento e esquecemos que ela deixa um rastro atrás de si, não estamos sendo responsáveis.
Todas as nossas ações afetam os seres humanos, dando-lhes alívio ou tristeza. Podemos fortalecê-los ou não. Podemos causar ferimentos ou curas. Podemos gerar conflitos ou resolvê-los. Podemos criar cataclismas ou algo nobre para a sociedade.
"

Espetacular, não? Em poucas linhas, resume todo um sentido que podemos dar para uma vida (ou para uma nova vida).

Hoje, agradecendo a dois gentis comentários que foram feitos à Coolmeia pela Rita Braune e pela Nelida Campela, escrevi em resposta sobre a Coolmeia e alguns de seus objetivos:

"…a Coolmeia em si vai tratar disso: mostrar para as pessoas que as amarras que elas imaginam que lhes prendem ao Estado, ao consumo, à rotina e ao conforto podem ser mais fracas do que pensam.

Podemos criar uma vida plena de significados, longe da anestesia das grandes ilusões modernas. Às vezes, precisamos de alguém que nos dê a mão, caminhe ao nosso lado ou mesmo, lá de longe, nos dê um "aceno libertário": um chamado, um exemplo, um ponto de partida ou uma luz que nos ajude a iniciar um novo caminho."

Quer me dar a mão?

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