O Pintassilgo

O PintassilgoComo de costume, não posso deixar passar um mês sem alguma novidade por aqui… A da vez chama-se O Pintassilgo.

O Pintassilgo é o nome que dei a um Boletim de periodicidade ocasional que enviarei a amigos, conhecidos e contatos da internet. Lá do fundo da sala, um já se levanta e pergunta: você já ouviu falar em Feed? Sim, sim, caro amigo. Obrigado pela lembrança! Sim, já ouvi falar de feed!

Mas o que O Pintassilgo terá de diferente em relação ao feed que eu posso assinar aqui neste site ou em qualquer outro que eu quiser assinar?

Em primeiro lugar, o feed deste e de qualquer site inclui todo o conteúdo produzido pelo site ou pela seção do site que você assina. No caso d´O Pintassilgo, haverá um editor (eu) que selecionará conteúdo não somente deste site (Escrever Por Escrever) como também de outros sites que fazem parte do Armazém de Ideias Ideais como O Pensador Selvagem, a Coolmeia, o Simplicíssimo, a Clínica MedSpa e a Sillencio Edittora & Livvraria além de links para textos selecionados em blogs afins.

Será um clipping composto apenas com o Crème de la Crème (e não todo e qualquer artigo) publicado ao alcance da minha leitura nesta rede e fora dela. Será um tipo de "acompanhe o que estamos fazendo, vendo, lendo, curtindo e programando" e um convite à participação contínua de nossas atividades, quer seja através da participação em ações propostas ou através do debate por e-mail, nas caixas de comentários ou nas listas de discussão e fóruns disponíveis.

Para assinar o Boletim, é muito simples: basta inserir seu e-mail na Página de Inscrição do Boletim O Pintassilgo.

Quanto à periodicidade, não haverá, mas estimo que conseguirei produzir um boletim por mês, em média ou, eventualmente, haverão dois Pintassilgos em um dado mês. Afinal de contas, tenho dois filhotes e uma esposa para alimentar,

 

 

Continue reading

7 Coisas que você precisa saber sobre remédios para emagrecer – Sibutramina Femproporex Anfepramona

Dei uma entrevista para o portal IG Beleza sobre medicações para emagrecer. A conclusão, antecipo aqui:

"Qualquer medicação nunca será completamente eficaz se não conseguirmos de fato melhorar nossos hábitos alimentares e de atividade física, começando por uma sensível redução no nosso ritmo de vida"

Continue reading

sonífero

O Seqüestro de Eloá e as opções que não foram aventadas

Já se falou demais no caso, a polícia novamente tentou fazer o que achava melhor e mais uma vez o resultado não foi o esperado (tampouco esta será a última ação fracassada de nossas forças de supressão (opressão?) à violência. Uma pergunta, entretanto, ecoou em uma singela reunião de quatro médicos e uma psicóloga na noite de domingo:

Não poderia a polícia ter enviado, após três dias de negociação, um alimento repleto de calmante ou sonífero, bem como uma dose "derruba-elefante" na água ou na bebida enviada ao trio?

soníferoTalvez nos primeiros dias, o seqüestrador podia estar atento ao alimento e deveria pedir para as meninas comerem e beberem primeiro. Depois de três dias comendo prendendo as menininhas e dormindo muito pouco ou quase nada o raciocínio do canalha provavelmente já não mantinha qualquer capacidade de esquivar-se de medidas um pouco mais inteligentes do que as usuais.

Mas talvez estejamos falando uma grande besteira, e alguém mais entendido no assunto poderá vir aqui e me criticar. Gostaria de ouvir.

Ao menos, a família de Eloá demonstrou, apesar do sofrimento extremo, uma fantástica capacidade de solidariedade e hoje o coraçào da menina já bate no corpo de outra moça, uma senhora paraense que há 18 meses esperava um transplante. O pulmão também já ventila em uma jovem de 18 anos com fibrose cística, bem como o pâncreas, os rins e as córneas. Que o coração de Eloá siga batendo por muitos e muitos anos ainda, para que esta história não seja esquecida tão cedo.

Uma mulher chamada Suruba

Suruba estréia n’O Pensador Selvagem

Uma mulher chamada Suruba

Hoje estreiou a novela coletiva escrita a várias patas pelos blogueiros d’O Pensador Selvagem, Uma Mulher Chamada Suruba. O grandioso projeto cooperativo mantido pelo poderoso conglomerado de blogs d’O Pensador Selvagem já nasce com uma certeza: se o sucesso não vier, estupendas gargalhadas virão. Veja só a descrição sobre a obra e seus autores:

Uma Mulher Chamada Suruba é uma obra (lato sensu) coletiva, escrita a várias patas pelos blogueiros de O Pensador Selvagem. Trata-se de uma produção ficcional e, sobretudo, friccional. Portanto, qualquer semelhança com a realidade é mero sinal de que você deve ter uma vida muito merda.

Mal li o primeiro capítulo e já espero ansioso pela continuação da saga da jovem Suruba dos Santos… Um capítulo (ou mais) por dia… Haja coração!

Própolis cápsulas de própolis

Cápsulas de própolis – onde encontrar?

Própolis cápsulas de própolisHá muito tempo se sabe, de forma não científica, que extratos à base de própolis, uma goma resinosa e balsâmica utilizada na colméia para desinfecção dos favos, possui efeitos antiinflamatórios e antibióticos, capazes de combater algumas espécies de vírus, bactérias e fungos menos patogênicos.

A partir da década de 60, estudos bioquímicos verificaram que o própolis é composto, entre outras substâncias, de compostos fenólicos, flavonóides, enzimas, derivados do ácido benzóico, caféico, ácido e álcool cinâmico, benzaldeído, terpenos e óleos essenciais.

Utilizado atualmente por naturalistas, pessoas que evitam a utilização de fármacos sintéticos, acredita-se que seja um bom auxiliar no tratamento de resfriados e gripes, algumas afecções de pele atuando ainda como estimulante da cicatrização e como potencializador das defesas imunológicas do organismo.

Entretanto, é bom salientar que, assim como o que mata também cura, o que cura também pode "matar": o uso crônico indiscriminado por tempo excessivo de qualquer forma de própolis associa-se, a longo prazo, ao desenvolvimento de hipertireoidismo subclínico, uma alteração em que há ligeiro aumento nos níveis dos hormônios de tireóide no organismo. Desta forma, se utilizado, o própolis não deve ser usado por períodos prolongados, nunca mais do que 2 ou 3 meses seguidos.

Uma empresa nacional especializada na produção de própolis purificado e outros derivados da abelha é a Prodapys, de Araranguá – SC.

Como já ressaltado, seu uso deve ser discutido com seu médico. Nem todas pessoas estão aptas a realizar o uso dessa substância, mesmo sendo "natural."

Legítima piada: Anúncio para arranjar namorada

Homem descasado procura…

Homem de 40 anos, que só gosta de mulher, após casamento de sete anos,
mal sucedido afetivamente, vem através deste anúncio, procurar mulher
que só goste de homem, para compromisso duradouro, desde que esta
preencha certos requisitos .

O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE tenha idade entre 28 e 40 anos, não
descartando, evidentemente, aquelas de idade abaixo do limite
inferior, descartando as
acima do limite superior.

Devem ter um grau razoável de escolaridade, para que não digam, na frente
de estranhos: ‘menas vezes’, ‘quando eu si casar’, ‘pobrema no úter’,
‘eu já si operei de apênis’, ‘é de grátis’, ‘vamo de a pé’, tar com
você’ e outras pérolas gramaticais.

Os olhos podem ter qualquer cor, desde que sejam da mesma e olhem para
uma mesma direção.

Os dentes, além de extremamente brancos, todos os 32, devem permanecer na
boca ao deitar e nunca dormirem mergulhados num copo d’água.

Os seios devem ser firmes, do tamanho de um mamão papaia, cujos
mamilos olhem sempre para o céu, quando muito para o purgatório, nunca
para o inferno.Devem ter consistência tal que não escapem pelos dedos,
como massa de pão.

Por motivos óbvios, a boca e os lábios, devem ter consistência macia,
não confundir com beiço.

A barriga, se existir, muito pequena e discreta, não um ponto de referência.

O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE seja sexualmente normal, isto é, tenha
orgasmos, se múltiplos melhor, mas mesmo que eventuais, quando
acontecerem, que ela gema um pouco ou pisque os olhos, para que ele
sinta-se sexualmenteinteressante. Independentemente da experiência
sexual do PRETENDIDO, este exige que durante o ato
sexual a PRETENDENTE não boceje, não ria, não fique vendo as horas no
rádio relógio, não durma ou cochile.

O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE não tenha feito nenhuma sessão de
análise, o que poderia camuflar, por algum tempo, uma eventualesquizofrenia.

A PRETENDENTE deverá ter um carro que ande, nem que seja uma Brasília,
que tenha dinheiro para o táxi, uma vez que pela própria idade do
PRETENDIDO,ele não tem mais paciência para levar namorada de madrugada
para casa.

Enviar cartas com foto recente, de corpo inteiro, frente e costas, da
PRETENDENTE, para a redação deste jornal, para o codinome:

‘CACHORRO MORDIDO POR COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE’.

RESPOSTA DA PRETENDENTE

(publicada dias após, no mesmo periódico Cearense)

Prezado HOMEM DESCASADO: Li seu anúncio no jornal e manifesto meu interesse
em manter um compromisso duradouro com o senhor, desde que (é claro) o
senhor também preencha outros ‘certos’ requisitos que considero básicos!

Vale lembrar que tais exigências se baseiam em conclusões tiradas
acerca do comportamento masculino em diversas relações frustradas, que
só não deixaram marcas profundas em minha personalidade, porque
‘graças a Deus fiz anos de terapia, o que infelizmente contraria uma
de suas exigências!

Quanto à idade convém ressaltar que espero que o senhor tenha a maturidade
dos 40 anos e o vigor dos 28, e que seu grau de escolaridade supere a
cultura que porventura tenha adquirido assistindo aos programas do
‘Show do Milhão’…!

Seus olhos podem ser de qualquer cor desde que vejam algo além de
jogos de futebol e revistas de mulher pelada.

E seus dentes devem sorrir mesmo quando lhe for solicitado que lave a
louça ou arrume a cama.

Não é necessário que seus músculos tenham sido esculpidos pelo
halterofilismo, mas que seus braços sejam fortes o suficiente para
carregar as compras.

Quanto à boca, por motivos também óbvios, além de cumprir com
eficiência as funções a que se destinam, as bocas no relacionamento de
um casal, devem servir, inclusive, para pronunciar palavras doces e
gentis e não somente:
‘PEGA MAIS UMA CERVEJA AÍ, MULHER!’.

A barriga, que é quase certo que o senhor a tenha, é tolerável, desde
que não atrapalhe para abaixar ao pegar as cuecas e meias que jamais
deverão ficar no chão.

Quanto ao desempenho sexual espera-se que corresponda ao menos
polidamente à ‘performance’ daquilo que o senhor ‘diz que faz’ aos
seus amigos!

E que durante o ato sexual, não precise levar para a cama livros do tipo:
‘Manual do corpo humano’ ou Mulher, esse ser estranho’!

No que diz respeito ao ítem alimentação, cumpre estar atualizado com a
lista dos melhores restaurantes, ser um bom conhecedor de vinhos e
toda espécie de iguarias, além de bancar as contas, evidentemente…

Em relação ao carro, tornam-se desnecessários os trajetos durante a
madrugada, uma vez que, havendo correspondência das exigências que por
ora faço, pretendo mudar-me de mala e cuia para a sua casa … meu
amor!!!

Ass.: A COBRA

(texto recebido por mail e, segundo o mail, publicado em jornal de circulaçào diária do Ceará)

Spam

Chega de SPAM e Chega de SPAM no Orkut!

SpamMais atrasado do que nunca, mas antes tarde do que nunca, criei – em momento de ócio sem criatividade, duas das comunidades mais inúteis do Orkut: CHEGA DE SPAM! e CHEGA DE SPAM NO ORKUT!

Ambas visam acabar com o SPAM de uma vez por todas.

É BÓBVIO que isso é uma Utopia maior do que estabelecer uma relação social entre humanos sem qualquer forma de governo instituído, anárquico. E, então, pra que isso?

Te respondo: pra nada mermão. E pra quê este post pra anunciar esta bobagem então? Pra nada, pra nada…

De qualquer forma, se estás sem ter o que fazer, clica na porra dos links abaixo e entra nas Comunidades. Pra quê? Pra nada, pra nada…

CHEGA DE SPAM! e CHEGA DE SPAM NO ORKUT!

Siddharta Gautama (Buda) – Eu sou o resultado de meus próprios atos…

"Eu sou o resultado de meus próprios atos, herdeiro de meus próprios atos; os atos são meu parentesco; os atos recaem sobre mim; qualquer ato que eu realize, bom ou mal, eu dele herdarei." Eis em que deve refletir todo homem e toda mulher."

Terça-feira, 2 de novembro de 2004 – Introdução a uma Estética Anarco-Humanista

Introdução à uma Estética Anarco-Humanista

Por terem crescido em mundos diferentes, sofrido estímulos diferentes, raramente uma discussão entre cristãos e humanistas é proveitosa. Razão primordial para aproveitar uma oportunidade como esta proporcionada pelo Simplicíssimo em que alguns cristãos e humanistas (entremeados com um ou outro não tão convicto de sua posição) se dispuseram a encarar, com extrema sinceridade e criatividade, o tema em questão.

Começo este brevíssimo ensaio com uma visão particular de cunho humanista, inspirada em textos de H.J.Blackham, Kathleen Nott e de Kingsley Martin, constantes em uma obra chamada “Objeções ao Humanismo”. Certo da impossibilidade de extinguir a discussão sobre o assunto nas linhas que se segue, fica o convite à reflexão e ao debate do tema proposto. Segue-se o emaranhado de meus pensamentos com as idéias propostas pelos pensadores acima citados, sempre com a consciência de que somos os quatro muito mais do que a individualidade que representamos.

O Humanismo pode ser visto como uma preocupação íntima e profunda com o completo desenvolvimento da potencialidade e da personalidade humana que só pode ser a experiência de indivíduos reais. É pouco provável que existam muitas pessoas assim em cada geração. O tornar-se humano dependem de um discernimento e visão imaginativa – artística, filosófica, pessoal e de relação – que devem ser excepcionais para sua plena realização.

Como diz H. J. Blackham, talvez a nota característica do Humanismo seja um materialismo altruístico, terreno e apaixonado.

O humanismo aspira ser simples com os mais simples e a ser mais filosófico do que as escolas e mais religioso do que as seitas e mais político do que os políticos.

Fé sem obras não é Cristianismo e o ateísmo que não faz esforço algum para ajudar a humanidade a arcar com suas conseqüências não é Humanismo.

Se alguém desperta de um sentido de ilimitada dependência para uma suposta independência ao invés de para uma ilimitada interdependência está operando uma troca de ilusões, para pior.

A responsabilidade ilimitada e compartilhada na criação das condições de toda uma vida merece ser chamada de humana, eis o colossal empreendimento a ser assumido pelo homem sem Deus.

Os filósofos, inevitavelmente, são cerebrais e na atualidade com freqüência agnósticos. O mesmo acontece com os cientistas. No entanto, não apenas os filósofos e os cientistas mas também os matemáticos têm um interesse real e penetrante pelas artes. Em alguns, este interesse justifica uma necessidade terapêutica mas, também, pode ser nada mais que o reconhecimento de que toda a inteligência humana deve aprender a se equilibrar.

Somos ainda, em grande parte, como humanidade, altamente desaparelhados para satisfazer a um desenvolvimento satisfatório equilibrado e harmonioso entre lógica e análise de um lado e imaginação e intuição de outro, em uma só mente e personalidade.

O que propomos aqui é um exercício de pensar. Sabemos que para a grande maioridade das pessoas o pensamento é um esforço doloroso e preferem passar sem experimentar. Se for o seu caso, para a leitura neste ponto.

Não estou atribuindo nenhuma superioridade àquele seleto e estranho bando de pessoas que tem uma inclinação para o raciocínio abstrato quando digo que, neste sentido, a maioria das pessoas não pensa. Em um sentido prático, obviamente, todos pensamos quando temos que resolver este ou aquele problema, mas não é disso que falaremos.

A linguagem dos homens e das mulheres comuns é muito mais parecida à dos poetas ou mesmo à dos namorados do que à dos filósofos. Estão sempre dizendo “o que eu gosto, o que me desagrada, o que me interessa, o que me aborrece”. Dizer o que se vê pela janela do ego é construir uma ponte entre um suposto mundo interior e o exterior. Dizer é presumir que há, em um mundo externo, algo sobre o quê algo possa ser dito. Significa uma fé animal sobre a existência do mundo e das coisas.

O problema histórico do Humanismo foi negar esta fé essencial materialista e aceitar, durante algum tempo, o racionalismo radical de alguns filósofos e outros intelectuais ocidentais. Deixou de acreditar em tudo aquilo no qual não se via a razão.

Hoje, minha crença se baseia no fato de que, ser analítico demais, pedir explicações, razões e justificações morais e lógicas pode acabar por destruir as relações humanas. Entretanto, não há como negar que, tanto entre os racionalistas quanto entre os religiosos uma certa ânsia por uma certeza final caracteriza a todos.

O problema pode estar justamente no fato de que se criou uma polarização do tipo “ou isto ou aquilo” em que ambos lados polemizadores tentam achar provas de que a sua verdade é a verdadeira. Cria-se uma guerra em que, na realidade, a verdade é a primeira vítima.

Pensar ou raciocinar é aprender a ver o que tem para ser visto. Isto implica em aprender a ver por si próprio e sustentar e arcar com a responsabilidade das conclusões tiradas. Isto não significa que uma pessoa tem que ter “razão”. Existe um padrão de pensamento que é válido aos seres humanos que se preocupam com suas próprias vidas qualquer que seja ela em um determinado momento. Pensamos corretamente quando pensamos com uma finalidade real em um campo real. Este parece ser o único método de realizar uma adaptação criadora ou uma fecunda transformação em nosso meio-ambiente – que aqui podemos chamar de Progresso, em um sentido amplo.

Acontece que, justamente esta ênfase na capacidade da ciência como criadora de progresso tornou-se alvo de crítica aos combatentes do Humanismo oitocentista, já que, ao que parece, por onde quer que se olhe, o evangelho do progresso nos está conduzindo não à Utopia prometida mas a uma maior miséria social e até quem sabe – já se falou mais sobre isso – a uma solução final através de uma guerra nuclear.

Essa visão humanista é, hoje, obsoleta. Continua-se a ter o direito de pretender que o Humanismo possa apresentar o caminho para uma sociedade melhor e para formar melhores seres humanos, desde que não comenta o erro de prometer ilimitados desenvolvimento e progresso ininterrupto – mais característicos hoje de uma ciência irracional e sem rumos definidos.

É importante perceber também que vivemos em um mundo dividido em que a elite instruída rejeita a religião revelada pois a mesma carece de verdades objetivas. Pode-se dizer até que, entre cardeais, bispos, ministros e governantes que pregam a fé que se empenham em manter através da propaganda, da censura e do controle através da educação não existe mais a crença absoluta no que é pregado, exceto talvez ainda sob um aspecto simbólico.

A fé humanista consiste em que a razão pode desempenhar um papel decisivo e que as doutrinas religiosas podem ser, na maior parte, obstrutivas. Vide o exemplo do Oriente Médio e das contínuas guerras santas entre judeus e palestinos.

Tornou-se um dever, e não apenas uma linha sensata de conduta, trabalhar em prol de uma sociedade universal. O futuro depende de nós e não de qualquer doutrina. Devemos acreditar que os homens progridem não para a Utopia ou para a perfeição e sim para uma sociedade mais feliz e mais razoável.

Este ensaio tem a notável pretensão de, utilizando críticas ao Humanismo, mostrar quem sabe, uma visão alternativa às críticas feitas. Uma das mais drásticas críticas feitas ao Humanismo é a de que ele é ruim demais para ser verdade. O mundo é uma vasta tumba, as vidas humanas são efêmeras e a própria vida humana está fadada à extinção final . Todas as religiões evoluídas fazem frontal oposição a tudo isto, dizendo “o eterno apenas”, “o temporal redimido pelo eterno”, nunca “o temporal apenas”.

Nas palavras de Bertrand Russel, ateu de carteirinha: “O Homem é o produto de causas cujas finalidades a alcançar não são previsíveis; a origem, o desenvolvimento, esperanças e temores, amores e crenças humanas nada mais são do que uma acidental disposição dos átomos; nem o ardor, o heroísmo ou um pensamento ou emoção intensos pode preservar a vida individual além do túmulo; todo o trabalho das gerações, toda a inspiração, todo o resplendor do gênio humano está destinado à extinção na vasta morte do sistema solar e todo o templo das realizações do Homem deverá ser, inevitavelmente, sepultado sob os escombros de um universo em ruínas”.

Explica-se através de uma metáfora, que o Humanismo veria a vida como uma ponte sobre um desfiladeiro que se estende apenas até a metade da distância e acaba no ar. Esta ponte estaria abarrotada de seres humanos que se empurram um após o outro caindo no abismo. Não importa que, ao subir na ponte, eles pensem que estão indo a alguma parte, nem os preparativos para a viagem que possam ter feito, nem o quanto possam apreciá-la. A visão resultante desta crítica representa a vida como um modelo de futilidade.

Tal exemplo se presta a uma interessante perspectiva, que é a que pessoalmente levo comigo há algum tempo, que chamo de Mudança Radical da Imortalidade, e serve de crítica à crítica acima apresentada.

A busca da imortalidade cristão se dá através da crença na permanência da individualidade da alma em um paraíso além, prometido pela religião revelada através das Sagradas Escrituras.

Não sei bem ao certo quando, mas meu coração rejeitou e deixou de aceitar esta crença há um bom tempo atrás. Ao mesmo tempo em que esta crença foi destruída, surgiu em seu lugar uma outra, mistura de vários estímulos recebidos em essência de leituras e experiências pessoais, em que a noção de individualidade foi deixando lugar para a noção de impermanência e de União e interdependência constante com o Universo, características da crença budista. Como não pratico os hábitos, não posso me considerar nem de longe um budista.

Mas, voltando à minha noção de Imortalidade, acredito que devemos mudar o foco de nossa preocupação de enfrentar nossa extinção e de um desejo desesperado de reencontrar aqueles que perdemos para uma preocupação em como levar nossos filhos e sucessores a terem uma vida mais feliz aqui, nesta existência, aprendendo (e ensinando) a praticar as leis do bem-estar.

Uma vez que tenhamos aceito o fato de que o mundo aqui pe como nós o fazemos, nosso problema se transformará em um problema de comportamento humano, passaremos a viver com uma preocupação ecológica, nos tornaremos verdadeiros humanistas e poderemos deixar de lado as crenças religiosas de busca após a Morte de uma religação a uma entidade superior, tendo em vista que já estamos ligados a esta entidade superior que é a própria Natureza em toda sua imponência e majestade, em todas suas instâncias físicas, químicas e transcendentais.

De qualquer maneira, não sabemos ainda o quanto podemos mudar da natureza humana, mas temos muitas evidências de como podemos mudar o comportamento humano para melhor, mesmo se o processo for menos simples e depender de menos melhorias óbvias na situação física do que imaginávamos há tempos atrás. Este é o limiar para um novo conhecimento. O futuro da humanidade depende mais do nosso conhecimento da mente humana do que do sucesso que podemos ter com as viagens espaciais ou quem sabe até em atingir as estrelas longínquas.

A fé cristã tenta evidenciar como seu principal mote, uma finalidade cósmica para a individualidade humana. A promessa da vida no além como justificativa para o bom comportamento na vida terrena. Qualquer tipo de moral ou ética sem esta finalidade cósmica não poderia se manter e se perpetuar através das gerações.

O Humanismo propõe um desafio que resolvi aceitar. Proponho aqui a valorização das finalidades individuais e coletivas como um fim em si mesmas. A Vida como fim da Vida ao contrário da Morte como fim da Vida, como quer o cristianismo.

Se assim for, não é a reflexão sobre a experiência mas a experiência em si o fim último da Vida. E, chegando a essa conclusão, nos damos conta de que, viver é, na realidade, um churrasco com os amigos no fim-de-semana, onde se contam piadas e nos divertimos, em um mundo sensual e finito. Mas não só isto: é necessária a percepção consciente destes fatos, que muda totalmente nossa vivência de uma simples rotina de repetição animal das ocorrências do dia-a-dia para uma vivência baseada em escolhas verdadeiras e tranqüilas do nosso próprio destino.

Com a percepção de que sou autor de minha própria existência, vivendo em uma dimensão individualmente mortal, esta experiência (a Vida) pode tanto ser um relato triste e trivial do que acontece comigo ou pode ser uma experiência que valha a pena ser compartilhada por outros, através da arte, ciência, política ou qualquer atividade que eu escolha exercer.

O Humanismo é justamente a aspiração a aumentar esta confiança enraizada nos recursos disponíveis e criar uma arte atingível e, desta forma, reduzir a inutilidade das vidas individuais e torná-las a essência de um mundo pleno e verdadeiramente humano, como jamais existiu.