39 anos, uma Odisseia

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mis-én-scene, ou esbravejando, na Marcha das Vadias de Criciúma – foto Mariana Noronha

Da última vez que nos encontramos para um bate-papo assim tão longo, eu tinha 33 anos, está lembrado? . Ainda, como naquela ocasião, sinto que nada me falta. Materialmente falando. Tudo o que busco agora é preencher alguma possível lacuna espiritual. Ou então, quem sabe, é conseguir esvaziar-me por completo, e perceber que o Tudo e o Nada são, enfim, a mesma coisa.

Papos zen à parte, descobri muita coisa nestes últimos seis anos. Acho que pode ser interessante compartilhá-las aqui, nesta conversa leve e solta que estou tendo com você.

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cozinhando para os amigos, no Solar das Lagartixas

Em primeiro lugar, quero dizer que melhorei muito em alguns aspectos neste período. Mas acho que posso ter piorado em outros, também. Aproveite para descer a lenha em mim nos comentários! Espero que, no cômputo geral,  se é que isso existe, o saldo tenha sido positivo.

Aprendi que, para um casamento durar, não basta querer. Não basta que somente um seja “nós”, mas que ambos o sejam. Aprendi que o desencanto pode surgir assim, de uma hora para outra. Mesmo que esta “hora para outra” não seja assim tão instantânea… Aprendi que olhar para o mundo, tentar salvar “o mundo”, começa, na verdade, por olhar pra gente, para dentro, e começar por nós mesmos. Na verdade eu sempre soube: a distância entre a teoria e a prática é que são elas… O resto é consequência, o resto é respingo das mudanças que promovemos de dentro pra fora…

Aprendi como é bom poder voar e criar novamente, como é bom fazer novos planos, outros planos, sentir novos ares, outros ares e perscrutar novos-velhos lugares. Aprendi que sempre que caímos, podemos levantar, e que as feridas dóem mas saram. E nos ensinam. E o que aprendemos, levamos conosco no caminho que segue.

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Falando sobre a Coolmeia, na Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

Voltei a me apaixonar pela música, e estou me dedicando progressivamente mais ao estudo das quatro e das seis cordas. Voltei a tocar em uma banda. E vamos logo logo gravar um compacto.

Voltei a escrever. E voltei a ser eu mesmo. Voltei a Escrever Por Escrever. E voltei a ousar. E voltei a assinar mais em meu nome e menos em nome da coletividade. Ego x Eco. Lego – Levo.

Voltei a me apaixonar, e estou me dedicando cada vez mais ao novo amor, de dia, de noite, de madrugada, em cima da cama e embaixo da escada…

Continuo sentindo e aprendendo que nossa meta precisa ser o bem, e que na hora em que menos esperamos, ele retorna pra gente, pelo menos na mesma intensidade mas geralmente em quantidade muito excedente à que praticamos. Hoje, dia primeiro de julho de 2015, quando completo meus 39 anos e – novamente – não vou fazer festa, mas sim festejar com minha namorada

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com Conrado e Benjamin, na casa da vó Gisa

 

e meus filhos, jantando com calma, paz e delícia, Hoje, dia como qualquer outro, mas se não

fosse eu, seria outro, recebo uma ligação que vale como um desses presentes inesperados que a vida nos dá. Senta que lá vem história:

Há algumas semanas, colocaram para alugar aqui em Santa Maria – RS um local no qual havia sido, por 19 anos, uma

loja de discos, CDs, camisetas, discos de vinil, chamada Exclusive. Essa loja fechou e o local, o segundo andar de um sobrado construído na década de 20 do século passado, fica na mesma quadra da escola dos meus filhos, em cima de uma padaria, em área central da cidade e perto de tudo, inclusive do meu trabalho, para o qual posso ir caminhando. O problema: a reforma dessa casa tem um valor relativamente significativo, já que todo piso, forro e aberturas estão tomados de cupins. Basicamente, tudo precisa ser trocado. Apesar de querer ficar muito morando lá, e até mesmo utilizar o local como algum ponto de encontro cultural ou de ativismo sócio-ambiental na cidade, os altos custos tornavam as possibilidades de mudança para lá remotas. Agora, a mágica: a ligação que recebi foi do proprietário que, ao conversar com sua irmã, e sentindo minha boa vontade em cuidar com

verdadeiro carinho e apreço pelo lugar, decidiram dar-me 2 anos (DOIS ANOS!) de carência no aluguel, para que eu possa realizar as reformas planejadas!!! Ypiiii! Um presentão! É aí que se fala de ganha-ganha: ganho eu, ganham eles, ganha a comunidade santamariense… Ideias já fervilham sobre o que irá acontecer no novo Solar da Andradas. Chega mais, e vem contar esse nova página da história com a gente!

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foto do amigo André Jacob, brincadeira em estúdio

E a vida rebrota. Morre-se, composta-se, revive-se e o ciclo finda infinitas vezes para reiniciar aqui e acolá, mutante, mudado, mudante…

Seis anos depois, uma coisa não muda: ainda espero que minhas amigas e amigos de verdade continuem me presenteando

com o que pedi, pela primeira vez, naquela ocasião: “se quiser me dar um presente no dia de hoje (ou em qualquer tempo), faça isso: pratique, com desapego, sem interesse por receber nada em troca, um ato de generosidade com alguém que você não conhece. Se calhar, permaneça com o espírito aberto, para repetir esta proeza quando for possível. Se conseguir, estará me dando um presente mais valioso do que qualquer um que já ganhei.”

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Conrado, Luana, Benjamin e eu, na casa da bisa Helga, em Agudo.

 

Retomando as atividades do blog

ipe_amareloDepois de um longo tempo de entressafra – ou poderíamos chamar de hibernação, ou pousio, termo que prefiro – estou voltando à carga com este blog, mantendo o nome original que utilizei tanto em uma série de escritos livres redigidos a partir de 2000 quanto no blog que iniciou em 14 de dezembro de 2003: Escrever Por Escrever

As postagens linkadas acima podem dar uma luz sobre o nome do blog. Mas não espere muita luz. Uma nesga, talvez.

O fato é que, depois de tanto tempo expressando-me “coletivamente”, através da Coolmeia, Ideias em Cooperação – depositei lá boa parte das minhas criações, do meu ímpeto, da minha energia, vontade, potência – decidi me posicionar como indivíduo novamente. Como criador, como autor, como ser singular que sou.

De forma alguma isso significa que abandono meus ideais coletivos, de convivialidade, solidariedade e busca de Bem Comum. Apenas significa que tenho uma verve e uma pulsão minha, que voltarei a expressar, sempre que isto for melhor do que apresentado para e em nome de um coletivo.

Nas primeiras semanas, estarei “requentando” uma série de escritos que andei publicando aqui e acolá nestes anos todos (no Simplicíssimo, n’O Pensador Selvagem, n’o Mutatis Mutandis, na Revista DOC, na Coolmeia e outros artigos escritos e nunca publicados. Entremeando este “revival”, artigos novos, fresquinhos, destilando um pouco das percepções que se construíram nos últimos anos e que, em muito, aperfeiçoaram (ou pelo menos “remoldaram”) minha visão de mundo.

Convido você, amici, a compartilhar desta jornada, adicionando, sempre que tiver vontade, suas impressões acerca dos assuntos abordados e, até, sugerindo pautas ou então participando como articulista convidado.

Novas seções e colunas irão surgir, algumas serão reativadas e a maioria ficará na história. Vez ou outra, no processo de revisar os artigos antigos, vou repostá-los para torná-los “vivos” mais uma vez, sempre que a seriedade, atualidade ou o humor fizerem com que esta vontade se faça premente.

Sem mais, seja bem-vindx ao Escrever Por Escrever. Sinta-se em casa. Críticas construtivas e sugestões serão sempre bem-vindas. Mau humor, trollagens e depreciações gratuitas, bem como discriminações de qualquer tipo serão sumariamente amputadas.

😉

[harmonia]

Sexto dia de vida do Benjamin

Hoje o papai voltou a trabalhar, então a mamãe e as vovós ficaram a cargo do pequeno Benjamin. Hoje foi dia de fazer o teste do pezinho e confirmar a tipagem sanguínea. Para isso, os amigos Rafael e Lucilene Bunn apareceram para uma visitinha e, carinhosamente, coletaram o sangue do Benzinho.

A vovó Giselda também tirou um monte de fotinhos do carrinho, do bercinho e do quartinho do Benjamin que, por incrível que pareça, ainda não está 100% pronto! Falta pouco!

Amanhã é dia de fazer algumas vacinas. Enquanto esperamos, que tal ver umas fotinhos?

(clique aqui para ver o slideshow)

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12/02/2010 – Ecografia morfológica do Benjamin

Hoje pela manhã fizemos a Ecografia morfológica do Benjamin, em Criciúma. Ele está perfeitinho! Muito agitado, não parou de se mexer durante o exame! Conseguimos ver tudo direitinho: perninhas, pezinhos, bracinhos, cabecinha, nariz, boquinha, coluna, coraçãozinho… Já está com 30 cm aos 6 meses (24 semanas!). Se ele soubesse o quanto está sendo esperado aqui fora… Acho bom nem saber: vai que resolve querer sair mais cedo!

Daqui a alguns dias coloco algumas fotos aqui!

18 dias de pedalada…

Ontem resolvi dar uma olhadinha no pequeno computador que vai acompanhando minhas pedaladas na bicicleta. Registrou ele:

Tempo total de pedalada: 4 horas, 30 minutos e 54 segundos

Distância total percorrida: 69,02km

Velocidade máxima atingida: 44,2km/h

Velocidade média do trajeto: 15,5km/h

Tenho pedalado em média 3 dias por semana, geralmente indo e voltando do trabalho (cerca de 5,4km) e num dia só acabei fazendo 22km, sendo que 14 deles com o amigo Rafael de Conti. Dividindo por dias totais, acabei fazendo uma média de 3,83km pedalados por dia. Minha meta, a médio prazo, é esticar esta média e chegar a pelo menos 10km pedalados/dia. Terei então chegado a um bom nível de atividade aeróbica suficiente para estimular meu coração, pulmões, músculos e sistema cardiovascular a manterem-se ativos e saudáveis.

Vamos atrás da meta, então…

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Delicious e Rafael Reinehr in Worderful Land

Não tem jeito. Adoro o Delicious e sua agilidade para favoritar endereços da web e mantê-los organizados. O carinha que inventou as tags (etiquetas) deveria ganhar um prêmio. Ou ao menos um aumento.

Tenho usado muito pouco esta ferramenta, mas passarei a mantê-la sempre ativa desde agora.

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Pimenta vermelha

Molho de Pimentas Mãe da Flávia a la Rafael Reinehr

Dia desses fomos comer uma deliciosa feijoada com feijão branco, frango e lingüiça na casa da Flávia, nossa amiga dentista aqui em Araranguá. A feijoada estava supimpa, mas o que me chamou mesmo a atenção foi um molho de pimenta que foi trazido à mesa.

Como gosto de comidas temperadas (e viva a cozinha tailandesa!) fiquei impressionado com a picância e o sabor do molho de pimenta que a Flávia nos ofereceu. Depois de um furioso interrogatório, ficamos sabendo que a responsável pela criação daquele estupendo molho de pimenta era a mãe da Flávia! Como a Flavinha não tinha a receita, ficou de conseguir com a mãe dela.

Alguns dias depois, já impaciente e louco para repetir a receita em casa, indaguei a Flávia em um encontro casual que tivemos:

– E aí, desembucha: qual é a receita do tal molho de pimenta?
– Pois é… Sabe que falei com a mãe e ela faz meio de olho… Tudo o que sei é que vão dois frascos de pimenta malagueta vermelha e um de pimenta verde…
– Só isso?
– Hu-hum….

Bem, lá fui eu, um cadinho decepcionado para a cozinha tentar "experimentar" e ver se descobria a "fórmula" do maravilhoso molho que agora não era mais de uma só pimenta, então passou a ser um "molho de pimentas". E não é que com um pouco de intuição e alguma destreza cheguei lá? Ah, que perfeição! Agora tenho, para meu próprio consumo, o melhor molho de pimentas que jamais experimentei!

Nos últimos dias, ele tem sido utilizado em tudo: risotos, massas, pizzas… Sempre deixando aquele gostinho ardido e delicioso, além de ser aprovado até agora por 100% das visitas! Bom, sem mais delongas e como não sou de guardar segredos, aí vai a receita do já consagrado Molho de Pimentas Mãe da Flávia a la Rafael Reinehr:

Pimenta vermelha
2 frascos de 80g de pimenta malagueta vermelha

Pimenta verde
1 frasco de 80g de pimenta malagueta verde

Pimentões
3 dedos de 1 pimentão amarelo e de um pimentão verde

Pimentas e Pimentões
Um punhado de pimenta de bico
Sal a gosto
Pimenta do reino moída na hora a gosto
Bata tudo no liqüidificador e…

Voilá!
Molho de Pimentas Mãe da Flávia a la Rafael Reinehr
Está pronto o soberbo Molho de Pimentas Mãe da Flávia a la Rafael Reinehr

A aparência ao vivo é muito melhor do que a da foto acima! A cor é maravilhosa e a ardência já começa nos olhos se você tentar encarar esta bomba de frente por muito tempo. Replique a receita em casa e depois me diga se não é um dos melhores molhos de pimenta que você já experimentou.

Um abraço e bom proveito!

 

Quinta-feira, 9 de setembro de 2004 – É preciso dar para receber

Tão logo tenha passado o susto de encontrar zilhões de banners e botões multicoloridos do Submarino aqui no Escrever Por Escrever e bradar: "O quê? Logo o Rafael, o Rafael Reinehr, aquele que entoa cantos anarco-humanistas aos quatro ventos entregando-se de bandeja aos apelos capitalistas mais vis?"
Lhe digo: Para, espere, escute:

Esta parceria com o Submarino, um dos pioneiros na venda de livros, CDS e outros produtos pela Internet no Brasil surgiu, em verdade, da necessidade.

"Sim, lá vem ele com aquela ladainha de que, em tempos difíceis, o real desvalorizado, aumentando impostos, contas a pagar…"

Sim, necessidade de GASTAR MENOS!

Como boa parte das compras de livros que faço atualmente é pela Internet (já que os preços equiparam-se aos praticados nas lojas de Livrarias como A Cultura, Saraiva, La Selva, Nobel e outras), poderia pelo menos assim – e se ninguém mais adquirisse produtos através dos botões do Escrever Por Escrever – economizar suados 8% na compra destes queridos livros, que fazem parte do orçamento bimestral…

Assim, ninguém se sinta malogrado pela aparente "virada maníaca multicor". Aquela legião de botões provavelmente vai sumir dentro de algumas semanas ou meses, ficando talvez somente os botões de livros e DVDs, que são os que realmente me atraem.

Se fores comprar algo do Submarino e acessares por aqui, agradeço de coração, pois toda possível renda (80 reais de cada R$ 1000,00 gastos através de compras oriundas do Escrever Por Escrever – Noooooooooooooossa! Que fortuna!) serão destinados à compra de mais livros.

Agora, se você ficou sensibilizado com a história deste pobre homem ávido pela literatura e quer ajudá-lo com este seu vício, também lhe é permitido visitar a Lista de Presentes do Rafael Reinehr e escolher um livro bem interessante, ao gosto do hóspede e do tamanho do seu bolso que o Submarino trata de enviar para minha casa.

Não é preciso dizer que isso não vai lhe garantir um pedaço de terra (ou será que seria de nuvem?) no céu, mas um pedacinho maior no meu coração, quem sabe?

Três boas notícias

Rapidinho:

1 – Carol foi chamada para assumir seu posto de psicóloga na prefeitura de Meleiro

2 – Recebemos as chaves da casa ontem, nos mudamos na sexta e no sábado próximos

3 – O amigo Rafael Bunn encontrou um Opala Comodoro lindão que vamos olhar neste fim-de-semana, com precinho bem bom

Bom, né?

Pizza

Pizza, Corujão, Redesign e Zen Habits

    Hoje, depois de alguns dias de angústia por motivos vários, fui tomado de uma sensação de tranqüilidade.

    Podia-se dizer que andava meio "perdido", sem foco definido, absorto pelo trabalho e suas atribulações e, parecia, não havia solução adequada para minhas dúvidas no horizonte próximo.

Pizza    Hoje, depois de visitar o site do Leo Babauta, uma espécie de luz se acendeu: é isso, preciso aprender a gerenciar melhor meu tempo. Não que seja um completo tapado neste quesito, afinal de contas quem me conhece sabe o que já produzi e continuo produzindo mas, ao contrário de me acalmar com o passar do tempo – como todos disseram que iria acontecer – minha vontade de criar cada vez mais fica cada dia mais forte.

    Parte da angústia que se assomava sobre mim dizia respeito justamente a isso: querer fazer mais e melhor sem ter tempo (ou na verdade sem organizar adequadamente, de forma perfeitamente otimizada, o tempo que me é dado pela Natureza).

    Depois dos insights que tive na leitura do Zen Habits, decidi que passaria a lê-lo com maior freqüência e, além disso, aproveitar para traduzi-lo para o português e postar as traduções aqui, já que o Leo liberou completamente o uso de seus artigos.

    Com este internal shift que me ocorreu durante o dia de hoje, acabei também decidindo mudar o layout do site, que volta a se parecer mais com um blog do que com um site e também decidi mudar o subtítulo do mesmo. A partir de agora, este site se chama Rafael Reinehr – De tudo um pouco, para humanos.

    O que mais posso dizer? Que agora são quase quatro da manhã, acabei de comer algumas sobras de pizza com guaraná light, estou com o Corujão ligado aqui na minha frente e a energia ainda está a mil, assim como as idéias que não param de fluir. De toda forma, preciso descansar, já que amanhã recebo a visita de minha Tia Solange e do João Alberto que, além de passearem e aproveitarem a chuva que cai por aqui também estarão trazendo algumas mudas de árvores para nossa nova casa. 

    Mais som, mais imagens, mais textos. E melhor. Mundo, aguarde que eu quero subir…

(foto por burlie)