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educar
Mar 18

Por uma “Lei Cleber”…, por José Pacheco

By Rafael Reinehr | Saúde da Sociedade

educarHoje o educador e professor José Pacheco gentil e libertariamente compartilhou conosco suas impresões sobre o Caso Cleber, um “estupicídio” legal que condenou os pais de dois garotos que decidiram evitar que seus filhos tivéssem uma péssima educação formal para educá-los em casa, com métodos bem estabelecidos de homeschooling.

Os meninos, que aos 13 anos passaram no vestibular, demonstram não só conhecimento mas sensibilidade e sociabilidade acima da média, resultado de um carinho e atenção que mui improvavelmente qualquer escola tradicional pode fornecer.

O professor Pacheco foi entrevistado pela Folha de São Paulo por telefone, e a mesma publicou apenas uma versão resumida da sua fala, o que acabou por distorcer o que ele gostaria de dizer. A seguir, NÃO PUBLICOU o texto completo escrito pelo professor, onde este expunha seu ponto-de-vista sobre o caso. Falando com ele na Conferência Internacional de Redes Sociais, este doce de homem, extremamente inteligente e sagaz – além de muito bem-humorado (quem o conhece sabe) – gentilmente permitiu que seu texto – rejeitado pela Folha – INÉDITO fosse publicado pel’O Pensador Selvagem, e o mesmo pode ser visto aqui: Por uma Lei Cleber.

ricino

Set 12

Carta do Chefe Seattle (Cacique Seathl)

By Rafael Reinehr | Saúde da Sociedade

O texto a seguir pode ser considerado como um dos primeiros registros ecológicos sobre os quais se tem referência. Na carta, estão explícitas as noções de interdependência entre o Homem e a Natureza, ou melhor ainda, a percepção de que não somos algo distinto desta. Uma lição eterna, que não pode jamais ser esquecida.

Perceba a grande diferença na tradução entre o trecho inicial (retirado do curso Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável da FGV online) da versão completa, retirada de um arquivo do meu computador, cuja fonte não recordo:

“O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e de sua benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos pensar em sua oferta. Se não pensarmos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe em Washington pode acreditar no que chefe Seatlle diz, com a mesma certeza com que os nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem. Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como podes então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre coisas de nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença de meu povo. Sabemos que homem branco não compreende nosso modo de viver. Para ele, um pedaço de terra é igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, é sua inimiga, e depois de a esgotar, ele vai embora. Deixa para trás a cova de seu pai, sem remorsos. Rouba a terra dos seus filhos. Nada respeita. Esquece o cemitério dos antepassados e o direito dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás só desertos. Tuas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho. Talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende. Se eu decidir a aceitar, imporei uma condição. O homem branco deve tratar os animais como se fossem irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós, os índios, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais desaparecessem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra.”


Texto completo da carta que o índio Seattle, cacique da tribo Duwamish, escreveu em 1855 para o então Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce:

“O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas – elas nuca empalidecem. Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia – são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos das campinas, o calor que emana do corpo de um mustang, o homem – todos pertencem à mesma família. Portanto quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, não. Porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendemos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar da água é a voz do pai de meu pai. Os rios são irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas cargas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mão – a terra, e seu irmão – o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante.

Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto: Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. O barulho parece insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo o pinheiro. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum – os animais, as árvores, o homem. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe seu último suspiro. E se te vendermos a nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado coma fragrância das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: O homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que nós, os índios, matamos apenas para o sustento de nossa vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si. Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de teus pés são as cinzas de nossos antepassados. Para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios. De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama de vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Mas nós vamos considerar a vossa oferta e ir para a reserva que destinais ao meu povo. Viveremos à parte e em paz. Que nos importa o lugar onde passarem os o resto dos nossos dias? Já não serão muitos. Ainda algumas horas, alguns invernos e não restará qualquer dos filhos das grandes tribos que viveram outrora nestas terras, ou que vagueiam ainda nas florestas. Nenhum estará cá para chorar as sepulturas de um povo tão poderoso e tão cheio de esperança como o vosso. Mas porque chorar o fim do meu povo? As tribos são constituídas por homens e nada mais. E os homens vão e vêm como as vagas do mar.

Nem o próprio homem branco pode escapar ao destino comum. Apesar de tudo talvez sejamos irmãos, veremos. Mas, nós sabemos uma coisa, que o homem branco talvez venha a descobrir um dia, o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus dos homens e a Sua misericórdia é a mesma para o homem de pele vermelha e para o homem branco. A terra é preciosa aos olhos de Deus e quem ofende a terra cobre o seu criador de desprezo. O homem branco perecerá também e, quem sabe, antes de outras tribos. Continuem a macular o vosso leito e irão sufocar nos vossos desperdícios.

Mas na vossa perdição brilhareis em chamas ofuscantes acendidas pelo poder de Deus que vos conduziu e que, por desígnios só por Ele conhecidos, vos deu poder sobre estas terras e sobre o homem de pele vermelha. Este destino é para nós um mistério. Não o compreendemos quando os búfalos são massacrados, os cavalos selvagens subjugados, os recantos secretos das florestas ficam impregnados do odor de muitos homens e as colinas desfiguradas pelos fios falantes. Onde está a floresta virgem? Desapareceu. Onde está a águia? Morreu. Qual o significado de abandonar os pôneis e a caça? É parar de viver e começar a vegetar.

É nestas condições que vamos considerar a oferta da compra das nossas terras. E se aceitarmos será apenas para ficarmos seguros de recebermos a reserva que nos prometeram. Talvez aí possamos acabar os nossos dias e quando o último homem de pele vermelha tiver desaparecido desta terra, e a sua recordação não for mais do que a sombra de uma núvem deslizando na pradaria, estes lugares e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Assim se vendermos as nossas terras amai-as como as temos amado e cuidai delas como nós cuidámos. E com toda a vossa força e o vosso poder conservem-na para os teus filhos e amem-na como Deus nos ama a todos.

Sabemos uma coisa: o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra. O próprio homem branco não pode fugir ao mesmo destino. Talvez sejamos irmãos, veremos.”

Into the Wild Na Natureza Selvagem
Fev 14

Na Natureza Selvagem – Into the Wild (2007)

By Rafael Reinehr | Ando Vendo

Into the Wild Na Natureza SelvagemAssisti agora há pouco Na Natureza Selvagem, um filme inspirado no livro homônimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que aos 22 anos largou sua estável vida de bom aluno e classe média-alta em busca de liberdade e aventura.

Rebatizando-se Alexander Supertramp (superandarilho), rumou com destino ao longínquo e pouco habitado Alasca, para se embrenhar na mais inóspita Natureza. No caminho, cruzou com as vidas de muitas pessoas que lhe davam carona, casa ou um emprego temporário.

Uma bela fotografia, interessante trilha sonora composta por Eddie Vedder (ele mesmo, do Pearl Jam) e, principalmente, uma facada no coração deste mundo inóspito em que, na verdade, nós vivemos. Um mundo em que muitos vivem se relacionando cada vez mais com coisas e menos com pessoas e com a própria Natureza.

Uma grande mensagem do filme é a que transcrevo abaixo, e deve nos fazer refletir sobre seus vários significados:

"A felicidade só é real se compartilhada."

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Uma mulher chamada Suruba
Set 04

Suruba estréia n’O Pensador Selvagem

By Rafael Reinehr | Estréias

Uma mulher chamada Suruba

Hoje estreiou a novela coletiva escrita a várias patas pelos blogueiros d’O Pensador Selvagem, Uma Mulher Chamada Suruba. O grandioso projeto cooperativo mantido pelo poderoso conglomerado de blogs d’O Pensador Selvagem já nasce com uma certeza: se o sucesso não vier, estupendas gargalhadas virão. Veja só a descrição sobre a obra e seus autores:

Uma Mulher Chamada Suruba é uma obra (lato sensu) coletiva, escrita a várias patas pelos blogueiros de O Pensador Selvagem. Trata-se de uma produção ficcional e, sobretudo, friccional. Portanto, qualquer semelhança com a realidade é mero sinal de que você deve ter uma vida muito merda.

Mal li o primeiro capítulo e já espero ansioso pela continuação da saga da jovem Suruba dos Santos… Um capítulo (ou mais) por dia… Haja coração!

Ago 24

A Descolonização do Imaginário

By Rafael Reinehr | Quase-Idéias

A descolonização do imaginário, termo cunhado por Cornelius Castoriadis, trata justamente de libertar o indivíduo, trazendo-o de volta à singularidade roubada pelas forças normalizadoras e homogeneizadoras que subvertem o pensamento, fazendo-o acreditar nos ideais que o sistema estabalecido propaga.

Quer descolonizar seu imaginário? Conheça O Pensador Selvagem e, em breve, A Coolméia.

 

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Download Remunerado Gratuito
Jun 29

Dowload Remunerado Gratuito

By Rafael Reinehr | Saúde da Sociedade

Download Remunerado GratuitoQuando você assiste à televisão aberta, paga alguma coisa por isso (além da energia elétrica que consome)? E que tal fazer o download de um livro, de uma música, de um software, de uma gravura ou imagem de forma totalmente legal sem pagar por isso e – melhor ainda – remunerar o artista ou desenvolvedor daquilo que estás baixando?

Como isso seria possível, você se pergunta? Essa idéia não é nova, mas ainda não está sendo plenamente aproveitada. Eu a chamo de Download Remunerado Gratuito. Gratuito para o usuário da internet e Remunerado para o artista ou criador do bem a ser utilizado.

A Trama Virtual já vem realizando esta experiência desde julho de 2007. Seus downloads foram incrementados em 200% desde então. Mais acessos, mais pessoas aproveitando para, de forma completamente legal e sem “crise de consciência”, baixar as músicas de seus artistas independentes favoritos.

E se este mundo fosse ampliado? E se as grandes empresas de hoje, nomeio algumas – Petrobrás, Vale, Gerdau e os grandes bancos como Real, HSBC, Bradesco, Itaú e, porque não, Banco do Brasil, patrocinassem esta idéia? Será que este não seria o caminho para que novos e bons criadores possam tirar seus trabalhos das gavetas e armários?

O Pensador Selvagem, o Simplicíssimo e este site são parceiros desta idéia e, apesar de não possuirmos capital financeiro para dar início a esta proposta, possuímos este maravilhoso espaço virtual que fica disponível àqueles que queiram tomá-lo de assalto para desenvolver um amplo e interessante projeto.

Quem sabe se, através de ações focadas como essa, possamos aos poucos amplificar a cultura popular que se esconde em nichos, guetos e garagens de todo o mundo, trazendo ainda mais diversidade a este já tão colorido planeta. Esta é minha esperança, como selvagem pensador.

(Publicado originalmente n’O Pensador Selvagem e no Simplicíssimo)