Uma e quarenta e cinco da matina…

…e aqui estamos nós, futricando nas catacumbas estruturais do site.

A boa nova é que o sistema de comentários já está funcionante, agora falta reabilitar o sistema de feeds, implementar um sistema de tags (que não é nativo do Joomla), reotimizar o site com uma série de SEO tools e, no sexto dia, me dedicar ao que realmente interessa: voltar pra vida real e, quando der na telha, depositar uma ou outra croniqueta, crítica, impressão ou apontamento por aqui.

Já digo: estou louco para retomar o Fotos de Quinta, iniciar de fato um Clube de Leituras e te muito mais programado por aí, como, por exemplo, a volta do Caldeirão de Sabores, talvez em formato vídeo-tosco. Quem sabe…

Deixando de utilizar o e-mail (ou livrando-se das correntes, parte I)

Comecei hoje um processo de redução gradual do uso do e-mail, que deverá culminar, em algumas semanas, com a cessação quase completa da utilização dessa ferramenta ora revolucionária e agora arcaica de comunicação entre indivíduos.

Em cada e-mail que hoje utilizo, uma auto-resposta irá instruir meu amigo, conhecido ou pessoa interessada em me alcançar como fazê-lo. Não terei mais preocupações com spams e outras questões relacionadas à rigidez desta ferramenta antiquada.

Como vou fazer isso? Basicamente criando uma rede que propicie um ambiente transparente em que eu possa me comunicar, de forma não hermética (como no e-mail) com as pessoas que me interessam e que se interessam pelo que tenho a dizer.

Enquanto organizo este sistema, vou publicando aqui o andamento deste projeto. Neste ínterim, veja o que Luiz Suarez, da IBM, nos ensina sobre viver sem e-mails em sua palestra “Thinking Outside the Inbox“, no vídeo abaixo.

Desafio aos Holísticos: Vamos Pensar em Política? – por David Pacine

Recebi ontem uma carta do amigo Davi Pacine, contando-me sobre um evento ao qual eu gostaria de ter comparecido em Palmas – TO. Ao que tudo parece, pelo relato do amigo, foi muito bla-bla-blá e poucas propostas efetivas de ação para mudança social. Vejam o que ele me escreveu e abaixo o belíssimo artigo por ele escrito. Leitura recomendadíssima, pela profundidade e relevância da reflexão.

Prezado Rafael,

Recentemente estive participando do Seminário Internacional “Crise Civilizacional”, o qual tive uma pequena decepção. Bem só consegui me livrar dela com um desabafo. O desabafo vai logo abaixo. Se entender que há proveito no contexto do seu espaço virtual, no todo ou em parte, fique a vontade…

Abs

Pacine

Crise Civilizacional

 

Tive a honra de participar do Seminário Internacional “Crise Civilizacional: Distintos Olhares” ocorrido em Palmas-TO, em junho/09. O evento contou com as presenças de pensadores ilustres como o filósofo Edgar Morin, o palenteólogo Michel Brunet, os Senadores Cristóvam Buarque e Marina Silva e muitos outros, brindando o Brasil e o mundo com um consistente diagnóstico da crise sócio-ambiental que acomete o planeta.

 

O diagnóstico, praticamente unânime, já é bem conhecido de todos. Diante da maciça carga de informações científicas já existentes, não há duvida de que nós estamos trilhando o caminho errado. Numa síntese realista, o Senador Cristóvam Buarque disse que “estamos indo para o abismo” e, pior, não há sinal algum de uma mudança efetiva de comportamento, pois, para ele, “essa mudança só se faz possível mediante a educação, principalmente dos jovens”.

 

No entanto, apesar da concórdia dos especialistas em relação ao “cataclismo” que se aproxima, o seminário foi marcado por uma forte mensagem de esperança. Morin metaforizou dizendo que estamos navegando a bordo de um imenso “Titanic”, mas acredita que a humanidade será capaz de se salvar passando por um processo de “grande metamorfose”, como “o verme que se enclausura e se desintegra para então mudar seus processos e se transformar em borboleta”. Nesse sentido, o filósofo acha que a sociedade deverá se autodestruir e se recriar, encontrando novos caminhos para o futuro.

 

 

A Dúvida Angustiante

 

Lugar comum a parte, sob os distintos olhares do seminário internacional, um dos painéis de estudo tratou da possibilidade de uma “governabilidade mundial”, o que, entrando na seara da política, algo angustiante me desassossega no bojo do movimento holístico pela construção de uma nova consciência civilizacional. Assim, na oportunidade dos debates, após as brilhantes apresentações, dei vazão às minhas inquietudes e lancei um articulado questionamento. Sem me surpreender – porque já é de costume –, recebi, dos eminentes teóricos, singelas evasivas à guisa de respostas.

 

O que foi que perguntei? Ora, já que a patologia global é reconhecidamente profunda e sistêmica, sua “cura” não pode se restringir às dimensões “econômica” e “ambiental”, que são meramente sintomáticas. A verdadeira cura deve ir além e atuar nas profundas causas social, ética, política, existencial. Então, se este é o sentido da “profunda metamorfose” – questionei – onde está no multidimensional movimento teórico, científico e fático pela salvação do planeta, que se converge para o “projeto de uma nova civilização”, as bases teóricas e a mobilização real para a necessária reconstituição política da sociedade?

 

 

As Evasivas

 

As evasivas, como eu já disse, foram três. Primeiramente eu fui lembrado de que o processo de transformação política só pode ser operado pela via da educação. O segundo palestrante disse que uma grande mudança já está sendo operada “nos bastidores da consciência humana”. O último, por fim, me recordou da bandeira do “cidadão planetário”, para o qual seria ela a grande contribuição do movimento holístico para a formação de uma nova sociedade política.

 

 

Uma Matriz Política Doentia

 

Antes de comentar essas respostas, cumpre destacar alguns rudimentos relativos ao nosso modelo político ocidental. Sinteticamente, não é demais lembrar que a arquitetura iluminista do “estado constitucional moderno” já possui mais de três séculos. Três séculos! Nesse período passamos por drásticas mudanças como as propiciadas pelas revoluções científica, industriais, dos transportes, das comunicações, socialista, quântica, da informação, etc. O mundo mudou tanto que se tornou uma aldeia globalizada e começamos até a acordar, forçosamente, para as questões ambientais. Mas o nosso sistema político continua se arrastando com a mesma caricatura contratualista, que segrega a sociedade das instancias de poder.

 

Obviamente, o problema não reside simplesmente no fato do modelo ser senil ou anacrônico. Na verdade ele é e sempre foi totalmente doentio. Por qual razão? Justamente porque suas bases teóricas são fundamentadas em uma concepção da “natureza humana” terrivelmente amesquinhada e grosseira. As conseqüências desse engodo, nem precisa dizer, são brutalmente devastadoras.

 

 

Qual é a Natureza Humana?

 

Como é a natureza humana? Seria o homem originalmente mau e egoísta, ou ele é bom de fábrica e o “sistema” é quem o corrompe? Essa é uma pergunta filosófica que vem cruzando os milênios sem uma resposta definitiva. Portanto, fundamentar o aparelhamento de instituições públicas baseado em uma opinião reducionista faz-se extremamente perigoso. Exemplo disso? Para o capitalismo o homem é naturalmente egoísta e competitivo, e mais, o consumo é sinônimo de felicidade. Qual a conseqüência? O sistema “produz” pessoas egoístas, competitivas e consumistas que estão devastando o planeta.

 

 

Profecia Autorrealizável

 

Nesse sentido, estudos matemáticos, como a “teoria dos jogos”, tentam decifrar o comportamento humano em ambientes condicionados por múltiplas regras e atores. Uma noção interessante desses estudos é a de que, por exemplo, num ambiente onde reina a desconfiança, a tendência dos indivíduos é de serem egoístas. Outro fenômeno parecido é chamada “profecia autorrealizável” em que a própria “crença” de que algo venha a se realizar é suficientemente capaz de concretizá-lo. Exemplo? O mercado de ações. Quanto mais pessoas acreditarem que os preços irão desabar, maior será a “corrida” dos investidores, acarretando a queda real dos valores dos títulos.

 

Notadamente, não é difícil concluir que não temos uma natureza pronta. Em grande medida, somos produtos culturais do sistema que nós mesmos criamos. Em parte, somos reféns das nossas próprias idéias, a partir das quais criamos instituições, sistemas e superestruturas de poder. Em outras palavras, primeiramente são os homens moldam os “sistemas”, mas logo em seguida, são os sistemas que moldam os homens.

 

Com esse breve preâmbulo, agora podemos examinar o nosso “sistema contratualista” que se constitui como idéia fundante dos ditos “estados constitucionais modernos”. Em seus sutis pressupostos, ele afirma que a sociedade teria, pela via do pacto, reconhecido a sua incapacidade de se auto-organizar. Assim sendo, a sociedade se faz ontologicamente, e por isso perenemente, carecedora de um poder soberano que a pacifique e a conduza. Aceita essa teoria, passamos então a criar instituições detentoras de poderes cada vez mais especializados, que nos controlam e dirigem. Simples assim!

 

 

Um Paradoxo Extraterrestre

 

Todavia, é preciso dizer que o raciocínio contratualista é portador de um paradoxo mortal. Ora, se a sociedade é ontologicamente incapaz de se autogovernar, então quem estaria apto a governar esta sociedade, um extraterrestre? “Não!” – diriam os mais persistentes –, “a sociedade e o próprio estado devem ser dirigidos pela lei e pelas instituições impessoais”. Mas mesmo nesse caso a pergunta continua válida. Quem elaboraria as leis, quem as interpretaria, quem as aplicaria? Os ETs?

 

Talvez seja por isso que Pool Válery disse com tanta propriedade que “a política é a arte de impedir as pessoas de participar dos assuntos que, propriamente, lhes dizem respeito”. Pois bem, se essa frase é portadora de alguma verdade, pergunto aos ambientalistas, como poderemos ser holísticos se os nossos maiores interesses coletivos encontram-se monopolizados nas mãos de pequenos grupos de tecnocratas dirigentes?

 

 

A Construção do Engodo

 

Sem embargo, a doutrina do “estado constitucional moderno” é complementada com mais dois ingredientes importantes. A idéia da “democracia representativa”, a qual nos diz que o exercício do poder soberano é legítimo quando alcançado pela via da eleição. E a idéia da tripartição do poder que, funcionando como um sistema de freios e contrapesos, evita (ou evitaria) a tirania e os abusos de poder.

 

A democracia representativa pode ser um grande refresco para a consciência dos indolentes, já que supostamente transfere a responsabilidade (e também a culpa) de todas as atribuições públicas para pessoas que “em seus nomes” foram autorizadas a exercê-las, porém, na prática, os extraterrestres eleitos orbitam em esferas tão longínquas que nem se lembram dos interesses dos comuns. Aí o alívio se transforma em suplício.

 

Nesse jogo de empurra-empurra, uma questão está sempre em evidência. Por que será que os políticos não exercem o poder em benefício do povo? Seria por mera falta de ética dos ETs patifes? Sinceramente, generalizar é tolice, pois alguns até são muito bem intencionados. O problema não está na falta de ética dos ETs, mas na “ética do sistema” que, volto a dizer, é segregadora e alienante.

 

 

Visão em Paralaxe

 

Se em grande parte somos “produtos do meio”, e esse “meio” é repartido em dois, então temos, inevitavelmente, uma dupla personalidade ou “programação”. Por isso, quem sai da sociedade e ingressa na máquina pública acaba “obrigado” a mudar o seu discurso. A isso o filósofo Slavoj Zizek denomina de “visão em paralaxe”. Ou seja, esse molde civilizatório cindido em “estado” versus “sociedade” é o motor da dicotomia perene governados x governantes, ou simplesmente nós x eles. Desnecessário dizer, mais uma dose de profecia autorrealizável.

 

Nós insistimos em não enxergar o óbvio, teimamos com a velha comodidade, mas a verdade cristalina é que não se faz possível o atendimento dos interesses coletivos pela via da alienação. Por incrível que pareça, é praticamente impossível, mesmo ao melhor dos gestores, exercer o poder em benefício do povo, porque a “máquina do poder” tem sua própria vida, sua própria lógica, seus próprios interesses. Ela vive prioritariamente para atender aos seus próprios fins, deixando em segundo ou terceiro plano as demandas sociais.

 

 

De Volta à Marx?

 

Nessa altura, talvez alguém já esteja pensando que estamos defendendo a bandeira marxista. Ledo engano. A teoria de Marx também é reducionista-economicista, na medida em que se atém muito mais à propriedade dos meios de produção que, para ele, uma vez que esta passasse para as mãos do proletariado, poria fim na dicotomia capital x trabalho. No entanto, a alienação de que falamos não se refere somente da produção laboral, mas ao distanciamento das artes políticas.

 

 

Manobra Invertida

 

Conforme demonstrado, o sofisma da tese contratualista é auto-evidente. Por via de conseqüência, a teoria da democracia representativa, que apenas pretende “legitimar o contrato”, também o é. Mas se isolarmos a sua própria finalidade, a da “legitimação”, nela também nos depararemos com uma ardilosa farsa. Ocorre que, numa manobra invertida, o estado, usando de seu poder de império, se serve da sociedade para se autojustificar.

 

Uma escolha legítima só pode se originar de uma convicção íntima, da manifestação livre da vontade dirigida para a obtenção de um fim desejado. Porém, o nosso mecanismo eleitoreiro consiste apenas numa pequena “janela” – extrínseca – que a lei “concede” ao cidadão, e somente de quatro em quatro anos, para que ele escolha candidatos que raramente conhece e, pior, para fazer, “em seu nome”, aquilo que, de fato, ele não determinou. Nessa sistemática dissimulada, as desagradáveis surpresas são tanto inevitáveis quanto intermináveis.

 

 

Fracionamento e Hiper-especialização

 

No tocante à teoria da “tripartição do poder” – que de fato se excedeu e instalou um multifracionamento do poder – é até desnecessário fazer uma longa exposição de argumentos aos defensores do pensamento sistêmico, basta dizer que nessa empreitada o estado e a sociedade perderam totalmente o sentido da unidade. Voltando à profecia autorrealizável, a concepção dos “freios e contrapesos” produziu o conhecido “campo de batalha”, um inferno plurissubjetivo onde cada fração, na ótica da sua caixinha hermética de hiper-especialização, “puxa” para um lado. Por causa disso, o sistema se tornou complexo, oneroso, burocrático e ineficiente.

 

 

A Fórmula da Alienação

 

Assim, se os cientistas versados em teoria dos jogos pudessem prescrever a fórmula para a “alienação política”, creio que seria suficiente que receitassem a fusão de três ingredientes. Primeiro, separe o estado da sociedade. Para isso, convença e dogmatize as pessoas de que o interesse público deve estar sob o domínio de um poder centralizado. Segundo, invente um arremedo de democracia para que tudo pareça racional e legítimo. E, por fim, fracione e refracione o poder tornando-o hiper-especializado, para que tudo pareça complexo demais para qualquer um administrar. Pronto, eis o molde para a eterna dominação.

 

 

Política é a Arte da Convivência

 

Nesse mesmo raciocínio, cabe dizer que política nada mais é que a arte de viver em sociedade ou simplesmente de se relacionar, de se “integrar socialmente”. Portanto se existe uma fórmula para produzir alienação política, essa fórmula é a mesma que produz o “individualismo”, ou a desintegração social.

 

Indubitavelmente, ser cidadão de verdade é participar da vida da cidade, de seus projetos, de sua concretização e de seu futuro. O exercício da arte política requer cidadãos ativos e não meros expectadores passivos. O individualismo, portanto, não é uma característica inerente à natureza humana, mas resulta do esvaziamento da cidadania pelo atual projeto contratualista de civilização.

 

Esse malsinado sistema político, sustentado por ardilosas mentiras, é uma gigantesca e poderosíssima máquina de entorpecimento humano, que promove o encadeamento de vícios interdependentes numa marcha de infindáveis sequelas. Da alienação surge a apatia; da apatia, a manipulação; da manipulação, o descaso; do descaso, a corrupção; da corrupção, o clientelismo; do clientelismo, a exclusão; da exclusão, a violência…

 

 

Quem Somos Nós?

 

Desse modo, em face do iminente colapso planetário, urge sim a elaboração de um projeto de recriação da civilização, mas que não repita os mesmos erros do modelo atual. Portanto, que não despreze a força da “semente ontológica” com a qual se reconhece a dimensão do ser humano. Se partirmos novamente de uma base filosófica que reduza o homem a uma criatura domesticável, já sabemos qual será o futuro da civilização. Mas se o considerarmos como um ser perfectível, detentor do potencial necessário para atingir a plenitude intelectual e moral… abriremos uma possibilidade real para que a lagarta se transforme em borboleta.

 

Nessa perspectiva, em que somos profetas de nós mesmos, devemos responder uma pergunta básica. Que “tipo” de humanidade queremos ser? E nessa reflexão, se formos suficientemente capazes de ser ousados, nossa resposta poderá nos levar, na dicção de Morim, a “um novo caminho”, a desencadear os mais insondáveis recursos e descobrir as mais impensáveis soluções. Já começamos a antever o drama que nos espera, mas uma simples resposta poderá guinar o nosso porvir. Só não podemos permanecer na inconsciência, como uma massa tola arrastada para o abismo.

 

 

De Volta às Evasivas

 

Bem, agora já posso cuidar das respostas “evasivas” que recebi, nos termos declarados no início desse ensaio. Para relembrarmos, vou sintetizar a pergunta que fiz aos palestrantes do seminário enquanto teóricos do novo projeto civilizacional: “onde está a base teórica e a mobilização fática para a necessária recriação política da sociedade?”.

 

 

Educação Robotizante

 

Primeira evasiva: “o processo de transformação política só pode ser operado pela via da educação”. Comentário: é uma posição cômoda, todos concordam com isso. No entanto, importa clarificar que tipo de educação pode nos conduzir à profunda transformação que carecemos. Logicamente, nosso modelo de “educação” não passa de um sistema de “formação condicionante” que só piora as coisas. Esse modelo está a serviço do capitalismo e não da construção da cidadania. Uma educação verdadeira precisa se ocupar com as múltiplas dimensões humanas, intelectual, emocional, moral, social, espiritual, etc. Tem que ir além dessa matriz tecnicista-conteudista acrítica, alienante, desprovida de reflexão e de ampla e imprescindível interpretação de mundo.

 

 

Consciência Engaiolada

 

Segunda evasiva: “uma grande mudança já está sendo operada nos bastidores da consciência humana”. Comentário: outra platitude. Certamente a consciência humana está evoluindo, porém, um pássaro não aprende a voar enquanto não se livra da gaiola. Se realmente já começamos a enxergar as grades dogmáticas que nos aprisionam, por que não temos coragem de serrá-las? Não basta ter consciência, precisamos converter o nosso domínio conceitual em atitude.

 

Apesar da pretensa consciência, meu questionamento é pela ausência – ainda de uma mobilização global que, além do comunismo demonizado, nos torne capazes de, uníssonos, “recusar” a nossa sina de rebanho-indo-para-o-matadouro. Carecemos de um foco de convergência que nos habilite a enfrentar a ditadura do “pensamento único” (o capitalismo global e o estado burguês), pois, se realmente acreditamos que um outro mundo é possível, ressinto que este mundo não será possível através do laissez-faire, laissez-passer”, mas de um intenso movimento unitivo maior que o Save Our SelvesSOS (salvemos a nós mesmos).

 

 

Cidadania se Inicia no Quarteirão

 

Terceira evasiva: a bandeira holística do “cidadão planetário”. Comentário: essa bandeira é tão bela e profunda quanto inócua. Por que inócua? Simplesmente porque a gigantesca matriz cultural de dominação que “forma” o pensamento humano, principalmente o ocidental, é completamente individualista. Claro, é muito mais fácil manipular o indivíduo, ou seja, uma “massa de indivíduos”, que uma coletividade unificada por interesses comuns. E o que subtrai os nossos interesses comuns, já disse, é o contratualismo. E se não temos consciência de coletividade (cidadania) nem em nosso quarteirão, como a teremos em nível global?

 

 

Provocação

 

Com o desabafo dessas modestas linhas, pretendo apenas produzir uma provocação: a provocação em mim mesmo pela imensa vontade de sair do mero discurso e da letargia. Mas ainda que eu queira “agir”, me pergunto, onde está a tábua de salvação? A quem devo me juntar? Ou devo fazer apenas a “minha parte” dentro do meu mundinho particular ou da minha pequena organização? Não sei. Meu sonho é que todos os movimentos, ONGs e Instituições interessados em um novo “projeto civilizacional” se desfragmentassem, e se juntassem, um a um, numa consciência maior, holístico-planetária, sinalizando uma real possibilidade de recomeço para nossa humanidade.

 

 

A “Cola” da Sociedade

 

Por fim, se me perdoam a pretensão, acho que a única “cola” com a qual poderemos construir a união de todos, por mais incrível que pareça, é a POLÍTICA. Por que a política? Porque por mais que as baleias, os ursos polares e a floresta amazônica sejam importantíssimos, a política está na nossa porta. A política, por si só, é holística. Ela trata de educação, saúde, segurança, meio ambiente, habitação, tudo. Então, se ela voltar para as nossas mãos, ela nos unirá em tudo. Como isso seria possível? Talvez pela via de uma nova organização societária “em rede”, como defende Augusto de Franco, ou de uma sociedade autopoiética, como diria Maturana. Não sei. Mas acho que já é tempo de nos arrojarmos nesse novo caminho, iniciando pela ampliação da concepção do ser humano, da felicidade e da vida.

 

“O progresso não é senão a realização de utopias.” Oscar Wilde.

 

David Gomes Pacine

estadoemrede@gmail.com

18 dias de pedalada…

Ontem resolvi dar uma olhadinha no pequeno computador que vai acompanhando minhas pedaladas na bicicleta. Registrou ele:

Tempo total de pedalada: 4 horas, 30 minutos e 54 segundos

Distância total percorrida: 69,02km

Velocidade máxima atingida: 44,2km/h

Velocidade média do trajeto: 15,5km/h

Tenho pedalado em média 3 dias por semana, geralmente indo e voltando do trabalho (cerca de 5,4km) e num dia só acabei fazendo 22km, sendo que 14 deles com o amigo Rafael de Conti. Dividindo por dias totais, acabei fazendo uma média de 3,83km pedalados por dia. Minha meta, a médio prazo, é esticar esta média e chegar a pelo menos 10km pedalados/dia. Terei então chegado a um bom nível de atividade aeróbica suficiente para estimular meu coração, pulmões, músculos e sistema cardiovascular a manterem-se ativos e saudáveis.

Vamos atrás da meta, então…

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Papoula

Zeitgeist Addendum, Projeto Vênus, Anomia e Utopia: Uma Crítica e um Caminho

Na primeira parte de Zeitgeist, o filme-documentário mostra em suas três partes como foi criado o mito do cristianismo, como o 11 de setembro pode ter sido um “trabalho interno” e como grupos que detém o poder econômico e político agem de forma oculta levando à criação do terror como forma de coesão e controle social.

Nesta segunda parte, chamada Addendum, o documentarista Peter Joseph trata de demonstrar como o sistema financeiro foi magistralmente arquitetado para manter o poder (e o dinheiro) nas mãos das mesmas pessoas de sempre, e que o atual sistema fracionário produz um “dinheiro de fumaça”, que na verdade não existe e, em situações como as que vivemos no momento (Crise Econômica Mundial de 2008) não há como fazê-lo aparecer, levando à quebra geral de instituições financeiras e bolsas de valores.

“Ninguém é mais irreversivelmente escravizado do que aqueles que falsamente acreditam ser livres.” Johan Wolfgang von Goethe

“Existem duas formas de conquistar e escravizar uma nação. Uma é pela espada. A outra pela dívida.” John Adams

O mundo globalizado é caracterizado por uma Corporatocracia, governado de fato por instituições como:

– Banco Mundial

– CIA

– FMI

– JP Morgan Chase

– Reserva Federal dos EUA

– OMC

– Exxon

– Halliburton

PapoulaEm 2007, os EUA destinaram 161,8 bilhões de dólares para a "Guerra contra o terrorismo", que matou uma média de 68 pessoas por ano (dados de 2004), enquanto destinou 2,9 bilhões à prevenção de doença arterial coronariana, causadora de 450 mil mortes por ano.

Os verdadeiros terroristas não gritam Allah Akhbar (ou algo semelhante, por favor me corrijam) antes de cometerem um crime, mas usam ternos de 5 mil dólares e trabalham nas posições mais altas das instituições financeiras e governamentais.

Por cerca de 1980, o Afeganistão produzia 0% da produção mundial de heroína. Em 1986, após o apoio americano contra a Rússia, passou a produzir 40%. Em 1999, este número subiu para 80%. Em 2000, o Taliban subiu ao poder e destruiu quase todos os campos de papoulas, reduzindo a produção de mais de 3000 toneladas para cerca de 185 toneladas, uma redução de 94%. Logo após, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão. Hoje a produção de ópio no Afeganistão controlado pelos Estados Unidos provê mais de 90% da heroína mundial, quebrando recordes quase todos os anos.

“Ganância e Competição não são resultado de um temperamento humano imutável. Ganância e medo de escassez estão de fato sendo criadas e amplificadas. A conseqüência direta é que precisamos lutar uns com os outros para sobreviver.” Bernard Lietater, fundador do Sistema Monetário da União Européia

“Nós podemos ou ter democracia neste país ou então grandes quantias concentradas nas mãos de poucos, mas não podemos ter ambos.” Louis Brandnis, Juiz da Suprema Corte

“Meu país é o mundo, e minha religião é fazer o bem.” Thomas Paine.

A única forma de acabar com o sistema corrupto que existe é parar de suportá-lo, enquanto denunciamos suas mazelas.

Um sistema baseado em competição paralisa qualquer possibilidade de um sistema global integrado e sustentável.

Temos que alterar nosso comportamento para forçar as estruturas dominantes a ouvirem o clamor popular. A única forma a fazer isso é parar de colaborar. O sistema deve falhar. As pessoas precisam parar de confiar nos governantes.

Algumas propostas, já sendo postas em prática por indivíduos, organizações não-governamentais e grupos libertários e anarquistas pelo mundo inteiro:

1. Boicote às grandes instituições bancárias

2. Boicote às grandes redes de televisão e comunicação, que passam informações filtradas para manter o status quo – favoreça sites e redes de informação independente.

3. Não permita que sua família ou alguém entre no exército

4. Pare de suportar as empresas de energia, use carros e casas sustentáveis

5. Rejeite o sistema político, transpassando-o com medidas que não exijam o estado

6. Criar massa crítica

Declarar todos os bens nacionais em todos os países como herança natural de todos os homens (Lembrei-me de Proudhon em seu “A Propriedade é um Roubo”)

“A verdadeira revolução é a revolução da consciência, e só pode ser feita por cada um de nós. Precisamos aprender a combater o ruído materialista divisionário que temos sido levados a acreditar que é a verdade.

Não podemos conseguir uma radical transformação da consciência, não aceitar as coisas como são, mas ir até elas, investigá-las, dar nosso coração, nossa mente.

Mas isso depende só de nós mesmos, pois não existe pupilo, líder, mestre ou guru. Você mesmo é o mestre, o pupilo, o líder, o guru. Você é tudo. Entender é transformar o que é.” Krishnamurti

Os trechos acima, pontuados por um ou outro comentário meu são a parte positiva deste Zeitgeist Addendum. Entretanto, saí algo decepcionado com o filme por dois motivos básicos:

O primeiro, banal, diz respeito a uma grande propaganda (merchandising) de uma empresa de telecomunicações ao final do filme, no trecho em que as pessoas “alienadas” parecem subitamente “despertar” e começam a tomar consciência do mundo que vivem e para onde estão sendo levados. A exposição da logomarca da empresa foi totalmente desnecessária e poderia facilmente ter sido evitada. Na verdade, ela foi exibida por tempo suficiente para deixar claro que não está ali casualmente.

O segundo, e do meu ponto de vista, não muito bem explicado aspecto do filme diz respeito à propaganda de um grupo chamado The Venus Project, um postulado “novo sistema social” sugerido por Jacque Fresco. Jacque Fresco faz várias aparições neste segundo filme, bem como sua associada Rosane Meadows. O estranho (muito estranho) disso tudo é que, na página do The Venus Project, encontramos o seguinte texto:

“O Projeto Vênus é um catalizador de idéias educacional que opera em um Centro de Pesquisa em uma área de 25 acres localizada em Venus, na Flórida.”

Projeto Vênus

Até aí tudo bem. A página de Objetivos e Propostas explica de forma inicial como chegar gradativamente às mudanças almejadas. Só o que não entendi foi o seguinte: se o Centro de Pesquisas é o núcleo onde tudo é planejado e acontece, porque o mesmo está sendo posto à venda por 550 mil dólares?

O curioso é que o que está sendo posto à venda são os mesmos prédios em que Jacque Fresco e Rosane Meadows aparecem no filme Zeitgeist, o que criou, pelo menos em mim, um significativo mal-estar. Ficou algo assim, digamos, não muito bem explicado…

É claro que não estou dizendo simplesmente que se fez dois filmes para vender um pedaço de terra com alguns contrutos por 550 mil doletas, mas eu gostaria de entender melhor esta conexão entre o Zeitgeist Movement e o próprio Projeto Vênus. Um comentário não datado deixado por Peter Joseph (o diretor de Zeitgeist) na página do filme que mostra a trajetória e as idéias de Jacque Fresco – Future by Design – me deixa ainda mais confuso, já que Zeitgeist é de 2007 e fico pensando há quanto tempo atrás Peter teve contato com as idéias de Fresco…

Ou seja, o próprio apanhador de fios soltos deixou alguns fios soltos para que possamos puxar e desfazer a teia que se buscava criar…

Bem, mesmo com estas interrogações todas na cabeça, com meio mundo gritando que tudo não passa de mais uma Teoria da Conspiração, ainda consigo perceber boas mensagens em ambos filmes. Mensagens que buscam, antes de mais nada, promover o DESPERTAR do ser humano. Almejam fazer que saiamos desta apatia, desta verdadeira ANOMIA e partamos em busca de uma Revolição, uma mudança social gradativa que reflita a liberdade individual de cada um na construção dos conceitos de cidadania e responsabilidade social.

Baseado nesta crença – e agora deixe-me fazer o meu “comercial” – que estou desenvolvendo juntamente com algumas das mais brilhantes mentes altruístas que nosso planeta mantém vivos hoje em dia a Coolméia, um grande portal colaborativo “do bem”, uma verdadeira cooperativa de idéias altruístas em que, além da apresentação de ações que já estão dando certo pelo mundo, estaremos criando, através de um sistema parecido com uma wiki, um espaço para o debate e produção contínua de idéias, projetos e ações que possam beneficiar o máximo número de pessoas da forma mais intensa possível, sem esquecer a sustentabilidade destas ações e sem, necessariamente depender de qualquer vínculo com o sistema monetário ou com entidades governamentais.

Estamos aí para mostrar que a Utopia só é fantasiosa, fantástica e imaginária para aqueles que cessaram de caminhar.

Assista Zeitgeist Addendum na íntegra em português abaixo:

 

(certifique-se de que leu o significado dos conceitos de ANOMIA e REVOLIÇÃO, nos links fornecidos acima)

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A Crise Econômica Mundial de 2008 – Proposta de Luiz Carlos Freitas

Recebi hoje uma carta do amigo Luiz Carlos Freitas, de Porto Alegre, explicitando toda sua preocupação com a crise econômica mundial e as terríveis conseqüências que, segundo ele e alguns analistas econômicos, se avizinha. Recomendo aos leitores do Escrever Por Escrever a digestão atenta do texto abaixo e, aos mais opinativos, cedo o espaço nos comentários para receber seu olhar crítico e suas impressões. Ao final, o Luis deixa seu telefone de contato para quem prefira argüir diretamente com ele.

 
"Rafael
Obrigado pela atenção.
Tenho um assunto de elevada importância que gostaria de ter a opinião do amigo e toda a comunidade sua rede de influência.
O país e o mundo todo está passando por uma terrível crise financeira e de credibilidade financeira. A continuar tal situação teremos uma catastrofe econômica com reflexos no elevado desemprego de trabalhadores e na falência do sistema produtivo mundial. A continuar a atual situação, isto vai acontecer dentro de mais alguns meses. As determinações governamentais de salvar o sistema financeiro, incorporando-os aos seus ativos não proporcionou a credibilidade dos investidores a tal ponto de inverter a realidade. Acredito que as decisões de Governos no mundo todo não estão proporcionando instrumentos de inversão ao abismo econômico mundial.
Nesta crise só tem um benefíciário. São os especuladores financeiros. Estes estão olhando a crise sem perder patrimônio, sem reflexos nas suas "guaicas". A volta a uma normalidade só poderá ocorrer se estes tiverem que arcar com o ônus de uma reviravolta. Para tanto, os Governos e Bancos Centrais dos Páises deveriam determinar a devolução de parte dos investidores dos respectivos ganhos da especulação á partir de determinado momento.
Uma medida que nos parece eficaz e certamente a população mundial receberia com muita satisfação era fazer com que os bancos a nível mundial, extornassem todos os ganhos (parte do lucro nas operações) recebidos em Bolsa de Valores e de Mercadorias, á partir de 1º de julho de 2007.
Todos esses recursos iriam para um fundo e seriam para compensar os prejúizos que outros investidores tiveram desta data citada para cá, em seus resgates. Os Governos dos países que tomarem tal determinação permitiriam que os especuladores possam compensar o Imposto de Renda pago sobre os ganhos dos referidos investimentos.
Ambas as medidas, não teriam maiores dificuldades de realização pelos Governos, e proporcionariam uma nova onde de credibilidade ao Sistema Financeiro.
Uma outra medida para salvaguardar o futuro do sistema é limitar os ganhos especulativos a um determinado patamar, exemplo 20 % a.a., de modo a fazer com que, quem quiser ganhos superiores façam seus investimentos no sistema produtivo, gerando riquezas e empregos.
Se você entende que estas são ótimas alternativas, procura circular a proposta e informar quem tem poder de decisão no país e no exterior. Certamente o Presidente Lula e o Meireles no BACEN poderiam ser informados da idéia e quem sabe serem os protagonistas de uma ação de inversão da realidade e do retorno a credibilidade financeira no país e no mundo, evitando a evasão de recursos públicos para apagar o incendio.

Luiz C. Freitas – CPF 0008478860.00 – 51 – 99791122"

Para entender mais a atual crise econômica mundial, leia também os seguintes artigos:

* Zeitgeist – O espírito do tempo

* Um Mundo sem Dinheiro é Possível

* Decrescimento Sustentável – Uma nova forma de pensar e evoluir

* 7 Propostas para um Brasil Melhor

* O Voto Contínuo – Ação Popular, Democracia e Mudança

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Zeitgeist: Addendum

Lembram quando falei aqui sobre o filme Zeitgeist e toda aquela polêmica foi gerada? Pois desde o último dia 2 de outubro está disponível Zeitgeist: Addendum, a continuação do filme. Ainda sem legendas em português, pode ser visto na íntegra clicando no vídeo abaixo. No próximo fim-de-semana estarei fazendo a crítica do filme. Quer me acompanhar e assistir o filme? Já antecipo que está em grande consonância com muitas de minhas idéias, pois critica o sistema monetário atual mostrando sua fragilidade e como o Monetarismo é capaz de gerar sofrimento, miséria, ganância e infelicidade.

Desenferruje seu inglês e assista:

Você pode também ver o filme na íntegra em Português clicando no link Zeitgeist Addendum em Português.
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Arthur Cecil Pigou

Aplicando as Taxas Pigovianas para Aumentar a Saúde da População

Arthur Cecil PigouArthur Cecil Pigou foi um economista inglês que no começo do século XX idealizou um sistema de compensações que viria depois a ser chamado de “Taxas Pigovianas”. Segundo Pigou, cada ato em que uma instituição promove algo deletério à comunidade (poluição, desemprego…) deve necessariamente ser cobrado desta instituição através de uma taxação.
Assim, se uma empresa produz detritos industriais que causam poluição de um rio próximo da sede da empresa, a mesma é responsável pelos custos necessários à limpeza deste rio. O refinamento desta idéia levou, nos dias de hoje, à criação dos créditos de carbono e do atual sistema de comércio de créditos de carbono, utilizado para compensar a poluição causada por uma empresa e a retirada do CO2 e outros poluentes por outras empresas.
Levando em conta a idéia de Pigou, fiquei imaginando um sociedade não ideal e fictícia, onde a restrição da liberdade individual poderia acabar elevando o nível de saúde de seus indivíduos. Funcionaria assim: além de elevar os impostos de produtos como álcool e tabaco e também dos combustíveis fósseis a níveis que inibissem severamente o uso de tais produtos bem como obrigasse às empresas de transporte a investirem em formas menos poluentes de transporte de produtos como as vias férreas, também seriam elevados os impostos de alimentos ricos em gordura e açúcar e, com o mesmo dinheiro daí advindo, seriam subsidiados produtos provenientes da agricultura familiar, priorizando-se aí produtos orgânicos, integrais, legumes, verduras e frutos frescos.
Seria chamada a Ditadura das Hortaliças. Em seguida, aconteceria o famoso levante popular de gordinhos. A terra literalmente iria tremer com uma passeata organizada pelos defensores do buffet livre, das redes de fast food e das churrascarias Hortaliçasrodízio. Milhões de pessoas preenchendo o abaixo-assinado a favor da manutenção dos preços da batata-frita e do provolone a milanesa. Milhares se deslocando de ônibus até Brasília e ficande de vigília na frente do Congresso pedindo para a lei ser revogada…
E para aqueles que acham absurdo controlar índices deletérios com taxas, Pigou, do fundo de sua cova nos traz um exemplo bem atual. Nos Estados Unidos, a incidência de acidentes de trânsito fatais está declinando à medida em que o valor do galão de gasolina aumenta. Neste ano, com a chegada do galão à casa dos 4 dólares, estima-se que haverão taxas quase tão baixas de acidentes quanto em 1961. Os motivos para a queda dos acidentes podem ser vários. Os motoristas parecem ter mudado não só a quantidade de quilômetros dirigidos mas também a forma de dirigir e quando dirigem. No mês de junho, os americanos dirigiram 12,2 bilhões de milhas a menos do que no ano anterior. Além disso, jovens e idosos, os mais afetados pelo aumento dos preços da gasolina e também os mais propensos a acidentes, tenderam a diminuir o tempo ao volante. Os motoristas também tendem a aliviar o pé do acelerador buscando poupar combustível, o que também reduz a incidência de acidentes. Por último, a redução do tráfego parece ter sido maior nas estradas rurais, onde os acidentes fatais são mais freqüentes e também no período da noite e nos fins-de-semana, durante o período de lazer. Nestas horas, os acidentes também tendem a ser mais graves do que durante o horário de trabalho, quando são mais comuns pequenos acidentes em baixa velocidade nas ruas cogestionadas da cidade.
Por vezes, nossa lógica precisa ser posta à prova ou mesmo subvertida, para que possamos passar a pensar o mundo de uma forma diferente. Precisamos passar a ver possibilidades em lugares onde não se costuma imaginar saídas para os problemas crônicos da atualidade.
As taxas pigovianas não são, certamente, a solução para todos os males. Entretanto, se dosadas sabiamente e utilizadas para equilibrar discrepâncias grosseiras, podem ajudar a solucionar algumas das questões que afligem nossa sociedade atualmente. A sobretaxação dos combustíveis fósseis poderia, por exemplo, acelerar uma mudança da matriz energética em direção a uma energia mais limpa assim como meios de transporte também mais limpos. Isso já foi visto no Brasil na época do Pró-Álcool. Na Alemanha, o excesso de custo utilizado na construção de casas energiticamente positivas é compensado pelo fato de que, em muitos lares, além de não haver conta de luz a pagar o cidadão ainda vende a energia excendente para o sistema público.
Se o coletado com determinada taxa fosse investido em subsídios dentro da própria área, buscando soluções mais efetivas do que as tradicionais, em questão de algumas décadas estaríamos colhendo resultados positivos surpreendentes na educação, saúde, transportes, energia e demais áreas da sociedade. É uma experiência que seria interessante ver implementada.

Alguns links interessantes para complementar a leitura:

Taxa de Carbono
Comércio de Carbono

Castanha-do-pará

Castanha-do-pará ou Castanha-do-brasil: selênio para uma vida longa e saudável

Castanha-do-paráUma castanha do pará (rebatizada recentemente como castanha-do-brasil) por dia garante a quantidade mínima de selênio necessária ao nosso organismo, recarregando este mineral que combate o envelhecimento celular e garante uma vida longa e saudável. Para se ter uma idéia, a mesma quantidade de selênio encontrada em 5g de castanha-do-pará (uma unidade) é encontrada em 3 filés de frango (100g cada), 16 pães franceses (50g cada), 26 camarões (20g cada), 2 latas de sardinha em conserva (130g cada), 10 ostras (33 gramas cada) ou 100 copos de leite (200ml por copo). O selênio é fundamental para acionar as enzimas que combatem os radicais livres. Além de manter mais ativo nosso sistema imunológico, também acaba por proteger as células do sistema nervoso das doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer. Como se já não fosse o bastante, o selênio também ajuda a tireóide na síntese de seus hormônios e também está associado à capacidade do organismo de eliminar metais pesados. O excesso deve ser evitado. A médio e longo prazo, a ingestão diária de mais de 2 a 4 castanhas-do-brasil pode levar à dores de cabeça, unhas fracas e queda de cabelo.

Sustentabilidade

Decrescimento Sustentável – Uma Nova Forma de Pensar e Evoluir

Pois será uma satisfação perfeitamente positiva ingerir alimentos sadios, ter menos barulho, estar num meio ambiente equilibrado, não mais sofrer restrições de circulação etc.” Jacques Ellul

SustentabilidadeDesde bem cedo, ainda não havia entrado em uma faculdade de Medicina tampouco tinha ainda cursado Filosofia nem Ciências Sociais, sempre tive uma curiosa aversão à idéia de que crescimento significava explorar mais, produzir mais, construir mais estradas e edifícios e consumir mais. Para um jovem adolescente, a idéia de que quanto mais rápido explorássemos o meio-ambiente mais rápido ele se extingüiria pode ser assustadora. Razões mais imediatas, como paquerar, escutar música e um concurso vestibular que se aproxima afastam um pouco o horror daquele pensamento.

Recentemente, entretanto, o Roda de Ciência trouxe o tema à tona e não consegui deixar de voltar a refletir mais profundamente sobre ele.

Se você, como eu, sente-se vivendo dentro de 1984 – ficção de George Orwell acerca de um estado totalitário em que este Estado é onipresente, tem capacidade de alterar a história e o idioma com o objetivo de manter sua estrutura inabalada – quando o presidente dos Estados Unidos do Norte da América, George Bush, solta afirmações como “Economic growth is the key to environmental progress, because it is growth that provides the resources for investment in clean technologies. Growth is the solution, not the problem.” (O crescimento econômico é a chave para o progresso ambiental, porque este crescimento provê as condições para investir em tecnologias limpas. O crescimento é a solução, e não o problema), você vai gostar de ler o que tenho a dizer nas linhas abaixo.

Como o francês Serge Latouche, acredito que, muito mais além de planejarmos um “Desenvolvimento Sustentável”, precisamos mesmo é arquitetar um “Decrescimento Sustentável”.

Em seu artigo As vantagens do decrescimento, publicado no Le Monde Diplomatique em novembro de 2003, Serge constata: “Depois de algumas décadas de desperdício frenético, parece que entramos na zona das tempestades – no sentido próprio e no figurado… As perturbações climáticas são acompanhadas pelas guerras do petróleo, que serão seguidas pela guerra da água, mas também por possíveis pandemias, desaparecimento de espécies vegetais e animais essenciais como conseqüência de catástrofes biogenéticas previsíveis. Nessas condições, a sociedade de crescimento não é sustentável, nem desejável. É urgente, portanto, que se pense numa sociedade de “decrescimento”, se possível serena e convivial.

Em 1972, o Clube de Roma encomendou ao MIT um estudo transformado em livro e chamado de Os limites do crescimento onde já se afirmava que o Planeta Terra não agüentaria o ritmo de crescimento mesmo com o avanço da tecnologia devido à pressão sobre os recursos naturais e energéticos e o aumento da poluição.

HiperconsumoA conclusão do Clube de Roma em 1972 não poderia ter sido mais trágica: Se as tendências atuais de crescimento na população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e depleção de recursos continuarem imutáveis, os limites do crescimento neste planeta serão atingidos nos próximos 100 anos. O resultado mais provável será uma súbita e descontrolada queda na população e na capacidade industrial*.

Alguns críticos como Herman Kahn responderam: Com a atual e próxima tecnologia, poderemos suportar 15 bilhões de pessoas no mundo com 20 mil dólares per capita por um milênio – e isso parece ser uma afirmação bastante conservadora**. Julian Simon acrescentou: As condições materiais da vida continuarão a melhorar para a maioria das pessoas, na maioria dos países, na maioria do tempo, indefinidamente. Em um século ou dois, todas as nações e a maioria da humanidade estará no mesmo nível de vida do padrão Ocidental ou acima dele***.

O consenso atual parece ser: Seres humanos e o mundo natural estão em curso de colisão. As atividades humanas infligem danos por vezes irreversíveis ao ambiente e em recursos críticos. Se não reavaliadas, muitas de nossas práticas colocam em sério risco o futuro que queremos para a sociedade humana e os reinos animal e vegetal, e podem alterar o mundo em que vivemos a ponto de se tornar insustentável viver da maneira que conhecemos. Mudanças fundamentais são urgentes se quisermos evitar a colisão à qual nosso presente curso está nos levando.****

ColméiaEm entrevista para a Revista Vida Simples, Serge Latouche propõe a libertação da ditadura econômica e do consumo para a reinvenção de um futuro sustentável. Afirma que “uma sociedade não pode sobreviver se não respeitar os limites dos recursos naturais”, e propõe “um círculo virtuoso de descrescimento: Reavaliar, Reconceitualizar, Reestruturar, Relocalizar, Redistribuir, Reduzir, Reutilizar, Reciclar . (…) Reconceitualizar é mudar nossa maneira de pensar. É uma verdadeira revolução cultural.

Não há como acabar com as drogas sem educar os drogaditos. Os drogaditos, no caso, somos cada um de nós. Se continuarmos com o ritmo de consumo acelerado e excessivo, estamos dando poder àqueles que pretendem manter a situação do jeito que está. Não basta somente consumir menos mas saber que com as escolhas do que consumimos conseguimos mudar a forma com que os produtos são produzidos. Na mesma entrevista citada acima, Serge ilustra a afirmação com o seguinte exemplo: “Você pode comer um bife em que o gado é criado em pastos naturais ou um bife de uma fazenda que obedece à lógica do mercado. No último caso, você come petróleo. Ele incorpora 6 litros de petróleo. Como isso é possível? O gado é alimentado com soja que é plantada na Amazônia. Os tratores destróem florestas, fazem a plantação e despejam os pesticidas. Tudo isso é petróleo. Devemos colocar esse sistema em causa, e não o fato de comermos um bife.

HarmoniaO crescimento da produção e do consumo de produtos orgânicos certificados, produzidos por famílias de agricultores é um alento e caminha na direção que precisamos.

Quando passamos a discutir a matriz energética, muito antes de pensar em desenvolver e explorar fontes renováveis de energia, deveríamos isso sim nos preocupar com maneiras de reduzir este consumo.

É interessante observar que o que hoje alguns chamam de desenvolvimento sustentado, outros de anti-produtivismo e outros ainda de decrescimento sustentado têm um objetivo comum: reduzir a “pegada” humana, o impacto que o homem imprime sobre o ambiente em que vive, garantindo a possibilidade da permanência da raça humana sobre a Terra pelo máximo de tempo possível. Apesar de muito se discutir acerca do tema, precisamos entender o que nos impede de desejar uma vida mais simples e feliz. Qual é a ilusão que nos é vendida (e que compramos) que está a obliterar nossa visão.

O altruísmo deveria preceder o egoísmo, a cooperação, preceder a competição desenfreada, o prazer do lazer, preceder a obsessão pelo trabalho, a importância da vida social, preceder o consumo ilimitado, o gosto pela bela obra, preceder a eficiência produtivista, o razoável, preceder o racional etc. O problema é que os valores atuais são sistêmicos. Isso significa que são suscitados e estimulados pelo sistema e que, em contrapartida, contribuem para reforçá-lo. É claro que a escolha de uma ética pessoal diferente, como a simplicidade voluntária, pode mudar a direção da tendência e solapar as bases imaginárias do sistema, mas sem um questionamento radical deste último, a mudança corre o risco de ser limitada.” Serge Latouche

Em seu artigo The globe downshifted, publicado em 2006, Serge Latouche lembra os Principles of Political Economy, de John Stuart Mill, publicados em 1848, onde o autor escreveu que “todas atividades humanas que não envolvam o consumo desarrazoado de materiais insubstituíveis ou não danificam o ambiente de forma irrevogável podem ser desenvolvidas indefinidamente”. Ele ainda adicionou que poderiam então florescer aquelas atividades que a maioria consideram como as mais desejáveis e satisfatórias, como educação, arte, religião, pesquisa fundamental, esportes e relações humanas.

"O Produto Interno Bruto mede tudo exceto aquilo que faz a vida valer a pena." Robert Kennedy

E seria a idéia do descrescimento sustentável compatível com o atual sistema capitalista? A resposta é Sim. O Instituto Wupperthal para o Clima, o Ambiente e e Energia desenvolveu uma série de estratégias do tipo ganha-ganha para a interação da natureza com o capital. O esquema Negawatt busca cortar o consumo de energia em três quartos sem uma drástica redução nas necessidades humanas. Ela propõe um sistema de taxas, normas, bônus e subsídios seletivos para tornar um ambiente virtuoso uma alternativa economicamente interessante e evitar perdas em larga escala. Um bom exemplo é estimular a construção de casas energeticamente mais eficientes, mesmo mais caras, concedendo créditos a serem trocados posteriormente.

Em seu texto de 2006, Latouche propõe uma pequena série de mudanças que, segundo ele seriam capazes de colocar os ciclos virtuosos em movimento. São elas:

  • Reduzir nossa pegada ecológica ao ponto de que a mesma passe a ser igual ou inferior aos recursos do Planeta Terra. Isso significa trazer a produção de materiais de volta aos níveis da década de 60 ou 70.

  • Internalizar os custos de transporte

  • Relocalizar todas as formas de atividades

  • Retornar a uma produção em pequena escala

  • Estimular a produção de “bens relacionais” – atividades que dependem de relações interpessoais fortes, tais como cuidar de enfermos ou pessoas terminalmente doentes, massagens e até psicanálise, sendo negociadas comercialmente ou não, ao invés da exploração dos recursos.

  • Reduzir o gasto energético em três quartos

  • Taxar severamente os gastos com publicidade

  • Decretar uma moratória na inovação tecnológica, levando a uma avaliação profunda de suas conquistas e uma reorientação da pesquisa técnica e científica de acordo com novas aspirações.

Uma das chaves para o sucesso deste programa é a interiorização de diseconomias externas, ou seja, os custos provocados por um ator que são herdados pela comunidade, como por exemplo a poluição. Se as empresas poluidoras passarem a pagar pela poluição produzida como sugeriu Arthur Cecil Pigou, certamente teríamos um painel atual diferente do atual. Suas Taxas Pigovianas, idealizadas no começo do século passado e publicadas em 1912 e 1920 na sua obra Wealth and Welfare podem ser consideradas as precursoras da idéia do atual sistema de comércio e créditos de carbono.

A sociedade moderna ainda vive impregnada pela ilusão de que o consumo de massa deve ser o principal motor da economia e esta ilusão é alimentada pelo fato de que nas nações assim ditas desenvolvidas os bens que antes eram reservados a uma elite econômica são agora disponíveis em grande escala e, promete-se, o luxo de hoje será acessível a todos amanhã. E neste ritmo vamos vivendo enquanto a nação-exemplo deste sistema de vida, os Estados Unidos do Norte da América estão chegando à impressionante marca de 9,5 trilhões de dólares para sua dívida interna.

It is the emergence of mass media which makes possible the use of propaganda techniques on a societal scale. The orchestration of press, radio and television to create a continuous, lasting and total environment renders the influence of propaganda virtually unnoticed precisely because it creates a constant environment. Mass media provides the essential link between the individual and the demands of the technological society.” ( É a emergência de uma mídia de massa que torna possível o uso de técnicas de propaganda em uma escala de sociedade. A orquestração de imprensa, rádio e televisão para criar um ambiente contínuo, duradouro e total leva a uma influência praticamente não notada da propaganda, justamente pela criaçào deste ambiente constante. A mídia de massa providencia uma ligação essencial entre o indivíduo e as demandas da sociedade tecnológica) Jaques Ellul

A sociedade do crescimento é capaz de, numa só tacada, produzir o aumento das desigualdades e das injustiças, criar um bem-estar amplamente ilusório e deixar de promover para os “favorecidos” uma sociedade convivial, lhes oferecendo uma anti-sociedade doente pela sua própria riqueza, onde a violência, a depressão e a anestesia dos sentidos são a marca primordial.

ComunidadeA estratégia proposta pelo decrescimento imagina que a regulação desenhada para forçar uma mudança, aliada a uma utopia de convivência ideal levará a uma descolonização do imaginário (termo cunhado por Cornelius Castoriadis) e encorajará um comportamento virtuoso suficiente para produzir uma solução razoável: uma democracia ecológica local. Para os mais desatentos, “democracia ecológica local” é um outro termo para anarquia.

A revitalização do “local” além de reaproximar as pessoas é capaz de manter viva a diversidade cultural em contraposição à normalização proposta pela globalização, mais uma das mentiras vomitadas diariamente pelo etnocentrismo ocidental.

Para o economista Takis Fotopoulos, a verdadeira democracia só pode subsistir em comunidades pequenas, com até 30 mil pessoas, um tamanho no qual todas as necessidades básicas poderiam ser supridas.

Utopicamente, o urbanista italiano Alberto Magnaghi sugere um longo e complexo período de purificação, durando de 50 a 100 anos, no qual as pessoas não continuariam a buscar mais e mais áreas para produção e criação de vias de transporte entre elas, mas concentrariam seus esforços na limpeza e reconstrução dos sistemas ambientais e territoriais que foram destruídos e contaminados pela presença humana.

Do ponto de vista de Fotopoulos, concentrar-se nas eleições e atividades locais nos dá a chance de mudar as coisas iniciando “por baixo”, o que é a única estratégia verdadeiramente democrática. É completamente diversa dos métodos baseados no estado (que tentam mudar a sociedade de cima tomando o controle do estado) e das atividades da “sociedade civil” (que não tentam mudar o sistema em nenhum momento).

A principal mensagem que um foco no descrescimento deve passar é a de que consumindo menos estaremos não só reduzindo danos à Natureza mas também, por conseqüência, necessitaremos trabalhar menos, fazendo com que todos possam também trabalhar menos e viver melhor. Com isso, teremos mais tempo livre para gastar com coisas que só podem nos fazer bem, como ler, escutar música, criar, brincar, passear, cuidar e educar nossos filhos, interagir com nossos amigos e familiares e até mesmo contemplar a vida e o mundo.

Reduzir intensamente o tempo de trabalho é fator sine qua non para garantir a todos um emprego satisfatório. Aqueles sem emprego terão um e aqueles que já têm um trabalharão menos. Já em 1981, Jacques Ellul, um dos primeiros pensadores da sociedade do descrescimento, já determinava como objetivo para o trabalho não mais do que duas horas por dia. Apesar de concordar ferozmente com Jacques e acreditar que, em comunidades fechadas este ideal possa ser de fato atingido até o fim deste século, a disseminação deste ideal para a grande massa da população encontra-se em um horizonte escondido atrás de densas nuvens de poluição, produzidas pela sede exploradora das grandes corporações e pelo desejo hiperconsumista da sociedade atual e que, de forma chocante, germina em cada grito e choro desconsolado de uma criança que pede para os pais o último modelo de celular, aquele com uma câmera de X megapixels.

Como diz Eduardo Galeano, um dos meus pensadores preferidos, "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Rafael Reinehr

Para caminhar junto: O Pensador Selvagem e, em breve, A Coolméia.

Para ler mais:

The Story of Stuff – A História das Coisas

Entrevista de Serge Latouche para a Revista do Instituto Humanitas da Unisinos

O sul e o ordinário etnocentrismo do desenvolvimento

Indicador de Progresso Autêntico

Mr Corcoran, meet Mr. Orwell – sobre as Taxas Pigovianas

* "If the present growth trends in world population, industrialization, pollution, food production, and resource depletion continue unchanged, the limits to growth in this planet will be reached sometime within the next 100 years. The most probable result will be a rather sudden and uncontrolled decline in both population and industrial capacity"

** "With current and near current technology, we can support 15 billion people in the world at twenty thousand dollars per capita for a millennium – and that seems to be a very conservative statement."

*** "The material conditions of life will continue to get better for most people, in most countries, most of the time, indefinitely. Within a century or two, all nations and most of humanity will be at or above today´s Western living standards."

**** "Human beings and the natural world are on a collision course. Human activities inflict harsh and often irreversible damage on the environment and on critical resources. If not checked, many of our current practices put at serious risk the future that we wish for human society and the plant and animal kingdoms, and may so alter the living world that it will be unable to sustain life in the manner that we know. Fundamental changes are urgent if we are to avoid the collision our present course will bring about."

(trechos em inglês retirados do blog Futuro Comprometido)