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Coolmeia em Gotemburgo
dez 01

Apresentação no Social Capital World Forum 2012, em Gotemburgo

By Rafael Reinehr | Economia

Abaixo, segue minha apresentação no Social Capital World Forum, 2012, um evento marcante, com pessoas muito especiais que pensam o mundo de uma forma não convencional, voltada para a produção e uso de Capital Social, muito mais do que capital privado e sistema monetário.

Acompanhe e, se o assunto lhe interessar, entre em contato!

Apresentação em vídeo (a partir de 28:35)

Coolmeia em Gotemburgo
nov 08

Coolmeia e Rafael Reinehr no Social Capital World Forum

By Rafael Reinehr | Novidades!

Entre 28 de novembro e 5 de dezembro estarei em Gotemburgo, na Suécia, para participar do Social Capital World Forum 2012. Falarei no dia 1 de dezembro, e o tema é “Connecting Islands: The Human Quest for Transition in the 21st Century”

A programação completa do evento pode ser encontrada aqui: http://pt.scribd.com/doc/112411061/Social-Capital-World-Forum-2012-Living-Bridges-SWEDEN-BERGSJON

estrada_futuro_abr
set 25

Apontamentos para Depois do Futuro

By Rafael Reinehr | Quase Filosofia

Estamos presenciando um momento da história em que a sociedade caminha para um estado de destruição da ordem social vigente.

Estamos caminhando por um momento da história no qual a sociedade começa a não mais resistir aos efeitos destrutivos do capitalismo sem limites, nos quais esta sociedade já se despedaça cada vez mais em decorrência do poder devastador do acúmulo financeiro.

estrada_futuro_abr

Aqui e acolá, como sempre foi, existem movimentos de resistência a este “estado das coisas”. Indivíduos, coletivos, redes e movimentos se articulam, cada qual com suas agendas e interesses, para combater o espetáculo da máquina capitalista. São anti-racistas, anti-sexistas, anti-capitalistas, anti-…

Entretanto, a resistência ainda está limitada pela sua falta de autonomia. Em parte, pois esta autonomia queda-se atrelada aos vínculos com este mesmo sistema capitalista, na qual as instâncias de resistência buscam seus recursos para a luta e o enfrentamento. Elas não conseguem suprir, sozinhas, as necessidades básicas para a vida em sua estreita rede especializada. Não se criaram, ainda, comunicações em frequência e intensidade significativas entre grupos e comunidades de resistência.

Do ponto de vista estratégico, enfrentar o poder com violência parece ser algo suicida nos dias de hoje. E sem sentido. Como podemos pensar em enfrentar organizações ungidas e patrocinadas por todas as forças instituídas da sociedade e que, ainda por cima, contam com o apoio quase irrestrito da população alienada em geral?

Talvez, o desaparecimento seja uma tática a ser melhor planejada e utilizada. Mas desaparecimento não como fuga para um local idílico, mas sim como estratégia de luta e enfrentamento. Um enfrentamento através da não aceitação das formas capitalistas de existir e conviver.

O desaparecimento do sistema estabelecido através da criação de viveres e sentires que quebrem completamente o paradigma de opressão, dependência e escassez do livre mercado, substituído por um outro sistema no qual a economia se pauta por uma nova ética e seja mais transparente, valorize o planeta e seja mais inclusiva, valorizando os demais seres, respeitando e mantendo a biodiversidade da Natureza.

Um dos primeiros passos é reconhecer a irreversibilidade das tendências catastróficas que o capitalismo inscreveu na história da sociedade humana. Mas isto feito, não significa que devamos abandonar o barco. Ao contrário: estamos, nós, imbuídos de uma tarefa cultural e geracional imensa, que é o de viver o inevitável com uma alma serena. Devemos conclamar uma grande onda de retirada, de dissociação massiva, de deserção da cena da economia, de não participação do falso show da política.

O foco mais essencial dessa transformação social e cultural será a singularidade criativa, uma força oriunda do desejo de alguns que, a partir do contágio, se tornará uma força imparável para a mudança.

Para nos certificarmos de que a resistência e nossa tarefa cultural está nos guiando pelo caminho certo, basta nos recordarmos da catástrofe ecológica iminente, das ameaças geopolíticas, das guerras pelo petróleo, dos colapsos econômicos causados pelas políticas financeiras neoliberais, o dinheiro de fumaça do sistema monetário atual e da paralisia política e judiciária frente ao poder econômico da classe mandante e criminosa.

A conquista de formas de exercer a autonomia no aqui e agora é um passo essencial para, em primeiro lugar, fornecer a sustentabilidade das ações que se deseja e, em segundo lugar, para o avanço e potencialização destas.

Ao mesmo tempo em que é fácil prever, para os próximos anos, uma série de insurgências civis aparecendo, aqui e acolá, em função do difícil acesso à água, o alto preço dos alimentos, o elevado custo dos combustíveis, da habitação e da energia, taxas crescentes de desemprego ou subemprego, violência e repressão crescentes e restrição de liberdades individuais em um modelo neofascista de governança global, não consigo visualizar uma resistência suficientemente organizada que consiga fazer frente a toda esta gama de problemas causados pelo próprio metabolismo capitalista.

Os mais abastados continuarão, com o poder econômico que detém, controlado as forças instituídas de poder e através de cadeias incontáveis de títeres, manipulando até o mais singelo funcionário da limpeza pública. A militarização dos espaços públicos, dos grandes centros de poder, a vigilância e a sociedade de controle que se vem gradual e subrepticiamente se estabelecendo, não permitirão que pequenos grupos de insurgentes consigam modificar qualquer coisa muito além da superfície e daquilo que, para contentamento da mídia e da sociedade do espetáculo, se desejar fazer aparecer.

Depois do Futuro, o que nos espera é a criação de Zonas Autônomas Permanentes, espaços de transição pacíficos e ao mesmo tempo altamente revolucionários, que carregarão consigo não somente o gérmen mas toda a mudança que se propõe. Serão espaços vivos, a cores e ao ar livre de experimentação social. Espaços como este já pipocam em vários cantos, mas ainda não se articularam de forma eficiente nem se enraizaram na cultura e na consciência de uma rede de resistência emergente.

Importante observar que, enquanto o processo de produção de singularidades criativas (desaparecimento da sociedade capitalista e formação de Zonas Autônomas Permanentes) será um processo pacífico, as reações da maioria conformista serão violentas. A percepção de que energias inteligentes e de poder criativo e harmônico estão escapando gera, paradoxalmente, um ataque a estas mesmas forças que se expressam através do compartilhamento da inteligência e do conhecimento ao invés da apreensão e comercialização deste. Movimentos pela restrição das liberdades na internet, acirramento das leis de direitos intelectuais e punições mais severas a quem acredita em mídias livres e acesso irrestrito à produção científica e cultural são espasmos agônicos de uma sociedade que teima em tapar seus ouvidos e fechar seus olhos ao espírito do tempo.

A despeito da imprevisibilidade deste processo de criação de espaços de vivências mais justas, equânimes, conviviais, libertárias, horizontais, autônomas e resilientes em meio a uma sociedade opressora, hierárquica, reguladora e normalizadora, sabemos que precisamos, quando possível, fugir do confronto direto com a classe criminosa e a população conformista, criar zonas humanas de resistência, de singularidade criativa, experimentar com formas autônomas de produção utilizando métodos de produção tecnológicos de baixa energia e eficientes ambientalmente e disseminar tecnologias apropriadas e tecnologias de cooperação, que permitam uma aceleração de novas formas de consciência coletivas e em rede.

Enquanto as pessoas gradativamente se tornarem mais desesperançosas, deprimidas, assustadas e impotentes pelo fato de não conseguirem lidar com a economia pós-crescimento e suas consequências, nossa tarefa cultural será atender a estas pessoas, oferecendo um alívio para sua insanidade, mostrando-as o caminho para uma adaptação feliz. Nossa tarefa será a criação de zonas de resistência humana que funcionem como zonas de contágio terapêutico. O desenvolvimento da autonomia não busca destruir e abolir o passado. Como na terapia psicanalítica, as Oficinas de Criação de Autonomia (OCAs) deverão ser consideradas um processo sem fim.

(Inspirado e adaptado do texto “I think that is time to ask”, de Franco Bifo Berardi – lido em Adbusters #100)

jul 09

Desafio por um Mundo mais Verde e Solidário

By Rafael Reinehr | Ideias

A Coolmeia lançou hoje um desafio que gostaríamos muito que você, caro leitor, abraçasse.

ATENÇÃO: ESTA É UMA EXPERIÊNCIA DE INTEGRAÇÃO REAL, E NÃO VIRTUAL.

Boca a BocaA Coolmeia, Ideias em Cooperação é uma iniciativa de base social e ecológica que visa produzir o maior número de benefícios ao maior número de pessoas possível, sem esquecer a sustentabilidade. Como benefícios, entendemos saúde, acesso à água potável, moradia confortável, trabalho e remuneração dignas, consumo consciente de bens e serviços, uso de tecnologias verdes, inclusão social e digital, educação de qualidade, microcréditos, desenvolvimento local, enfim, condições que levem os indivíduos a uma vida plena em harmonia com o ambiente físico e social que os cerca.

Partindo deste pressuposto, precisamos comunicar nossas intenções e trazer para abraçar nossa causa – que certamente é a de muitos – o maior número de pessoas possível. Para tanto, escolhemos (nem tão arbitrariamente assim) o número de 180 mil pessoas como um número de pessoas suficientes para iniciar uma massa crítica, uma rede de indivíduos genuinamente preocupados em melhorar a vida do local onde moram, das condições de trabalho que exercem ou daqueles à sua volta e assim por diante.

O desafio é o seguinte: nas próximas 6 semanas, vamos trazer para a comunidade da Coolmeia 182 mil pessoas (cerca de 0,1% da população do Brasil), dentre nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, de Igreja, da academia, de nossa vivência enfim. Um detalhe: NÃO VALE CONVIDAR PELA INTERNET! (com exceção deste texto de apresentação do Desafio)

Eis o Desafio:

Passo 1: Cada pessoa que aceitar o desafio se cadastra na Coolmeia (http://coolmeia.ning.com) e se compromete consigo mesmo a trazer para a Comunidade 3 pessoas do seu círculo de relacionamento. É interessante que esta pessoa seja alguém que já trabalhe com alguma causa social, ecológica ou de cidadania ou que, pelo menos, tenha interesse no assunto. Detalhe: você deve se comprometer a fazer isso em 1 semana a contar de quando você ler este texto.

Passo 2: Ao convidar esta pessoa, você também deve colher dela o compromisso de que ela deve trazer consigo mais 3 pessoas do círculo de relacionamento dela, com as mesmas características acima, ou seja, uma pessoa altruísta, com coração generoso e preocupada com a sociedade ou o ambiente. Detalhe: ela deve se comprometer a trazer 3 pessoas através de contatos reais (pessoas do trabalho, da escola, da Igreja, da Associação de Bairro, da ONG, da família) em uma semana, através de um convite AO VIVO, não por e-mail!

Desta forma, teremos a seguinte evolução (prevista) no número de membros:

Hoje: 250 (09/07/2009 – 13horas e 10minutos)
Fim da Semana 1: 750 (16/07/2009)
Fim da Semana 2: 2250 (23/07/2009)
Fim da Semana 3: 6750 (30/07/2009)
Fim da Semana 4: 20.250 (06/08/2009)
Fim da Semana 5: 60.750 (13/08/2009)
Fim da Semana 6: 182.250 (20/08/2009)

E então? Será que vamos atingir nossa meta em 6 semanas? Vamos testar nossa capacidade de fazer o bem com este desafio simples, o de convidar 3 pessoas a tomarem conhecimento e se cadastrarem na Coolmeia?

Ah! Não precisam ser só 3 pessoas não! Se você quiser convidar 4, 5 ou mais pessoas, fique à vontade! Sua ajuda será ainda maior! Então vamos lá. Vamos transformar 250 em 182.250 pessoas comprometidas até 20 de agosto de 2009 e mostrar que tem muita gente insatisfeita com a política de nosso país, com a exploração de trabalho infantil, com a má-qualidade da educação, da alimentação, com as relações de trabalho, com a desvalorização das minorias. As causas são muitas e estão espalhadas, “cada qual no seu quadrado”. Vamos começar a mudar isso neste círculo de amizade, aprendizado e integração que é a Coolmeia.

Depois de ter convidado e se certificado que pelo menos 3 pessoas convidadas por você aderiram à Coolmeia, aí sim você pode divulgar a rede em seu blog, comunidade do Orkut, lista de e-mails ou através da ferramenta de Convite do Ning . Antes, só no boca-a-boca.

Desafio lançado, agora é contigo! Mão na massa! Ou melhor, boca no ouvido do amigo!

Flutuando
jan 06

TAZ – Zona Autônoma Temporária – Hakim Bey – A Ânsia de Poder como Desaparecimento (parte VI de VII)

By Rafael Reinehr | Apontamentos Anarquistas

Hakim Bey visualiza a TAZ como uma “tática de desaparecimento”. Em suas palavras:

“Quando os teóricos discursam sobre o desaparecimento do social, eles se referem, em parte, à impossibilidade da “Revolução Social”, e em parte à impossibilidade do “Estado” – o abismo do poder, o fim do discurso do poder. Neste caso, a questão anarquista deveria ser: porque se importar em enfrentar um “poder” que perdeu todo o sentido e se tornou pura Simulação? Tais confrontos resultarão apenas em perigosos e terríveis espasmos de violência dos cretinos cheios de merda na cabeça que herdaram as chaves de todos arsenais e prisões.”

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nov 02

O gosto do novo: Jackson Franco

By Rafael Reinehr | Escritores e seus Escritos

Hoje o Eduardo me encaminhou um mail comunicando sobre um novo comentário em um Editorial antigo do Simplicíssimo e lá me deparei com um singelo elogio, feito por um escritor que, até agora, não conhecia.

Como é de praxe, sempre visito quem me visita e comenta, ainda mais quando não conheço. Acabei chegando no blog Literaturagara, onde Jackson Franco, que iniciou seu blog em setembro e publica um novo conto ou miniconto a cada sete dias, aproximadamente, apresenta sua verve literária, muitas vezes com cunho social e, com freqüência, utilizando a morte com fim último de seus personagens.

O escritor recifense me impressionou positivamente com sua literatura crua, mas, como disse em um comentário que por lá deixei, bem cozida. O ato de costurar histórias e personagens não é, em essência, o trabalho do bom escritor?

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ago 31

A Visão Sistêmica da Vida: Noções de Metabolismo e Rede

By Rafael Reinehr | Vida

Na anteconferência a seguir, Fritjof Capra nos relembra que "sustentabilidade" não se trata de sustentar o crescimento econômico ou a capacidade de competição de uma nação no mercado internacional, mas sim conseguir entender como a Natureza faz para perpetuar a vida.

"A sobrevivência de toda nossa civilização pode depender, em última instância, de nossa habilidade em perceber a totalidade da natureza e a arte de viver com ela em harmonia."

Uma das formas de fazer isso seria utilizando os conhecimentos adquiridos a partir do estudo do metabolismo animal e aplicando tais descobertas em uma ciência social ampla, que replicaria nas relações humanas e sociais os conhecimentos advindos das ciências naturais. O Metabolismo, no âmbito das ciências sociais chama-se "network", ou "rede" ou ainda "teia" em português. O vídeo a seguir é em inglês.

 

abr 21

Quarta-feira, 19 de janeiro de 2005 – Nogueiras fazem bem à saúde

By Rafael Reinehr | Escrever Por Escrever (blog)

(publicado originalmente na Revista Literária Simplicíssimo)

Estupefacto.

Mortalmente impressionado.

Loucamente decepcionado.

Profundamente deprimido.

Cadavericamente mortificado.

Subitamente confuso.

Fantasticamente assustado.

De queixo caído.

É como me senti ao ficar sabendo do absurdo que aconteceu com os dois irmãos de Alvorada, cidade que faz parte da região metropolitana de Porto Alegre.

William e Cristian Silveira buscavam uma vaga em Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, universidade mais concorrida do estado por sua gratuidade e qualidade.

Atrasados para a realização da prova, resolveram correr para chegar a tempo, antes de fecharem os portões.

Entretanto, no meio do caminho, forma abordados por policiais militares como suspeitos de atividade criminosa.

Alegação da polícia: "Antes de um fato acontecer a gente tem de intervir".

Me questiono: que fato "estaria por acontecer"? Um roubo a banco? Um seqüestro relâmpago? A tomada de Constantinopla?

Será que o fato de os jovens possuirem a pele um pouco mais escura interferiu com a conduta dos policiais militares?

Quem fará recuperar o ano de vida destes dois jovens de Alvorada que nada mais queriam a não ser preparar seu futuro para construir igualmente um futuro melhor para nosso país?

Estamos a poucos dias de um evento chamado Fórum Social Mundial, onde questões de desilgualdade social, econômica e de raça são postas em xeque. Momento oportuno para parar e pensar realmente se somos humanos ou o quê. Às vezes, em situações como a descrita acima, acho que somos "o quê"…

Àqueles que nunca participaram do Fórum Social Mundial, fica o convite:

de 26 a 30 de janeiro de 2005, em Porto Alegre – RS – Brasil , um encontro mundial de cabeças pensantes acerca do ser humano e de seu bem-estar enquanto sociedade nesta Nau Planetária. Chance imperdível de sentir-se integrado aos semelhantes e àqueles com idéias que realmente valem a pena serem ouvidas e debatidas.

O Simplicíssimo estará lá, representado pela figura deste editor que trará as novidades na edição imediatamente seguinte ao Fórum para aqueles que porventura não puderem participar de corpo presente.

Para mostrar que, REALMENTE, Um Outro Mundo é Possível, façamos a nossa parte.

"O espectáculo (da sociedade de consumo) que é a extinção dos limites do eu e do mundo pelo esmagamento do eu que a presença-ausência do mundo assedia, é igualmente a supressão dos limites do verdadeiro e do falso pelo recalcamento de toda a verdade vivida sob a presença real da falsidade que a organização da aparência assegura. Aquele que sofre passivamente a sua sorte quotidianamente estranha é, pois, levado a uma loucura que reage ilusoriamente a essa sorte, ao recorrer a técnicas mágicas. O reconhecimento e o consumo das mercadorias estão no centro desta pseudo-resposta a uma comunicação sem resposta. A necessidade de imitação que o consumidor sente é precisamente uma necessidade infantil, condicionada por todos os aspectos da sua despossessão fundamental."

Guy Debord, em "A Sociedade do Espetáculo"