Posts Tagged "trabalho"


Premissas:

# A automação pode representar a liberação dos seres humanos, no momento em que substitui a força de trabalho humano deixando-o o livre para atividades contemplativas e prazerosas

# Para que isso seja verdade, os benefícios da automação devem ser divididos entre toda a espécie humana

# É fato que, no mundo contemporâneo (2015), os frutos da automação estão sendo auferidos para uma pequena parcela desta mesma espécie humana, e são restritos a grupos econômicos, corporações e pessoas que detém o capital e os meios de produção

# O desemprego – ou incapacidade de encontrar um meio de labor que sustente de forma satisfatória a vida de um indivíduo e sua família – é uma realidade em praticamente todos Estados Nação – excetuando-se talvez o Vaticano, Liechtenstein, o Principado de Mônaco e o Principado de Sealand.

# O desemprego funciona, dentro do sistema capitalista, como uma ferramenta a serviço da precarização do trabalho e para a manutenção dos baixos salários da população assalariada, já que a massa desempregada funciona como lastro para a substituição de empregados que não se adaptam aos baixos valores praticados

# O desemprego poderia ser atenuado em parte através de uma visão mais empreendedora dos indivíduos, que, mesmo com oportunidades insuficientes, poderiam usar a engenhosidade e a criatividade para gerar renda para si mesmo, através da observação das necessidades não atendidas em cada localidade

# O desemprego poderia ser atenuado em parte através da formação de cooperativas que permitam a associação autônoma de indivíduos que se especializam em uma determinada área de atuação

# O desemprego poderia ser atenuado imediatamente, de forma top-down, através da limitação das horas de trabalho em 6 horas ou 4 horas

# A terceirização – ou subcontratação de serviços de outrem para realização de tarefas que foram a alguém contratadas – é uma faca de “dois legumes”, pelo menos no Brasil: ao mesmo tempo em que permitiria a otimização de processos produtivos e a inclusão de novos parceiros em atividades de criação de valor, quando usada de forma totalmente liberal em um mercado capitalista, acaba por gerar a perda dos direitos historicamente adquiridos pela classe trabalhadora

# A terceirização, dentro de um contexto de Economia Solidária, é uma forma de realizar tarefas e atividades produtivas que um determinado grupo, coletivo ou comunidade não tem capacidade de realizar, sendo então vista como algo mutuamente benéfico aos grupos envolvidos

# Surgem cada vez menos oportunidades de trabalhos com longo vínculo (estáveis) e cada vez mais trabalhos autônomos temporários (bicos/instáveis)

# A precarização do trabalho é ferramenta do sistema capitalista liberal para garantir a manutenção do status quo, baixos salários e contingente populacional ávido por qualquer oferta de emprego ou subemprego

# Formas flexíveis de contratação – como as derivadas da terceirização – contribuem ainda mais para a precarização do trabalho

foto de Pedro Martinelli: "Esta fotografia foi feita no dia primeiro de maio de 1971 no jogo Palmeiras X Guarani no Parque Antártica, segundos depois que o juiz colocou a bola na marca branca do meio do campo."

foto de Pedro Martinelli: “Esta fotografia foi feita no dia primeiro de maio de 1971 no jogo Palmeiras X Guarani no Parque Antártica, segundos depois que o juiz colocou a bola na marca branca do meio do campo.”

Analisando historicamente e evolutivamente o contexto no qual nos situamos, não será pela via político-partidária ou através de qualquer forma institucionalizada vinculada ao Estado e seus grupos econômicos financiadores e expropriadores que se resolverá as situações acima descritas.

A criação de alternativas deve seguir vindo de baixo para cima, com a formação de cooperativas conscientes, estabelecimento de ecovilas, ecopolos, comunidades intencionais despertas, comunidades autogestionadas com capacidade produtiva variada, aplicação de conceitos da Ciência das Redes e dos princípios da economia solidária, da cultura do conhecimento livre e da cultura peer-to-peer.

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Manifestação popular e trabalhista em Paris, primeiro de maio de 1999

 

Como complemento de leitura, sugiro o livro de Alexis Rowell, “Communities, Councils & a Low-carbon Future – What we can do if governments won’t”. Escrito dentro do contexto das Cidades em Transição, ele foca em vários aspectos interessantes e fundamentais para a constituição de uma vida em sociedade mais harmônica, justa, equânime, convivial e sustentável, como por exemplo a biodiversidade, eficiência energética, cooperação, água, reciclagem, trabalho coletivo e co-working, bem-estar, ativismo, boas práticas, geração de energia, transporte, espaços verdes, planejamento comunitário, etc.

Somente dentro de comunidades que são fundadas e se mantém a partir de princípios éticos claros e transparentes, que a exploração do homem pelo homem e os vícios de dominação e opressão do humano sobre o humano e sobre os outros seres pode deixar de existir.

Não será em uma sociedade na qual seres humanos guiados por interesses próprios e egoístas, a serviço de outros tão ou mais interesseiros e egoístas quanto, que conseguiremos nos livrar da hierarquia, da expropriação do tempo alheio em benefício de poucos e da humilhação de uns para o deleite de outros, substituindo-os por uma sociedade na qual os princípios de fraternidade, solidariedade, apoio mútuo, sustentabilidade e justiça social sejam favorecidos.

São pequenas reflexões para um primeiro de maio atípico, no qual o resto do dia será realmente dedicado ao descanso, à contemplação e à reflexão sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos…

Leitura sugerida:

Internetocracia Brasil: Desemprego e Precarização do Trabalho e comentários associados.

precarizacao

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Saude – Parte II (de VIII)

Saude – Parte II (de VIII)


Posted By on dez 13, 2012

O trabalho e o tempo

 No mês passado, vimos como o termo Saúde é muito mais amplo do que um mero estado de equilíbrio emocional e físico, e uma série de “palavras” e de “estados” de vivência podem ser correlacionados a pessoas mais ou menos saudáveis. Preguiça, frugalidade, simplicidade voluntária são algumas dessas “palavras” ou escolhas que podemos fazer cotidianamente.

Hoje vamos abordar outros aspectos que, invariavelmente, estão ligados à nossa percepção de saúde. O primeiro deles são nossas relações no e com o trabalho. Faz parte do cultivo de uma situação de vida saudável a escolha de uma ocupação que realmente nos satisfaça. Confúcio dizia: “Teu único trabalho é encontrar um trabalho que realmente goste. A partir daí, não trabalharás mais nenhum dia em tua vida”.

A experiência também nos mostra que atitudes aparentemente simples de entender (mas nem sempre simples de praticar) como manter bom relacionamento com os colegas de trabalho, possuir transparência nas relações no trabalho e buscar espaços de produção criativa, de valorização do trabalho (ao invés de ater-se somente a trabalhos burocráticos ou repetitivos) estão diretamente associados a uma sensação de bem-estar e consequentemente correspondem a aumento nos níveis de qualidade de vida.

Um outro fator relevante é a nossa relação com o tempo. O que é saúde senão se ter tempo e disposição para fazer aquilo que se gosta? Um dia escrevi: “A riqueza de um ser humano é medida à justa equivalência do tempo no qual se está fazendo exatamente aquilo que se quer fazer”. Se julgarmos correta essa asserção, ela demonstra o quão é importante o nosso zelo em relação ao bom uso do tempo (finito) que temos disponível a cada dia, semana, mês, ano, vida… Tempo, mais ainda do que dinheiro, é Saúde…

Nossa Espiritualidade está também diretamente associada a como nos sentimos em relação a nós mesmos, aos outros e à Natureza. Saber lidar com a intuição, perceber o sofrimento, o medo e a angústia e o desconhecido como partes inerentes à nossa humanidade e aprender a lidar com isso, a partir do autoconhecimento e da nossa ligação com algo maior do que nós – que pode ser chamado de Deus, divindade, Natureza ou como quer que o chamemos – pode se transformar em algo acolhedor e reconfortante, nos trazendo, assim, saúde.

Uma palavra que dificilmente se vê associada ao conceito de Saúde é “consenso”. Entretanto, quando não há consenso, é difícil haver saúde. Quando não há consenso, há um lado vencedor e um lado vencido, há sofrimento, portanto dor, logo, ausência de saúde. Mesmo o lado vencedor permanece com a consciência de que existiu um perdedor, o que gera angústia, mesmo que inconsciente.

No próximo mês desvendaremos como palavras e expressões como Sustentabilidade, Resiliência, Felicidade, Parar de Buscar, Impermanência e Viver o Presente podem significar, para muitos, ser saudável.

Até lá.

Outros artigos da série “Saúde”:

 

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Hoje comecei o dia machucando minha mão tentando carregar uns galhos no terreno ao lado de casa.

À tarde trabalhei, feliz por estar voltando ao trabalho, do qual posso dizer que gosto muito. Ainda é apaixonante trabalhar como médico, e o dia em que deixar de me sentir bem com isso, paro de atender…

Hoje também tive oportunidade de conhecer a mesquinharia e o egoísmo de uma pessoa, em cargo de “poder”, mas prefiro não citar nomes nem locais. Apenas para meu registro pessoal, pois não vou esquecer da situação…

Cheguei em casa ainda com sol, comi uma banana e uma maçã e… …acho que estou esquecendo alguma coisa…

Ah, sim! Hoje chegou meu “presente de natal”. Dei-me de presente um novo notebook, um MacBook Pro 2,5Ghz quadcore, 750GbHD 7200rpm com 8Gb RAM tela de 15″ antibrilho e coisa mais linda do mundo. Já sou feliz com meu MacBook 2,1Ghz dual core 2Gb RAM 13″, mas ele começou a ficar lento demais para os vários processos e programas que uso ao mesmo tempo, compromentendo pra caramba minha performance e tomando um tempo que não posso perder com todos os projetos que tenho. Ao mesmo tempo, o netbook da Carol pifou, então ela vai herdar o meu velhinho amado, no qual estou teclando agora, quase como despedida.

À noite jantamos pastelão, a Dorilda voltou das férias e picou o chester que sobrou do ano novo, Carol preparou o molho e eu peguei a salsinha e montei o pastelão. Ficou delicioso com o trabalho em equipe!

Cheirei um pouquinho o Benjamin e o Conrado e agora estou cansado, com a cabeça pouco produtiva. Acho que é um pouco de hipohidratação, neste dia quente.

Vou lá tomar algo e depois trabalhar mais um pouquinho online…

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Amigos, gostaria de comunicar minha “saída” da Coolmeia.

Pelos próximos 2 meses a 3 meses, estarei deixando de participar ativamente das atividades da nossa rede, retirando-me para um período sabático. Um período em que espero refletir sobre nosso trabalho – tanto como seres individuais como coletivos, pertencentes a uma pequena rede mas também um teia muito maior de indivíduos e forças -, sobre nossas intenções, sobre nossas esperanças, caminhos e resultados.

Tenho acompanhado de perto uma série de movimentos contemporâneos, tenho revisitado alguns movimentos historicamente relevantes que discutem democracia, participação, colaboração, liberdade, autonomia, vida em sociedade, igualdade, justiça social e, de repente, senti uma necessidade de sintetizar um pouco da minha experiência e os estímulos que tenho recebido, de todas as frontes, nestes últimos anos como ativista social.

Espero, assim, conseguir trazer um pouco de ordem para meus pensamentos e, muito mais do que ideias, espero poder vir carregado de flores para ajudar a enfeitar o caminho que temos construído juntos.

Continuarei, entretanto, dando suporte às ferramentas de interação da rede e também fazendo alguns trabalhos “automáticos” de divulgação interna e manutenção estrutural, sem entretanto dedicar várias horas por semana à rede.

Nem preciso dizer o quão angustiado me sinto com esta decisão, pois deposito grande esperança nas pessoas que compõe esta rede. Temos seres humanos incríveis fazendo parte da Coolmeia. Por enquanto, ainda não achamos, aqui, uma via pela qual possamos colaborar mais ativamente e deixar fortes e claras pegadas para que outros possam seguir. Mas não consigo deixar de ver que temos um potencial incrível de ajudar a promover a mudança de que precisamos em direção a um mundo mais convivial, cooperativo, sustentável e resiliente.

A quem ainda não leu, recomendo fortemente a leitura: http://www.coolmeia.org/pdf/Coolmeia-v1.0.pdf (pelo menos as primeiras 16 páginas – cerca de 15-20 minutos de leitura)

E a todo momento, precisamos lembrar que a Coolmeia não deve buscar apenas produzir soluções PARA as pessoas. A Coolmeia deve construir soluções COM as pessoas e mostrar que, mesmo que não possamos mudar este mundo, pelo menos podemos construir outro. E como disse, há muitos anos, o gênio Buckminster Fuller:

Você nunca muda a realidade lutando contra ela. Para mudar algo você cria um novo modelo que torna o modelo existente obsoleto.

Desejo aos amigos que seguem navegando um ótimo tempo aqui e em suas vidas pessoais. Nos falamos logo mais.


Rafael Reinehr
Coolmeia, Ideias em Cooperação
Uma incubadora de ideias e soluções altruístas
http://coolmeia.org/bemcomum

O que estou fazendo: http://reinehr.org/em-transe.pdf

twitter: @r4re – twitter.com/r4re
Skype: rafael.reinehr

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Amigos, gostaria de comunicar minha “saída” da Coolmeia.

Pelos próximos 2 meses a 3 meses, estarei deixando de participar ativamente das atividades da nossa rede, retirando-me para um período sabático. Um período em que espero refletir sobre nosso trabalho – tanto como seres individuais como coletivos, pertencentes a uma pequena rede mas também um teia muito maior de indivíduos e forças -, sobre nossas intenções, sobre nossas esperanças, caminhos e resultados.

Tenho acompanhado de perto uma série de movimentos contemporâneos, tenho revisitado alguns movimentos historicamente relevantes que discutem democracia, participação, colaboração, liberdade, autonomia, vida em sociedade, igualdade, justiça social e, de repente, senti uma necessidade de sintetizar um pouco da minha experiência e os estímulos que tenho recebido, de todas as frontes, nestes últimos anos como ativista social.

Espero, assim, conseguir trazer um pouco de ordem para meus pensamentos e, muito mais do que ideias, espero poder vir carregado de flores para ajudar a enfeitar o caminho que temos construído juntos.

Continuarei, entretanto, dando suporte às ferramentas de interação da rede e também fazendo alguns trabalhos “automáticos” de divulgação interna e manutenção estrutural, sem entretanto dedicar várias horas por semana à rede.

Nem preciso dizer o quão angustiado me sinto com esta decisão, pois deposito grande esperança nas pessoas que compõe esta rede. Temos seres humanos incríveis fazendo parte da Coolmeia. Por enquanto, ainda não achamos, aqui, uma via pela qual possamos colaborar mais ativamente e deixar fortes e claras pegadas para que outros possam seguir. Mas não consigo deixar de ver que temos um potencial incrível de ajudar a promover a mudança de que precisamos em direção a um mundo mais convivial, cooperativo, sustentável e resiliente.

A quem ainda não leu, recomendo fortemente a leitura: http://www.coolmeia.org/pdf/Coolmeia-v1.0.pdf (pelo menos as primeiras 16 páginas – cerca de 15-20 minutos de leitura)

E a todo momento, precisamos lembrar que a Coolmeia não deve buscar apenas produzir soluções PARA as pessoas. A Coolmeia deve construir soluções COM as pessoas e mostrar que, mesmo que não possamos mudar este mundo, pelo menos podemos construir outro. E como disse, há muitos anos, o gênio Buckminster Fuller:

Você nunca muda a realidade lutando contra ela. Para mudar algo você cria um novo modelo que torna o modelo existente obsoleto.

Desejo aos amigos que seguem navegando um ótimo tempo aqui e em suas vidas pessoais. Nos falamos logo mais.


Rafael Reinehr
Coolmeia, Ideias em Cooperação
Uma incubadora de ideias e soluções altruístas
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