Viktor Frankl e O Sentido da Vida

Não é verdade que o homem, propriamente
e originalmente, aspira a ser feliz? Não foi o
próprio Kant quem reconheceu tal fato, apenas
acrescentando que o homem deve desejar ser
digno da felicidade? Diria eu que o homem
realmente quer, em derradeira instância, não
é a felicidade em si mesma, mas, antes, um
motivo para ser feliz

(Viktor Frankl)

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Viktor Frankl foi um psiquiatra austríaco que, durante a Segunda Guerra Mundial, passou por quatro campos de concentração, inclusive Auschwitz, sobreviveu e compartilhou suas experiências conosco, em um fabuloso livro chamado Man’s Search for Meaning (Em Busca de Sentido, no Brasil).

Neste livro Frankl afirma que  é uma orientação em direção ao futuro – em direção a uma tarefa, uma tarefa pessoal, que esteja nos aguardando para ser realizada no futuro; ou alguma outra pessoa que estejamos amando, a ser encontrada novamente, a se reunir conosco novamente no futuro – isto foi o que decisivamente manteve as pessoas vivas na experiência do campo.  A questão não foi apenas de sobrevivência, mas tinha que haver uma razão para a sobrevivência. A questão era sobreviver para quê; a não ser que houvesse alguma coisa ou alguém, uma causa pessoal pela qual viver, a sobrevivência era altamente improvável.

Aplicando este conceito para nossa vida rotineira, Frankl lembra que nossa sociedade de “bem-estar social” se propõe a satisfazer e gratificar cada uma das necessidades humanas, exceto uma delas – talvez a mais fundamental que exista no ser humano: a necessidade de um significado. As sociedades de consumo, estão até mesmo criando necessidades, mas a necessidade de significado – ou, como ele costuma dizer – o desejo de encontrar um significado – permanece inatingido.

E não é isso mesmo que percebemos ao nosso redor? Pessoas cada vez mais ansiosas, cada vez mais deprimidas, cada vez mais apressadas e, ao mesmo tempo, desprovidas de um norte essencial, ou, como diz Humberto Maturana, de um “sul” fundamental. Falta um sentido para organizar todas estas atividades. Ao final do dia, cansados, muitas vezes silenciamos as perguntas que nos martelam mesmo sem sentir: “Para quê”? “Para quem”?

Se conseguimos encontrar um sentido, um algo a ser realizado para si ou para alguém e se estamos cientes disso, então ficamos fortes e aptos a sofrer, a trabalhar, a nos sacrificar e prontos a enfrentar o estresse, a tensão e as dificuldades cotidianas, sem que, fazendo isso, estejamos pondo em risco nossa saúde. Por outro lado, se não conseguirmos perceber um significado para nossos esforços, todo e qualquer dispêndio de energia pode representar um peso insuportável, gerando infelicidade e, até, enfermidades.

Em uma entrevista, Frankl relembra: “Hans Selye, o homem que criou o conceito de stress, recentemente publicou um estudo em que ele diz que o stress é o sal da vida, que o homem necessita de tensões – eu diria de forma mais cautelosa que o que ele necessita é de uma quantidade saudável de tensão. Não tensões muito grandes, nem tensões muito pequenas, mas uma dose, uma dose saudável de tensão, tal como a tensão que se estabelece em um campo polar em que um pólo é representado por um homem e o outro pólo por um significado único e específico que esteja aguardando por ele para ser realizado, e exclusivamente por ele.”

Não é possível discutir Qualidade de Vida sem antes nos aventurarmos pela investigação do Sentido da Vida. Com a queda dos valores tradicionais e universais que nos diziam o que fazer – a Igreja passa a exercer um constrangimento cada vez menor, por exemplo – muitos deixaram de saber o que tem que ser feito ou o que deveria ser feito e, algumas vezes, até o que desejariam fazer. Como consequência,  acaba-se por fazer o que outras pessoas estão fazendo (conformismo) ou então fazendo apenas aquilo que outras pessoas querem que se faça (totalitarismo). É preciso identificar, em nós mesmos e em nossos pacientes, se nos encaixamos nesta ou naquela vertente e, mais importante, precisamos “sulear”, encontrar um sentido para nossa existência.

A partir daí, todos nossos diálogos, com o outro, com a sociedade e com a Natureza, deixam de ser vazios e repetitivos e passam a ser cheios de significado, significado esse produzido pela nossa singularidade, resultado do exercício genuíno da nossa característica mais valiosa: nossa humanidade.

Terceira e quarta semanas do Benjamin: um mês de vida!

Viva! O pequeno (nem tão pequeno mais) Benjamin já tem um mês de vida!

Agora o amado Ben já está com 3090g, 50,5cm e é o autor das caretas mais lindas da história! Finalmente começou a deixar as noites do papai e da mamãe mais corridas, com seus chorinhos, fome e caquinhas. Mas isso não nos incomoda: a mamãe tá sendo uma verdadeira fera das madrugadas!

O Benzinho aprendeu a rir, e apesar de ainda não termos conseguido registrar isso em fotografia, ele o faz todos os dias.

Fomos na pediatra, Dra Magda Aliano, que pode ser vista nas primeiras fotos do slideshow.

O Benjamin já está se aventurando a rolar, aprendeu a segurar os cabelos da mamãe e os dedos do papai, está com cólicas eventuais, já está com força nas perninhas – o que faz com que ele participe do banho ativamente, quase já segura a cabecinha sozinho e muito mais! Descobrimos que adora andar de carro e passear! É um legítimo João gasolininha!

No dia 11 de junho fez um mês de vida, e nem sabe que mês feliz que ele proporcionou ao papi e mami, cada vez mais apaixonados por ele!

(clique aqui para ver o slideshow)

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Qualquer idiota pode ver como as coisas estão feias

“Sempre há um idiota que nos julga pelo que fazemos. As piores críticas geralmente vem das pessoas que não fazem ideia do que fazemos, não tem dons próprios e que ficam irritadas quando estamos felizes e alegremente nos provocam. A menos, é claro, que estejamos deixando o mundo mais feio. Então, esses tipo de pessoa vai segurar nossa mão com prazer e danãr conosco na sarjeta dizendo que, assim como eles, vemos como aquilo é horrível e se comprazem em comemorar. Mas desde cedo descobri que qualquer idiota pode ver como as coisas estão feias. Não é preciso ter nenhum dom para isso…”

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O trecho aí de cima, que faz muito sentido para mim, foi retirado da fala do personagem John Talia (Trevor Morgan), o jovem aspirante a pintor que busca ter lições com o mestre da pintura representativa Nicoli Seroff (Armin Mueller-Stahl), um velho rabugento que perdeu sua esposa na Grande Extrusão ordenada por Stálin. O filme O Mestre da Vida (Local Color, 2006), dirigido por George Gallo, é uma lição de sensibilidade artística mas também uma mensagem de humildade perante a vida. Recomendo.

Uma e quarenta e cinco da matina…

…e aqui estamos nós, futricando nas catacumbas estruturais do site.

A boa nova é que o sistema de comentários já está funcionante, agora falta reabilitar o sistema de feeds, implementar um sistema de tags (que não é nativo do Joomla), reotimizar o site com uma série de SEO tools e, no sexto dia, me dedicar ao que realmente interessa: voltar pra vida real e, quando der na telha, depositar uma ou outra croniqueta, crítica, impressão ou apontamento por aqui.

Já digo: estou louco para retomar o Fotos de Quinta, iniciar de fato um Clube de Leituras e te muito mais programado por aí, como, por exemplo, a volta do Caldeirão de Sabores, talvez em formato vídeo-tosco. Quem sabe…