Temos mais pessoas escrevendo poesia (e prosa) do que lendo

By rafaelreinehr | Uncategorized

Jun 08

Temos mais pessoas escrevendo poesia (e prosa) do que lendo.

Essa é a conclusão que podemos chegar com a proliferação mais do que descontrolada dos blógues (note que não intenciono falar dos “blógues-diário” e similares, mas tão somente daqueles com caráter literário-artístico ou até político)

A verborragia está rolando solta e cada vez mais generaliza-se a tendência de tentar divulgar seu pedaço de terra de todas formas possíveis, como viram no pôust anterior.

A propaganda em si não é o mal. O mal encontra-se em fazer mal e porcamente um ajuntado de coisas escritas que se quer fazer passar por arte ou literatura.

Todos temos (excluindo um ou outro de nós com impulsos depressivos ou com complexos de inferioridade) a tendência de achar que aquilo que fizemos é bom o suficiente para que alguém se interesse e queira “comprar” de uma forma ou de outra.

Dizia William Carlos Williams: “Arte ruim é aquela que não serve ao contínuo serviço de limpar a linguagem de todas as fixações sobre usos mortos, mal-cheirosos do passado”. Apesar de ter sido usada em uma situação diversa da que comento, aproveito a frase para lembrar da arte como técnica E busca de inovação/novidade. Sem esta última, resta somente a técnica, que só, já não é mais arte.

Lendo uma recente crítica de Rodrigo Garcia Lopes, poeta brasileiro, ao Jornal Literário “Rascunho”, deparei-me com a seguinte constatação:

“…muitas vezes também tenho a impressão de que poetas diferentes estão escrevendo um mesmo poema. Digo isso em relação a um tipo de poema curto, que muitas vezes são fragmentos de descrições estilizadas, geralmente da janela de um apartamento, com o poeta entre reproduções de Mondrian, tomando um chá de camomila, lendo livros chatos e fazendo cara de inteligente. Para mim, esses poemas também escondem sob uma pretensa concisão, uma falta danada do que dizer… …esses procedimentos, fraturas e personificações geralmente mascaram um pensamento superficial, pobre de vida, sem viço.

Ainda, parafraseando Gilles Delleuze ( já citado previamente por mim em um Editorial do Simplicíssimo): “Não sofremos de falta de comunicação, mas ao contrário, sofremos com todas as forças que nos obrigam a nos exprimir quando não temos grande coisa a dizer”.

Assim, creio que somente poucos de nós, entusiasmados blogueiros, persistiremos ao teste do tempo. Posso ver entre meus amigos lincados uma boa dezena que se sustenta sem ajuda de ninguém, mais uma dúzia que segue caminho ascendente em qualidade. Outros, como eu, ainda têm muito o que aprender. Mas resta sempre a esperança de que, mantendo contato com os grandes mestres da literatura mundial e com os novos mestres da rapidamente crescente literatura hipertextual, nosso aperfeiçoamento se desenvolva com êxito e possamos brindar juntos nossa permanência nesta bela estrada que é o percurso das letras, o caminho das artes.

Boa sorte nesta trajetória, companheiros!

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