Posts made in fevereiro, 2004



Posted By on fev 29, 2004

Da série: Diálogos com Deus – Deus e Maria no almoço

– Passa o sal.

– Com ferro de passar ?

– Deixa de ser boba! Me alcance o sal!

– Como se diz?

– Como assim, como se diz?

– Qual é a palavrinha mágica?

– Abracadabra!

– Não! Agora é você quem está bancando o bobo! Que palavra mágica se usa quando pedimos um favor?

– Hum… – Deus pára, pensativo.

– Vamos lá! Não é tão difícil assim! – estimula Maria.

– Já sei! Por favor!

– Muito bem! Tome aí o sal! Mas não vai exagerar que sua pressão já anda meio alta, ouviu?

Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves (parte II de III)

“A alegria é um pássaro que só vem quando quer. Ela é livre. O máximo que podemos fazer é quebrar todas as gaiolas e cantar uma canção de amor, na esperança de que ela nos ouça. Oração é o nome que se dá a esta canção para invocar a alegria. Muitas orações são produtos da insensatez das pessoas. Acham que o universo estaria melhor se Deus ouvisse os seus conselhos. Pedem que Deus lhes dê pássaros engaiolados, muitos pássaros. Nisso protestantes e católicos são iguais. Tagarelam. E nem se dão ao trabalho de ouvir. Não sabem que a oração é só um gemido. “Suspiro da criatura oprimida”: haverá definição mais bonita? São palavras de Marx. Suspiro: gemido sem palavras que espera ouvir a música divina, a música que, se ouvida, nos traria a alegria” – diz Rubem Alves.

Rubem questiona o tipo de promessas que as pessoas fazem: autoflagelam-se com chicotes, carregam pedras, sobem escadas de joelhos, arrastam cruzes, ficam sem comer, não tomam cerveja por 1 mês, não transam ou se masturbam por um período determinado. Deus só aceitaria “presentes” assim se fosse um grande sádico, um ser monstruoso que fica feliz quando sofremos.

Propõe-se que Deus sofre quando sofremos e dá risada quando rimos. Usando suas palavras devemos fazer promessas do tipo “vou comprar uma cachorrinha cocker spaniel, vou gastar tempo observando o vôo dos pássaros, a forma das nuvens, a folhagem das árvores. Vou fugir do agito, do ruído, da confusão. Vou ver novamente o carteiro e o poeta. Vou cultivar a solidão e o silêncio. Vou fazer um jardim zen. Vou ouvir música. Vou ler Fernando Pessoa. Vou aprender a cozinhar. Vou receber os amigos. Vou brincar com coisas e pessoas.”

Rubem diz que ama a Igreja: nela, tudo aquilo que saiu da mão dos artistas. Entretanto, quando ouve as explicações de teólogos ou mestres quebra-se o encanto e ele diz que gostaria que tivessem falado em latim para que não houvesse compreendido as palavras da Igreja.

Na seção “Sobre a salvação de minha alma”, R. A. critica a “Fé compartimentalizada”. Como estudioso da Bíblia, cita trechos colocados de lado, como se não fizessem parte das escrituras sagradas. Alguns exemplos de trechos silenciados: “Amada minha, em tua língua há mel e leite (…) Teus seios são como duas crias gêmeas de gazela” (Ct 4,11.5) e “Anda, come teu pão com alegria e bebe contente o teu vinho… Goza a vida com a mulher que amas todos os dias da tua vida” (Ecl 9,7.9)

Lembra ainda que Jesus disse aos fariseus que, antes deles entrarem nos céus, entram as meretrizes; entram também os hipócritas e tudo o mais que Deus criou.

Questiona a imutabilidade da Igreja. Imutabilidade que não existe em lugar algum na Natureza por deus criada. Com suas palavras: “Entre a semente e a pedra, reafirmaram a pedra. Os bambus estão proibidos de florir, Para que florir? É desnecessário. A Igreja possui a verdade toda. Não precisa dos outros. Proibido está o jogo de trocar sementes. Diálogo, só para que os outros sejam convertidos à sua verdade. Por que ouvir o outro, se possuo a verdade toda? Por que permitir que o outro fale, se aquilo que ele fala só pode ser mentira? Todos os que pretendem possuir a verdade estão condenados a ser inquisidores. Assim, sobre todas as sementes se coloca a maldição do silêncio, obsequioso…”

Sistema de cotas nas universidades brasileiras: solução ou vergonha?

Vivemos no Brasil um momento-chave para a educação no nível terciário, que compreende as Universidades.

Ao mesmo tempo em que são feitos projetos que visam utilizar vagas ociosas de Universidades particulares através da isenção de impostos “- altamente elogiáveis – existe um outro projeto de cunho absurdamente racista: determinação de cotas (reserva de vagas) para negros.

Tenta-se justificar tal atitude pelas dificuldades históricas impetradas aos negros neste país, desde a época da escravização até seqüelas que permanecem até hoje como a menor valorização do trabalho quando comparado ao trabalho de “brancos”, por exemplo. Essa menor valorização associada talvez a uma maior dificuldade de conseguir trabalho (devido a uma discriminação velada) levam a uma menor condição socio-econômica média, que resulta em maior dificuldade de acesso e manutenção da educação tanto em escolas públicas quanto privadas – estas últimas consideradas melhores e mais aptas à preparação para o concurso vestibular.

O acesso a uma educação menos privilegiada nas etapas anteriores, levam então a um menor acesso às Universidades federais gratuitas, onerando justamente as famílias que teoricamente teriam menos condições para manter um filho em uma instituição particular.

Concorda-se com toda esta problemática, mas não com a solução oferecida.

Não deveriam ser os negros a receber tal benefício, pois trata-se de racismo puro. Por que então índios não tem o mesmo benefício assegurado? E por quê os “amarelos” não têm a mesma vantagem? Vagas para italianos? Alemães? Judeus? Russos? Nem pensar…

Se vagas devem ser reservadas nas Universidades públicas, que sejam então para quem tem menos condições socio-econômicas. Esses sim, brancos ou negros, com barreiras enormes para uma educação adequada a nível terciário.

O que impede o acesso à Universidade pública é o menor conhecimento no momento da realização do concurso vestibular. Teria um negro de família abastada, que estudou em colégio particular, mais direito à vaga que um branco que teve de trabalhar desde os 12 anos para ajudar sua família e estudou, mal e porcamente sem alimentação ou acesso a livros, em colégio público?

E como definir um negro? Pela cor da pele? Existirão métodos colorimétricos confiáveis para tanto? Pelo sobrenome? Pela origem de seus antepassados? E com que grau de parentesco podemos dizer que alguém é negro? Se a mãe do avô materno for a única pessoa negra na genealogia da família, podemos considerar esta pessoa negra? E o que dizer da moça de pele alva, olhos azuis e portadora de anemia falciforme, exclusividade de pessoas de ancestralidade negra?

Os problemas não se encerram por aqui. Tudo que se propõe é uma melhor análise da legalidade e das conseqüências do sistema de cotas, impostos desta maneira absolutamente discriminatória no mau sentido da palavra.

Abordagens alternativas do problema, valorizando o nível socio-econômico em detrimento da questão racial são louváveis e devem ser detalhadamente verificadas. Até lá, vamos deixar esta idéia de molho mais um pouco, para amaciá-la e deixá-la no ponto para exercer seus efeitos na direção certa (bom se soubéssemos qual é esta direção…).

Notícias do Front

Antes de tudo preciso fazer uma breve introdução a esta nova coluna semanal do Simplicíssimo. Em primeiro lugar, como Editor desta joça, me auto-afirmo no direito de manter escritos sobre todo e qualquer assunto, mesmo sobre assuntos áridos e de pouco interesse como minhas experiências (reais) durante a prestação do Serviço Militar Obrigatório no 7º Batalhão de Infantaria Blindado (7º BIB) em Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul; em segundo lugar, mesmo estando ciente das pauladas que provavelmente receberei nos comentários e também dos Ombudsmen (ou pior, sua indiferença), quem está na chuva é para se molhar ou não chegar atrasado a algum lugar e não deve ser pior do que as idas a campo no exército; em terceiro lugar, não pretendo falar exclusivamente do serviço militar mas tratarei de entremear meus esforços militares com minhas leituras e apimentar a discussão com conclusões estapafúrdias e totalmente descontroladas. Esta coluna tem data para terminar – próximo de 12 de abril, fim do Estágio de Adaptação ao Serviço, após o qual começo a trabalhar como médico militar, pelo período mínimo de 1 ano, prorrogável à minha vontade até 8 anos..

De pronto, vamos ao que interessa:

25/02/04 – saí de Porto Alegre às 8:00, levando guitarra, pedaleira, revistas de guitarra e fotografia, roupas, 5 livros (Edgar Morin – O Método 1 e 2, Rubem Alves – Transparências da Eternidade e As Cores do Crepúsculo – A estética do envelhecer e George Woodcock – Anarquismo – Uma história das idéias e movimentos libertários) além de uma bola de basquete e muita boa vontade.

Almoçamos no apartamento de minha namorada Carol, que mora e estuda em Santa Maria. Às 13:00 me apresentei no 29º BIB. A apresentação foi tranqüila. Fomos orientados acerca dos procedimentos pelo Tenente Lima, pelo Capitão Agostinho e pelo Coronel Mendes.

De cara, ficamos sabendo da história do aspirante a oficial médico que, noa no anterior, desdenhou as atividades de orientação em campo com bússola e fez toda sua equipe passar a noite (e madrugada) inteira tentando se localizar em uma tarefa digna do Rambo.

Confirmei a informação de que, após os 45 dias de treinamento, trabalharei como Endocrinologista no Hospital de Guarnição (HGU) de Santa Maria, das 7:00 às 13:00, sem plantões clínicos a fazer, exceto ocasionais sobreavisos.

Recebemos a lista do Uniforme a comprar. Dezesseis itens! Fomos dispensados às 15:17 com retorno previsto para amanhã às 8:30.

26/02/04 – Hoje recebemos a notícia de que seríamos transferidos para o 7º Batalhão de Infantaria Blindado (7º BIB), unidade mais moderna e apta para nosso treinamento no EAS (Estágio de Adaptação da Saúde). Lá fomos apresentados ao novo responsável pelo nosso treinamento, o Capitão Cláudio. Nos foi mostrado nosso alojamento e armários e escolhido nosso nome de guerra. O meu será Aspirante Reinehr, e, ao terminar o treinamento daqui a 40 dias, tenente Reinehr. Feita a inspeção de saúde, foi muito engraçado ver um de nossos colegas “não-voluntários” mancando “artificialmente” nos últimos dois dias, para aumentar suas chances de dispensa. O colega tem realmente uma fratura prévia no pé, mas já estava sem dor ou dificuldade de movimentação, mas pensou que seria mais convincente se encenasse uma situação de maior sofrimento.

Fomos liberados ao meio-dia. À tarde, fui comprar o fardamento: camiseta e gandola camufladas, camiseta branca e calção para educação física, tênis preto para exercícios, gorro, boina verde e acessórios diversos.

Comecei hoje a fazer uma relação de prejuízos financeiros decorrentes da prestação do Serviço Militar, chamada legalmente de lucros cessantes, para registro e posterior “avaliação e tentativa de minimização de danos”.

27/02/04 – Mais um dia de burocracia. Passamos a manhã inteira sentados em uma sala, recebendo orientações sobre como utilizar nossa roupa e entregando documentação. M-nhã perdida, por assim dizer. À tarde, novamente liberados, com previsão de retorno na Segunda-feira, dia 01/03 às 7:00 para tomarmos café com o capitão. Fim de semana: Agudo, minha cidade natal.

PRÓXIMOS PÔUSTS: Da série: Diálogos com Deus – Jesus e o Rock n’ Roll, Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves (parte II de III), Notícias do Front

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Posted By on fev 24, 2004

Da série: Diálogos com Deus – Maria vai a feira

– Onde tu vai Maria?

– Vou a feira. Por quê?

– É que Jesus estava te procurando. Acho que ele queria te dizer alguma coisa. Parecia importante.

– Bem, diga a ele que não pude esperar. A feira é muito longe e levo duas horas pra ir e mais duas pra voltar. À noite falo com ele. Também: esqueci de carregar meu celular. Não vai poder me ligar. Fui.

– Até mais Maria.

…poucos minutos depois

– Pai! Viste mamãe?

– Acabou de sair para ir à feira. Passei teu recado mas ela disse que não podia esperar.

– Que droga! Tinha um recado pra dar pra ela! Já sei! Vou ligar pro celular!

– Nem adianta, meu filho. Ela deixou em casa porque está sem bateria… Mas, afinal: qual era o recado tão importante que querias dar pra ela com essa urgência toda?

– É que eu vi na Internet que a cidade está toda alagada e não vai ter feira hoje…

Moral da história: quem não se comunica, se trumbica!

Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves (parte I de III)

Transparências da Eternidade foi publicado em sua primeira edição em 2002 pela Editora Verus. Suas palavras chaves são Literatura Brasileira e Espiritualidade.

O livro é composto de textos inéditos e várias crônicas publicadas originalmente no jornal Correio Popular de Campinas – SP.

Sendo uma bela elegia das imagens cristãs, escrito por alguém que, aparentemente, abandonou as palavras cristãs – justamente por conseguir entende-las, como Rubem mesmo explica – rapidamente identifiquei-me com o livro.

Divide-se em 5 partes, entituladas O SEM-NOME E O MISTÉRIO, OS GESTOS E AS PALAVRAS, OS MEDOS, A TRANQÜILIDADE E A BELEZA.

Extraio trechos de cada parte (sempre que estiverem entre aspas, são citações de Rubem Alves, exceto se especificado o contrário):

O Sem-nome e o mistério

Deus existe?

“É preciso, de uma vez por todas, compreender que acreditar em Deus não vale um tostão furado. Não, não fiquem bravos comigo. Fiquem bravos com o apóstolo Tiago, que deixou escrito em sua epístola sagrada: ¿Tu acreditas que há um Deus. Fazes muito bem. Os demônios também acreditam. E estremecem ao ouvir seu nome¿. Em resumo, o apóstolo está dizendo que os demônios estão melhor do que nós porque, além de acreditarem, estremecem…”

Nisto, todos havemos de concordar: de nada adianta acreditarmos em Deus se não para praticar aquilo que ora poderia ter ele ensinado. E, se praticamos aquilo que foi ensinado, se agimos conforme o bem, o verdadeiro e o justo (ou pelo menos buscamos isto, já que nem sempre podemos discriminar ao certo o verdadeiro e o justo), precisamos realmente ir à Igreja? Teremos de nos confessar? Nossa orações não podem ser substituídas por momentos de contemplação ao crepúsculo ou pela audição de uma bela música? Tudo isto é oração. Mesmo que não estejamos, sempre conscientemente ligados ao Criador, como sua criação em cada ato silencioso estamos nos comunicando verdadeiramente com Ele.

Sou agnóstico, portanto não tenho certeza absoluta da existência de Deus. Sou execrado por cristãos e por ateus. O que haveria de ser pior? Em situações de desespero, chego a orar. Meu pedido é sempre o mesmo: escolha o melhor caminho. Neste momento, estou mudando a trajetória de minha vida absolutamente contra minha vontade. É este caminho que terei de seguir. Confio em mim, confio na Natureza, nome que escolhi para meu Criador. Acredito na Unidade do Ser. Sei que sou parte de um Algo Maior, parte infinitesimal, mas que também tenho toda essência desta criação neste pequeno ser que sou. E assim vou vivendo, buscando o verdadeiro, o justo e o bom.

“…me atrevendo a utilizar a ontologia de Riobaldo, eu posso dizer que Deus tem de existir. Tem beleza demais no universo, e beleza não pode ser perdida. E Deus é esse Vazio sem fim, gamela infinita, que pelo universo vai colhendo e ajuntando toda beleza que há, garantindo que nada se perderá, dizendo que tudo o que se amou e se perdeu haverá de voltar, se repetirá de novo. Deus existe para tranqüilizar a saudade.”

Isto é poesia, digníssimo Rubem Alves. Assim, não há como não acreditar! Se Deus é poesia, acredito em Deus! Deus cá está para nos garantir a volta de tudo aquilo que perdemos e nunca gostaríamos de ter perdido! Lindo!

“Nós só vemos aquilo que somos… Os olhos são pintores: eles pintam o mundo de fora com as cores que moram dentro deles. Olho luminoso vê mundo colorido; olho de trevas trevoso vê mundo negro… assim, Deus virou vingador que administra um inferno, inimigo da vida que ordena a morte, eunuco que gera abstinência, juiz que condena, carrasco que mata, banqueiro que executa débitos, inquisidor que acende fogueiras, guerreiro que mata inimigos, igualzinho aos pintores que o pintaram.”

Neste parágrafo, uma verdadeira paulada na Igreja Católica. Desculpem os amigos afeitos a esta crença, mas é impossível apagar da história os desgraças proporcionadas pela Igreja no seu passado. A proibição do uso da camisinha é, ainda, uma lástima, nos dias de hoje.

Diz Alberto Caeiro, citado por Alves:

” Pensar em Deus é desobedecer a Deus,

Porque Deus quis que não o conhecêssemos,

Por isso se nos não mostrou…”

Assim, ganha-se a tranqüilidade de não estar a toda hora tendo de preocupar-se em pensar em Deus, na sua existência, e em teimar prestar contas a todo custo. Deus é menino, não um banqueiro!

Os gestos e as palavras

Rubem Alves descreve o batizado pagão que criou especialmente para sua neta Mariana (tenho que transcreve-lo integralmente para não deturpara o seu sentido):

” Organizei o espaço do living. Empurrei a mesa central, na direção da lareira. À cabeceira coloquei um banquinho velhíssimo ¿ ali a Mariana se assentaria. Ao lado, duas cadeiras, uma para o pai, outra para a mãe. Na ponta da mesa, uma grande vela. E a vela da Mariana, vela que a acompanhará por toda a sua vida e que deverá ser acesa em todos os seus aniversários. Ao lado de sua vela, duas velas longas, coloridas. E, espalhadas pela sala, velas de todos os tipos e cores. Na ponta da mesa, ao lado da vela da Mariana, um prato de madeira com um cacho de uvas.

Reunidos todos os convidados, começou o ritual. Foi isso que eu disse: Mariana, aqui estamos para contar para você a estória do seu nome. Tudo começou numa grande escuridão.” As luzes se apagaram enquanto, no escuro, se ouvia a flauta de Jean Pierre Rampal.

“Assim era a barriga de sua mãe, lugar escuro, tranqüilo e silencioso. Ali você viveu por nove meses. Passado esse tempo, você se cansou e disse: “Quero ver luz!” Sua mãe ouviu o seu pedido e fez o que você queria. Ela “deu à luz”. Você nasceu”.

A mãe e o pai da Mariana acenderam então a vela grande, que brilhou sozinha no meio da sala.

“Veja só o que aconteceu! Sua luz encheu a sala de alegria. Todos os rostos estão sorrindo para você. E, por causa desta alegria, cada um deles cai, também, acender a sua vela.”

Aí o padrinho e a madrinha acenderam as velas longas coloridas, e os outros todos acenderam, cada um, uma das velas espalhadas pela sala.

À chegada dos convidados, eu havia dado a cada um deles um cartãozinho, onde deveriam escrever o desejo mais profundo para a Mariana. Continuei:

“Você trouxe tanta alegria que cada um de nós escreveu, num cartãozinho, um bom desejo para você. Assim, pegue esta cestinha. Vá de um em um recolhendo os bons desejos que eles escrveram. Esses cartõeszinhos, você os vai guardar por toda a sua vida…”

E lá foi a Mariana com a cestinha, seus grandes olhos azuis, de um em um, sendo abençoada por todos.

“Todos deram para você uma coisa boa”, eu disse depois de terminado o recolhimento dos cartões. “Agora é hora de você dar a todos uma coisa boa. Você é redondinha e doce como uma uva. Esta é a razão para este cacho de uvas. E é isso que você vai fazer. Seus padrinhos vão fazer uma cadeirinha, e você, assentada na cadeirinha, vai dar a cada um deles um pedaço de você, uma uva doce e redonda…”

E assim, vagarosamente, a Mariana celebrou, sem saber, esta insólita eucaristia: “Esta uva doce e redonda é o meu corpo…”

Terminada a eucaristia, eu disse a Mariana:

“Agora, chegando ao fim, cada um de nós vai dizer o seu nome. Preste bem atenção. O nome é um só. Mas cada um vai dize-lo com uma música diferente. Porque são muitas e diferentes as formas como você é amada.”

E assim, iluminados pela luz das velas, cada um dos presentes, olhando bem dentro dos olhos da menina, ia dizendo:”Mariana”, “Mariana”, “Mariana”, “Mariana”…

Aqueles que olhavam os olhos da Mariana puderam ver que, à medida que ela ouvia o seu nome sendo repetido, eles iam se enchendo de lágrimas…

O porque das incertezas – Uma breve explicação

Bem, é triste mas é verdade…

Nesta manhã de 25 de fevereiro de 2004 estou indo rumo a meu destino não premeditado: me incorporar às Forças Armadas Brasileiras como aspirante a oficial médico, segundo tenente do Exército brasileiro.

Tal função é obrigatória por estas terras, sendo que, como estudante de Medicina, tenho o direito de solicitar adiamento até a conclusão do curso e de minhas especialidades. E assim foi, nos últimos 10 anos (6 de faculdade e 4 em 2 especializações). Apesar de voluntário ( mas nem tanto) para a Aeronáutica, fui dispensado e agora, estou sendo aproveitado pelo Exército em Santa Maria, cidade distante cerca de 3h e 40 min de carro de Porto Alegre, onde resido atualmente. Nem preciso dizer que minha vida ficará de cabeça para baixo com a função.

Tentei justificar, alocando devidamente os locais em que já me encontro inserido trabalhando ativamente há mais de 1 ano e nos quais iria começar em breve…

Canoas – Central Médica Carlos Chagas – sextas das 15 às 19h (16 pacientes por semana)

Porto Alegre – Central Médica Carlos Chagas – segundas das 15 as 19h (16 pts)

Santo Antônio da Patrulha – Clínica Cardoso Marques – terças 8 as 15h 2x mês (20 pts)

Camaquã – Clínica Radiare – terças 2 x mês – 8 as 15h (8pts)

Dois Irmãos – ULBRA – quintas 2x mês 8 as 15h (18pts)

Novo Hamburgo – Centro Clínico – quartas 17 as 21h (16 pts)

São Leopoldo – Centro Médico – quintas 16 as 20h (16 pts)

Gravataí – Hospiplan – quartas das 8 as 15h (20 pts)

Taquara – Clínica Dr. Sadi Müller a iniciar semanalmente a partir de março

Cachoeirinha – Centro Integrado Fernando Möller a iniciar, semanalmente em março

Porto Alegre – Centro Geriátrico Vitalis – 4 horas semanais, consultoria em endocrinologia para 10 moradores idosos

Porto Alegre – consultório, em horários variados (nas brechas de horário disponíveis)

…mas não houve conversa. O digníssimo Coronel Silva, Comandante da Terceira Região Militar, à qual “pertenço” disse que eu era peça rara, como especialista e eles não podiam me dispensar de forma alguma.

A esta altura, temos algumas pessoas tentando ajudar de tudo quanto é jeito, mas a situação está difícil e não sei se vai ser possível qualquer retorno ou mudança.

Assim, tentarei manter a postagem deste blógue dentro das possibilidades que me forem ofertadas. Os primeiros 45 dias, chamados de fase de adaptação, serão como aspirante e provavelmente terei de permanecer na Unidade a que fui designado pelo menos algumas noites da semana. Quando em “liberdade”, atualizarei este blógue, tentando manter uma seção chamada “Notícias do Front” para que não percam contato com esta maravilhosa aventura que só o Exército brasileiro pode me proporcionar.

PS : se demorar mais de uma semana para postar, certamente é porque estarei preso por insubmissão, desacato ou por algum motivo qualquer… Sabe como é, não dá pra brincar com estas figuras…

PS2: desejem-me sorte… Muuuuuuuita sorte!

PS3: Ah! Tem mais uma coisa: não vou entra nessa de ficar escrevendo fotos da Antonela nua na Playboy, fotos da Sandy nua, nem tampouco usarei os nomes de Anna Kournikova, Claudia Schiffer, Mônica Bellucci, Gisele Bündchen, Naomi Campbell ou outras mulheres bonitas… Também não ousarei utilizar nomes de atrizes e atores como Nicole Kidmann, Tom Cruise, Anthony Hopkins, Harrison Ford, Sean Penn, Demi Moore, Jack Nicholson, Robin Williams, Arnold Schwarzeneger ou políticos como o anterior, George W. Bush, Luis Inácio Lula da Silva, José Genoíno, Pedro Simon, José Sarney e muito menos de pensadores como Aristóteles, Platão, Sócrates, Kant, Montesquieu, Locke, Hobbes, Rousseau, Morin, Foulcault, Deleuze, Bakunin, Malinowski, Trotski, Malatesta, Kropotkin, Feyerabend, Tampouco citarei aqui escritores como Luis Fernando Veríssimo, Jostein Gaarder, Moacyr Scliar, Martha Medeiros, Domenico de Masi, Glauco Mattoso, Frank Jorge, Sidney Sheldom, Danielle Still ou usar qualquer palavra que contenha anfetaminas como femproporex, dietilpropiona, anfepramona, dualid, inibex, ou outras medicações para obesidade como mazindol, sibutramina e seus nomes comerciais sibutramina e plenty, e outros ansiolíticos ou antidepressivos como fluoxetina, buspirona, bupropiona… Imagina se eu escrevesse aqui maconha, cocaína, heroína, crack, loló, cigarro, charuto, ecstasy e o escambau que tipo de pessoas não iriam aparecer por aqui! Então, é melhor começar a selecionar meus escritos para evitar que pessoas afins a determinados grupos de interesse caiam por aqui! Seria interessante conecer pessoas que gostassem de rock e psicodelia, que escutassem Led Zeppelin, Pink Floyd, Carpenters, Black Sabbath, Iron Maiden, Beatles, Deep Purple, Earth Wind and Fire, Yes, AC DC, Kiss, Ramones e Mutantes. Aí sim isto daqui ia ficar legal… (idéia copiada pelo menos de três locais: DaniCast, Alexandre Soares Silva e Liberal Libertário Libertino – línques acima)

PS4: olhando para essa lista acima, meus resquícios perfeccionistas da infância gelam… Detesto citar listas nonsense que sejam para mim incompletas ou esteticamente feias como a acima… Mas o momento de vida justifica o pôust… Até… …breve, se tudo correr bem…

PRÓXIMOS PÔUSTS: “Da série: Diálogos com Deus – Deus e Maria no almoço”, “Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves (parte II de III)”, “Sistema de cotas nas universidades brasileiras: solução ou vergonha?”, “Notícias do Front”

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Posted By on fev 24, 2004

Da série: Diálogos com Deus – Maria vai a feira

– Onde tu vai Maria?

– Vou a feira. Por quê?

– É que Jesus estava te procurando. Acho que ele queria te dizer alguma coisa. Parecia importante.

– Bem, diga a ele que não pude esperar. A feira é muito longe e levo duas horas pra ir e mais duas pra voltar. À noite falo com ele. Também: esqueci de carregar meu celular. Não vai poder me ligar. Fui.

– Até mais Maria.

…poucos minutos depois

– Pai! Viste mamãe?

– Acabou de sair para ir à feira. Passei teu recado mas ela disse que não podia esperar.

– Que droga! Tinha um recado pra dar pra ela! Já sei! Vou ligar pro celular!

– Nem adianta, meu filho. Ela deixou em casa porque está sem bateria… Mas, afinal: qual era o recado tão importante que querias dar pra ela com essa urgência toda?

– É que eu vi na Internet que a cidade está toda alagada e não vai ter feira hoje…

Moral da história: quem não se comunica, se trumbica!

Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves (parte I de III)

Transparências da Eternidade foi publicado em sua primeira edição em 2002 pela Editora Verus. Suas palavras chaves são Literatura Brasileira e Espiritualidade.

O livro é composto de textos inéditos e várias crônicas publicadas originalmente no jornal Correio Popular de Campinas – SP.

Sendo uma bela elegia das imagens cristãs, escrito por alguém que, aparentemente, abandonou as palavras cristãs – justamente por conseguir entende-las, como Rubem mesmo explica – rapidamente identifiquei-me com o livro.

Divide-se em 5 partes, entituladas O SEM-NOME E O MISTÉRIO, OS GESTOS E AS PALAVRAS, OS MEDOS, A TRANQÜILIDADE E A BELEZA.

Extraio trechos de cada parte (sempre que estiverem entre aspas, são citações de Rubem Alves, exceto se especificado o contrário):

O Sem-nome e o mistério

Deus existe?

“É preciso, de uma vez por todas, compreender que acreditar em Deus não vale um tostão furado. Não, não fiquem bravos comigo. Fiquem bravos com o apóstolo Tiago, que deixou escrito em sua epístola sagrada: ¿Tu acreditas que há um Deus. Fazes muito bem. Os demônios também acreditam. E estremecem ao ouvir seu nome¿. Em resumo, o apóstolo está dizendo que os demônios estão melhor do que nós porque, além de acreditarem, estremecem…”

Nisto, todos havemos de concordar: de nada adianta acreditarmos em Deus se não para praticar aquilo que ora poderia ter ele ensinado. E, se praticamos aquilo que foi ensinado, se agimos conforme o bem, o verdadeiro e o justo (ou pelo menos buscamos isto, já que nem sempre podemos discriminar ao certo o verdadeiro e o justo), precisamos realmente ir à Igreja? Teremos de nos confessar? Nossa orações não podem ser substituídas por momentos de contemplação ao crepúsculo ou pela audição de uma bela música? Tudo isto é oração. Mesmo que não estejamos, sempre conscientemente ligados ao Criador, como sua criação em cada ato silencioso estamos nos comunicando verdadeiramente com Ele.

Sou agnóstico, portanto não tenho certeza absoluta da existência de Deus. Sou execrado por cristãos e por ateus. O que haveria de ser pior? Em situações de desespero, chego a orar. Meu pedido é sempre o mesmo: escolha o melhor caminho. Neste momento, estou mudando a trajetória de minha vida absolutamente contra minha vontade. É este caminho que terei de seguir. Confio em mim, confio na Natureza, nome que escolhi para meu Criador. Acredito na Unidade do Ser. Sei que sou parte de um Algo Maior, parte infinitesimal, mas que também tenho toda essência desta criação neste pequeno ser que sou. E assim vou vivendo, buscando o verdadeiro, o justo e o bom.

“…me atrevendo a utilizar a ontologia de Riobaldo, eu posso dizer que Deus tem de existir. Tem beleza demais no universo, e beleza não pode ser perdida. E Deus é esse Vazio sem fim, gamela infinita, que pelo universo vai colhendo e ajuntando toda beleza que há, garantindo que nada se perderá, dizendo que tudo o que se amou e se perdeu haverá de voltar, se repetirá de novo. Deus existe para tranqüilizar a saudade.”

Isto é poesia, digníssimo Rubem Alves. Assim, não há como não acreditar! Se Deus é poesia, acredito em Deus! Deus cá está para nos garantir a volta de tudo aquilo que perdemos e nunca gostaríamos de ter perdido! Lindo!

“Nós só vemos aquilo que somos… Os olhos são pintores: eles pintam o mundo de fora com as cores que moram dentro deles. Olho luminoso vê mundo colorido; olho de trevas trevoso vê mundo negro… assim, Deus virou vingador que administra um inferno, inimigo da vida que ordena a morte, eunuco que gera abstinência, juiz que condena, carrasco que mata, banqueiro que executa débitos, inquisidor que acende fogueiras, guerreiro que mata inimigos, igualzinho aos pintores que o pintaram.”

Neste parágrafo, uma verdadeira paulada na Igreja Católica. Desculpem os amigos afeitos a esta crença, mas é impossível apagar da história os desgraças proporcionadas pela Igreja no seu passado. A proibição do uso da camisinha é, ainda, uma lástima, nos dias de hoje.

Diz Alberto Caeiro, citado por Alves:

” Pensar em Deus é desobedecer a Deus,

Porque Deus quis que não o conhecêssemos,

Por isso se nos não mostrou…”

Assim, ganha-se a tranqüilidade de não estar a toda hora tendo de preocupar-se em pensar em Deus, na sua existência, e em teimar prestar contas a todo custo. Deus é menino, não um banqueiro!

Os gestos e as palavras

Rubem Alves descreve o batizado pagão que criou especialmente para sua neta Mariana (tenho que transcreve-lo integralmente para não deturpara o seu sentido):

” Organizei o espaço do living. Empurrei a mesa central, na direção da lareira. À cabeceira coloquei um banquinho velhíssimo ¿ ali a Mariana se assentaria. Ao lado, duas cadeiras, uma para o pai, outra para a mãe. Na ponta da mesa, uma grande vela. E a vela da Mariana, vela que a acompanhará por toda a sua vida e que deverá ser acesa em todos os seus aniversários. Ao lado de sua vela, duas velas longas, coloridas. E, espalhadas pela sala, velas de todos os tipos e cores. Na ponta da mesa, ao lado da vela da Mariana, um prato de madeira com um cacho de uvas.

Reunidos todos os convidados, começou o ritual. Foi isso que eu disse: Mariana, aqui estamos para contar para você a estória do seu nome. Tudo começou numa grande escuridão.” As luzes se apagaram enquanto, no escuro, se ouvia a flauta de Jean Pierre Rampal.

“Assim era a barriga de sua mãe, lugar escuro, tranqüilo e silencioso. Ali você viveu por nove meses. Passado esse tempo, você se cansou e disse: “Quero ver luz!” Sua mãe ouviu o seu pedido e fez o que você queria. Ela “deu à luz”. Você nasceu”.

A mãe e o pai da Mariana acenderam então a vela grande, que brilhou sozinha no meio da sala.

“Veja só o que aconteceu! Sua luz encheu a sala de alegria. Todos os rostos estão sorrindo para você. E, por causa desta alegria, cada um deles cai, também, acender a sua vela.”

Aí o padrinho e a madrinha acenderam as velas longas coloridas, e os outros todos acenderam, cada um, uma das velas espalhadas pela sala.

À chegada dos convidados, eu havia dado a cada um deles um cartãozinho, onde deveriam escrever o desejo mais profundo para a Mariana. Continuei:

“Você trouxe tanta alegria que cada um de nós escreveu, num cartãozinho, um bom desejo para você. Assim, pegue esta cestinha. Vá de um em um recolhendo os bons desejos que eles escrveram. Esses cartõeszinhos, você os vai guardar por toda a sua vida…”

E lá foi a Mariana com a cestinha, seus grandes olhos azuis, de um em um, sendo abençoada por todos.

“Todos deram para você uma coisa boa”, eu disse depois de terminado o recolhimento dos cartões. “Agora é hora de você dar a todos uma coisa boa. Você é redondinha e doce como uma uva. Esta é a razão para este cacho de uvas. E é isso que você vai fazer. Seus padrinhos vão fazer uma cadeirinha, e você, assentada na cadeirinha, vai dar a cada um deles um pedaço de você, uma uva doce e redonda…”

E assim, vagarosamente, a Mariana celebrou, sem saber, esta insólita eucaristia: “Esta uva doce e redonda é o meu corpo…”

Terminada a eucaristia, eu disse a Mariana:

“Agora, chegando ao fim, cada um de nós vai dizer o seu nome. Preste bem atenção. O nome é um só. Mas cada um vai dize-lo com uma música diferente. Porque são muitas e diferentes as formas como você é amada.”

E assim, iluminados pela luz das velas, cada um dos presentes, olhando bem dentro dos olhos da menina, ia dizendo:”Mariana”, “Mariana”, “Mariana”, “Mariana”…

Aqueles que olhavam os olhos da Mariana puderam ver que, à medida que ela ouvia o seu nome sendo repetido, eles iam se enchendo de lágrimas…

O porque das incertezas – Uma breve explicação

Bem, é triste mas é verdade…

Nesta manhã de 25 de fevereiro de 2004 estou indo rumo a meu destino não premeditado: me incorporar às Forças Armadas Brasileiras como aspirante a oficial médico, segundo tenente do Exército brasileiro.

Tal função é obrigatória por estas terras, sendo que, como estudante de Medicina, tenho o direito de solicitar adiamento até a conclusão do curso e de minhas especialidades. E assim foi, nos últimos 10 anos (6 de faculdade e 4 em 2 especializações). Apesar de voluntário ( mas nem tanto) para a Aeronáutica, fui dispensado e agora, estou sendo aproveitado pelo Exército em Santa Maria, cidade distante cerca de 3h e 40 min de carro de Porto Alegre, onde resido atualmente. Nem preciso dizer que minha vida ficará de cabeça para baixo com a função.

Tentei justificar, alocando devidamente os locais em que já me encontro inserido trabalhando ativamente há mais de 1 ano e nos quais iria começar em breve…

Canoas – Central Médica Carlos Chagas – sextas das 15 às 19h (16 pacientes por semana)

Porto Alegre – Central Médica Carlos Chagas – segundas das 15 as 19h (16 pts)

Santo Antônio da Patrulha – Clínica Cardoso Marques – terças 8 as 15h 2x mês (20 pts)

Camaquã – Clínica Radiare – terças 2 x mês – 8 as 15h (8pts)

Dois Irmãos – ULBRA – quintas 2x mês 8 as 15h (18pts)

Novo Hamburgo – Centro Clínico – quartas 17 as 21h (16 pts)

São Leopoldo – Centro Médico – quintas 16 as 20h (16 pts)

Gravataí – Hospiplan – quartas das 8 as 15h (20 pts)

Taquara – Clínica Dr. Sadi Müller a iniciar semanalmente a partir de março

Cachoeirinha – Centro Integrado Fernando Möller a iniciar, semanalmente em março

Porto Alegre – Centro Geriátrico Vitalis – 4 horas semanais, consultoria em endocrinologia para 10 moradores idosos

Porto Alegre – consultório, em horários variados (nas brechas de horário disponíveis)

…mas não houve conversa. O digníssimo Coronel Silva, Comandante da Terceira Região Militar, à qual “pertenço” disse que eu era peça rara, como especialista e eles não podiam me dispensar de forma alguma.

A esta altura, temos algumas pessoas tentando ajudar de tudo quanto é jeito, mas a situação está difícil e não sei se vai ser possível qualquer retorno ou mudança.

Assim, tentarei manter a postagem deste blógue dentro das possibilidades que me forem ofertadas. Os primeiros 45 dias, chamados de fase de adaptação, serão como aspirante e provavelmente terei de permanecer na Unidade a que fui designado pelo menos algumas noites da semana. Quando em “liberdade”, atualizarei este blógue, tentando manter uma seção chamada “Notícias do Front” para que não percam contato com esta maravilhosa aventura que só o Exército brasileiro pode me proporcionar.

PS : se demorar mais de uma semana para postar, certamente é porque estarei preso por insubmissão, desacato ou por algum motivo qualquer… Sabe como é, não dá pra brincar com estas figuras…

PS2: desejem-me sorte… Muuuuuuuita sorte!

PS3: Ah! Tem mais uma coisa: não vou entra nessa de ficar escrevendo fotos da Antonela nua na Playboy, fotos da Sandy nua, nem tampouco usarei os nomes de Anna Kournikova, Claudia Schiffer, Mônica Bellucci, Gisele Bündchen, Naomi Campbell ou outras mulheres bonitas… Também não ousarei utilizar nomes de atrizes e atores como Nicole Kidmann, Tom Cruise, Anthony Hopkins, Harrison Ford, Sean Penn, Demi Moore, Jack Nicholson, Robin Williams, Arnold Schwarzeneger ou políticos como o anterior, George W. Bush, Luis Inácio Lula da Silva, José Genoíno, Pedro Simon, José Sarney e muito menos de pensadores como Aristóteles, Platão, Sócrates, Kant, Montesquieu, Locke, Hobbes, Rousseau, Morin, Foulcault, Deleuze, Bakunin, Malinowski, Trotski, Malatesta, Kropotkin, Feyerabend, Tampouco citarei aqui escritores como Luis Fernando Veríssimo, Jostein Gaarder, Moacyr Scliar, Martha Medeiros, Domenico de Masi, Glauco Mattoso, Frank Jorge, Sidney Sheldom, Danielle Still ou usar qualquer palavra que contenha anfetaminas como femproporex, dietilpropiona, anfepramona, dualid, inibex, ou outras medicações para obesidade como mazindol, sibutramina e seus nomes comerciais sibutramina e plenty, e outros ansiolíticos ou antidepressivos como fluoxetina, buspirona, bupropiona… Imagina se eu escrevesse aqui maconha, cocaína, heroína, crack, loló, cigarro, charuto, ecstasy e o escambau que tipo de pessoas não iriam aparecer por aqui! Então, é melhor começar a selecionar meus escritos para evitar que pessoas afins a determinados grupos de interesse caiam por aqui! Seria interessante conecer pessoas que gostassem de rock e psicodelia, que escutassem Led Zeppelin, Pink Floyd, Carpenters, Black Sabbath, Iron Maiden, Beatles, Deep Purple, Earth Wind and Fire, Yes, AC DC, Kiss, Ramones e Mutantes. Aí sim isto daqui ia ficar legal… (idéia copiada pelo menos de três locais: DaniCast, Alexandre Soares Silva e Liberal Libertário Libertino – línques acima)

PS4: olhando para essa lista acima, meus resquícios perfeccionistas da infância gelam… Detesto citar listas nonsense que sejam para mim incompletas ou esteticamente feias como a acima… Mas o momento de vida justifica o pôust… Até… …breve, se tudo correr bem…

PRÓXIMOS PÔUSTS: “Da série: Diálogos com Deus – Deus e Maria no almoço”, “Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves (parte II de III)”, “Sistema de cotas nas universidades brasileiras: solução ou vergonha?”, “Notícias do Front”

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Posted By on fev 19, 2004

Da série: Diálogos com Deus – Deus e o ateu

– Quem é você?

– Sou seu pai, e pai de todos aqui nesta Terra?

– Adão? George Bush?

– Não meu, filho, sou Deus…

– Que deus o caramba! Não acredito nestas baboseiras!

– Não precisar acreditar. Não preciso da tua crença para existir, assim como um elefante voador cor-de-rosa não precisa que tu acredites na existência dele para existir…

– Mas… Espera aí? São possíveis elefantes voadores cor-de-rosa?

– Vou te responder da seguinte forma: para saber se algo existe ou existiu de verdade, tens que ter estado aqui desde o começo dos tempos e ao mesmo tempo em todos os lugares, pada poder presenciar tudo que existe. Do contrário nunca saberás se elefantes voadores cor-de-rosa são possíveis.

– Sim, mas isto é impossível!

– Não é não! Lembre-se que só Deus é onipotente, onipresente e onisciente. Mas, como não acreditas em mim, não te dou a resposta do elefante! Tchau!

Resenha do livro Memórias de um anarquista japonês, de Osugi Sakae

A história (real) de Osugi Sakae (com uma sublinha acima do O) se passa no fim do século XIX e adentra o século XX. É um retrato do início do movimento socialista e anarquista no Japão. Sakae Osugi, como o chamaríamos no Brasil, descreve em 7 capítulos desde suas primeiras lembranças, sua infância, sua juventude como filho de militar, sua vida na Escola de Cadetes e após sua expulsão da mesma, recorda a vida e a morte de sua mãe e finaliza sua autobiografia com relatos de sua vida na prisão, descrevendo as várias passagens pelo sistema penitenciário japonês.

Continue lendo.

O livro, escrito como um “diário de lembranças”, como toda autobiografia, consegue ser bastante rico em detalhes em trechos interessantes para Sakae como por exemplo nos instantes de baderna e brigas de gangues de sua juventude; quando lembra de sua gagueira e como ela piorava com a ansiedade; das duas brincadeiras amorosas infantis e de suas “experiências sexuais individuais”(esconde entretanto detalhes e apenas insinua ter tido algumas experiências homossexuais); suas numerosas mudanças de residência em função do trablho do pai e de residências queimadas (várias!); sua desilusão com todo e qualquer tipo de aprendizado imputado, exceto o de línguas; sua facilidade para os esportes; sua indignação e as injustiças do sistema hierárquico militar; sua prazerosa paixão pela liberdade; seu adquirido gosto pela poesia e pelas leituras anarquistas; seu otimismo socialista; sua vida na prisão.

Continue lendo.

Do ponto de vista de estética de linguagem, o livro é como esta resenha: bastante pobre, mas quando avaliamos seu valor como documento histórico e colocamos ao lado de nossa ignorância ocidental a respeito dos movimentos revolucionários japoneses, adicionamos um pouquinho de gosto de história, temos um prato cheio para degustar.

Continue lendo.

É curioso perceber que, justamente na prisão, Osugi se torna um anarquista e isso acontece justamente porque é lá que ele tem mais tempo para estudar e para se definir politicamente.

Continue lendo.

Alguns dos trechos mais interessantes encontramos no posfácio da obra (não estou de gozação!), onde é transcrito um diálogo entre Sakae e Goto Shimpei (ministro do interior do Japão), quando Osugi invadiu um jantar na casa desse exigindo dinheiro para uma nova revista anarquista já que o governo censurava e apreendia cada uma das revistas que ele criava. Veja só o diálogo:

Continue lendo.

“Goto: Mas eu ouvi que o senhor tem uma boa cabeça e braços fortes. Por que então está em dificuldades?

Osugi: Porque o governo obstrui nossos negócios.

Goto: W por que o senhor vem pedir dinheiro para mim em particular?

Osugi:

Já que o governo está nos atrapalhando, eu acho que é lógico que eu venha pedir dinheiro ao governo. Acho que o senhor irá entender este meu pedido.

Goto: Ah, sim… Quanto você quer?”

Continue lendo.

Concluindo: Sakae ganhou 300 ienes com os quais lançou uma nova revista, pagou uma dívida com uma das amantes, deu dinheiro para a esposa e para a outra amante e ainda lhe sobraram 20 ienes para uma viagem de férias!

Continue lendo.

O mais interessante é que, depois de ler 170 páginas escritas por Osugi Sakae, passar pelas primeiras 56 com uma certa impressão de “putz, botei dinheiro fora” e acabar gostando do livro, do que mais gostei foi mesmo do posfácio, escrito por Rogério de Campos, que resume a vida de Osugi após 1910 até 1923, ano de seu assassinato pela Polícia Militar Japonesa.

Continue lendo.

É lá que o contexto histórico é resumido e colocado em um painel onde sentimos a importância de Osugi Sakae para a sociedade japonesa da época: na sua rebeldia inclusive nas assembléias e reuniões da esquerda, onde ficava incomodando os palestrantes; em sua defesa do feminismo e do amor livre, que chocou a opinião pública e de intelectuais japoneses.

Continue lendo.

Vemos as conseqüências do grande terremoto de 1923, que destruiu Tóquio e Yokohama, danificando 73% de todas as casas e destruindo completamente 63% delas. Avaliamos que, em decorrência do caos instalado, surgiu a oportunidade ideal para atacar líderes sindicais, comunistas, socialistas e anarquistas, ocasião em que Osugi, Ito, sua amante e um sobrinho foram assassinados pela Polícia Militar.

Continue lendo.

Após este episódio, a repressão foi acentuada e tornada cada vez mais brutal, e acabou evoluindo para uma marcha acelerada rumo à total militarização da sociedade japonesa que culminou na Segunda Guerra Mundial.

Continue lendo.

Osugi influenciou as revoltas estudantis dos anos 60 (no Japão!), onde novamente as idéias de combater a repressão política, econômica e sexual e de lutar contra toda forma de hierarquia estava de volta, trazendo a lembrança do “Anarquista Erótico” – como ficou conhecido.

Continue lendo.

Para finalizar (Continue lendo.), um de seus textos, de fevereiro de 1918, chamado “Quanto a mim, prefiro o espírito“:

“Eu gosto do espírito. Seja como for, geralmente detesto quando o espírito é transformado em teoria. Detesto porque nessa passagem para a teoria, ele freqüentemente se torna servil, um colaborador em harmonia com a realidade social presente. Porque isso é uma fraude. Eu odeio o que os cientistas políticos e filósofos chamam democracia e humanismo. Fico doente só de ouvi-los. Eu odeio o socialismo também. E pela mesma razão, eu odeio um pouco o anarquismo. O que eu mais gosto é a ação cega da humanidade: a explosão de espírito.”

Quem chegou até aqui e leu o texto inteiro, parabéns! Pode colocar o dedo aqui e dá um alô ali nos comentários!

PS: Os “Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves” fico devendo para o próximo pôust, já que a notícia de que, apesar de ter sido liberado pela Aeronáutica, fui convocado ontem para servir no Exército, em Santa Maria, uma cidade a 320 km de Porto Alegre. Ainda nem sei o que vai ser do Simplicíssimo e do Escrever Por Escrever… Talvez me rebele, torne-me um insubmisso, vá preso e escrevo minhas “Memórias do Cárcere” e, ao sair, um ano após publique um livro contando minha história e ganhe milhões… Hmmm… Até que não é uma má idéia…

Outra: em função das mudanças no Blogger.br, acabei transportando todo o Escrever Por Escrever para este endereço aqui, que é o espelho do site sem as fotos… Assim que tiver um tempo dou uma guaribada por lá e arrumo a casa!

Próximos pôusts: “Da série: Diálogos com Deus – Maria vai a feira”, “Sistema de cotas nas universidades brasileiras: solução ou vergonha?” e “Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves”

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Posted By on fev 18, 2004

Da série: Diálogos com Deus – Deus e o ateu

– Quem é você?

– Sou seu pai, e pai de todos aqui nesta Terra?

– Adão? George Bush?

– Não meu, filho, sou Deus?

– Que deus o caramba! Não acredito nestas baboseiras!

– Não precisar acreditar. Não preciso da tua crença para existir, assim como um elefante voador cor-de-rosa não precisa que tu acredites na existência dele para existir…

– Mas… Espera aí? São possíveis elefantes voadores cor-de-rosa?

– Vou te responder da seguinte forma: para saber se algo existe ou existiu de verdade, tens que ter estado aqui desde o começo dos tempos e ao mesmo tempo em todos os lugares, pada poder presenciar tudo que existe. Do contrário nunca saberás se elefantes voadores cor-de-rosa são possíveis.

– Sim, mas isto é impossível!

– Não é não! Lembre-se que só Deus é onipotente, onipresente e onisciente. Mas, como não acreditas em mim, não te dou a resposta do elefante! Tchau!

Resenha do livro Memórias de um anarquista japonês, de Osugi Sakae

A história (real) de Osugi Sakae (com uma sublinha acima do O) se passa no fim do século XIX e adentra o século XX. É um retrato do início do movimento socialista e anarquista no Japão. Sakae Osugi, como o chamaríamos no Brasil, descreve em 7 capítulos desde suas primeiras lembranças, sua infância, sua juventude como filho de militar, sua vida na Escola de Cadetes e após sua expulsão da mesma, recorda a vida e a morte de sua mãe e finaliza sua autobiografia com relatos de sua vida na prisão, descrevendo as várias passagens pelo sistema penitenciário japonês.

Continue lendo.

O livro, escrito como um “diário de lembranças”, como toda autobiografia, consegue ser bastante rico em detalhes em trechos interessantes para Sakae como por exemplo nos instantes de baderna e brigas de gangues de sua juventude; quando lembra de sua gagueira e como ela piorava com a ansiedade; das duas brincadeiras amorosas infantis e de suas “experiências sexuais individuais”(esconde entretanto detalhes e apenas insinua ter tido algumas experiências homossexuais); suas numerosas mudanças de residência em função do trablho do pai e de residências queimadas (várias!); sua desilusão com todo e qualquer tipo de aprendizado imputado, exceto o de línguas; sua facilidade para os esportes; sua indignação e as injustiças do sistema hierárquico militar; sua prazerosa paixão pela liberdade; seu adquirido gosto pela poesia e pelas leituras anarquistas; seu otimismo socialista; sua vida na prisão.

Continue lendo.

Do ponto de vista de estética de linguagem, o livro é como esta resenha: bastante pobre, mas quando avaliamos seu valor como documento histórico e colocamos ao lado de nossa ignorância ocidental a respeito dos movimentos revolucionários japoneses, adicionamos um pouquinho de gosto de história, temos um prato cheio para degustar.

Continue lendo.

É curioso perceber que, justamente na prisão, Osugi se torna um anarquista e isso acontece justamente porque é lá que ele tem mais tempo para estudar e para se definir politicamente.

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Alguns dos trechos mais interessantes encontramos no posfácio da obra (não estou de gozação!), onde é transcrito um diálogo entre Sakae e Goto Shimpei (ministro do interior do Japão), quando Osugi invadiu um jantar na casa desse exigindo dinheiro para uma nova revista anarquista já que o governo censurava e apreendia cada uma das revistas que ele criava. Veja só o diálogo:

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“Goto: Mas eu ouvi que o senhor tem uma boa cabeça e braços fortes. Por que então está em dificuldades?

Osugi: Porque o governo obstrui nossos negócios.

Goto: W por que o senhor vem pedir dinheiro para mim em particular?

Osugi:

Já que o governo está nos atrapalhando, eu acho que é lógico que eu venha pedir dinheiro ao governo. Acho que o senhor irá entender este meu pedido.

Goto: Ah, sim… Quanto você quer?”

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Concluindo: Sakae ganhou 300 ienes com os quais lançou uma nova revista, pagou uma dívida com uma das amantes, deu dinheiro para a esposa e para a outra amante e ainda lhe sobraram 20 ienes para uma viagem de férias!

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O mais interessante é que, depois de ler 170 páginas escritas por Osugi Sakae, passar pelas primeiras 56 com uma certa impressão de “putz, botei dinheiro fora” e acabar gostando do livro, do que mais gostei foi mesmo do posfácio, escrito por Rogério de Campos, que resume a vida de Osugi após 1910 até 1923, ano de seu assassinato pela Polícia Militar Japonesa.

Continue lendo.

É lá que o contexto histórico é resumido e colocado em um painel onde sentimos a importância de Osugi Sakae para a sociedade japonesa da época: na sua rebeldia inclusive nas assembléias e reuniões da esquerda, onde ficava incomodando os palestrantes; em sua defesa do feminismo e do amor livre, que chocou a opinião pública e de intelectuais japoneses.

Continue lendo.

Vemos as conseqüências do grande terremoto de 1923, que destruiu Tóquio e Yokohama, danificando 73% de todas as casas e destruindo completamente 63% delas. Avaliamos que, em decorrência do caos instalado, surgiu a oportunidade ideal para atacar líderes sindicais, comunistas, socialistas e anarquistas, ocasião em que Osugi, Ito, sua amante e um sobrinho foram assassinados pela Polícia Militar.

Continue lendo.

Após este episódio, a repressão foi acentuada e tornada cada vez mais brutal, e acabou evoluindo para uma marcha acelerada rumo à total militarização da sociedade japonesa que culminou na Segunda Guerra Mundial.

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Osugi influenciou as revoltas estudantis dos anos 60 (no Japão!), onde novamente as idéias de combater a repressão política, econômica e sexual e de lutar contra toda forma de hierarquia estava de volta, trazendo a lembrança do “Anarquista Erótico” – como ficou conhecido.

Continue lendo.

Para finalizar (Continue lendo.), um de seus textos, de fevereiro de 1918, chamado “Quanto a mim, prefiro o espírito“:

“Eu gosto do espírito. Seja como for, geralmente detesto quando o espírito é transformado em teoria. Detesto porque nessa passagem para a teoria, ele freqüentemente se torna servil, um colaborador em harmonia com a realidade social presente. Porque isso é uma fraude. Eu odeio o que os cientistas políticos e filósofos chamam democracia e humanismo. Fico doente só de ouvi-los. Eu odeio o socialismo também. E pela mesma razão, eu odeio um pouco o anarquismo. O que eu mais gosto é a ação cega da humanidade: a explosão de espírito.”

Quem chegou até aqui e leu o texto inteiro, parabéns! Pode colocar o dedo aqui e dá um alô ali nos comentários!

PS: Os “Excertos e comentários do livro Transparências da eternidade, de Rubem Alves” fico devendo para o próximo pôust, já que a notícia de que, apesar de ter sido liberado pela Aeronáutica, fui convocado ontem para servir no Exército, em Santa Maria, uma cidade a 320 km de Porto Alegre. Ainda nem sei o que vai ser do Simplicíssimo e do Escrever Por Escrever… Talvez me rebele, torne-me um insubmisso, vá preso e escrevo minhas “Memórias do Cárcere” e, ao sair, um ano após publique um livro contando minha história e ganhe milhões… Hmmm… Até que não é uma má idéia…

Outra: em função das mudanças no Blogger.br, acabei transportando todo o Escrever Por Escrever para este endereço aqui, que é o espelho do site sem as fotos… Assim que tiver um tempo dou uma guaribada por lá e arrumo a casa!

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