Posts made in fevereiro, 2009


Barão de Itararé nem sempre acerta. O saudoso Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, quando proferiu a brilhante constatação “De onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada”, não conhecia o garçom que sempre nos atende em um restaurante de massas aqui em Araranguá, o Namastê.

Hoje, como de costume, chegamos ao restaurante, nos servimos junto ao chef que seleciona os temperos que são colocados na massa e sentamos em um local qualquer. A diferença é que eu tinha acabado de receber pelo correio o DVD Crossroads Eric Clapton Guitar Festival 2007 que comprei na Tower e logo ao sentar comecei a olhar minha nova aquisição.

Na televisão, tocava um DVD do Daniel, aquele cantor breganejo e lá vem nosso garçom nos perguntar o que queremos para beber. Depois de confirmarmos nossa água e dois copos com limão e gelo, o garçom desfere um “você gosta dessa música”?

Minha esposa, concentrada na massa, imaginou que ele estivesse se referindo ao Daniel, mas eu respondi que sim, referindo-me ao DVD recém-chegado.

Ao que prontamente nosso amigo responde: “Eu prefiro Pink Floyd”(!).

Surpresa! Sabe aquele garçom que você olha e imagina com a família no Domingo, fazendo seu galetinho enquanto a esposa prepara a maionese e os filhos estão correndo um atrás do outro, zoando pela casa? Aquela pessoa que você olha e não consegue imaginar ao menos que tenha ouvido falar de Pink Floyd ou talvez até seja um ser “amusical”?

Pois é. Essa figura tem tudo do Pink Floyd que saiu no Brasil. Cassetes, bolachões, CDs, DVDs, até o ingresso do show do Roger Waters no Estádio Olímpico em Porto Alegre, de alguns anos atrás…

E aí amigo Torelly, achei uma exceção para sua genial tirada. Uma coisa sei: de hoje em diante, cada vez que olhar para o nosso garçom, vou olhar para ele com ainda mais respeito. Respeito que se compartilha com alguém que torce pelo mesmo time, gosta dos mesmos livros e, é claro, gosta das mesmas canções…

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18 dias de pedalada…

18 dias de pedalada…


Posted By on fev 19, 2009

Ontem resolvi dar uma olhadinha no pequeno computador que vai acompanhando minhas pedaladas na bicicleta. Registrou ele:

Tempo total de pedalada: 4 horas, 30 minutos e 54 segundos

Distância total percorrida: 69,02km

Velocidade máxima atingida: 44,2km/h

Velocidade média do trajeto: 15,5km/h

Tenho pedalado em média 3 dias por semana, geralmente indo e voltando do trabalho (cerca de 5,4km) e num dia só acabei fazendo 22km, sendo que 14 deles com o amigo Rafael de Conti. Dividindo por dias totais, acabei fazendo uma média de 3,83km pedalados por dia. Minha meta, a médio prazo, é esticar esta média e chegar a pelo menos 10km pedalados/dia. Terei então chegado a um bom nível de atividade aeróbica suficiente para estimular meu coração, pulmões, músculos e sistema cardiovascular a manterem-se ativos e saudáveis.

Vamos atrás da meta, então…

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Já que as televisões gostam tanto de mostrar violência – desde acidentes de trânsito até a crimes violentos provocados por “bandidos” e “seres anti-sociais” de todo o tipo, porque será que em nosso país a televisão se imiscui de mostrar a violência gerada pelo próprio Estado aqui mesmo ou em outras partes do mundo?

Será que temem que isto poderia levar à insurreição social? Poderia estimular um ímpeto humano que levaria à mudança do status quo? Adivinhe se não…

Abaixo um vídeo que mostra a retirada à força de cidadãos cambojanos de suas residências (provavelmente ocupações “ilegais”) do centro de Dey Krahorm, em 24 de janeiro de 2009. À parte (não a todos) cerca de 144 proprietários que foram expulsos de seus mais do que humildes lares, foram prometidos alojamentos fora da cidade de Phnom Pehm. A Liga Cambojana para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos solicita que, além do alojamento, também lhes seja paga compensação financeira, já que os mesmos serão deslocados para área bastante periférica da cidade, o que lhes aumenta significativamente o custo de vida.

Assistindo ao vídeo, logo vemos porque não são mais tolerados os humildes residentes naquele local, já que as suntuosas construções que lhe cercam não mais permitem uma vizinhança ralé naquele espaço.

http://blip.tv/play/Aei8Yo3wBg

E assim é o mundo, continua às avessas…

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– Vocês são mesmo intelectuais? – perguntou-lhes Will quando os dois saíram dos chuveiros e estavam se enxugando.

– Fazemos trabalho intelectual! – respondeu Vijaya.
– Então, qual é a razão para toda essa horrível trabalheira?
– A razão é muito simples: durante esta manhã, tive algum tempo disponível.
– E eu também – disse o dr. Robert.
– Então foram para os campos e agiram à Tolstoi!
– Vijaya sorriu e disse:
– Parece imaginar que o fazemos movidos por razões éticas!
– E não é?
– Certamente que não. Faço trabalho braçal simplesmente porque tenho músculos e, se não os usar, me transformarei num sedentário mal-humorado.
– Sem nada entre o córtex e as nádegas. Ou melhor, com tudo, porém em condições de inconsciência completa e de estagnação tóxica – disse o dr. Robert. – Os intelectuais do Ocidente são tolos viciados em cadeiras e por esse motivo a grande maioria de vocês é repulsivamente corrupta. No passado, mesmo os duques, os agiotas ou os metafísicos tinham que dar grandes caminhadas. Quando não iam a pé, estavam sacudindo no lombo dos cavalos. Enquanto hoje, do magnata à sua secretária, do positivista lógico ao pensador positivo, nove décimos do seu tempo são gastos sobre espuma de borracha. Almofadas de espuma para traseiros de espuma – em casa, no escritório, nos carros, nos bares, nos aviões, nos trens, nos ônibus.

Neste trecho, extraído de “A Ilha“, de Aldous Huxley, o visitante Will se surpreende com o fato de que os “intelectuais” Vijaya e Dr. Robert estejam no campo ajudando na polinização e poda das culturas.

A justificativa, ainda mais simples do que uma preocupação ética pelo outro, é uma preocupação com o próprio bem-estar.

Independentemente dos motivos que nos levam a levantar a bunda do sofá ou da cadeira que nos prende à televisão, ao computador e ao conforto de nossos lares e escritórios, a epidemia de imobilidade nos dias de hoje é impressionante. Lido com pessoas que precisam emagrecer – por questões de saúde, obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol ou mesmo questões estéticas e, analisando a história passada das mesmas, percebe-se que a necessidade de buscar redução do peso hoje advém, em grande parte, de uma negligência no que diz respeito a um mínimo de atividade física necessária para manter sua massa magra e tecido gorduroso nos níveis indicados.

Não prego aqui um culto “acima de todas as coisas” à saúde ou à estética. Longe de mim, principalmente no segundo caso. Entretanto, percebo que muitos dos problemas modernos – inclusive a alta incidência de depressão e ansiedade – residem em parte neste recolhimento dos músculos e ossos a um conforto acima do necessário.

O trecho acima me fez estudar um pouco sobre a vida de Tolstói, e em alguns dias pretendo publicar aqui um pouco sobre a biografia de velho escritor russo, com a qual me identifiquei sobremaneira.

Enquanto isso, que tal calçar teus tênis e sair para uma caminhada neste lindo dia de sol?

Caminhando no Sol

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Into the Wild Na Natureza SelvagemAssisti agora há pouco Na Natureza Selvagem, um filme inspirado no livro homônimo, escrito por Jon Krakauer, sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que aos 22 anos largou sua estável vida de bom aluno e classe média-alta em busca de liberdade e aventura.

Rebatizando-se Alexander Supertramp (superandarilho), rumou com destino ao longínquo e pouco habitado Alasca, para se embrenhar na mais inóspita Natureza. No caminho, cruzou com as vidas de muitas pessoas que lhe davam carona, casa ou um emprego temporário.

Uma bela fotografia, interessante trilha sonora composta por Eddie Vedder (ele mesmo, do Pearl Jam) e, principalmente, uma facada no coração deste mundo inóspito em que, na verdade, nós vivemos. Um mundo em que muitos vivem se relacionando cada vez mais com coisas e menos com pessoas e com a própria Natureza.

Uma grande mensagem do filme é a que transcrevo abaixo, e deve nos fazer refletir sobre seus vários significados:

“A felicidade só é real se compartilhada.”

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