Posts made in abril, 2009


Na Primeira Onda, ou sociedades agrárias, a principal forma de capital era a terra. Se eu cultivasse a minha terra, você não podia cultivar a sua plantação na mesma terra ao mesmo tempo. Era ou você ou eu, nunca ambos. O mesmo era – e ainda é – verdade para o capital nas economias industriais da Segunda Onda. Você e eu não podemos usar a mesma linha de montagem ao mesmo tempo. Tudo isso se inverte nas economias da Terceira Onda, nas quais o conhecimento é a principal forma de capital. Você e eu podemos usar o mesmo conhecimento ao mesmo tempo e, se o usarmos com criatividade, podemos até mesmo gerar mais conhecimento.

O texto acima, retirado do site da amiga Clara Alvarez, é um excerto da obra do futurista Alvin Toffler. Recomendo a leitura de A Terceira Onda, livro do autor, como um exercício de raciocínio futurista. Vários insights são garantidos, mesmo que não concordemos com todas suas asserções e apostas.

Read More

O texto a seguir foi traduzido do original de Sasha Dichter, Diretor de Desenvolvimento de Negócios do Acumen Fund, um fundo global sem fins lucrativos que investe em empreitadas para combater a pobreza nos países em desenvolvimento:

Sempre tive para mim como “dignas” as campanhas beneficentes “amarradas” (“uma parte desta compra irá para a caridade”) mas pensava que seria um comentário tão óbvio que o deixava passar.  Até hoje.  Me deparei com uma gigantesca campanha de 6 páginas da Bulgari na revista Vanity Fair. Passeei pelas seis bonitas fotos em preto-e-branco com estrelas de cinema que eu admiro, começando com Isabela Rosselini, e citações como “Vamos dar um futuro melhor às nossas crianças” e “Toda criança merece educação”. OK, você ganhou minha atenção.
Na sexta página há um pesado anel de prata estilo Senhor dos Anéis usado pelas estrelas do cinema. Compre um “anel de prata Bulgari criado especialmente para a campanha para ajudar a educação de crianças… Uma parte dos lucros irá ajudar a reescrever o futuro de milhões de crianças” com o dinheiro sendo dado à ONG Save the Children.

Bulgari William Da Foe Ben Stiller Save The Children

Uma campanha “amarrada” similar que o NY Times relatou no ano passado, foi a campanha da Product(Red) que gastou 100 milhões de dólares em publicidade para arrecadar 18 milhões para o Fundo Global de Combate à SIDA, Malária e Tuberculose.
Obviamente eu não tenho problemas com grandes companhias doando para a caridade, nem acho que a Save The Children deve ser questionada, já que fazem um trabalho maravilhoso e é absolutamente válido lhes dar suporte. E palmas para os artistas de cinema por darem suporte a uma causa válida.

É a parte onde se diz “parte dos lucros” que me pega. Bulgari está aparentemente doando 1 milhão de euros e arrecandando 9 milhões de euros com esta campanha, e 50 euros do custo de 290 euros do anel irá para o Save the Children. Isto advindo de uma companhia com vendas de mais de 1 bilhão de euros em 2008.

Sim, é muito melhor do que nada. Mas é muito menos do que poderíamos fazer. É uma mentalidade do “não-sacrifício”. Claro, é bom para o Save the Children, pela ajuda na percepção da importância da educação, e é bom para a Bulgari. Mas quando eu olho para todos os recursos que foram utilizados neste anúncio da Vanity Fair, eu tenho a certeza de que a Save the Children está ficando com as migalhas deixadas em cima da mesa.

Para iniciantes, até onde eu sei, o anúncio de 6 páginas da Vanity Fair custa cerca de 85 mil dólares por página, ou um total de 510 mil dólares (este é minha primeira vez lendo um cartão de preços… alguém corrija-me se eu estiver errado). Assim, incomoda-me o fato da doação se constituir de migalhas de uma torta muito maior.

Além disso existe algo que não cheira bem acerca dos compradores da Bulgari, que por definição são ultra-ricos, usando um anel de 300 euros para dizer “Eu estou fazendo algo para melhorar a educação de crianças pobres nos países em desenvolvimento”, e o valor total de sua doação para o Save the Children é de 50 euros!

Finalmente, existe uma questão central aqui: Me deixa enjoado imaginar um efeito angelical para uma marca ultra-premium como Bulgari às expensas de pobres crianças nos países em desenvolvimento.

Eu gostaria de ver um painel completamente diferente, e charity:water nos dá o exemplo. Eles permitem que você compre um recipiente de água de 20 dólares, com 100% do valor sendo doado à caridade. Pague 10 vezes mais, porque todos podemos fazer mais e dar mais, e todo o dinheiro irá para a caridade. Doar é importante, não é um passe livre ou um erro de arredondamento em sua última compra.

Se 10x o preço está situado em um patamar muito alto, pelo menos peça às campanhas “amarradas” que doem o valor total do produto à caridade. Este deveria ser o mínimo. É 100% transparente, é mais honesto, e força a multinacional a colocar sua pele no jogo. Ademais, imagine o que acontece dentro da companhia quando eles promovem um produto que não lhes dá um tostão de lucro? Eu aposto que eles ganham mais – e não menos – energia, entusiasmo, criatividade e sacrifício. As pessoas lutariam para trabalhar neste projeto.

Alguém aí fora poderia por favor criar um logo/marca/padrão “100% para a caridade” para servir de exemplo aqui?

Read More

Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista.
Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica.
                                                                        (Paul Lafargue em “O direito à preguiça”)

Read More

“A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Cradle to Cradle Berço à Berço

Recebi há alguns dias o livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things (Berço à Berço – Refazendo a Forma que Fazemos as Coisas), de William McDonough & Michael Braungart. Nele, o arquiteto Bill e o químico Michael apresentam uma renovada visão acerca do manejo industrial, reutilização de “lixo” e a implicação de um novo “design” de produtos no futuro de nosso planeta e modo de viver.

O livro começa com uma bela dedicatória:

“A nossas famílias e a todas as crianças de todas as espécies em todos os tempos”, demonstrando de cada a que veio e qual sua sustentação: um respeito a todos os seres vivos de nosso mundo.
Feito em um novo material chamado Durabook, o livro é a prova de água, altamente durável, não é feito de árvores e reciclável. A primeira impressão que tive é: “Bem, então deve ser feito de algum derivado tóxico do petróleo”. A leitura do livro sugere que não.

Dê uma espiadela no Sol.
Olhe a Lua e as estrelas.
Vislumbre a beleza dos verdes da Terra.
Agora, pense.
Hildegard von Bingen

William, ainda estudante de arquitetura, acompanhou um professor ao Vale do Rio Jordão, e presenciou a engenhosidade das tendas feitas pelos beduínos a partir do pêlo de dromedários. Tais tendas eram capazes de fornecer sombra ao mesmo tempo que puxavam o ar quente para cima e para fora, proporcionando frescor ao seu habitante. Quando chovia, suas fibras se encharcavam e ficavam tensas como couro, protegendo da chuva. Eram fáceis de carregar e fáceis de reparar, sendo que o substrato para seu conserto andava juntamente com o bando nômade: os próprios dromedários. Um exemplo perfeito de design localmente relevante, culturalmente rico em contraste flagrante com os utilizados ao nosso redor, geralmente plenos de produtos tóxicos, ou que degradam a natureza ou que demandam altos gastos de energia.
Um dia, cansou-se de produzir prédios e produtos trabalhando pesado para “causar menos males”. Decidiu que era hora de utilizar seu conhecimento para desenhar produtos completamente “positivos”.

Michael, por sua vez, foi diretor do capítulo de química do Greenpeace e posteriormente fundou a EPEA (Agência de Encorajamento à Proteção Ambiental). Apesar de saber tudo sobre os componentes e potenciais efeitos danosos dos plastificadores, PVC, metais pesados e outros produtos utilizados na indústria – como o próprio Cromo utilizado na pigmentação do couro – sua visão analítica (e não sintética) lhe impedia de ter uma visão de abundância, criatividade, prosperidade e mudança do mundo.

Foi a partir do encontro de ambos em 1991 que a efervescência das ideias tomou seu lugar e iniciaram a desenhar em conjunto um mundo em que, ao invés do couro dos sapatos – imerso em crômio não passível de reaproveitamento – se desenvolvesse um produto confortável capaz de ser 100% reaproveitado; em um sistema em que produtos e embalagens possam ser queimados de forma segura sem a necessidade de fornos especiais que certamente liberam resíduos no ar; um mundo em que os carros fossem silenciosos, não gerassem nem poluição ambiental tampouco sonora, e assim por diante.

Este livro é o resultado de mais de uma década de descobertas e criações que agora são utilizadas por várias empresas ao redor do mundo. Uma série de exemplos que mostram do que o gênio humano é capaz quando o esforço é despreendido na direção correta.
Ao final do primeiro capítulo, os autores trazem uma comparação interessante, que traduzo aqui:

“Todas as formigas do planeta, tomadas juntas, tem uma biomassa maior que a dos humanos. Formigas tem sido incrivelmente industriais por milhões de anos. Ainda assim, sua produtividade alimenta plantas, animais e o solo. A indústria humana está em plena agitação há pouco mais de um século e mesmo assim já trouxe o declínio de praticamente todo ecossistema do planeta. A Natureza não tem um problema de design. As pessoas tem.”

Leitura recomendadíssima. Five stars out of five.

Read More

Recebi, na semana que passou, os 3 DVDs do filme Earthlings (Terráqueos), que havia encomendado. Ei, espera lá: 3 DVDs? Explico: acredito que o assunto do filme – a exploração dos animais para uso como mascotes, alimentação, pesquisa médica e cosmética, vestuário e entretenimento precisa ser compreendida pelo maior número de pessoas possíveis. Com certeza, não será distribuindo 3 DVDs que conseguirei fazer isso, mas é um começo.

 

Earthlings - Terráqueos

 

Não espero, com esta atitude, fazer com que as pessoas parem de ter seus animais de estimação – apenas observem a origem dos mesmos e percebam se o mesmo está vindo de um sistema que explora a natureza ou desrespeita a vida animal. Da mesma forma, não consigo (ainda) visualizar um mundo completamente vegano, mas consigo tentar perceber um mundo mais solidário com a vida de outros terráqueos, outros animais, em que o caminho que a carne leva para chegar ao consumidor é levado em conta.

A brutalidade – melhor seria dizer crueza – das cenas apresentadas deixa claro para qualquer pessoa que assisti-lo do que nós, humanos, somos capazes. A percepção de que o que fazemos com os animais se reproduz em nossas vidas nos outros campos – familiar, social, profissional – dá relevância ainda maior ao filme-documentário narrado por Joaquin Phoenix.

Câmeras escondidas mostram em detalhes o que acontece “nos fundos” de pet stores, criadouros de animais, comércio de peles e couro, indústrias do esporte e entretenimento, fazendas pecuaristas e abatedouros. Todas as práticas que acontecem diariamente nestes estabelecimentos são esmiuçadas e mostradas à luz do sol para quem se interessa em entender a relação entre o Homem, a Natureza, os Animais e os interesses econômicos.

Dos 3 filmes, dois deles estarão circulando entre pessoas que tem interesse em assisti-lo e divulgá-lo em sua localidade. Se você faz parte e quer receber o filme em sua casa, gratuitamente, comunique acerca do seu desejo na Comunidade da Coolmeia no Ning, informando e-mail para contato. Estarei pegando então seus dados de endereço para envio do DVD. Sua única responsabilidade será não deixar a corrente terminar e encaminhar, às suas custas, o DVD para uma outra pessoa após assisti-lo.

Se você tem um blog ou é jornalista, divulgue esta iniciativa.

Read More
%d blogueiros gostam disto: