Posts Patrocinados e Imparcialidade: Possibilidade ou Ilusão

Posted By Rafael Reinehr on nov 11, 2007 | 2 comments


Nossa Opinião     Imagine um programa de televisão que apresenta os últimos lançamentos da indústria automobilística nacional e internacional.Imagine que este programa possui um apresentador que, além do salário da emissora para o qual trabalha, recebe também uma comissão da montadora do novo carro que está sendo lançado para divulgar seu produto com destaque em seu programa. Imagine uma reportagem feita por este apresentador acerca do novo carro da montadora em questão, após um test-drive cuidadoso do veículo.
    Qual é a maior probabilidade, das alternativas abaixo:

1. O apresentador irá ser completamente imparcial e irá, além dos pontos positivos, enumerar e ressaltar TODOS os aspectos negativos do carro testado

2. O apresentador irá enaltecer fortemente os pontos positivos do veículo e tratará de apresentar um ou outro ponto negativo, mas de forma com que estes não pareçam ser tão negativos

3. O apresentador, no caso de ser um carro muito ruim, deixará isso claro para os telespectadores, mesmo desagradando o cliente que está patrocinando aquela seção de seu programa.

    Tais situações configuram o que podemos chamar de "conflito de interesses", já que o interesse primário (informar adequadamente ao telespectador acerca do real desempenho do automóvel) é influenciado por um interesse secundário ( o ganho financeiro advindo do patrocínio da montadora do veículo).

    Como resolver este dilema ético? Existe forma de testar a idoneidade e a fibra de um articulista, de um resenhista, de um crítico? É possível que um leitor, ouvinte ou espectador consiga indefectivelmente confiar no argumento apresentado por um interlocutor que esteja padecendo de conflito de interesses? (leia mais…)

Nossa Opinião    Imagine um programa de televisão que apresenta os últimos lançamentos da indústria automobilística nacional e internacional.Imagine que este programa possui um apresentador que, além do salário da emissora para o qual trabalha, recebe também uma comissão da montadora do novo carro que está sendo lançado para divulgar seu produto com destaque em seu programa. Imagine uma reportagem feita por este apresentador acerca do novo carro da montadora em questão, após um test-drive cuidadoso do veículo.
    Qual é a maior probabilidade, das alternativas abaixo:

1. O apresentador irá ser completamente imparcial e irá, além dos pontos positivos, enumerar e ressaltar TODOS os aspectos negativos do carro testado

2. O apresentador irá enaltecer fortemente os pontos positivos do veículo e tratará de apresentar um ou outro ponto negativo, mas de forma com que estes não pareçam ser tão negativos

3. O apresentador, no caso de ser um carro muito ruim, deixará isso claro para os telespectadores, mesmo desagradando o cliente que está patrocinando aquela seção de seu programa.

    Tais situações configuram o que podemos chamar de "conflito de interesses", já que o interesse primário (informar adequadamente ao telespectador acerca do real desempenho do automóvel) é influenciado por um interesse secundário ( o ganho financeiro advindo do patrocínio da montadora do veículo).

    Como resolver este dilema ético? Existe forma de testar a idoneidade e a fibra de um articulista, de um resenhista, de um crítico? É possível que um leitor, ouvinte ou espectador consiga indefectivelmente confiar no argumento apresentado por um interlocutor que esteja padecendo de conflito de interesses?

    Ouve-se muito falar acerca da moral individual, no sentido de que "posso afirmar a você e a qualquer um que, de forma alguma venderia minha honestidade a uma empresa em troca de uma opinião patrocinada; se forem me pagar, pagarão pela minha opinião sincera".

    Este mesmo discurso retumba no grupo do Nossa Opinião. Muitas vozes se levantam para defender que a imparcialidade deve estar acima de tudo. Questiono qual é o preço desta imparcialidade? Existe um limiar? Seremos todos incorrompíveis?

    Não pretendo responder aqui estas interrogações que deixo, porque posso respondê-las somente por mim. Quero sim, é deixar espaço para discussão e debate. Quero ouvir a opinião de quem tem algo a dizer sobre o assunto.

    Agora é sua vez: posts patrocinados podem ser imparciais ou isto é somente uma ilusão?

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2 Comments

  1. ronaldo
    bando de filhos da puta fica passando trote né

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  2. Posts Patrocinados
    Legal, vocês pensam em posts patrocinados por empresas sérias para terem seus produtos avaliados e comentados por alguém, e ainda pagando o autor por isto.
    Acho que uma empresa séria sempre deve ter como objetivo “conhecer-se a si mesma” e assim reparar suas imperfeições. Seria como uma pessoa com elevado grau de autocrítica: vejo no que sou ruim, analiso o que preciso melhorar e trabalho para isto. Empresas e pessoas que procuram seu aprimoramento pensam deste jeito, conduta que acho sapientíssima.
    Porém, o auto conhecimento empresarial se dá na maioria das vezes por consultorias de gestão pelos moldes que conhecemos. Os consultores pegam informações relevantes do mercado, dos seus clientes, concorrência, informações internas, diagnosticam a situação atual da empresa e lhe propõe um plano de ação. Isto são coisas que tangem somente à empresa. A empresa sábia pegará este diagnóstico, se reposicionará, criará melhor, produzirá mais eficientemente e como consequência será mais bem aceita pelo mercado por oferecê-lo ofertas mais bem ajustadas às suas necessidades e expectativas.
    Se entendi bem, o “post patrocinado” é uma consultoria aberta ao público, é um exame cujo resultado o médico escancara à sociedade.
    Não acho errado, nós como clientes de inúmeras empresas de bens e serviços, escancararmos as chagas de quem nos atende mal, que nos vendem coisas que não prestam ou que não cumprem o prometido durante a efetuação da venda. Totalmente legítimo.
    Só acho que empresas idôneas, que confiam no seu taco prefeririam pagar consultores para ajudar a remediar alguma imperfeição e desejariam contar com uma massa crítica enorme de gente inteligente como vocês como veículos fidedignos para avaliar seus produtos, totalmente livres de segundas intenções, e dar-lhes um feedback.
    A idéia do “nossa opiniao” é boa, mas acho que os leitores, sabendo que os blogueiros estão sendo pagos por publicar suas idéias sobre um produto, ficariam ressabiados em acreditar em muita coisa e até mesmo interagir de forma construtiva, sendo esta interação a alma deste negócio, pois quanto maior a interação de qualidade, melhor o retorno para o patrocinador.
    Eu já partiria para o modelo de “elogiar e meter o pau em quem merece”, sem nenhum vínculo que poderia ser caracterizado pelos leitores como jabá, mesmo que não o seja. Acho que isto, se tratado de maneira espontânea e profissional ao mesmo tempo, por cabeças privilegiadas, poderia gerar interesse em um contingente elevadíssimo de pessoas, o que os faria lucrar com adsenses, banners e afins. Ahh, meteu o pau em alguém do adsense e este ficou bicudo? Pode ir embora, mas se quiser voltar depois a fila é grande…

    blz, tentem, quero ver como vai caminhar esta experiência, já está nos favoritos.

    boa sorte!

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