Category Archives for "Bem-estar"

A tigela
ago 10

A tigela: uma lição sobre a impermanência

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Segue uma anedota famosa concernente ao mestre rinzai Ikkyu, que viveu, aproximadamente, há 03 ou 04 séculos.
Ikkyu era, então, um monge muito jovem que vivia num templo zen, onde vivia também seu irmão. Um belo dia, esse último deixou cair no chão uma tigela da cerimônia do chá, que se quebrou; a tigela era ainda ais preciosa porque fora presente do imperador. O chefe do templo admoestou-o severamente, fazendo chorar o mongezinho.
Ikkyu, todavia, recomendou-lhe que não se preocupasse:
– Tenho sabedoria. Posso encontrar uma solução.
Juntou os pedaços da cerâmica, colocou-os na manga do seu kolomo e foi descansar no jardim do templo, enquanto esperava, pachorrento, o regresso do mestre. Tanto que o avistou, foi ao seu encontro e propôs-lhe um mondo:
– Mestre, os homens nascidos neste mundo morrem ou não morrem?
– Morrem, decerto – respondeu o mestre. – O próprio Buda morreu.
– Compreendo – volveu Ikkyu – , mas no que respeita às outras existências, os minerais ou objetos também estão destinados a morrer?
– É claro! – reponde o mestre – Todas as coisas que têm forma devem morrer necessariamente, quando surge o momento.
– Compreendo – disse Ikkyu. – Em suma, como tudo é perecível, não deveríamos precisar chorar nem lastimar o que já não existe, nem sequer zangar-nos com o destino.
– Está visto que não! Aonde queres chegar? – inquiriu o mestre.
Ikkyu tirou da manga do kolomo os destroços da tigela, que apresentou ao mestre. Este ficou boquiaberto.

(conto retirado de Contos Zen)

E se nos déssemos o tempo para pensar, um pouquinho só, veríamos que nesta grande verdade – a impermanência de todas as coisas – paira o segredo para viver bem o presente. Viver bem o presente não significa tão somente aproveitar tudo no aqui e agora colocando em risco nossa saúde e a própria vida, mas certamente também não significa jogar a felicidade para o futuro. Significa dosar com sabedoria as escolhas do sia-a-dia, levando sempre em conta esta noção – a da impermanência (do trabalho, dos relacionamentos, da vida).

Slow Food Caracol
ago 06

5 Razões Poderosas Para Comer Mais Devagar

By Rafael Reinehr | Hábitos Zen

Um dos problemas de nossas vidas é que muitos de nós correm tanto durante o dia, sem tempo para nada… e quando temos tempo para comer algo, nós simplesmente jogamos a comida para dentro.

Isso leva a uma vida estressante, nada saudável.

Com o simples mas poderoso ato de comer mais devagar, podemos começar a reverter este estilo de vida imediatamente. Quão difícil é. Se você fizer mordidas menores, mastigar cada pedaço mais devagar e por mais tempo, você aproveitará sua refeição por mais tempo.

Levará apenas alguns minutos extras a cada refeição, e mesmo assim pode trazer efeitos profundos.

Slow Food CaracolTalvez você já tenha ouvido falar do Movimento Slow Food, que iniciou na Itália há cerca de duas décadas atrás para conter o movimento fast food. Tudo que o fast food é, o Slow Food não é.

Se você ler o Manifesto Slow Food, você verá que não é somente sobre saúde – é sobre estilo de vida. E se você quer adotar este estilo de vida ou não, existem algumas razões que você deveria considerar para comer devagar:

1. Emagrecer: Um número crescente de estudos confirmam que apenas por comer mais devagar, você consome menos calorias – de fato, o suficiente para perder cerca de 10kg por ano sem fazer nada diferente ou comer nada diferente. A razão é que leva cerca de 20 minutos para o nosso cérebro registrara que estamos satisfeitos. Se comemos rápido, nós continuamos a comeralém do ponto em que estamos satisfeitos. Se comemos lentamente, temos tempo de perceber que estamos satisfeitos e parar no tempo certo. É claro que também se recomenda a ingesta de alimentos saudáveis, mas se entre seus objetivos encontra-se a perda de peso, comer devagar deve fazer parte de seu novo estilo de vida.

2. Aproveite seu alimento. Esta razão é tão poderosa quanto a anterior, em minha opinião. É difícil aproveitar uma refeição se ela for realizada rapidamente. De fato, é até interessante comer alimentos calóricos, se você comer uma pequena quantidade devagar. Pense sobre isso: você quer comer alimentos calóricos (sobremesas, alimentos fritos, pizza, etc.)porque tem um gosto bom. Mas se você comê-los rapidamente, não irá aproveitá-los! Se você comê-los devagar, você terá a mesma quantidade de gosto bom mas com uma quantidade menor indo para o seu estômago. Esta é a matemática que funciona para mim. Faça de suas refeições um prazer gastronômico, não uma coisa que você faz correndo, entre eventos estressantes.

3. Melhor digestão. Se você comer devagar, você poderá mastigar melhor sua comida, o que leva à melhor digestão. A digestão começa na boca, assim quanto mais trabalho for feito lá, menos trabalho você deixará para o estômago. Isso levará a uma menor incidência de problemas digestivos.

4. Menos estresse. Comer devagar e prestar atenção ao hábito de comer pode ser uma ótima forma de exercitar a mente. Viva o momento, ao invés de correr através da refeição pensando o que fazer logo a seguir. Quando você está comendo, você deve comer. Este tipo de exercício mental, eu acredito, levará você a uma vida menos estressante e feliz a longo prazo. Tente.

5. Rebele-se contra o fast food e a “fast life”. Nossa vida de ritmo rápido, estressante e caótica – “Fast Life” – nos leva a ingerir fast food e, ainda por cima, a comê-la rápido. Este é um estilo de vida que nos está desumanizando, tirando nossa saúde, nos tornando estressados e infelizes. Nós atravessamos o dua fazendo uma tarefa automática atrás da outra, sem tomar tempo para viver a vida, aproveitar a vida, tempo de se relacionar (de verdade) um com o outro, de sermos humanos. Rebele-se contra esta filosofia e estilo de vida inteiros… com o pequeno ato de comer mais devagar. Não coma “comidas rápidas”, fast food. Coma em um bom restaurante ou, melhor ainda, cozinhe sua própria comida e aproveite-a inteiramente. Experimente a vida por si próprio.

(traduzido com permissão do autor de Zen Habits, escrito originalmente por Leo Babauta)

Chávena da Chá
ago 03

Chávena de chá

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Chávena da CháUm professor de filosofia foi ter com um mestre zen, Nan-In, e fez-lhe perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas outras coisas. O Mestre ouviu-o em silencio e depois disse.

– Pareces cansado. Escalaste esta alta montanha, vieste de um lugar longíquo. Deixa-me primeiro servir-te uma chávena de chá.

O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou. Quando o Mestre serviu o chá encheu a chávena do seu visitante e continuou a enchê-la. A chávena transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu vistante gritou:

– Pára. Não vês que o pires está cheio?

– É exatamente assim que te encontras. A tua mente está tão cheia de perguntas que mesmo que eu responda não tens nenhum espaço para a resposta. Sai, esvazia a chávena e depois volta.

Mestre zen e a impermanência
jul 20

Veremos… – lição zen acerca da impermanência

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

Mestre zen e a impermanênciaOntem assisti ao filme Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War), acerca da ajuda estadunidense ao Afeganistão para derrotar a URSS durante a Guerra Fria. Um bom filme, que nos faz perceber que a História não é uma só. A História são estratos, perceptíveis de forma distinta de acordo com o diferente posicionamento do sujeito em relação a um determinado fato. Interessa a distância do ocorrido, o fato de estar dentro ou fora do acontecido, a intensidade com que ocorreu e também a quantidade e veracidade das informações que efetivamente chegaram ao sujeito que percebe a História.

Mas, neste filme, quase ao final, uma pequena parábola zen é contada e ela ilustra com magna sapiência um fato corriqueiro, que acontece diariamente e transforma a vida de muitas pessoas em um inferno de ansiedade ou depressão por não estarem a par desta noção tão simples e verdadeira que é a impermanência de todas as coisas. Inclusive dos acontecimentos e da História. Ascensão e queda, aquele que está por cima pode muito bem amanhã estar por baixo.

Leia a conto zen com atenção e verifique por si só. Observação: esta não é uma tradução literal do diálogo do filme, mas tão somente a lembrança que hoje tenho do diálogo ouvido entre Charlie e sua assistente Bonnie:

 

Em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…
Passa se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
– Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos…
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
– Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos…

 

Soja
jul 16

Cereais contra o diabete e a obesidade

By Rafael Reinehr | Curtas da Saúde

 

 

SojaOs cereais são, cada vez mais, aliados potentes na prevenção do diabete melito e da obesidade. Um estudo recente, chamado “Estudo sobre a Saúde das Mulheres de Xangai” detectou uma incidência 40% menor de diabete do tipo 2 em mulheres com mais consumo de soja, feijões, ervilhas e amendoim. Isso acontece pois estes cereais leguminosos são ricos em fibras e possuem baixo índice glicêmico. A soja é campeã entre os cereais, já que suas proteínas colaboram para a redução da resistência à insulina e para a perda de peso.

 

set 27

Cessar de buscar

By Rafael Reinehr | Estudos Sobre Filosofia Oriental

[00:10] giorgia: vamos fazer uma experiencia rapida
[00:10] { [ (Signifer animi ) ] }: mas, sabe, eu tenho uma impaciência e uma pacieência ao mesmo tempo
[00:10] { [ (Signifer animi ) ] }: não sei explicar
[00:11] giorgia: nao precisa me falar, mas imagina ai o momento mais feliz da tua vida
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: ao mesmotempo que quero tudo pra ontem, não me importo se minhas tentativas não dão certo
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: aí que entra o lado paciente
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: agora
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: o momento mais faleiz da minha vida é agora, aqui com você
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: ops
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: falei
[00:11] giorgia: isso ta muito zen!!!!
[00:11] giorgia: mas falando sério
[00:11] { [ (Signifer animi ) ] }: mas é verdade
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: posso LEMBRAR de momentos muito felizes
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: mas estou sendo sincero
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: estou 100 % aqui
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: e AGORA
[00:12] giorgia: então nosso exercicio nao vai funcionar… hehehehe
[00:12] giorgia: porque tu ja ta iluminado!
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: mas vamos tentar fazer sua experiência
[00:12] { [ (Signifer animi ) ] }: haha
[00:12] giorgia: na verdade, foi uma palestra que eu fui com um psiquiatra que eu amei
[00:12] giorgia: aluno do prof. hermongenes
[00:12] giorgia: ate quero fazer um post sobre isso
[00:13] giorgia: o cara pediu pra gente imaginar o momento mais feliz da vida.
[00:13] giorgia: e esse momento normalmente tem a ver com uma CONQUISTA
[00:13] giorgia: então a gente associa felicidade com CONQUISTAS
[00:13] giorgia: mas ele diz que a felicidade está no fato de que, naquele momento, PARAMOS NOSSA BUSCA
[00:13] giorgia: que a felicidade tem a ver com o FIM DA BUSCA
[00:13] giorgia: e não com a conquista
[00:14] { [ (Signifer animi ) ] }: interessante
[00:14] giorgia: mas a gente confunde
[00:14] giorgia: associa com conquista e continua tentando conquistar coisas e mais coisas
[00:14] giorgia: quando o contentantamento é parar de buscar
[00:14] giorgia: estar contente aqui e agora
[00:14] giorgia: isso vem do vedanta
[00:14] { [ (Signifer animi ) ] }: pior que eu concordo com isso
[00:15] { [ (Signifer animi ) ] }: mas assim como minhas pacientes ansiosas que ganham peso porque não conseguem tapar os buracos deixados pelas angústias do dia-a-dia, eu luto bravamente contra minha consciência do que é melhor para mim
[00:15] giorgia: é super interessante, ne?
[00:15] giorgia: é do Vedanta isso
[00:16] { [ (Signifer animi ) ] }: na verdade, eu preciso justamente isso – parar de buscar
[00:16] giorgia: mas isso é ilumnacao…
[00:17] giorgia: por outro lado, a tua inquietacao é salutar… é isso que vai te permitir chegar no ponto de parar de buscar
[00:17] giorgia: quem nao tem inquietacao, nao chega la nunca
[00:17] giorgia: é um morto vivo…
[00:17] giorgia: é muita sorte ter essa tua inquietacao…
[00:17] giorgia: o professor hermogenes diz que é fome de Deus

Mude
set 22

Mude

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

    Para quem acompanha a Internet desde os idos de 1994, como eu, certamente já viu este vídeo. Um sábado chuvoso é uma ótimo oportunidade para revê-lo. Quem vem chegando há um pouquinho menos tempo pode nunca ter ouvido falar do vídeo Mude, feito por Camila Bossolan inspirado no poema homônimo de Edson Marques.

    Inspire-se: Mude

 

Mude

Mude
set 22

Mude

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

    Para quem acompanha a Internet desde os idos de 1994, como eu, certamente já viu este vídeo. Um sábado chuvoso é uma ótimo oportunidade para revê-lo. Quem vem chegando há um pouquinho menos tempo pode nunca ter ouvido falar do vídeo Mude, feito por Camila Bossolan inspirado no poema homônimo de Edson Marques.

    Inspire-se: Mude

 

Mude