Cinema

A Sétima Arte. Uma grande paixão, tanto como espectador e realizador.


Mais do que você imaginaMais do que você imagina, mais uma das infelizes traduções de um nome de filme para a língua portuguesa (se bem que “O Novo Namorado de Mamãe” também não seria uma boa escolha…) conta a história da obesa Martha (Meg Ryan) e seu filho Henry (Colin Hanks), oficial do FBI que passa alguns anos fora de casa em uma missão secreta. Quando volta de sua missão e em função da aproximação de Tommy (Antonio Banderas), um suposto ladrão internacional de obras de arte de Marty (ex-Martha, agora dezenas de quilos mais leve), Henry é obrigado a espionar sua própria mãe para tentar desvendar o roubo de uma valiosíssima obra de arte que está para acontecer.

Contando com os novos lábios de Meg Ryan – cuja cirurgia plástica gritou aos olhos do espectador mais desligado, é uma comédia que consegue nos trazer uma mão cheia de risadas. Nenhuma grande surpresa, nada “remarkable” para citar. Nenhum grande drama, nenhuma novidade. Bom acompanhado de pipoca em uma tarde chuvosa sem nada para fazer na companhia de alguém delicioso. Sem este clima todo, seguiria em busca de outra opção.

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I.O.U.S.A.Dirigido por Patrick Creadon, I.O.U.S.A. é um documentário que analisa a rapidamente crescente dívida interna dos Estados Unidos bem como suas conseqüências para o país e seus cidadãos. Atordoados por uma sempre crescente expansão militar e governamental, pelo aumento da competição econômica internacional, subsídios que já não são capazes de ser mantidos, a “America” caminha para uma catástrofe de proporções épicas.

Através da história, o governo americano achou ser impossível gastar o que havia sido construído apenas com a criação de taxas e impostos. Misturando entrevistas com cidadãos comuns – os pagadores destas taxas – e indivíduos do governo, Patrick Creadon ajuda a desmistificar e apresentar o painel econômico atual de seu país, lançando seu filme em um momento em que a dívida deverá estar chegando em 9,5 trilhões de dólares, neste mês de agosto.

O filme estréia nos cinemas dos Estados Unidos em 21 de agosto e, diferentemente so que poderia se pensar, ele não se restringe apenas à apresentação de dados apocalípticos: ele apresenta soluções de como recriar uma nação fiscalmente equilibrada para apresentar às futuras gerações.

O diretor faz entrevistas cândidas com indivíduos tão distintos como Warren Buffett, Alan Greenspan, Paul O’Neill, Robert Rubin, Paul Volcker, assim como com David Walker, proprietário da Peter G. Peterson Foundation’s e Bob Bixby da Concord Coalition.

Para ver o trailer, clique na imagem que acompanha este artigo. Para conhecer o site oficial do filme, clique em I.O.U.S.A. – The Movie

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O SuspeitoA trama de O Suspeito mostra um procedimento chamado “Rendição Extraordinária”, que ficou comum nos Estados Unidos após o atentado de 11 de setembro de 2001 que permite ao serviço secreto – CIA e FBI – organizar e executar a extradição involuntária de suspeitos de terrorismo sem a aprovação judicial.

O envio destes suspeitos para prisões em países sem a supervisão judicial americana provocou e – suspeita-se – provoca ainda a tortura, humilhação e violação física e emocional de centenas de indivíduos, subitamente cerceados de sua liberdade sem direito à defesa justa ou mesmo sem acesso a um advogado.

O filme mostra justamente esta realidade, agora interpretada por Alan Arkin, Jake Gyllenhaal, Meryl Streep, Peter Sarsgard e Reese Witherspoon.

Além do bom enredo, que mostra simultaneamente o drama de Isabella El-Ibrahimi (Reese Whiterspoon) tentando desesperadamente encontrar seu marido tendo que enfrentar o hipócrita sistema político norte-americano e, no Cairo, o relacionamento supostamente amoroso entre a filha do inspetor de polícia local e um jovem colega de escola – personagem aparentemente periférico que será a chave para desbaratar o suspense que se instala.

OutlawedO jovem observador da CIA, interpretado por Jake Gyllenhaal, acaba também por mostrar (hollywodianamente) que o dever tem seu limite e a noção de justiça e humanidade devem sempre vencer a obediência cega à hierarquia. Um pouco difícil de acreditar, mas é Hollywood… Diversão acima de tudo.

A direção de Gavin Hood é competente e a sua decisão de incluir no DVD o documentário Outlawed: Extraordinary Rendition, Torture and Disappearances in the “War on Terror” produzido pela Witness, um grupo que usa vídeo e tecnologias online para abrir os olhos das pessoas à violação dos direitos humanos foi extraordinária. O complemento perfeito para o filme, que o torna ainda mais reflexivo e contundente.

Um filme feito por americanos mas que induz ao questionamento das escolhas que tem sido feitas pelos governantes desta nação tão poderosa mas ao mesmo tempo tão cruel.

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A Vida dos OutrosVencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Vida dos Outros não possui um personagem principal do início ao fim do filme. Existem vários protagonistas que se intercalam em diferentes momentos do filme, fazendo com que a narrativa tenha sempre uma dramaticidade intensa já que todos os personagens são fortes e possuem, graças em parte ao roteiro e em parte graças à direção de Florian Henckel von Donnersmarck, histórias que marcam cada um individualmente como em um romance muito bem escrito.

Ora é o Ministro da Cultura, que na Alemanha Oriental de 1984 manda e desmanda, escolhendo ditatorialmente quem publicará, quem dirigirá, quem atuará as peças teatrais quem rouba a cena, com sua arrogância característica entremeada por sua fragilidade impotente em conhecer o verdadeiro amor de uma atriz que ele admira; noutras é a famigerada atriz, que precisa entregar-se sexualmente ao Ministro da Cultura para poder seguir atuando e tendo os holofotes voltados a si e, ao mesmo tempo em que faz isso escondida de seu verdadeiro amor, o dramaturgo Geord Dreyman, trai a percepção de que a arte já está consigo e não precisa prostituir-se para buscar a arte; ou então vemos as coisas do ponto de vista de Dreyman, que apesar de idealista acabou por acomodar-se às regras dos “vermelhos” e não luta contra as mazelas de sua sociedade; finalmente, temos o capitão Wiesler, espião do Serviço Secreto Alemão, incumbido de vigiar Dreyman a mando do Ministro – que deseja incriminar Dreyman para eliminar seu rival amoroso – acaba por se identificar com a vida do artista e reconhece nele o ideal de vida que queria para si.

Ao contrário de algumas críticas que li por aí, percebi, a partir do momento em que Wiesler se identifica com Dreyman, um crescendo contínuo do filme que, longe de ressaltar apenas personagens planos, traz a verdadeira humanidade às telas – aquela em que um embrulho no estômago nos faz perceber que estamos trilhando o caminho errado e precisamos, de uma forma ou de outra, reajustar o prumo e nos redimir da melhor forma possível.

As cenas seguintes a este insight de Wiesler são todas neste caminho, e abrem espaço para a reflexão em todos nós, acerca das escolhas que fizemos até agora e sobre as possibilidade de novas escolhas, de novos caminhos.

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Jogos do PoderA história não é uma só. A história são estratos, já disse isso em outro lugar.

O filme Jogos do Poder, estrelado por Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman mostra os bastidores da invasão russa no Afeganistão durante a guerra fria, na década de 80. Os Estados Unidos, receosos em transformar a guerra fria em uma guerra “quente”, ou real, tratavam de auxiliar “por baixo dos panos” os muhajedins afegãos na resistência à invasão russa.

O congressista Charles Wilson (interpretado por Hanks) é um homem que adora um bom uísque e está sempre rodeado por belas mulheres. Os russos jamais poderiam imaginar que este homem seria capaz de, sob pressão de Joane Herring (Julia Roberts), a sexta mulher mais rica do Texas e uma paixão juvenil de Charlie, aumentar a verba anual de auxílio militar ao Afeganistão de 5 milhões para 1 bilhão de dólares, garantindo a chegada de mísseis anti-aéreos, mísseis anti-tanques e toda parafernália bélica necessária para conter a invasão russa.

Baseado no livro de George Crile, roteirizado por Aaron Sorkin (The West Wing) e dirigido por Mike Nichols (A Primeira Noite de um Homem, Closer), Jogos do Poder não é, de forma alguma, um filme de guerra. É, antes disso, um belo drama político com boas doses de muito bom-humor. Não deixa também de ser um filme que faz pensar em como a história que se apresenta diante de nossos olhos pode estar oculta por estes “jogos do poder”. Até que ponto as informações que chegam até nós são filtradas por quem quer que compremos suas idéias, versões ou produtos.

Nota geral do filme: 3,8 de 5 estrelas

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