Category Archives for "Nanoresenhas Canalhas"

dez 18

Jean-Paul Sartre – Esboço para uma teoria das emoções – NR003

By Rafael Reinehr | Nanoresenhas Canalhas

Nanoresenha #003 – NR003

Jean-Paul Sartre – Esboço para uma teoria das emoções

 

            Este pode ser considerado um prólogo ao pensamento existencialista de Sartre, uma espécie de introdução à sua obra essencial “O Ser e o Nada”. Em “Esboço…” Sartre faz uma crítica da psicologia enquanto tentativa de ciência e propõe uma abordagem fenomenológica para uma possível “teoria das emoções”.

            Sartre impõe seu próprio background, formado sob influência de Kant, Hegel, Heidegger e Husserl, na composição de uma teoria que, em síntese, conclui que a emoção é um fenômeno da crença. Portanto, é necessária uma experiência prévia, formadora da crença, para que à emoção seja dado significado. Significado este necessário para a própria definição de emoção. Para Sartre, há clara distinção entre a emoção enquanto comportamento ou conduta, enquanto sinal fisiológico e enquanto entidade completa.

            Pode-se por exemplo, ao sentirmos medo, parar de fugir, mas não parar de tremer, se o medo ainda está presente. Nesse caso, cessar a conduta não evita a emoção. Cessa a conduta, mas o sinal fisiológico ainda se mantém. Pode-se simular alegria ao receber um presente do qual não necessariamente gostamos mas temos necessidade social de demonstrar gratidão – esboçamos aí não emoção, mas uma conduta que visa se adaptar a uma determinada situação. De fato, não estou alegre, apenas mimetizo a conduta.

            Conforme Sartre, “…a emoção não é simplesmente representada, não é um comportamento puro: é o comportamento de um corpo que se acha num certo estado; o simples estado não provocaria o comportamento; o comportamento sem o estado é comédia; mas a emoção aparece num corpo perturbado que mantém uma certa conduta. A perturbação pode sobreviver à conduta, mas a conduta constitui a forma e a significação da perturbação. Por outro lado, sem essa perturbação a conduta seria significação pura, esquema afetivo.”

            Livro difícil, requer leitura muito atenta por 3 horas e releitura de certos trechos.  Lido em 14/DEZ/2006.

dez 18

Arthur Rimbaud – Uma temporada no inferno – NR002

By Rafael Reinehr | Nanoresenhas Canalhas

Nanoresenha # 002 – NR002 

Arthur Rimbaud – Uma temporada no inferno

  

            Rimbaud, o jovem poeta que publicou sua última obra aos 21 anos, escreveu esta obra entre abril e agosto de 1873, pouco após acabar seu caso romântico com o poeta Paul Verlaine, receber um tiro deste e mandá-lo para a prisão por dois anos. Neste contexto, o jovem poeta, na ocasião com 18 anos, desfere toda sua angústia, lirismo, dor e violência em oscilações entre o metafórico e o real.

            Em “Delírios – Virgem Louca” (Delires – Vierge Folle), entramos na pele do jovem Rimbaud travestido de mulher, escrevendo como que uma carta ao seu amado Verlaine, que descansa atrás das grades. Já em “O impossível” (L’Impossible), o desprezo pela falsa razão, pela política, por tudo que é excessivamente valorizado e idealizado é centro de seu ataque. A Igreja, Cristo, a ciência e os filósofos, todos vão para o mesmo saco de lixo, para depois serem queimados e virarem cinzas.

            Recorrentes menções a Deus, sempre de caráter negativo ou obscuro, ao ambiente e personagens ébrios, defeituosos moralmente, como um espelho de si mesmo – refletido pela sociedade da época, esse é Rimbaud em “Uma temporada no inferno”.

            Requer leitura atenta para captar as nuances que devem ser percebidas; 1 a 2 horas é o tempo necessário. Lido em 14/DEZ/2006.

 

L&PM Pocket Plus – Edição bilíngüe – Inverno de 2006 – Tradução de Paulo Hecker Filho

dez 14

Spencer Johnson – Quem mexeu no meu queijo? – NR001

By Rafael Reinehr | Nanoresenhas Canalhas

Nanoresenha # 001 – NR001

Spencer Johnson – Quem mexeu no meu queijo?

 

            Narra uma parábola em que 2 ratos e 2 homenzinhos encontram-se em um Labirinto cujo objetivo é saciar-se com Queijo. Um rato representa uma pessoa que facilmente percebe as mudanças, outro alguém que está sempre pronto a se mover e partir para a ação; um homenzinho é aquela pessoa que resiste fortemente à mudança, temendo que ela leve a algo pior e outro homenzinho é aquele que aprende a se adaptar a tempo, quando percebe que a mudança leva a algo melhor. O Labirinto representa o mundo em que se vive, o meio de trabalho, nossa casa, o ambiente à nossa volta. O Queijo representa nosso maior objetivo – felicidade, ou aquilo que para nós a representa: um relacionamento amoroso fantástico, sucesso no trabalho, paz de espírito…

            Em suma, a parábola ensina que devemos perceber quando as pequenas mudanças começam, para estarmos mais preparados para a grande mudança que pode ocorrer. Ensina que devemos simplificar a vida, ser flexível, no movermos rapidamente e não nos confundirmos com crenças assustadoras, que inibem nosso movimento. Algumas frases:

            “O caminho mais rápido para mudar é rir de sua própria insensatez – então você pode se libertar e seguir rapidamente em frente”.

            “O maior obstáculo à mudança está dentro de você mesmo, e nada melhora até você mudar”.

            “Sempre há um Novo Queijo em algum lugar, mesmo que você não saiba disso na ocasião. Esse Queijo é a recompensa quando se vence o medo e se passa a gostar da aventura”.

            É um livro que, em linguagem simples, incita a encarar a mudança como algo positivo e partir de imediato à luta quando algo ocorre de forma inesperada. Ensina também a ter um pouco de precaução, nos estimulando a perceber antes as pequenas mudanças que acontecem no nosso meio de trabalho, familiar ou amoroso, antes que uma “grande mudança” nos pegue de surpresa. Leitura leve e agradável, toma cerca de 1 a 2 horas. Lido em 13/DEZ/2006.

 

Editora Record – 49ª edição – 2005 – Tradução de Maria Clara de Biase