De sopros e cata-ventos

Posted By Rafael Reinehr on nov 14, 2007 | 5 comments


    Existem momentos na vida em que tudo parece parar. Um deles é quando estamos fazendo tantas coisas que estamos só fazendo isso: "fazendo". Fazer sem sentir, no automático, nos aproxima das máquinas, nos afasta da humanidade.
    Hoje, indo à Santo Antônio da Patrulha, passei por uma estação de geração de energia eólica que tem lá pelas bandas de Osório. Pela primeira vez – e já passo por ali há anos, vi alguns de seus cata-ventos – como minha esposa e eu costumamos chamar (e é isso que são, sem dúvida) – com as pás completamente inertes. Paradas, imóveis. Fiquei olhando para aquilo meio surpreso, meio pensativo, meio confuso. Refleti: a Natureza tem seus meios de promover o descanso de suas engrenangens. Em todas os níveis, exceto talvez no humano, a Natureza intercala ciclos de trabalho e descanso para os seres vivos e inanimados. É assim com o vento, deveria ser assim para nós, humanos.

    Existem momentos na vida em que tudo parece parar. Um deles é quando estamos fazendo tantas coisas que estamos só fazendo isso: "fazendo". Fazer sem sentir, no automático, nos aproxima das máquinas, nos afasta da humanidade.
    Hoje, indo à Santo Antônio da Patrulha, passei por uma estação de geração de energia eólica que tem lá pelas bandas de Osório. Pela primeira vez – e já passo por ali há anos, vi alguns de seus cata-ventos – como minha esposa e eu costumamos chamar (e é isso que são, sem dúvida) – com as pás completamente inertes. Paradas, imóveis. Fiquei olhando para aquilo meio surpreso, meio pensativo, meio confuso. Refleti: a Natureza tem seus meios de promover o descanso de suas engrenangens. Em todas os níveis, exceto talvez no humano, a Natureza intercala ciclos de trabalho e descanso para os seres vivos e inanimados. É assim com o vento, deveria ser assim para nós, humanos.
    E quantos de nós não temos – ou não nos damos o – tempo para repousar nosso corpo e espírito. Como nossas metas materiais, nossos delírios de consumo, nossa ilusão de ter…
    É possível ensinar a uma criança a sair desta roda-viva? É possível, no seio do lar, impedir que o estímulo nocivo da escola tradicional com seus meninos e meninas hipertecnologizados, consumidores de marcas, gorduras e modismos influenciem nossos filhos, filhos de pais que preferem o velho modo de viver.
    É possível usar o exemplo dos cata-ventos, que se movem ao sabor do vento mas, seguindo o sábio conselho da Natureza, interrompem seu movimento para reestabelecer suas forças ou será que estamos fadados a permanecer humanos-máquinas (ou máquinas-humanos?) por muito mais tempo?
    A capacidade de se embevecer com a magia está sumindo à mesma medida em que o domínio do material subjuga o abstrato, o sensível. O número toma conta do verbo, a estatística esmaga o dorso do cortador de cana. A lei do menor esforço só vale para quem tem o chicote nas mãos. A dor da cicatriz não alivia no fim do dia nem no final da semana.
    Há espaço ainda, neste mundo em que vivemos, para a humanidade?

 

        # # #

 

      Estarei viajando para um Congresso de Endocrinologia Pediátrica no Costão do Santinho, em Florianópolis – SC, de 15 a 18 de novembro e não atualizarei o site nestes dia. Tenha, prezado leitor(a) ótimos dias neste período e até a próxima segunda-feira.

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5 Comments

  1. má exploração
    moro em um estado banhado pelo oceano atlantico como é todo o brasil, e não vejo nunhum estudo sobre hidroeletrica movida com agua do mar,não seria já a hora de pensar sobre o assunto,ou vamos continuar sendo esse gigante adormecido
    que só pensa em robalheira e ilusões para com o povo,com por exemplo essas bolsas misserias que o governo federal fica empunhando como bandeira eleitoreira,ensinar a pescar não seria melhor que dá o peixe? educar as criança para não ser preciso punir os homens.

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  2. Nem Sempre Só
    Bom dia Rafael, compartilho destes momentos de reflexões e para isso uni forças com humanos de consiencia e juntos em um loteamento estamos formando uma comunidade onde a finalidade é a LIBERDADE, esta experiencia tem sido gratificante e muito profunda já que não ha tempo para fazer as coisas e sim AMOR.
    Abraços e sempre boa VIAJEM.

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  3. Rafael, quando não serviram para filosofar. Já é alguma coisa. Uma parada sempre é bom, para reciclar, arejar as idéias.
    Bom feriado,
    Forte abraço

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  4. Rafael.
    Não tenho dúvidas que repousos são necessários, porém cataventos são feitos para rodar. Suas engrenagens não são feitas para ficarem paradas, são concebidas para se manterem em movimento. Só deveriam parar para manutenções programadas e seu retorno necessita um empurrão. Alguns seres humanos são assim, inquietos por natureza.
    A energia eólica anda em questionamento, até mesmo na Alemanha que tanto usa esta energia. Reatores que deveriam durar anos estão se deteriorando rapidamente, estruturas mecânicas, engrenagens… será que foram mal concebidos? Será que nada na natureza merece descansos que tu comentas? Até mesmo um “ser” inanimado?
    Ventos são sublimes. Ventos tem nomes, ventos refrescam e matam. Sugiro a leitura da crônica Tramontana do Garcia Márquez (Doze Contos Peregrinos). Ali se entende a genialidade (ou loucura) de Salvador Dali.
    Na Santa Maria que tu bens conhece, o vento Norte anda initmamente associado ao aumento de crimes e acidentes de carro. Eu evito dirigir nos dias de vento.
    Bom congresso.

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