Rafael Reinehr

Escrever Por Escrever


 Eduardo Galeano De Pernas Pro Ar

Idolatrar pessoas geralmente é característica do espírito jovem, adolescente. Depois que crescemos, costumamos incorporar algumas características daqueles nos quais espelhamos em nossa personalidade, mas não temos o hábito de seguir identificando-nos com ídolos. Se me perguntassem, entretanto, o que gostaria de ser quando crescer, não teria dúvidas em dizer: Eduardo Galeano!

É claro, também gostaria de ser um pouco Bakunin, um pouco Capra, um pouco Morin e, se sobrasse espaço, muito de mim mesmo…

Me foi emprestado pelo grande amigo Eduardo Sabbi o livro De Pernas Pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso. Quando me emprestou, disse: “Esse livro é uma patada em cima da outra”. E estava certo: em “De Pernas Pro Ar”, Galeano exerce todo seu conhecimento da cultura e política da América Latina sob o olhar atento de alguém que, desde 1971, com “As veias abertas da América Latina” vem criticando a exploração de nossa sociedade pelo assim por Deleuze chamado de Capitalismo Mundial Instituído.

Publicado em 1999, esta obra do escritor uruguaio possui tantas pérolas que necessitam ser registradas lá dentro de nosso ser que precisarei relê-la novamente e, desta vez, não sem fazer anotações detalhadas de todos trechos impressionantes que ela contém em quase todas as mais de 350 páginas.

Até lá, selecionei alguns trechos representativos de parte do pensamento de Eduardo Galeano. Acompanhe:

 

 

Caminhar é um perigo e respirar é uma façanha nas grandes cidades do mundo ao avesso. Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm. O mundo ao avesso nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e amigos cibernéticos. Estamos condenados a morrer de fome, morrer de medo ou a morrer de tédio, isso se uma bala perdida não vier abreviar nossa existência.”

 

 

O mundo ao avesso nos ensina a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo: assim pratica o crime, assim o recomenda. Em sua escola, escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação. Mas está visto que não há desgraça sem graça, nem cara que não tenha sua coroa, nem desalento que não busque seu alento. Nem tampouco há escola que não encontre sua contra-escola.”

 

Contradições do mundo moderno

 

“A publicidade manda consumir e a economia proíbe. As ordens de consumo, iguais para todos, mas impossíveis para a maioria, são convites ao delito.”

 

“A igualação, que nos uniformiza e nos apalerma, não pode ser medida. Não há computador capaz de registrar os crimes cotidianos que a indústria da cultura de massas comete contra o arco-íris humano e o humano direito à identidade. O tempo vai-se esvaziando de história e o espaço já não reconhece a assombrosa diversidade de suas partes. Através dos meios massivos de comunicação, os donos do mundo nos comunicam a obrigação que temos todos de nos contemplar num único espelho, que reflete os valores da cultura de consumo. “A televisão (…) não só ensina a confundir qualidade de vida com quantidade de coisas…”

 

O PROBLEMA: A economia mundial exige mercados de consumo em constante expansão para dar saída à sua produção crescente e para que não despenquem suas taxas de lucro, mas, ao mesmo tempo, exige braços e matéria-prima a preços irrisórios para baratear os custos da produção. O mesmo sistema que precisa vender cada vez mais, precisa também pagar cada vez menos. E como quem recebe menos pode comprar mais?

 

Segundo Galeano, o valor dos produtos para animais de estimação  que, a cada ano, são vendidos nos Estados Unidos, é quatro vezes maior do que toda a produção da Etiópia. As vendas da General Motors e da Ford superam largamente a produção de toda a África negra. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, “dez pessoas, os dez mais ricos do planeta, têm uma riqueza equivalente ao valor da produção total de cinqüenta países, e quatrocentos e quarenta e sete milionários somam uma fortuna maior do que ganha anualmente a metade da humanidade”

 

 

“Num mundo que prefere a segurança à justiça, há cada vez mais gente que aplaude o sacrifício da justiça no altar da segurança. Nas ruas das cidades são celebradas as cerimônias. Cada vez que um delinqüente cai varado de balas, a sociedade sente um alívio na doença que a atormenta. A morte de cada malvivente surte efeitos farmacêuticos sobre os bem-viventes. A palavra farmácia vem de phármakos, o nome que os gregos davam às vítimas humanas nos sacrifícios oferecidos aos deuses nos tempos de crise.”

 

Uma dos achados fantásticos deste livro foi a citação de uma série de frases encontradas em muros e cidades do mundo. Eis algumas delas:

 

“Combata a fome e a pobreza! Coma um pobre!” (de um muro em Buenos Aires)

 

“Bem-vinda classe média!” (dizer na entrada de um dos bairros mais miseráveis de Buenos Aires)

 

“Deixemos o pessimismo para tempos melhores”(de um muro em Bogotá)

 

“Basta de fatos! Queremos promessas!”

 

“Existe um país diferente, em algum lugar”

 

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas” (de um muro em Quito)

 

         Estas citações me deram a idéia de criar uma seção do site para receber fotos de frases de cunho político ou de humor encontradas nos muros e locais públicos pelo mundo. Como não tenho viajado muito nem tenho muitos contatos, não sei se a idéia vai vingar, mas um dia começo a pô-la em prática.

 

         Antes do capítulo final, “O direito ao deliro”, Galeano filosofa e filosofa bem: “A natureza se realiza em movimento e também nós, seus filhos, que somos o que somos e ao mesmo tempo somos o que fazemos para mudar o que somos. Como dizia Paulo Freire, o educador que morreu aprendendo: “Somos andando”. A verdade está na viagem, não no porto. Não há mais verdade do que a busca da verdade. Estamos condenados ao crime? Bem sabemos que os bichos humanos andamos muito dedicados a devorar o próximo e a devastar o planeta, mas também sabemos que não estaríamos aqui se nossos remotos avós do paleolítico não tivessem sabido adaptar-se à natureza, da qual faziam parte, e não tivessem sido capazes de compartilhar o que colhiam e caçavam. Viva onde viva, viva como viva, viva quando viva, cada pessoa contém muitas pessoas possíveis e é o sistema de poder, que nada tem de eterno, que a cada dia convida para entrar em cena nossos habitantes mais safados, enquanto impede que os outros cresçam e os proíbe de aparecer. Embora estejamos malfeitos, ainda não estamos terminados; e é a aventura de mudar e de mudarmos que faz com que valha a pena esta piscadela que somos na história do universo, este fugaz calorzinho entre dois gelos”.

 

         De Pernas Pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso é leitura obrigatória para quem quer se localizar no mundo e perceber a importância de ter um lugar e, principalmente, ensinar isso ao seu vizinho.

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Daniel Matos: o Blogodependente


Posted By on Maio 19, 2007

Esta é pra rolar de rir! Será que alguém se reconhece na figura do Daniel Matos?

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Aparentemente, um dos co-autores da esquete é o português Filipe Homem Fonseca . Vale conferir o blog do Homem. Via Oito Passos .
Aproveite também para degustar outros sketches (como se diz em Portugal) do Hora H , programa capitaneado por Herman José , comediante português. Dentro do mesmo tema, recomendo o "sketch" Associação dos Blogueiros Anônimos, em que fazem piada do blogueiro José Pacheco Pereira, notório blogueiro português que mantém o blog Abrupto , um dos mais acessados de toda blogosfera mundial. Uma parada! Assista abaixo:
 
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mingus mingus mingus mingus mingus

Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus foi gravado entre 20 de janeiro e 20 de setembro de 1963 e lançado neste mesmo ano. Produzido por Bob Thiele, mostra um Charles Mingus mais voltado à composição do que ao virtuosismo em seu instrumento clássico: o contrabaixo acústico. Quem espera encontrar neste álbum o virtuosismo de Mingus à frente do contrabaixo, desista. Em Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus nosso herói destaca-se mais à frente do piano e como maestro de suas próprias composições.

A entrada, com II B.S. (também conhecida como “Haitian Fight Song”)  leva você para dentro de um filme de aventura, daqueles, dos anos sessenta obviamente! Better Get Hit in Your Soul nos leva para dentro de um salão de festas, onde uma legítima big band dispara suas notas no ambiente.

Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus é, sem dúvida, discografia básica para quem é fã de Mingus. Entretanto, as estrelas das composições são, sem dúvida, os metais. Eddie Preston e Richard Williams nos trumpetes, Britt Woodman no trombone, Don Butterfield na tuba, Jerome Richardson na flauta, sax barítono e soprano, Dick Hafer no sax tenor, clarinete e flauta, Booker Ervin no sax tenor e Eric Dolphy no sax alto e na flauta transformam esta piece numa delícia de se ouvir várias vezes seguidas.

         As músicas que compõe o disco, por ordem em que são tocadas:

  1. "II B.S." – 4:46

  2. "I X Love" – 7:38

  3. "Celia" – 6:12

  4. "Mood Indigo" – 4:43

  5. "Better Get Hit in Yo' Soul" – 6:28

  6. "Theme for Lester Young" – 5:50

  7. "Hora Decubitus" – 4:41

  8. "Freedom" – 5:10

A melhor notícia: este disco, até pouco tempo só conseguido através de importação, chega ao Brasil através da Universal, que está trazendo uma grande leva de CDs de Jazz. Atenção jazzófilos de plantão: coisas muito boas entre 18 e 25 reais estão dando sopa por aí! Uma vez por semana, sempre aos sábados, uma nova dica por aqui.

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 Mais um Ano Novo pelo calendário cristão… Mais um Ano Velho deixado para trás, com muitos acontecimentos importantes na vida de todos nós… Mais um… Mais um… (he-he-he) Não sei bem porquê, mas acho que 2003 vai ser o melhor ano de nossas vidas. Fiz algumas consultas às estrelas e também procedi com a leitura do sagu com creme e também com a leitura da banana caramelada do restaurante chinês e esses oráculos me disseram, com certeza absoluta, que os assinantes (e principalmente os PARTICIPANTES!) do Simplicíssimo estariam protegidos e envolvidos pelos signos do Amor, da Paz e da Felicidade neste novo ano que está prestes a iniciar. Não consegui descobrir o porquê, mas acho que vale a pena inscrever seus amigos e entes queridos para que eles também possam usufruir desta proteção mística! But, deixando de papo furado, vamos fazer melhor que neste ano, todos nós! Vamos ser mais amigos, mais tolerantes concosco e com nossos semelhantes, vamos dirigir mais devagar e vamos divagar… Vamos ler um bom livro (Escute, Zé-Ninguém!, de Wilhelm Reich – é minha sugestão para o começo do ano), fazer um curso de bonsai, de fotografia ou de culinária, aproveitar mais o Brique, inclusive nas tardinhas durante a semana, dormir ao relento, nem que seja por uma noite, tomar banho de chuva (mas não vale sem querer!) e de mar, amar, amar, amar, ah!, o mar! ó mar, ô Omar! ao mar, amar. Vamos escutar um pouco de música instrumental e sentir o que ela nos tem a dizer (Steve Reich, Chuck Mangione, Jaco Pastorius, Ravi Shankar…), vamos comprar uma girafa e dar para aquela pessoa querida, vamos estimular as pessoas do nosso lado a criarem, a crescerem, a trabalharem, a viverem… São tantas coisas para fazer…

 

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   Novos Proprietários da DVD Hall
Laércio Friedrich, eu e a Cláudia

    Foi difícil, mas certamente será melhor assim… Vendi no último dia 13 de maio a DVD Hall , minha locadora de DVDs. A DVD Hall Locadora de DVDs & Cyberhistórias, como consta no seu contrato social, foi inaugurada em 5 de outubro de 2005. No começo, em sociedade com meu cunhado Christean Schumacher, tínhamos somente cerca de 150 DVDs e estávamos alojados em uma pequena sala que era dividida com a locadora de videogames do Christean e um morador que utilizava a parte de trás da casa. Avenida Concórdia 1085, em Agudo-RS. Com o crescimento da locadora e do número de locações, precisamos mudar de local. Escolhemos a sala que era utilizada até então como consultório dentário da minha tia Solange, junto à casa da minha família em Agudo. A partir deste momento, adquiri a parte da sociedade do meu cunhado e, com novos ares em ambiente maior e reformado, a Nova DVD Hall passou a crescer mais e mais, de vento em popa, mês após mês, mesmo com concorrência acirrada. Em pouco tempo, graças ao investimento mensal de TODA renda da locadora em novos DVDs e infraestrutura (prateleiras, televisão de tela plana, DVD player, Videotrailer (sistema de exibição automática de trailer para clientes), Reparador de DVDs, campanhas solidárias na comunidade como o "Locadora Solidária", em que a renda da última quarta-feira do mês era destinada a uma entidade carente do município, tornamo-nos a maior locadora da região, com 1643 DVDs no acervo. Número pouco expressivo perto das "blockbusters" da vida, mas um aumento de 1000% no acervo em 18 meses.

    Fico agora na torcida que o Laércio e a Cláudia sejam tão os mais felizes do que eu fui enquanto proprietário da DVD Hall e que eles, além de felicidade, consigam também extrair um bom erário para garantir a segurança financeira deles próprios e da pequena Bárbara, recém-nascida.

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A Obesidade, até há bem pouco tempo, passava despercebida entre a vasta gama de enfermidades que assolam o ser humano. Isso porque, até muito recentemente, era encarada como sinal de personalidade fraca, combinação de glutonice e maus cuidados com o próprio corpo. A relutância da própria Medicina em encarar a Obesidade como doença levou a uma demora na identificação de métodos eficazes para o seu controle. Tanto demorou que hoje vivemos uma epidemia, na qual cerca de 40% da população adulta brasileira apresenta sobrepeso e um terço (33%) é obesa. Nos Estados Unidos a situação é ainda pior: lá, 65% dos adultos são obesos ou têm sobrepeso e 18% têm obesidade mórbida.

Mas se consideramos a Obesidade uma doença, por que isso ocorre? Basicamente porque a presença de obesidade está associada ao surgimento em maior freqüência de uma série de enfermidades, como a hipertensão, o diabete melito, infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais (derrames), gota, câncer de útero, osteoartrose de quadril, joelhos e tornozelos, cálculos na vesícula, varizes, cálculos renais, câncer de mama, irregularidades menstruais, excesso de pêlos e também infertilidade e morte prematura.

O que mudou nos últimos anos? Passou-se de uma visão permissiva para uma mais intromissiva no que tange a Obesidade. Sabe-se que praticamente a totalidade dos pacientes obesos apresentam algum transtorno do humor, quer seja o humor deprimido levando ao sedentarismo e a pouca busca por atividade física saudável e necessária, ou a ansiedade, associada a hábitos alimentares compulsivos e outros comportamentos auto-destrutivos. 

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