O Taliban está chegando no Brasil: uma breve análise do caso Uniban

Posted By Rafael Reinehr on nov 8, 2009 | 12 comments


talibanEstamos vivendo um momento negro na História da Mídia Instituída no Brasil, atrelado a um momento de trevas na educação brasileira. Enquanto a Rede Globo segue com seu noticiário esquizofrênico, lançando notícias sem aprofundar a discussão em torno de assuntos relevantes e que necessitam maior esclarecimento, a Universidade Bandeirante toma uma decisão que envergonha qualquer cidadão brasileiro que respeite, senão a liberdade individual ao menos a Constituição Brasileira, no momento em que decide expulsar a estudante Geysi Arruda.

Para quem está por fora da notícia, a estudante compareceu com uma minissaia à faculdade e, causando furor aos demais estudantes, foi rechaçada verbalmente por um grupo de alunos, causando sua saída forçada do recinto, de forma humilhante. A Uniban, neste domingo dia 8 decidiu “retirá-la” “do quadro discente da instituição, em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

O resultado de uma “sindicância” (nome bonito para uma fogueira inquisitória) foi o seguinte: “foi constatado que a atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”.

Ou seja: vamos expulsar a pessoa que não se comporta de acordo com normas (absurdas) estabelecidas (e que não estão escritas em lugar algum).

A foto abaixo mostra algumas alunas da Uniban que participaram das críticas à vestimenta da menina Geysi e o vídeo mais abaixo mostra um dia típico na cantina da Universidade.

burka
Alunas da Uniban em protesto à vestimenta da aluna Geysi Arruda no último dia 22 de outubro

http://www.youtube.com/v/iC8LYzlIXxs&hl=pt-br&fs=1&
Alunos da Uniban em um típico almoço na cantina, comendo macarrão

Quer opinar? O espaço abaixo é livre, desde que expresse opiniões fundamentadas sem palavras de baixo calão ou agressões gratuitas, como expulsões arbitrárias, por exemplo.

Mais uma leitura sobre o assunto: Veja o que fala o Tsavkko

Para quem deseja ir mais além: ABAIXO ASSINADO CONTRA A UNIBAN

Para:  UNIBAN (Universidade Bandeirantes)
Os subscritores abaixo vem manifestar total repúdio à postura da UNIBAN, unidade São Bernardo do Campo/SP, ao optar pela expulsão da estudante Geisy Arruda por ela ter, supostamente, usado vestimenta que atentou à moral e bons costumes (veja reportagem sobre o assunto em http://bit.ly/I2OX2 e http://bit.ly/2UJsS)

Não obstante a autonomia da entidade de ensino em elaborar regras disciplinares para o corpo discente, a postura da entidade demonstra perfil autoritário e contrário às conquistas dos Direitos e Garantias Individuais do cidadão, o que não coaduna com a atitude esperada de entidade privada que possui a delegação de obrigação de serviços públicos, devendo, portanto, estar sujeita aos mesmos compromissos éticos da Administração Pública.

O ambiente universitário deve pautar-se pela debate amplo e defesa incondicional da liberdade de seus alunos, obrigando-se a repelir de forma imediata qualquer intenção de atentado à dignidade da pessoa ou outras formas de humilhação, como é o caso em que se viu envolvida a aluna Geisy. Ademais, a nota de esclarecimento sobre a infeliz expulsão somente confirma a conduta preconceituosa da universidade que, no mínimo, está ausente de moralidade.

A expulsão envergonha os subscritores desse manifesto, e coloca em cheque os princípios basilares do Estado Democrático de Direito. Portanto, deve ser registrado que a opção da Uniban é fato isolado e contraria a todos nós.

Desejamos que fatos como esse sejam sempre lembrados como exemplos de involução cultural da sociedade, para que nunca mais se repitam.
Sincerely,
The Undersigned

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12 Comments

  1. Memorial do Holocausto
    Bem lembrado: existem atos que em si carregam muito mais do que uma análise rasa faz pensar. Gostei muito do trecho “A expulsão de uma universidade pode virar um dia a expulsão de uma sociedade ou do direito de vida”.

    Na verdade, já se consumou em uma expulsão ao direito de um “tipo de vida”, no momento em que restringe um direito básico do ser humano que é o de estar bem consigo mesmo.

    Que sociedade é essa que não cansa de constranger, intimidar, oprimir, regular e cercear a vida de seus membros. Está mais do que na hora de virar a mesa.

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  2. Incoerências
    Perfeito Felipe. Parece que leram Schopenhauer: “acuse seu opositor daquilo que você mesmo está fazendo”. A confusão fica tão grande que ninguém entende mais nada…

    Vem cá hein? E o Sarney, que fim levou?

    É tanto escândalo que não tem atenção suficiente para o pilantra…

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  3. Empresa x Universidade
    Prezado Anônimo, é bem por aí. Quando algo que deveria ser uma instituição de ensino é convertida em uma empresa, a lógica fica subvertida e passa-se a criar normas para tudo, como em uma legítima jaula de emprego massificado.

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  4. Mas a Uniban é uma universidade?
    Nossa pra mim não passa de mercantilização do ensino, me avisei quando a mesma for uma universidade com cidadões em pleno desenvolvimento do seu intelectuo, e em exercicio com a sua cidadania.
    O que se poderia esperar de uma universidade desse nivel só um picadero.A expulsão é uma força de refoçar o autoritarismo e o machismo nessa zona chamada Brasil.

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  5. É o que se podia esperar de uma universidade caça-níqueis, sem nenhum comprometimento pedagógico com a formação de alunos. Autoritarismo, hipocrisia, preconceito e ganância.

    O mais cínico foi o comunicado da faculdade, acusando a imprensa de ter se furtado ao debate… ora, mas não foi isso que a própria Uniban fez ao expulsar a Geisy? E ainda anunciaram que vão fazer um seminário de cidadania na faculdade. Ótima ideia. A direção da Uniban tem muito a aprender sobre o assunto. Ouso dizer que eles ignoram preceitos básicos sobre o tema.

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  6. E o que você acha?
    Cássia, ficou faltando você dizer o que acha da situação? És favorável à expulsão?

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  7. Paf! Eu sou universitaria, já vi coisa pior aqui na universidade onde eu estudo.
    Tive uma colega que vinha de mini-saia e top (tipo tomara q caia, a garota acabou desistindo do curso depois mais o visual dela ficou marcado na turma. Que agora alguns semestres depois que a garota saiu a mesma foi lembrada por um professor. Após o acontecido em SP, como a garota dos tops e minisaias. :uhh:

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  8. É claro que concordo contigo, a expulsão é ridúcula, mas tratei de explicar o que vejo na tal Geisy para ter conseguido provocar esse auê todo.

    Nosso país…

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  9. Normas estabelecidas e escarradas
    Faltou dizer uma coisa no meu texto: mesmo que tais normas estivesses escritas em algum lugar, o gesto mais nobre que se poderia ter com elas era convidar um fidalgo tuberculoso e pedir-lhe que, gentilmente se debruçasse e, sobre elas, escarrasse.

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  10. Ao assistir a reportagem fiquei me perguntando como isso pode estar acontecendo? Não vou entrar nos méritos de se a roupa era inadequada ou não, curta ou comprida, não é isso que está em questão, não mesmo. A questão é se vamos legitimar uma forma de pensar que leva ao extermínio do diferente. A expulsão de uma universidade pode virar um dia a expulsão de uma sociedade ou do direito de vida. Não vejo muita diferença nessa atitude com a forma de pensar de Hitler e lembro de uma frase escrita no memorial dos mortos pelo holocausto que diz mais ou menos o que foi escrito no final do texto, de que precisamos lembrar sempre do que aconteceu e passar adiante aos nossos filhos e netos para que ninguém esqueça como foi e para que nunca mais aconteça.
    Esse fato não pode passar em branco!

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  11. Disse o que era necessário.

    “Ou seja: vamos expulsar a pessoa que não se comporta de acordo com normas (absurdas) estabelecidas (e que não estão escritas em lugar algum).”

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