Posts Tagged "depois"


Em função de uma viagem, não consegui me posicionar anteriormente em relação ao processo judicial iniciado por Leticia Wiezchowski, autora, entre outros, do livro A Casa das Sete Mulheres, e o blogueiro Milton Ribeiro. Entretanto, preciso somar minha voz a de tantos outros que o fizeram.

Não tenho nenhum tipo de relacionamento com Leticia Wierzchowski e, por outro lado, considero-me amigo de Milton Ribeiro, o que poderia interferir em meu julgamento. Entretanto, as considerações a seguir serão tecidas da forma mais isenta possível levando em conta meu contato com os envolvidos. Para ilustrar melhor o que penso, vou contar uma historinha, com dois personagens chamados Miltona e Leticio (sem acento).

Miltona é uma escritora gaúcha de razoável sucesso regional que teve uma de suas obras escolhidas por uma rede de televisão para ser vertida em uma minissérie transmitida nacionalmente. A minissérie obteve boa visibilidade e aumentou temporariamente o número de pessoas cientes da existência da escritora, que vendeu milhares de seu livro na ocasião.

Miltona, entretanto, não conseguiu manter sua sorte seu desempenho nas obras a seguir e, depois de tentar sua sorte no mundo da arquitetura, da moda e da construção civil, resolveu dedicar-se ao direito, quando decidiu processar um de seus leitores, Leticio Ribeirinho.

Leticio Ribeirinho, um sofrido leitor da obra de Miltona, havia escrito uma resenha tentando abrandar uma critica severa que sua autora preferida havia recebido alguns anos antes por um renomado ensaísta, crítico e escritor gaúcho. Entretanto, ao tentar abrandar a crítica à sua amada escritora, o tiro acabou saindo pela culatra pois, ao imaginar que Leticio estava lhe insultando, a atrapalhada* Miltona decidiu que estava na hora de conseguir uma graninha enquanto não arranjasse uma nova ocupação, talvez como atendente no Wally-Smart.**

Mas agora, por gentileza, deixem-me concluir abruptamente este texto por dois motivos: meus pés estão ficando gelados e estão cortando seringueiras centenárias na beira do rio porque “estão impondo risco ao moradores vizinhos”. Isso parece uma inversão da lógica: primeiro eu me mudo para o lado do depósito de lixo e depois peço à prefeitura para que mude o lixão de lugar… É como escrever um livro cheio de erros e esperar que não se façam críticas a ele. É dormir com a amante na própria cama com a esposa preparando o jantar na cozinha e depois reclamar se for pego no flagra.

E não deixem de ler todos os links indicados acima e abaixo. Esta é uma história que merece ser apreendida e acompanhada. 

* Alguns estudos sugerem que o analfabetismo funcional no Brasil chegue a níveis superiores a 70% da população.

** A descrição da referida profissão não tem nenhum caráter desmeritório > este disclaimer está sendo publicado a partir da observação de que algumas pessoas com visão enviesada podem crer que algumas profissões possuem importância inerente maior do que outras

*** Não deixe de olhar a página da Leticia Wierzchowski na Wikipedia.

Para entender o post acima, leia os seguintes links:

Leticia Wierzchowski processa este blog (I)

Leticia Wierzchowski processa este blog (II) – O conteúdo da inicial escrita pelo advogado de Roberto Carlos e da RBS

Leticia Wierzchowski processa este blog (III) – Algumas opiniões equilibradas

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Recebi hoje por mail um spam da Editora Novitas, uma vulga nova editora que promete tirar do ostracismo o incauto escritor que desejar investir a bagatela de 9 centavos por página para ter seus escritos impressos em folhas de 75g/m2.

Falando assim, até parece uma crítica destrutiva e que não sou favorável a dar espaço para novas iniciativas do gênero. Pelo contrário, eu mesmo estou engatilhando a fundação de uma Editora Literária para os próximos meses (já planejada há mais de 2 anos).

O que me chamou a atenção na Novitas é uma gafe curiosíssima que se apresenta na capa do site. A imagem e as palavras falam por si só:

Novitas

(continue lendo…)

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Nossa primeira pedalada

Nossa primeira pedalada


Posted By on fev 1, 2009

Finalmente compramos nossas bicicletas!

A Carol escolheu uma Caloi Elite 2.1 e eu uma Scott Aspect 30.

Como não poderia deixar de ser, estreamos nossas magrelas no mesmo dia. Fomos aqui de casa até o Grêmio Fronteira, um clube onde eu iria ter uma partida de tênis. Como acontece em todos momentos significativos da minha vida, minha amiga, a Chuva, não poderia deixar de me prestigiar!

A volta para casa foi debaixo d’água, enfrentando uma bela subida para chegar de volta ao lar. E aí embaixo estão os dois felizes ciclistas, depois de sua primeira pequenina aventura:

Primeira pedalada

Esperamos que seja a primeira de muitas, e que muitas toneladas de CO2 deixem de ser emitidas nesta nova vida.

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Quais são os riscos e os benefícios de liberar um criminoso durante as festas natalinas? Durante este texto você vai se colocar no lugar de duas famílias e ajudar a decidir…

O Estuprador e o Indulto de Natal

Dia 25 de Dezembro. Na noite anterior, a ceia na casa da família Silva tinha sido ótima. Seu Franciel e dona Amália tinham recebido seus filhos que moram em Criciúma e Araranguá e, juntamente com a filha Verônica que com eles residia, tiveram uma noite muito agradável, regada a boa comida e conversas animadas.

Dia 25 de Dezembro. Na noite anterior, a ceia na casa da família Santos tinha sido ótima. Seu Aristides e dona Severiana tinham recebido seus filhos que moram no Arroio do Silva e seu filho Leonardo, preso há dois anos por roubo e tentativa de estupro, que recebeu o indulto de Natal e estava passando os dias com a família em Sombrio. Conversas animadas, boa comida… Uma noite muito agradável.

Gustavo e Frederico Silva voltaram para Araranguá e Criciúma na tarde daquele dia, já que no dia 26 trabalhavam. Despediram-se dos pais e da irmã e rumaram para suas casas.

Leonardo Santos avisou aos irmãos que ia passar o dia com os amigos, que não lhe esperassem para jantar.

Na casa de Verônica, a janta era feita com as sobras da ceia da noite anterior. Sentados na mesa de jantar, Verônica, seu Franciel e Dona Amália conversavam sobre a incapacidade do ser humano em respeitar as diferenças, enquanto um barulho de vidro quebralho lhes chama atenção.

Leonardo encontra-se com seus amigos para uma roda de fumo, bebida e pó. Conta para os camaradas que ainda não sabe se vai voltar ao presídio na segunda-feira, quando acabar o indulto. Com a cabeça ainda “ativada”, se despede do grupo e vai em direção à sua casa.

Quando Verônica se levanta para ver que barulho era aquele, um homem com cerca de um metro e noventa entra cozinha a dentro, vindo dos fundos da casa e manda todo mundo “ficar frio que ninguém ia se machucar”.

Leonardo tem uma idéia súbita: se realmente resolver ficar na rua, vai precisar de grana pra se manter foragido. Olha para o lado direito e vê a casa de sua antiga professora do primário. Se lembra que sempre morava sozinha, e resolve entrar. Pelos fundos. Quebra o vidro da porta, gira a chave por dentro e entra. Na mesa da cozinha, a professora e duas pessoas mais velhas. Diz:

– Fica todo mundo frio aí que ninguém vai se machucar.

Verônica, apavorada, reconhece na face machucada, barba por fazer e uma grande cicatriz à direita, o rosto de alguém que não vê há muito tempo. Seu Franciel se levanta para tirar satisfação, e em menos do que um instante já está deitado no chão, com a boca cheia de sangue, ouvindo os gritos da esposa e da filha.

Mas o velho teimoso não lhe escuta e resolve se meter a machão. “Tu vai ver o que é bom filhadaputa”. E Leonardo lhe desfere um forte soco que acerta o velho na boca, levando-o ao chão. Pega o braço da velha e da jovem e as carrega até o banheiro. Depois volta até o velho, chuta-lhe a boca e a cabeça e o arrasta até o banheiro.

O homem a agarra pelo braço, assim como à sua mãe e as tranca no banheiro. Logo traz, puxando pelas pernas, seu pai desfalecido. Ela pensa em gritar, mas o pavor é tanto que fica paralisada. Tenta ficar calma, mas mal consegue pensar. O invasor pede que a leve até algum dinheiro, dizendo que depois irá embora.

Leonardo pede que a professora lhe dê todo dinheiro que tiverem em casa.

– Ninguém precisa se machucar. Me dá o dinheiro e eu me mando.

Verônica o leva até os quarto dos pais, pega a caixa guardada na parte superior do armário, atrás de uma pilha de roupas e entrega a Leonardo. Três mil reais, é tudo que eles tem em casa.

Leonardo pega os três mil reais da caixa, mas antes de ir embora, ele precisa matar mais uma vontade reprimida nestes dois anos na prisão.

Verônica sente um olhar estranho em Leonardo, e o terror que já era gigantesco quase a faz desfalecer.

– Agora, fica quietinha se não quiser que eu te corte toda. E começa a arrancar a roupa da professora, que, pálida e com o corpo todo tremendo, não esboça nenhuma reação.

Verônica sente que está perdendo a consciência. Uma mistura de náusea, horror, vertigem e embrulho no estômago se somam ao tremor generalizado em seu corpo. Seus músculos não respondem à ordem que grita, dentro da sua cabeça: “Reaja, lute, se defenda, fuja…”

Leonardo penetra Verônica com toda força e disposição acumuladas no tempo em que ficou preso. Agarra seus seios e depois afasta suas coxas com vigor, para penetrar mais fundo. Ejacula dentro de Verônica, e o faz com um gemido de prazer. Levanta sua cueca, fecha o zíper e vai embora, sem olhar para trás.

Dia 25 de Dezembro. Um funcionário de plantão na delegacia de polícia de Sombrio recebe uma denúncia de assalto, agressão física e estupro. E pensa: “Porque uma merda dessas justamente no meu plantão? Vou ter que chamar o delegado…”

(O conto acima foi baseado em uma história real, contada por uma paciente minha no dia 08/01/2009, ocorrida com uma amiga dela, no último Natal. Os nomes dos personagens não condizem com a realidade, e alguns fatos foram omitidos e outros modificados, tornando esta uma obra de ficção.)

 

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Gilmar Mendes mostrando a língua para vocêLendo artigo de Mylton Severiano na Caros Amigos de dezembro, fiquei sabendo de mais uma, que nem impressiona mais nesta Sociedade da Simulação em que vivemos. Os artigo do qual foi retirada a história que Mylton conta foi redigido pelo jornalista Leandro Fortes, para a Carta Capital. Acompanhe:

Gilmar Mendes, ministro do STF, responsável pela soltura de Daniel Dantas da cadeia mesmo após relatório detalhado feito por outro juiz, colega seu, é na verdade um dedicado empresário que lucra com sua posição no STF.

Acionista do IDP, Instituto Brasiliense de Direito Público, entidade que desde 1998 organiza cursos, palestras, seminários, treinamentos e que desde 2000 lucrou mais de 2 milhões e meio de reais somente de contratos com órgão federais, sem licitação, Gilmar também usa de sua influência para favorecer o irmão, em sua terra natal.

Em Diamantino, quem reina por sua vez é Francisco Mendes, irmão caçula do ministro, que em 2004 teve ajuda de Gilmar, que levou à cidade autoridades federais para inaugurar obras e prometer novas.

Como se não bastasse, em outubro de 2008 quem venceu as eleições em Diamantino foi Erival Capistrano. Este, anunciado de morte por Moacir Mendes, outro irmão da família Mendes mandou avisar que Erival não tomará posse no dia primeiro de janeiro pois antes disso irá matá-lo. Gente de paz, hein?

Se ainda acha pouco, vai mais uma: na reta final da campanha eleitoral de 2000, Andréa Paula Pedroso Wonsoski, 19 anos, que trabalhava como cabo eleitoral do prefeito Francisco Mendes fez um BO na delegacia, alegando que o candidato a acusara de traição por denunciar a troca de cestas básicas por votos, sendo que a denúncia tinha sido feito pela irmã mais velha de Andréa, Ana Paula. Ao tentar explicar isso a Francisco, durante um comício, Andréa foi avisada: “Tome cuidado”.

Um mês depois, já eleito o prefeito Francisco Mendes, Andréa participou de um ato de protesto contra abuso de poder econômico nas eleições. Desapareceu. Sua ossada foi encontrada três anos depois, enterrada às margens de uma avenida a 5km do centro de Diamantino. Morta com um tiro na nuca, estava nua, provavelmente estuprada antes.

Como sempre neste país em que a justiça, quando diz respeito a punir quem tem poder e dinheiro é feita de merda (ou até pior, pois merda ainda serve para adubar a terra) não encontram-se culpados em histórias bizarras como estas. Usa-se a influência do cargo, a estrutura da máquina pública, contrata-se assassinos de aluguel para fazer “tudo andar bem” e não se ouvem notícias de culpados atrás das grades ou tendo seus cargos cassados.

Depois, surgem guildas de justiceiros no meio de cidadãos comuns e ainda há quem se espante…

(para ler mais, visite o Idelber)

 

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