O Sentido da Vida não precisa ser procurado fora dela mesma

Posted By Rafael Reinehr on dez 11, 2009 | 11 comments


A ideia de que a moralidade necessariamente foi “colocada” em nós me é totalmente estranha.

Da religião cristã, retiro toda a teologia e cosmogonia e fico apenas com seus preceitos éticos. Não há que existir Deus, ou louvar a um Deus para ser generoso, justo e bom. A moralidade é uma característica que pode ser cultivada em ateus e que pode grosseiramente estar faltando naqueles que creem em Deus.

Os seres humanos são fracos. Temos fraqueza de querer. Nós nem sempre fazemos aquilo que sabemos muito bem que deveríamos fazer. E isso, em muitas pessoas, produz o fenômeno da culpa, do remorso. A culpa é uma força negativa poderosa na cabeça das pessoas. As pessoas não gostam de sentir culpa, é um mau sentimento. Assim, a idéia de Deus, mais forte do que a simples ideia de uma moralidade, acaba por dar um motivo mais forte às pessoas para fazer o certo de forma regular. Assim, a existência de Deus pode ser uma necessidade para algumas pessoas. Se a força que possuem não lhes permite ser moralmente corretos somente pelo fato de que esta seria a escolha certa a ser feita, então há que se ter um Deus para regular e “fiscalizar” os atos dos homens.

É muito melhor fazer as coisas certas porque são boas e SOMENTE porque são boas do que fazer porque algum Deus está nos olhando e irá nos recompensar!

Um dos principais argumentos para não acreditar em Deus diz respeito ao fato de que, se ele é todo-poderoso, onisciente e todo-generoso, como pode haver tanto sofrimento na terra? Tantas catástrofes naturais, tanta maldade, doenças genéticas que trazem sofrimento às famílias e aos portadores das enfermidades? Se existe um Deus todo-poderoso que poderia evitar isso e ele não o faz, não é o Deus ao qual quero me reportar ou com o qual quero me relacionar. Se um ser humano resolve fazer experiências colocando dificuldades e sofrimento na vida das pessoas, como Joseph Menguele por exemplo, você acharia isso correto? Imputar sofrimento às pessoas somente para ver “como elas enfrentarão as dificuldades”, dando-lhes o livre arbítrio?

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11 Comments

  1. Calamidades naturais.

    As calamidades naturais destroem vidas de qualquer ser humano, sejam eles religiosos, ateus, agnósticos ou mesmo aqueles que ficam encima do muro, todos sem exceção são atingidos quando se encontram próximos a uma catástrofe imposta pela mãe natureza.
    Desde minha infância vejo falar que Deus existe para nos proteger, mas na pratica a meu ver não existe esta proteção, pois vejo doentes com Bíblia, com terço e com muitos outros amuletos orando e pedindo ajuda divina, a ajuda não vem, os coitados são abandonados a própria sorte, vejo cidades inteiras serem destruídas por terremotos, vejo a falta de chuva queimar lavouras inteiras trazendo a fome e a miséria, vejo enchentes atingirem cidades alagando as áreas ribeirinhas onde os mais pobres e geralmente mais religiosos constroem seus abrigos, vejo pais de família serem mortos por bandidos deixando seus filhos abandonados sem proteção, vejo políticos corruptos desviarem dinheiro público causando com isso imensos problemas sociais sem que recebam nenhum castigo divino por seus atos pecaminosos, vejo ônibus cheio de religiosos romeiros ou indo a congresso evangélico sofrerem desastres horríveis, vejo o continente africano sofrer com guerras, vejo seu povo ser massacrados por ditadores tiranos e implacáveis e mais as secas que geram fome e morte por desnutrição, pasmem já vi igreja desabar sobre a cabeça de religiosos fieis trazendo mortes e destruição, onde está a infinita bondade e a proteção de Deus.
    Nós estamos no século 21 á tecnologia está super avançada estamos na era do avião a jato do computador, pelo que vejo a crendice popular ainda está no mesmo patamar da idade média, a qual foi chamada de idade das trevas, pois naquele tempo a maioria esmagadora das pessoas era analfabeta, não tinham como se desenvolver intelectualmente, mas hoje a maioria e alfabetizada tem acesso a cultura, tem acesso até a leitura grátis nas bibliotecas publicas, temos a internet quase em todos os lares. O que está faltando e o povo deixar de ter preguiça mental e procurar desenvolver sua intelectualidade para saber se religião e a crença em Deus tem mesmo fundamento, procurar saber se as seitas religiosas realmente é coisa séria ou é somente um comercio explicito explorando a crendice popular em nosso país.
    Não venham me dizer que nossa glorificação mais importante é depois da morte, isso é uma maneira de enganar, pois nunca ninguém voltou da morte para dar testemunho de que o paraíso existe e que lá está a verdadeira glorificação e a salvação da humanidade. Novamente repito a frase Bíblica, cego é aquele que não quer ver.

    Paulo Luiz Mendonça.

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  2. Já leu Caim de Saramago? Recomendo! 😀
    Beijão!

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    • Caim
      Caro (ou cara) Anônimo, não li ainda. Mas sei da temática e, conhecendo Saramago, pretendo ler.

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  3. Assuntos
    Tão logo tenha o post de estréia te aviso, pois ele vai falar justamente sobre isso: do que trataremos no blog.

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  4. Sobre o tema do “sentido da vida”
    A propósito do tema desta postagem. Lembrei que o próprio Desidério já ofereceu uma disciplina[1] sobre “O sentido da Vida”. Ele mesmo já publicou um livro com coletânea[2] de textos sobre o assunto.

    Lembrei que este foi também o tema de uma peça de teatro que apresentei nos meus tempos de Ensino Médio, na época a conclusão que eu cheguei, e outras pessoas do grupo chegaram, foi de que o Sentido da Vida é pra cima. rsrsrs.

    Saudações filosóficas e felicidades em 2010!

    RM

    [1] http://dmurcho.com/meaning.html
    [2] http://criticanarede.com/pensaroutravez.html

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  5. Olá Rafael!

    Bom que gostou do texto, e da indicação do site. A Crítica realmente é o melhor site com melhor conteúdo de Filosofia em Língua Portuguesa que eu conheço. Ele é editado pelo prof. Desidério Murcho (que é português, mas hoje trabalha na UFOP) e é um filósofo bastante comprometido com a Filosofia e trabalha em prol da divulgação da Filosofia.

    Este texto mesmo que você leu foi escrito por um aluno dele, como trabalho de conclusão de uma disciplina que ele ministrou este ano.

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  6. onmisciência divina e o nosso livre-arbítrio
    Olá Rafael,

    A respeito deste assunto em filosofia da religião posso lhe recomendar o excelente texto de um amigo, onde ele procura compatibilizar a tese da onmisciência divina com o nosso livre-arbítrio.

    Eis o link: http://criticanarede.com/html/presciencia.html

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    • Filosofia pura!
      Obrigado pelo link Renato. Guardei teu contato. Qualquer pessoa com “sobrenome” riseup, a priori, é alguém que me interessa.

      Abraços não-radioativos,

      RR

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    • Terminei
      Terminei de ler o texto indicado, do meu xará Rafael (http://criticanarede.com/html/presciencia.html) e fiquei encantado. Muito elegante a teoria do colega filósofo. Tanto que vou encaminhar para uns conhecidos que são Testemunhas de Jeová para ver o que dizem.

      Do meu lado, não muda nada, já que sou um “tantofazteísta”, ou melhor, tento fazer o melhor aqui embaixo para que não caia um raio sobre a minha cabeça. De preferência, que caiam pétalas de rosa coloridas e bem cheirosas enquanto seguimos tentando sempre aprender mais para melhorar nossas relações com o outro e com o mundo.

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    • Finalmente…
      Obrigado por me apresentar a Crítica na Rede, revista que não conhecia e que já entrou na minha lista de preferidas. Fantásticos textos, belíssimas traduções, soberbas reflexões.

      Aproveito para te convidar para, em breve, conhecer meu novo blog, a ser chamado de Mutatis Mutandis, em http://mutatismutandis.opsblog.org

      Abraço.

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