utopia
Medictando

Transladando teoria em prática

De que serve ler palavras?

As lerei com meu corpo.

Como pode um enfermo beneficiar-se

lendo um livro de medicina?

Shantideva

 

Na edição passada, fiz um convite aos leitores:

que me ajudassem a esclarecer como se faz para transformar teoria em prática. Hoje começaremos a investigar esta questão.

Um aspecto interessante da vida médica diz respeito ao caminho necessário a trilhar entre o conhecimento e a aplicação prática daquilo que foi aprendido.

Sabemos, tanto por experiência quanto pela análise de estudos científicos, que quanto mais complexas as medidas que precisamos implementar em nossas vidas, menor é a aderência a tais

Por exemplo, é muito mais fácil conseguir aderência de uma paciente a um tratamento medicamentoso por curta duração do que por longo prazo. A aderência ao tratamento de uma pneumonia é muito mais provável do que a de osteoporose, diabetes ou obesidade. Dentro de tratamentos de curto prazo, aquelas medicações com uma só tomada ao dia tem chances muito maiores de adesão por parte do paciente do que aquelas que necessitam, por exemplo, três ingestas diárias. E, inalmente, tratamentos em que o uso de medicações são as responsáveis principais pela melhora dos pacientes acabam resultando em melhores resultados em geral do que aqueles em que a mudança de hábito de vida – incluindo, por exemplo, mudanças nos hábitos alimentares e realização de atividades físicas – são necessários.

Não se beneficia um paciente ofertando-lhe um livro de medicina – uma série de orientações práticas, detalhadas, factíveis e, de preferência, com pequenos passos por vez se faz necessária; em nossa vida profissional e pessoal também precisamos de certo planejamento e organização para transladarmos o conhecimento que adquirimos em ações práticas para benefício próprio e daqueles.

E quais seriam estas orientações que nos ajudariam a transformar teoria em prática? Chamo o fluxograma a seguir de “Vamos acampar?”, pois ele nos incita a fazer uma lista do que precisamos levar, por exemplo, quando vamos fazer um acampamento:

– Definir objetivos claros: o que queremos? para onde vamos? como vamos? com quem vamos? do que precisamos? como vamos conseguir o que precisamos?

– Antecipar possibilidades – e se não der certo, quais são as alternativas?

– Transformar crenças pessoais em problemas, para motivar mudanças

– Quebrar o complexo em partes menores

– Compreender o que se quer transformar e, finalmente

– Acompanhar o andamento do processo, corrigindo imediatamente o rumo quando necessário

Indo para a prática, então: há pouco mais de dois anos decidimos, minha esposa e eu, deixar de lado a vida de “sucesso” profissional que nos consumia por 12 horas dentro de um consultório cheio e mudamos de cidade e de vida, em busca daquilo que realmente fazia sentido para nós, em contraponto ao que a sociedade (e nossa família) espera de uma pessoa bem sucedida.

Este caminho, o que começa em saber exatamente o que se quer e não termina nunca, pois estamos sempre acompanhando e reavaliando o processo de caminhar, é o que estamos trilhando nesse momento. Só se aprende a viver vivendo. Como disse Thomas Fuller, “o conhecimento dirige a prática, mas a prática aumenta o conhecimento”.

Algo precisando ser mudado na sua vida? Leia a mudança não com o pensamento mas com sua própria vida.

Depois me conte. Mãos à obra!

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Quintessencial

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