Category Archives for "Terapias de bem-estar"

Dopamina
jan 10

Jejum de Dopamina: Uma Nova Forma de Sensibilizar seu Cérebro para a Felicidade?

By Rafael Reinehr | Bem-estar , Terapias de bem-estar

Um artigo de Meghan Holohan, publicado na Today em dezembro de 2019 nos traz uma curiosa “novidade” que chega, sem nenhuma surpresa, do Vale do Silício. 

Enquanto ainda discutimos por aqui a eficiência, os riscos e benefícios do jejum intermitente, um tipo diferente de jejum é tendência por lá: o “Jejum de Dopamina”. 

Seguidores dessa nova proposta acreditam que, ao se privar de qualquer coisa que os estimule – equipamentos eletrônicos, filmes, televisão, luz, sexo ou mesmo outras pessoas – eles podem manipular seus níveis de dopamina no corpo e “reiniciar” seus cérebros.

A princípio, pode parecer uma boa ideia: sensibilizar o efeito da dopamina, conhecido como um dos “hormônios da felicidade”, apenas por desconectar-se de equipamentos eletrônicos e se afastar, temporariamente, de atividades prazeirosas.

Para “jejuar”, os seguidores dizem que eles evitam coisas que eles gostam, que podem incluir aparelhos eletrônicos, sexo, mídias sociais, divertimento, compras, apostas, exercícios, comida e bebidas por um período determinado de tempo. Alguns mais radicais podem até evitar contato visual ou conversas durante este tempo.

O objetivo – evitar o estímulo no presente, seria tornar-se mais feliz depois. Por exemplo: ama fazer compras online? Durante o jejum, você deve evitar fazê-lo. De uma certa forma, é como a meditação na qual as pessoas permanecem algum tempo sem excitações externas. Mas esse tipo de jejum é adaptado às coisas que especificamente causam picos de dopamina em cada pessoa, quer seja vinho tinto, Instagram ou filmes Noir.

Para neurocientistas como Madelyn Fernstrom, “Nosso cérebro está sempre trabalhando. Nossos transmissores, como a dopamina, estão sempre trabalhando.”. Em suma, o que se espera em teoria pode não estar acontecendo na prática.

O que é a dopamina?

A dopamina exerce no nosso corpo uma série de funções. No cérebro, ela é responsável por ajudar a controlar nosso humor, para nos trazer aquela sensação de satisfação e recompensa.

As pessoas geralmente a conhecem como o “hormônio da excitação e da busca da novidade”, conta o Dr. Amit Sood, diretor da Resilient Option.

Isso significa que as pessoas experimentam um pico quando tentam algo novo ou antecipam algo. 

“Um monte das mídias sociais é movido por dopamina”, diz ele. 

Mas o papel da dopamina é muito mais complexo. Ela também ajuda o cérebro a controlar os movimentos e existe em outras partes do corpo, regulando a insulina, ajudando na digestão, gerenciando a função hepática e mantendo a pressão arterial.

“Ela é como um coordenador de tráfego aéreo. Controla e coordena as funções de um monte de diferentes órgãos, um monte de partes diferentes do corpo, para garantir que elas trabalham de forma harmoniosa.” – explica Zack Freyberg, professor assistente de psiquiatria e biologia celular da Universidade de Pittsburgh. Não ter dopamina suficiente causa problemas reais. A doença de Parkinson é um exemplo. O corpo absolutamente necessita fazer dopamina porque precisa dela para controlar os sistemas de suporte à vida.

De certa forma, comer e exercitar-se pode influenciar na produção de dopamina, mas não da forma que os fãs do jejum de dopamina pensam. 

Quando você come, a quantidade de dopamina no seu corpo temporariamente aumenta, pois ela ajuda a regular os níveis de insulina. E existem cada vez mais evidências de que os exercícios pode ajudar os pacientes de Parkinson a preservarem a quantidade de dopamina que possuem no cérebro.

Nome errado, ideia correta

Apesar de que o nome seja uma simplificação exagerada de como a química cerebral funciona, o conceito por trás do jejum de dopamina é positivo. O que os “jejuadores” estão verdadeiramente propondo é uma pausa do estímulo e se tornarem plenamente conscientes – ambas práticas saudáveis.

“Não existe nenhum lado negativo na prática, a não ser que você acredite que esteja tendo algum impacto imediato na sua química cerebral”, diz Fernstrom. “É um engano acreditar que um comportamento de curto prazo de qualquer tipo irá ter um impacto duradouro em seu cérebro”.

Além disso, desconectar-se e passar mais tempo sem estímulos pode ter um efeito oposto do que antecipado pelos jejuares.

“A meditação tem demonstrado aumentar a dopamina nos centros de recompensa do cérebro”, disse Sood.

Enquanto meditar e evitar aparelhos eletrônicos é benéfico, Sood encoraja as pessoas a pensar em adicionar algo à vida ao invés de subtrair. 

“É muito difícil esvaziar sua vida de algo”, diz ele. “Eu tentei esvaziar minha mente e não funciona. Não é sobre esvaziá-la. É sobre preenchê-la com as coisas certas.”

É justamente or isso que ele sugere que as pessoas pensem em algo positivo enquanto se afastam dos aparelhos e do excesso de atividades.

“Se você meditar sobre gratidão, compaixão ou bondade será muito mais efetivo”, diz Sood.

Artigo adaptado de https://www.today.com/health/what-dopamine-fasting-how-some-are-trying-change-their-brains-t168580

Endocrinologia e bem estar
nov 11

Endocrinologista: um especialista em mudança de hábito de vida?

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

 

Levando-se em conta a quantidade de estudos realizados nos últimos anos que levam em conta o critério de QoL (quality of life – qualidade de vida) questionado aos pacientes em casos como menopausa, andropausa, somatopausa, deficiência de vitamina D e outras afecções de cunho hormonal, podemos dizer que o médico endocrinologista está se transformando cada vez mais no médico especialista em qualidade de vida, ainda mais se associarmos os tratamentos farmacológicos desenvolvidos nos últimos anos às necessárias mudanças alimentares e de atividade física, que constituem algumas das mudanças de hábito de vida que complementam – juntamente com o bem-estar social e psicológico – o nível de satisfação que uma pessoa pode sentir.

Agora, entretanto, chegamos a um impasse: podemos dizer que o endocrinologista é o especialista em promover estas mudanças de hábito de vida? Bem, se levarmos em conta somente o desejo e o conhecimento necessário, talvez. Agora, se levarmos em conta a efetividade com que estas mudanças se instalam e permanecem na vida dos seus pacientes, este já não pode ser assim chamado, tampouco o professor de educação física ou personal trainer e tampouco a nutricionista, ambos com dificuldades – assim como o endocrinologista – de conseguir mudanças de hábito de vida permanentes nos indivíduos que acompanham. E então, quem será este especialista em mudança de hábito de vida?

Este especialista não existe. Está para nascer. Pode ser você que está lendo este artigo agora o responsável por achar o interruptor humano para que este caminhe em direção à uma vida mais saudável e duradoura. Mas – e dói admitir isso – esse alguém não sou eu.

Ainda não fomos (e mesmo que não esteja estudando isso, já que não sou cientista mas um simples “prático”, mas me incluo nessa) capazes de sistematizar uma forma eficaz de comunicar ao nosso consulente – ou talvez, sendo mais específico – ou ao sistema responsável os meios necessários para manutenção do peso, de uma atividade física regular, de uma nutrição saudável, da cessação dos hábitos de tabagismo e etilismo, entre outros.

Mas é importante lembrar que a falha não está somente na transmissão do conhecimento. Isso seria simplificar demasiado a questão. Afinal, não existem nutricionistas obesas, endocrinologistas que fumam e professores de educação física com alimentação incorreta? A resposta para as questões que estão sendo levantadas passam muito pelos conceitos de desejo e de conforto, e serão assunto para outro momento. Enquanto isso, vou refletir um pouco mais sobre como conseguir melhorar, ao menos em 10% ao que consigo hoje, a eficácia de minhas tentativas em melhorar o hábito de vida – e, conseqüentemente, a qualidade e quantidade de vida – dos meus pacientes.

Pesquisa Remuneração
set 30

Você está feliz com seu trabalho?

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

Entre primeiro de setembro e primeiro de outubro de 2008, realizei uma pesquisa aqui no site para tentar entender o que as pessoas que aqui chegam sentem em relação ao trabalho, bem-estar e à remuneração que se vincula com este trabalho e este bem-estar.

O resultado foi o seguinte:

Pesquisa Remuneração

A conclusão a que cheguei analisando os dados acima foi que uma grande parte das pessoas prefere não “viver somente para o trabalho”, mesmo que isso represente um incremento substancial (100%) da renda. Chegando a um patamar que lhes dê conforto, segurança e estabilidade financeiras, os votantes na opção “12 mil reais” preferem utilizar seu tempo com lazer ou outras atividades que lhes preencham do que utilizar as demais horas trabalhando mais para alcançar uma maior renda.

Me surpreendi com o grande percentual (32,2%) de pessoas que ficariam satisfeitas com uma rende de 3 mil reais para fazer 100% do tempo somente aquilo do que gostam. É claro que esta pesquisa sofre um grande viés: não leva em conta a remuneração atual do indivíduo que está votando. Ou seja, para alguém que ganha 1000 reais por mês, passar a ganhar 3 mil e fazer somente o que lhe dá prazer parece uma proposta aprazível. Mas e para quem ganha 24 mil, será que conseguiria passar a receber 3 mil e ficar plenamente satisfeito?

Obrigado a todos que votaram. Me ajudaram a pensar mais sobre o assunto. Ainda preciso de tempo para decidir por que caminho seguir. Quando decidir, compartilho com vocês a decisão.

E-mails
set 10

Getting Things Done – Terminando de Fazer as Coisas…

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

… ou simplesmente: Fazendo a Vida Andar. Sinto, diariamente, que perdi o controle da minha própria vida. Hoje resolvi tirar 3 minutos do meu tempo e contei quantos e-mails tenho deixado para responder depois a cada dia. De primeiro de setembro até agora – metade do dia 10 – deixei 173 e-mails para responder depois. Ou seja, uma média DIÁRIA de 17 mails que ficam sem resposta, acumulando e atrolhando minha caixa de mensagens, que já pesa mais do que um mamute após o almoço.

Entre estas mensagens, muitas de significativa importância, como a de pessoas interessadas em participar da Rede O Pensador Selvagem, quer seja como colunistas, colaboradores, editores ou blogueiros. Outras, de amigos, algumas de escritores, diagramadores, ilustradores interessados em participar da Sillencio Edittora e Livvraria, muitos ainda que fizeram comentários aqui no blog que me tocaram profundamente e com quem quero ter uma conversa mais demorada, portanto não respondi ainda ou simplesmente respondi de forma superficial, guardando o e-mail para me lembrar de responder com calma outra hora…

Mas aí é que está: esta “outra hora” não chega nunca, pois o acúmulo se torna cada vez mais aterrador. E aterrador é a palavra certa, pois parece que estou sendo “aterrado” sob esta multidão de e-mails. Hoje à noite vou tirar umas fotos do meu computador para compartilhar com os amigos a angústia que me toma conta.

Se alguém tiver uma boa idéia, que não seja do tipo “abandone a internet, vá viver sua vida”, estou aceitando. Imagina quando vierem os filhos e quando eu lançar os projetos que estão guardados na manga, relacionados à sustentabilidade e ecologia… Ó céus… Ó vida…

Samuel Hahnemann
jul 27

Do Mito à Razão ao Mito da Razão

By Rafael Reinehr | Terapias de bem-estar

Samuel Hahnemann        Criada há mais de 200 anos, por Samuel Hahnemann, a homeopatia usa o princípio das múltiplas diluições e o princípio de quesimilares devem ser tratados com similares, ou seja: dilui-se uma substância igual ou semelhante àquela que causa a enfermidade centenas de vezes até muitas vezes não haverem mais resquícios da mesma em determinada amostra e oferecem-se pequenas quantidades desta substância, acreditando que, desta forma, o organismo reconheceria o semelhante e reagiria a ele de forma positiva, levando ao controle ou cura da doença.

        A Ciência questiona o fato de como uma substância aquosa (ou alcoólica-aquosa) sem nenhum princípio ativo identificável, possa gerar qualquer efeito em um dado organismo. Esta mesma Ciência também clama por ensaios clínicos randomizados bem controlados, aqueles feitos com grande número de pessoas sendo que, para um grupo é dado o medicamento e para o outro uma substância chamada placebo, comumente aceita como uma substância livre de efeitos benéficos ou colaterais (as chamadas “pílulas de farinha”).

 

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