Quase Filosofia

Barata, pseudo, de vida. Filosofia insípida para todos os gostos.


Hoje estou completando 40 anos de idade.

Como gosto de dizer, estou chegando ao final do primeiro quarto da minha vida. Vamos aos 120 faltantes!

Nos últimos anos, questionei meu próprio lugar na profissão que escolhi, lá nos meus 16 ou 17 anos: a Medicina.

Muito deste questionamento adveio da desilusão  em relação à indústria da Medicina: a mecanização e desumanização do atendimento, o farmacocentrismo do tratamento, diagnósticos cada vez mais superficiais em função de uma atenção cada vez menor ao que os sinais e sintomas do paciente tem a nos dizer, a falta de desejo verdadeiro dos próprios pacientes em buscar a melhora de suas condições (ou pelo menos a motivação insuficiente em realizar as mudanças de hábito de vida necessárias a uma vida saudável) e a consciência de que as ferramentas que me haviam sido passadas na Medicina Alopática Ocidental eram, apesar de poderosas, francamente insuficientes para cumprir a missão à qual havia sido designado.Pedras harmonia

Mas, curiosamente, nos últimos 2 anos, começou a surgir uma percepção diferente de como eu poderia gerar uma reação a este modelo medicocêntrico e recuperar o “tesão” pela promoção da saúde, de uma forma nunca antes experimentada por mim nestes últimos 16 anos de formado.

Essa reação veio na forma de duas iniciativas. A primeira delas, o Medictando, um portal de Educação em Saúde, Qualidade de Vida, Bem-estar e Felicidade. Em resumo, um portal que tem como missão ajudar as pessoas a Bem Viver; a segunda, a ser lançado ainda neste mês de julho, a ZenNature, um espaço onde efetivamente o bem viver é representado pelos produtos que consumimos e que trazemos para dentro de nossa casa, para nossa família e para dentro dos nossos corpos.

Para bem além do conceito de “ausência de doença”,

a abordagem de saúde que busco promover é aquela inspirada pelo Benson-Henry Institute, de Boston: criar as condições para que cada ser humano atinja sua potência plena na face da terra, enquanto um ser vivo integral em suas dimensões física, mental, emocional, social e espiritual.

Passei quatro décadas aprendendo. É hora de devolver ao Universo um pouco da sabedoria que me foi concedida, ao mesmo tempo em que sigo, continua e dedicadamente, absorvendo e aprendendo com todo estímulo possível que me é ofertado.

E em breve, tenho um convite muito muito especial a te fazer. Vou te convidar a participar junto comigo desse sonho e desse caminho, como meu apoiador ou minha apoiadora, lá na página do Patreon que estou criando para possibilitar que esta jornada, que esta aventura seja a mais intensa, duradoura, profunda e abrangente possível. Te quero parte dessa tribo de pessoas que acreditam no humano como força propulsora de sua própria vontade, como catalisador da mudança de um estado atual para outro, melhor.

Estou preparando um texto, que vou transformar em vídeo, para te explicar melhor como você pode me ajudar! Fique atento(a) nos próximos dias!

Pedras equilíbrio harmonia

Para que este escrito aqui não se transforme em um romance, me despeço recuperando aqui um pequeno textículo que escrevi em 21/08/1998, quando ainda era estudante do nono semestre de Medicina da UFRGS. Creio que ele serve como ponte para o momento atual que vivo e que vivi naquela época, há 18 anos:

Pequeno guia para o futuro médico

  1. O médico ocupa-se com um único organismo, o sujeito humano, em luta para preservar sua identidade em circunstâncias adversas;
  2. Curiosidade intelectual é essencial; apenas o médico curioso pode progredir em relação à doença do paciente assim como na ciência da Medicina;
  3. A prática da Medicina é uma arte tanto quanto uma ciência; a habilidade de um médico em ajudar um paciente depende não apenas de seu conhecimento mas da maneira que ele o utiliza;
  4. As ferramentas mais importantes do médico continuam sendo seus olhos, mãos e ouvidos; as capacidades básicas em cuidar de pacientes requerem inspeção, palpação e, mais importante, a escuta atenciosa;
  5. Nem sempre se pode curar uma pessoa, mas sempre podemos confortá-la;
  6. Tornar-se médico não é apenas completar a faculdade e a residência: é antes de mais nada escolher por um modo de vida, permeado e determinado por questões morais e éticas, para o resto da vida;
  7. Cada palavra que pregamos, cada ato que realizamos, irradia de nossos corpos e vai se espalhar, distribuindo à Natureza nossos sentimentos, sentimentos esses que são por ela captados e devolvidos integralmente. Só quando todos nos dermos conta disso poderemos, finalmente, curar uma pessoa. Até lá, nos resta seguir aprendendo.

 

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39 anos, uma Odisseia

39 anos, uma Odisseia


Publicado Por em jul 1, 2015

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mis-én-scene, ou esbravejando, na Marcha das Vadias de Criciúma – foto Mariana Noronha

Da última vez que nos encontramos para um bate-papo assim tão longo, eu tinha 33 anos, está lembrado? . Ainda, como naquela ocasião, sinto que nada me falta. Materialmente falando. Tudo o que busco agora é preencher alguma possível lacuna espiritual. Ou então, quem sabe, é conseguir esvaziar-me por completo, e perceber que o Tudo e o Nada são, enfim, a mesma coisa.

Papos zen à parte, descobri muita coisa nestes últimos seis anos.

Acho que pode ser interessante compartilhá-las aqui, nesta conversa leve e solta que estou tendo com você.

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cozinhando para os amigos, no Solar das Lagartixas

Em primeiro lugar, quero dizer que melhorei muito em alguns aspectos neste período. Mas acho que posso ter piorado em outros, também. Aproveite para descer a lenha em mim nos comentários! Espero que, no cômputo geral,  se é que isso existe, o saldo tenha sido positivo.

Aprendi que, para um casamento durar, não basta querer. Não basta que somente um seja “nós”, mas que ambos o sejam. Aprendi que o desencanto pode surgir assim, de uma hora para outra. Mesmo que esta “hora para outra” não seja assim tão instantânea… Aprendi que olhar para o mundo, tentar salvar “o mundo”, começa, na verdade, por olhar pra gente, para dentro, e começar por nós mesmos. Na verdade eu sempre soube: a distância entre a teoria e a prática é que são elas… O resto é consequência, o resto é respingo das mudanças que promovemos de dentro pra fora…

Aprendi como é bom poder voar e criar novamente, como é bom fazer novos planos, outros planos, sentir novos ares, outros ares e perscrutar novos-velhos lugares. Aprendi que sempre que caímos, podemos levantar, e que as feridas dóem mas saram. E nos ensinam. E o que aprendemos, levamos conosco no caminho que segue.

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Falando sobre a Coolmeia, na Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

Voltei a me apaixonar pela música, e estou me dedicando progressivamente mais ao estudo das quatro e das seis cordas. Voltei a tocar em uma banda. E vamos logo logo gravar um compacto.

Voltei a escrever. E voltei a ser eu mesmo. Voltei a Escrever Por Escrever. E voltei a ousar. E voltei a assinar mais em meu nome e menos em nome da coletividade. Ego x Eco. Lego – Levo.

Voltei a me apaixonar, e estou me dedicando cada vez mais ao novo amor, de dia, de noite, de madrugada, em cima da cama e embaixo da escada…

Continuo sentindo e aprendendo que nossa meta precisa ser o bem, e que na hora em que menos esperamos, ele retorna pra gente, pelo menos na mesma intensidade mas geralmente em quantidade muito excedente à que praticamos. Hoje, dia primeiro de julho de 2015, quando completo meus 39 anos e – novamente – não vou fazer festa, mas sim festejar com minha namorada

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com Conrado e Benjamin, na casa da vó Gisa

 

e meus filhos, jantando com calma, paz e delícia, Hoje, dia como qualquer outro, mas se não

fosse eu, seria outro, recebo uma ligação que vale como um desses presentes inesperados que a vida nos dá. Senta que lá vem história:

Há algumas semanas, colocaram para alugar aqui em Santa Maria – RS um local no qual havia sido, por 19 anos, uma loja de discos, CDs, camisetas, discos de vinil, chamada Exclusive. Essa loja fechou e o local, o segundo andar de um sobrado construído na década de 20 do século passado, fica na mesma quadra da escola dos meus filhos, em cima de uma padaria, em área central da cidade e perto de tudo, inclusive do meu trabalho, para o qual posso ir caminhando. O problema: a reforma dessa casa tem um valor relativamente significativo, já que todo piso, forro e aberturas estão tomados de cupins. Basicamente, tudo precisa ser trocado. Apesar de querer ficar muito morando lá, e até mesmo utilizar o local como algum ponto de encontro cultural ou de ativismo sócio-ambiental na cidade, os altos custos tornavam as possibilidades de mudança para lá remotas. Agora, a mágica: a ligação que recebi foi do proprietário que, ao conversar com sua irmã, e sentindo minha boa vontade em cuidar com verdadeiro carinho e apreço pelo lugar, decidiram dar-me 2 anos (DOIS ANOS!) de carência no aluguel, para que eu possa realizar as reformas planejadas!!! Ypiiii! Um presentão! É aí que se fala de ganha-ganha: ganho eu, ganham eles, ganha a comunidade santamariense… Ideias já fervilham sobre o que irá acontecer no novo Solar da Andradas. Chega mais, e vem contar esse nova página da história com a gente!

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foto do amigo André Jacob, brincadeira em estúdio

E a vida rebrota. Morre-se, composta-se, revive-se e o ciclo finda infinitas vezes para reiniciar aqui e acolá, mutante, mudado, mudante…

Seis anos depois, uma coisa não muda: ainda espero que minhas amigas e amigos de verdade continuem me presenteando

com o que pedi, pela primeira vez, naquela ocasião: “se quiser me dar um presente no dia de hoje (ou em qualquer tempo), faça isso: pratique, com desapego, sem interesse por receber nada em troca, um ato de generosidade com alguém que você não conhece. Se calhar, permaneça com o espírito aberto, para repetir esta proeza quando for possível. Se conseguir, estará me dando um presente mais valioso do que qualquer um que já ganhei.”

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Conrado, Luana, Benjamin e eu, na casa da bisa Helga, em Agudo.

 

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Esse ano não aconteceu do jeito que eu queria…

Mas provavelmente, deve ter sido do jeito que eu precisava…

Essa reflexão que serviu para mim, talvez tenha servido para você também. Muitas das escolhas que fazemos não são as mais sábias, ou mesmo que sejam, não são bem compreendidas por quem convive conosco.

As mudanças que se imprimem sobre nossas vidas nem sempre são controláveis ou contornáveis: respondem a várias variáveis e são determinadas pelo ambiente, por outras pessoas, por fatos e eventos distantes e sim, uma parte delas cabe a nós determinar.

Quem acha que, a qualquer momento, tem a situação toda sob controle, ainda não sofreu com a força do vento.

Que em 2015 tenhamos a sabedoria de andar com o fluxo, de ouvir e aprender, de se aquietar mas também de irromper e agir na hora certa. Que possamos conviver com a maior dádiva que temos que é o Agora, com nosso maior presente que é o Presente. Não vamos deixar para depois…

Neste mesmo ano que me trouxe perdas e afastamentos, foi também riquíssimo em encontros, reaproximações e novas possibilidades.

Que os ventos da mudança continuem soprando e nos levem até as praias paradisíacas que só nos sonhos mais desviantes conseguimos imaginar.

Ficam os votos de um excelente início de 2015 a todxs meus amigxs, familiares e conhecidxs. As portas do Solar das Lagartixas, da Fazenda Bom Encontro e do Aconchego das Dores estarão abertas para todxs.

Um abraço fraterno, solidário e libertário,

Feliz 2015.

Rafael Reinehr

 

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